Wanderley Lopes: "Sou um buscador dos
iluminados disponiveis no Planeta
os coordenadores de Guariroba bou, muitos dos Inter
furiosos. Afinal, quem poderia projeto, que
convencer, de um dia para o ou
tro, a um peão, de que carne era
te reixado
experience engizione
um alimento nocivo? Além do
liense, viram-se em
des. Alguns foram
trabalhar
co
mais, a carne era um alimento
perfeitamente integrado à ali.
mentação dos trabalhadores,
que ficavam furiosos com as ob
servações daquele rapaz que vi-
nha de fora e nem os conhecia
mo fiscals da constructiil.
Verinha. com Wanted i lage
pes, foi para o restaura Cosas
sa da Terra. Tete Caftale
envolveu com Mosong do ,
projeto de fazenda voida paura
a agricultura natural
tinha as dimensões e
direito
que não
um" saira em dezembro
mobilizavam
a comunidad
ternativa brasiliense:
um dos membros
da comunida Portal e o Coisas da Teresa
de comprou uma bicicleta para Guariroba ndo derece
o filho. Os outros sentiram por compensacão plantas
não poder dar o mesmo presen-
te da paixão pela busca
te aos filhos. Quando as dividas mas alternativas de se
se acumularam e o sonho aca a vida
da Guariroba. Quando mi
do atual prefeito de ser
Mario Kertez, comprou a.4
da, o dinheiro arrecadada
en
deu para saldar as die
por ironia" lembra Vahe
nossas malores divides eram
com adubo
ORDEM DO UNIVERS
1
Em 1975. Tete Cataldo se inte
grava a um grupo de turist
de Lals Aderne, Iriainduar
Teatro Galpão, com peça
,
,
anda eram vistos com certo Alege
Peter Freelance buig, gu-
distaciamento pelos peões e temberg. O grupo - Aphala
pessoas que desenvolviam ati. Vaca - reunia-se par Iwans,
vidades mais bracais, como os
lavradores, tratoristas, moto-
que despertou enorme
ristas, etc. Para tornar tudo junto aos adeptos de pratican
ainda mais difícil, havia a pre Jternativas. O espetacula
cariedade dos barracões que se
diavam a fazenda e falta de re
cursos para a compra de bens
paso
mudando
historia do teatro brasilia
pela primeira vez, ufc peçe
candinga, ficava dorinte '15
wandeley
transformava o ano del
periodo áureo do jornal
do Universo cujo rimúmero
- Eu lembra Verinha, que
Enquanto isto.
era solteira, superava os pro-
blemas, com mais facilidade,
mas os que tinham filho, muitas
vezes sentiam a falta de recur
sos, que os impedia de comprar
um brinquedo melhor para as
crianças. Lembro-
me que cau-
sou enorme problema quando
res do projeto tinham formação
universitaria e eram pessoas 15-
Eadas a vida na inassoas ll musicos que, sob a coohanovci
fadas à vida na cidade. Por
mais que quisessem se integrar
Tete Catalão, que conheceu
sua futura esposa na experien-
cia da Guariroba, lembra que,
certa vez, passou quatro dias na
Ceasa, tentando vender um ca-
minhão de abóboras, produzido
dentro dos principios da agri
cultura natural. Em vào. "A
mafia japonesa, brinca, vendeu
todos seus produtos e eu tive
que dar, quase de graça, nossa
produção
Wanderley Pinho Lopes. 37
anos, que participou de Guari.
roba, tem uma análise diferen-
ciada. Para ele, o fim do proje
to começou quando se optou pe.
la agricultura do adubo quimi
.
CO"
Vindo da Europa, onde manti-
vera contato com várias comu-
nidades alternativas na Ingla-
terra, Franca e Belgica, e apal-
Xaonado pelo livro As Plantas CONVIVENCIA
,
riências incríveis com agricul Verinha lembra que o interes
tua natural na Escócia, ele disse de Gil pela Guariroba era
No que diz respeito aos frutos cordou do Projeto Guariroba, enorme. Ele pensava, incluvise,
agricolas da Re-Fazenda, quando premido por dificulda em viver parte de sua vida na
questão e controversa. Verinha des financeiras, seus coordena- Re-Fazenda brasiliense. Quan-
admite que faltava experiência dores decidiram pela
aplicacão, do o grupo já congregava 25
em parte da plantação de adu-
e a
pessoas, entre adultos e crian-
agricultura natural fol extre- bos quimicos
cas, começaram a se agravar
mamente dificil. Além do mais,
também. probelmas de convi-
lembra, faltavam-nos recursos
vência cotidiana. Os idealizado-
para investir. Fascinados como
projeto da Re-Fazenda.
