CLIENTE: Gilberto Gil
VEÍCULO: Folha do Estado - Cuiabá
SEÇÃO: Frolha 3
DATA: 10/06/2007
Escritores propõem
democratização do livro
PATRÍCIA VILLALBA
Agência Estado
muita urgência
quando se fala em
disseminar o hábito
da leitura - é preciso baratear o
livro, criar mais bibliotecas, re-
equipar as que já existem. Para
os escritores, o mais urgente é
acrescentar o termo "literatura"
ao nome do plano de metas que
os Ministérios da Educação e
Cultura fundamentam para de-
mocratizar o acesso aos livros.
Mais do que uma simples
questão semântica, o Movi-
mento Literatura Urgente cha-
ma atenção para a
ideia de que a
criação literária merece desta-
que nas discussões em torno do
tema "leitura para todos". Nesta
semana, o grupo informal que
tenta alguma organização da
classe em busca de melhores
condições de trabalho se reuniu
com o secretário-executivo do
Plano Nacional do Livro e Lei-
tura, José Castilho Marques
Neto, no Itaú Cultural
Levaram uma série de pro-
postas, abaixo-assinadas por
nomes como Milton Hatoum,
Moacyr Scliar, Glauco Matoso
e José Silverio Trevisan, entre
elas a de criação do Fundo Na-
cional da Literatura, do Livro,
Leitura e Bibliotecas e a desti-
nação de 30% dele para ações
de fomento à criação.
Ouviram de Castilho que um
fundo desse tipo está nos planos
do MinC desde que o presiden-
te Luiz Inácio Lula da Silva as-
sinou a Lei de Desoneração do
Livro, em dezembro de 2004,
que isentou os editores do pa-
gamento de PIS/Cofins. Na
ocasião, os editores se compro-
meteram a destinar 1% de seu
faturamento para um fundo que
financie ações de incentivo à
leitura. "Não basta apenas a
vontade do Ministério da Cul-
tura, é algo que tem de passar
por várias instâncias do gover-
no, um processo lento", disse
Castilho, também diretor-pre-
sidente da Fundação Editora da
Unesp.
A estimativa é de que o fun-
do chegue ao montante de R$
45 milhões por ano. Para os
30% que reivindicam, os escri-
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tores propõem caravanas que
levariam autores universida-
des e escolas além de bolsas, in-
centivo à publicação do primei-
ro livro, apoio a jornadas literá-
rias e ainda um programa de
compra direta de livros.
O documento recebido por
Castilho em nome do ministro
Gilberto Gil prevê, ainda, a rea-
tização de um senso literário no
País, para mapear a produção e
a formação de um acervo livre
de direitos autorais, para demo-
acesso conheci-
mento. "Agora, que se discute o
Plano Nacional, é o momento
de sabermos como o governo
federal vai apoiar a criação. O
primeiro ponto que propomos -
bolsas, caravanas - dá para fa-
zer já", cobrou o escritor Mar-
celino Freire.
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