CLIENTE: Gilberto Gil
VEÍCULO: A Noticia - Joinville
SECAO:
Anexo/Música
CLIPPING
SERVICE DATA: 23/07/2008
ANexo/Música
Manifesto caótico iluminado
"TROPICÁLIA”, LANÇADO HÁ 40 ANOS, MOSTRA O MOVIMENTO NO SEU AUGE
pose de músico erudito. Aparecia
com a camisa aberta e o cigarro
no canto da boca", elogiou Tom
Zé depois da morte de Duprat.
RODRIGO SCHWARZ sas de show (o movimento sur-
JOINVILLE giu em outubro do ano anterior),
rodrigo.schwarz@an.com.br o tropicalismo foi encapsulado
com perfeição em "Tropicalia ou
Panis et Circensis". O disco foi
feito pelo primeiro escalão da
Tropicalia: Gilberto Gil, Caeta-
no Veloso, Tom Zé, Os Mutantes,
Nara Leão e Gal Costa. Oletris-
ta José Carlos
Capinan ajudou a
pincelar palavras na massa sono
xa-título de "Panis et Circenses",
tocada pelos Mutantes. O disco
rendeu outras músicas antológi-
cas: "Baby", com Gal e Caetano,
"Lindonéia", com Nara Leão, e
"Bat Macumba", de Gilberto Gil
.
Com a regência de Duprat,
músicos tão distintos quanto os
Mutantes e Nara Leão entregaram
um disco coeso. Samba, choro e
bolero se encaixam com riffs de
rock. A produção do disco, com
vinhetas e introduções malucas, é
A revolução tropicalista de
sencadeada pelo álbum ainda
demonstra fôlego. O último im-
portante movimento do rock
brasileiros, rock e psicodeshaces
inspiredautomne est. Pepper's Lonely muito a Tropicalia, com
sua ese
A influência do quarteto de L
verpool pode ser conferida na fai-
tética regionalista. Fa de Caetano
Veloso, americano Beck gravou
Participou também do álbum
o maestro Rogério Duprat, que
colocou ordem na caótica sinfo-
nia tropicalista. "Rogério Duprat
era o alfaiate que vestiu a roupa
de gala da Tropicalia, a orquestra-
ção, o arranjo.
Ele iluminava deta-
lhes que a gente nem imaginava
que estavam nas composições.
Era um iconoclasta, que não fazia
Depois do bem comporta.
do furacão da bossa nova, que
influenciou músicos em todo o
globo, o Brasil tinha o desafio de
produzir outro movimento im-
pactante. No final dos 60, surgiu
a esperada nova onda, e nada ti-
nha a ver com a elegância e so-
fisticação do estilo popularizado
Deliberadamente brega e anár-
quica, a Tropicalia transformou
a música brasileira. Seu manifes-
to não amarelou com o tempo:
o disco "Tropicalia ou Panis et
Circensis", lançado em julho de
1968, continua relevante mesmo
com o passar do tempo.
Já lapidado em festivais e ca-
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Guitarra, um
instrumento do
imperialismo
O lançamento oficial do mo-
vimento tropicalista foi bem
antes do disco, em outubro de
1967, no 3º Festival de Música
Popular Brasileira, promovido
pela TV Record. Apresentaram-
se no evento os pais da Tropica-
lia: Caetano Veloso, Gilberto Gil
e Os Mutantes. A performance
das músicas "Alegria, Alegria" e
"Domingo no Parque" já apre-
sentavam as principais marcas
do tropicalismo: a união de mo-
vimentos vanguardistas (pop
arte, antropofagia e concretis-
mo) com ritmos brasileiros e o
codélico dos Beatles. E
tudo isso ficava muito mais sim-
ples na prática do que na teoria,
popularizando a Tropicalia.
A simples visão de músicos
portando guitarras elétricas, na
época, já causou furor. Nos Es-
tados Unidos, o instrumento era
usado desde a década de 50. Mas,
no Brasil, ainda prevalecia entre
os músicos a econômica para-
fernália do banquinho e violão.
Personalidades como Vinícius de
Morais e Chico Buarque critica-
ram o fato dos tropicalistas usa-
rem a guitarra, acusando-os de se
venderem ao imperialismo ame-
ricano. A resposta da nova gera-
ção foi simplesmente aumentar o
volume dos amplificadores.
Os Mutantes foram os respon-
sáveis pelas experimentações de
guitarra. O instrumentista Sérgio
Dias chegava até mesmo a cons-
truir os próprios pedais de efeito.
Maestro Rogério
Duprat realçou
detalhes nas
músicas do disco
canção chamada "Tropicalia". E
mesmo quem não estiver inte
ressado nos conceitos e influ-
ências do manifesto tropicalista
pode apreciar o quarentão "Panis
Et Circenses" pelo que realmen-
te é: um excelente disco para ser
ouvido do começo ao fim.
BANCO DE DADOS
PRIMEIRO ESCALÃO
"Panis et Circencis" reúne
grandes nomes, como os
Mutantes, Gilberto Gil (acima
e ao lado) e Caetano (ao lado)
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