Gilberto Gil, em maior propor-
cão, e Caetano Veloso ajuda
ram, com recursos financeiros.
a alimentar esta original expe-
riência de comunidade rural
brasiliense. Mesmo assim, lem-
bra Verinha, houve momentos
em que as dificuldades e os pro-
blemas financeiros adquiriram
tal volume, que foi preciso ven
der a Guariroba
Teté lembra o pensamento
que norteou esta decisão: "su-
punhamos que financiariamos o
projeto de agricultura alternati
va com recursos oriundos das
plantações feitas com técnicas
convencionais"
GUARIROBA - Uma Cidade Lural Florece no Planalto.
GILBERTO GIL AJUDA A ALIMENTAR O SONHO e compoé
Refazenda
Refazenda toda
Guariroba
MARIA DO ROSARIO CAETANO
Da Editoria de Cultura
E
na, um sonho alternativo que,
entre outros frutos, rendeu a
canção Refazenda, de Gilberto
GII, composta em 1975. Espécie
de manifesto do Projeto Guari
roba, uma comunidade rural
Refazenda fala de abacateiros
tomateiros, tamarindos. de na
moro e se conclui anunciando
"Refazendo tudo/ Refazenda/
Refazenda toda/Guarlroba".
Muitos dos que conhecem a
canção, decerto não decifra
ram, por trás de seus versos, as
Ideias que animaram um grupo
de ex-estudantes da UnB (Ro-
berto Pinho - Antropologia:
Luis Carlos Pontual - Enge-
nharia; e Fabricio Pedroza -
Arquitetura) a instalar, a 100
km de Brasilia, experiência co-
munitária orientada pela busca
de uma vida mais saudável e
em contato direto com a nature-
za
m meados caminho do pensamento intuiti turals. Por tal vivencia, seu pa
dos anos vo, pelo desenvolvimento da ca: pel na Re-Fazenda era o de ser
70. um pacidade de perceber nossa shuma espécie de mestre-de
grupo de tuação cósmica, A Comunidade culinária. De uma nova culina
jovens do Monte Santo do Divino rete. ria
brasilein. rida pelo prof. Agostinho tinha
ses plan suas origens na época do desco
tou em brimento do Brasil e seus mem-
terras da bros foram perseguidos, religio-
Guariro sos de ordens templárias portu-
ba. muguesas".
nicipio de
Cristali
A Re-Fazenda Guariroba foi
instalada no caminho de Unai.
em terras do municipio de Cris
talina. A Pinho. Pontual c
Fabrício juntaram-se Vera Les-
sa, Nazaré Pedroza. Antonio
Melo Afonsinho. Wanderley Lo-
pes. Tete Catalão, o engenheiro
agronomo Conceição e Silva,
Vera Lessa, hoje com 36 anos,
,
vinha de uma profunda ligação
.
com experiencias alternativas
Em Salvador. ela mantinha o
restaurante macrobiótico. Dois
Por Dois. Ela havia se curado
de uma hepatite, na Bélgica,
alimentando-se com comida
macrobiotica. Ajudara Gilberto
Gil, em Londres, a criar os ft
tratando-os com os principios
da alimentação e medicina na-
entre outros. "Ao todo".
Jembra lhos dele, alimentando-os e
Verinha, "se somássemos ao
grupo esposas e filhos, eramos
25 pessoas
Durante dois anos, este grupo
de pessoas, inspirado pelas
Idelas do professor Agostinho
da Silva, responsável na UnB.
pelo Departamento de Estudos
Portugueses, levou adiante a
Re-Fazenda Guariroba
Pontual conseguiu os recur
Sos necessários à compra da fa-
zenda. Em janeiro de 73. Veri-
nha veio a Brasilia, com Rober
to Pinho, conhecer a área que
abrigaria a comunidade.
Fabricio e Nazaré também ana.
lisaram as terras. Na região ha.
via muitas palmeiras. Dai",
conclui Verinha. "deve ter
saldo o nome Guariroba"
o
Quando Pontual adquiriu a fa.
zenda, Pinho deixou a Bahia e
fixou-se, mais uma vez em
Brasilia Verinha, antes de vir
para o Planalto Central, fol a
São Paulo, aprofundar seus co-
nhecimentos de Medicina Alter
nativa e estudar Acupuntura
com o mestre Tomto Kikuchl.
que por sua vez, era discipulo
de George Oswawa. Ela perma-
neceu o ano de 73 em São Paulo.
de
MAOS A OBRA
Vera lessa, companheira do
poeta Tele Catalo, recorda-se
dos principios que uniramo
grupo em torno da comunidade
rural de Guariroba: "Roberto
Pinho e Pontual eram alunos do
professor Agostinho da Silva e
alimentavam o sonho de cons-
truir, no Planalto Central, uma
comunidade rural semelhante à
Comunidade do Monte Novo do
Divino. Este projeto era uma
ideia do professor Agostinho.
