CADERNOS DO DO-IN ANTROPOLOGICO
recursos postos à disposição da pro-
dução cultural brasileira, através da
renúncia fiscal. E, aqui, não posso
deixar de fazer, desde logo, três ob-
servações. A primeira: as estatais têm
sido as maiores e quase que as úni-
cas financiadoras da produção cultu-
ral brasileira. Isto porque, depois que
a legislação permitiu que empresas
pudessem utilizar a renúncia fiscal em
proveito próprio, através dos seus
institutos e fundações, empresas e
bancos privados praticamente deixa-
ram de financiar os produtores cul-
turais. Assim é que muito do que de
relevante foi feito nos últimos anos
na cultura - a exemplo da retomada
da produção cinematográfica brasi-
leira - se deve ao apoio fornecido por
algumas estatais. A segunda: ainda
que legal, a utilização de recursos in-
centivados pelas empresas estatais,
nesse caso, é essencialmente um pro-
blema político. Precisamos definir cri-
térios e prioridades que possam ori-
entar com transparência e legitimi-
dade o uso dos recursos públicos ge-
rados pela renúncia fiscal. A tercei-
ra: a mídia se ocupou quase que ob-
sessivamente , nesses últimos dez ou
quinze dias, de uma suposta queda-
de-braço em torno do assunto, en-
volvendo os ministros Gushiken e Gil.
Quero chamar a atenção, aqui, para
Estudo de Djanira para o cartaz da peça "Orfeu
da Conceição", de Vinicius de Moraes
(Museu Nacional de Belas Artes)
(O COMBATE À
EXCLUSÃO SOCIAL PASSA
NECESSARIAMENTE POR
UMA AÇÃO DE INCLUSÃO CULTURAL,
QUE GARANTA A PLURALIDADE DE
NOSSOS FAZERES, O ACESSO
UNIVERSAL AOS BENS E SERVIÇOS
CULTURAIS E À CRIAÇÃO,
PRODUÇÃO E DIFUSÃO DESSES
MESMOS BENS.
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