OS MAIORES CAPTADORES DE 2007
Em reais
Instituto Itaú Cultural
Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira
Fundação Padre Anchieta
Dançar Marketing Comunicações Ltda.
Fundação Roberto Marinho
Fundação CSN
Fundação Orquestra Sinfônica do
Estado de São Paulo
Associação dos Amigos da
Pinacoteca do Estado
Expomus - Exposições Museus
Projetos Culturais Ltda.
Fundação Bienal de Artes Visuais
do Mercosul
jogo político e brigar por recursos. Na cul-
tura, somos maus políticos. Deveríamos
aprender a ser mineiros."
Baiano, Ferreira não tem nada do jeito
mineiro. Mas, à sua maneira enfática,
está fazendo política. Na segunda-feira 2,
reuniu-se com o Ministério do Planeja-
mento, pois está convencido de que, sem
a melhoria no orçamento no ministério,
não há mudança na lei que se efetive.
"Só é possível fazer uma mudança
significativa com a cooperação do go-
verno. O mecanismo de renúncia não é
adequado para financiar a política pú
blica. Nem sempre se pode contar com
o empresário que, legitimamente, quer
para investir no parque arqueológico de
São Raimundo Nonato, no interior do
Piauí?", pergunta.
Mas é ao pote da Lei Rouanet a exem
plo do que ocorre em São Paulo - que o
governo federal corre para viabilizar
muitos de seus projetos, do DOC-TV
(produção de documentários exibidos em
teves públicas) ao Pixinguinha, caravana
musical realizada pela Funarte. Pela falta
de orçamento, o MinC ficou, ele próprio,
refém do mecanismo criado, em
1991, para tornar possíveis iniciati-
vas da sociedade. Hoje, calcula-se
que os vários governos abocanhem ao
menos metade dos recursos da lei.
Consciente de que a dependência
excessiva fragiliza o ministério, Fer-
reira, ao falar do novo projeto, bate na
tecla orçamentária. "Ampliamos o con-
ceito de cultura e
tratá-la
primo política públicas
Samos a
governo, pela
vez, incluiu a cultura na agen-
da social. Mas, se é política pública, pre-
cisa de dinheiro orçamentário", diz,
como se mandasse recado. “Não po-
demos ficar caudatários do apoio em-
presarial. Se o governo assimilou o dis-
8.577.791,66
8.259.152,99
8.138.200,00
curso de que se trata de uma necessida-
de básica, que não é cereja do bolo, vai
manifestar sua responsabilidade na de-
terminação do orçamento."
Pela projeção do MinC, a necessida-
de, “sem delirar”, seria de cerca de 3,5
bilhões de reais. Em 2003, a pasta abo-
canhava 0,2% do orçamento da União
(237 milhões de reais). Saltou para
0,6% em 2007 (pouco
mais de 600 milhões de
reais) e caiu para 0,5%
de novo. As deficiências
na estrutura do Minc
têm feito, inclusive, com
que os projetos se acumu-
fones estejam sempre
ocupados algo que
aumenta a insegurança
do setor em relação às
possíveis novidades.
"Os governos gostam que o financia-
mento seja feito com renúncia, que é di-
nheiro público, porque não aparece como
despesa no cálculo do superávit. Mas não
podemos submeter o desenvolvimento da
cultura a essa hipocrisia contábil", afirma
Ferreira. O Minc propôs ao Planejamen-
to e à Fazenda um orçamento de 1 bilhão
de reais. Por que conseguiriam? “Por que
não?", retruca. "Não saímos de 200
27.000.000,00
17.384.460,00
11.836.926,25
11.548.348.94
9.957.758,94
9.377.671,77
8.613.622,69
FONTE: Mind
para 600? Se fossemos sensatos não teria-
mos feito o que fizemos s aqui. Precisamos
de um pouco de ousadia."
Faz também parte da ousadia tentar
mexer com os grandes beneficiários da Lei
Rouanet. "Há muita resistência a mudan-
ças. Sabemos que 3% dos proponentes
captam 50% dos recursos, o que é um ab-
surdo", diz Celso Frateschi, presidente da
Funarte, na mira dos produtores por ter 4
mil projetos parados em suas gavetas. Ele
admite os problemas na instituição, mas
observa: "Alguns produtores mais ideoló-
gicos têm tentado desqualificar o debate.
Ninguém está querendo destruir nada.”
O Ministério
quer submeter
os projetos
que pleiteiam
os incentivos
a uma avaliação substituível”, aposta Fer-
De fato, pelas informações obtidas por
CartaCapital, o projeto não pretende,
como já se disse, acabar com o mecenato.
As alterações se concentram em pontos
específicos. Mas nem por isso fáceis. A
principal mudança deve dizer respeito à
avaliação dos projetos que
pleiteiam o incentivo.
"Foi o próprio (Sergio
Paulo) Rouanet (criador da
lei) quem disse: 'Não acre-
ditem que dinheiro públi-
co pode ser gasto sem ava
liação, isso não faz parte
do espírito da lei. O discer-
nimento do gestor é in-
reira. "Não é papel do Es-
tado brasileiro financiar
espetáculos da Broadway. Nada contra,
mas não temos dinheiro sobrando."O caso
de mau uso tornado célebre foi o do Cir-
que du Soleil, que captou 9,4 milhões de
reais e cobrou ingressos de até 400 reais.
A avaliação do que
merece ou não o
benefício estaria
apoiada num
tripé: caracte-
rísticas objeti-
vas (repercus-
são do proje-
to, quantas
pessoas pre-
tende atingir),
TENTÁCULOS. "A meu ver, o governo
paulista trabalha na brecha da lei.
Não se pode deixar que o estado
mais rico drene os impostos
federais", diz Ferreira, do Minc
CARTACAPITAL 11 DE JUNHO DE 2008 55
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