que pregava o culto ao Espirito
Santo, não da forma que a Igre
ja Católica coloca, mas sim pelo
Roberto Pinho, além de pas
sar pela efervescente UnB dos
anos 60. mantinha em Cachoei
ra/São Félix, no Recôncavo
Baiano, intenso trabalho de
educação comunitaria e um
centro cultural, onde se desen-
volviam pesquisas urológicas,
Buscava com estas experien-
cias, valorizar o conhecimento
intuitivo em contrapartida ao
conhecimento lógico-dedutivo.
via alimentação, arte, formas
misticas, loga, enfim, aspirava
despertar no individuo a cons
ciencia de sua possibilidade de
desenvolver o pensamento. A
estes principios somavam-se
várias formas de religião e a
idéia da fraternidade humana,
através do estabelecimento de
relações no dominadoras, mas
de convivencia harmónica com
a natureza
Quando Verinha chegou a
Guariroba, em janeiro de 74. O
projeto já se desenrolava. Pri
meiro, o grupo se alojou numa
casa em Taguatinga, onde dis-
cutia, coletivamente, as ideias e
propostas que colocariam em
pratica na Re-Fazenda. Depois.
o grupo se fixou num escritorio
no Cruzeiro, onde Fabricio de
senhava as casas que compo
riam os núcleos habitacionals
da Guariroba, seguindo seus
principios de gerar arquitetura
integrada ao meio ambiente. No
terreno da agricultura natural
ou biológica, o grupo recebeu
orientação do agrónomo portu-
gues Conceição e Silva, tam-
bém discipulo do prof. Agosti
Fabricio Pedroza: o arquiteto do sonho
nho da Silva, No primeiro mo-
mento. O grupo optou pelos hor
tigranjeiros, uma vez que o cul.
tivo de cereais demandava tem
po maior. Por causa do ciclo
mais rápido dos produtos da
horticultura, lembra Verinha .
pouco nos dedicamos ao cultivo
de cereals
PRIMEIROS PROBLEMAS
Se o sonho da Re-Fazenda
alimentava o grupo e fora capaz
de trazer várias pessoas da Ba.
hia, a inexperiencia no trato
com a agricultura - em espe-
cial com a agricultura natural
- começou a gerar os primel-
ros problemas
Com o distanciamento de 10
anos, Verinha admite que falta
va ao grupo um ideario comum
e uma liderança mais carisma
tica. O Roberto Pinho, de certa
forma, exercia esta liderança,
mas era um lider questionado
pelo grupo, em muitas ocasiões
Ele não tinha a autoridade de
um prior que dirige um mostel-
ro e é reconhecido por todos
graças a uma crença transcen-
dental. Além do mais, os parti-
cipantes do projeto Guariroba
tinham formação, religiões e
percepções muito diversas.
- A agricultura natural era,
para nós, um grande desafio
Se, hoje, as pessoas estão dis-
postas a pagar mais caro por
produto natural, naquela época
não havia esta consciência. Os
japoneses, como é sabido, sem-
pre foram o elemento dominan.
te no fornecimento de produtos
de horticultura, em Brasilia
Praticam uma agricultura que
atende a todos os principios e
regras do mercado, com muitos
aditivos, gerando produtos de
aparência sedutora. Uma abo
bora plantada pelos japoneses
se comparada com as que pro
duziamos na Guariroba, nos
deixavam em grande desvanta
gem. As abóboras deles pare
clam enormes e saudáveis, e as
nossas mudas e sem valor
Sablamos que a nossa era mais
vencer, no esquema da Ceasa,
aos compradores de que tinha-
mos razo?
Esta justificativa não conven
ceu Wanderley, adepto convicto
das práticas de alimentação e
agricultura naturals. Hoje.
meio atritado com o núcleo ba
sico da Guariroba, a simples
menção de seu nome provoca
esclarecimentos do tipo: "ele
passou por Guariroba, não era
do grupo que idealizou o proje
to". Um dos integrantes mais
próximos da Re-Fazenda
lembra que a postura de Wan-
derley foi, muitas vezes, desa-
gregadora. Orientado, unica-
mente por sua convicção de que
só a macrobiótica salvava as
pessoas, ele chegava à mesa de
refeições. onde os pedes co-
miam e ao ver carne no prato
deles, dizla colsas do tipo: vocês
sabiam que carne e um vene-
no?"
Tais atitudes de Wanderley
segundo esta fonte, deixavam
interesse
a
1975, me
Ordem
ole 1974,
naturais
-semente
.de
I
pioneiro
formas
-praticar
a vida