CLIENTE: Gilberto Gil
VEÍCULO: O Estado de S. Paulo - SP
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MEMÓRIA
Morre o produtor
Guilherme Araújo
Pedro Dantas
ESPECIAL PARA O ESTADO
RIO
Vida &
22/03/2007
Ele foi por décadas empresário de Maria Bethânia,
Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa
O produtor musicale empresário
Guilherme Araújo, de 70 anos, fa-
leceu na manhã de ontem no hos-
pital Clínica Ipanema, na zona sul
do Rio, vítima de uma infecçãoge-
neralizada. Ele entrou para a his-
tória da música popular brasilei-
ra ao dirigir o show Recital, o pri-
meiro de Maria Bethânia, realiza-
donaboate Cangaceiro, em Copa-
cabana, em 1966. Ganhou notorie-
dade quando passou a empresa-
riar a linha de frente do movimen-
totropicalista. Além de Bethânia,
Araújo cuidou dos negócios e da
imagem de Caetano Veloso, Gil-
berto Gile Gal Costa por décadas.
Araújo lutava nos últimos
anos contra diabete e hiperten-
sãoeera cardíaco. Entrou no hos-
pital no início do mêsealguns dias
depois teve a perna direita ampu-
tada. “Ele saiu da cirurgia bem e
conversando, mas estava com
muita dor nos últimos dias e pa-
rou de comer. Os médicos fize
ram exames e detectaram que a
infecção se espalhara pelo cor-
po", disse Marilza Araújo, irmā
do produtor.
Ele escolheu o nome artístico
de Gal Costa, idealizou e dirigiu
umprograma de televisão comos
tropicalistas, cujo nome, Divino
Maravilhoso, era um bordão usa-
do por ele na época. Também ti-
rou do lixo o papel que Tom Zé
jogou fora com a letra de Zera a
Reza que se tornou um clássico
dos Mutantes
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CRIADOR-O'5.º doce bárbaro
Muito abalada, em Salvador,
Gal Costa afirmou que Araújo foi
"um grande homem para a cultu-
ra brasileira". Além da experiên-
cia com ele como tropicalista, ela
foi dirigida pelo produtor nossho
ws Gal Tropical em 1979 e Fanta-
sia, três anos depois. “Ele era mui-
to mais que um empresário, Gui-
Therme era um artista e foi muito
importante na minha vida, na de
Gil, de Caetano e de Bethânia. O
Brasil perde um criador”, decla-
rou a cantora
Gal lembrou o último encon-
trocom o produtor nos camarins
de um show dela nas areias da
Praia de Ipanema, na zona sul do
Rio. “Ele entrou no camarim, elo-
giouoshowedisse que sentiamui-
ta falta da mãe dele. Achei bonito,
mas tive a sensação que ele esta
va desistindo da vida ali. A prova
disso é que morreu cedo, pois po
deria ter criado muitas coisas
ainda", contou Gal.
Em New Bedford, no Esta-
do de Massachusetts, nos Esta-
dos Unidos, o ministro Gilber-
to Gil se manifestou por meio
de sua assessoria, após rece
ber a notícia. "Guilherme
Araújoera umamigo, um com-
panheiro do Tropicalismo,
vou sentir saudades dele. Fize
mos muitos trabalhos impor-
tantesjuntoseacabamos culti-
vando uma boa amizade, era
uma pessoa querida para
mim", afirmou Gil.
"Ele era um empresárioco
mercial com ambição criativa.
Tinha idéias modernas. Acho
que ele queria ser o Brian Eps-
tein (empresário dos Beatles)
brasileiro. Guilherme foi o
quinto doce bárbaro", disse o
escritor e produtor Nelson
Motta, que viveu em Nova
York nos anos 90. No mesmo
período Araújo anunciou a
aposentadoria
e foi morar na
cidade norte-americana.
Nos últimos anos, Araújoti-
nha uma vida social discreta.
De acordo com os parentes,
mesmodoenteelepasseavape
lo calçadão de Ipanema em
uma cadeira de rodas empur-
rada por uma das três enfer-
meiras que cuidavam dele.
Araújo está sendo velado
desde ontem na capela 2 doce
mitério São João Batista, em
Botafogo (zona sul), eserá cre-
mado hoje, às 15 horas, nocemi-
tério São Francisco Xavier, no
Caju (zona portuária)..
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