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Documents from Gilberto Gil's Private Archive

Instituto Gilberto Gil

Instituto Gilberto Gil
Brazil

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  • Title: Documents from Gilberto Gil's Private Archive
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    CLIENTE: Gilberto Gil VEÍCULO: Jornal do Brasil - RJ CLIPPING SEÇÃO: Caderno B SERVICE DATA: 03/08/2008 GILBERTO GIL À FRENTE DO MINISTÉRIO DA CULTURA “A saída dele é 99 uma perda grande” Paulo Bettl, ATOR E DIRETOR cho importante começar res- saltando o significado sim- traordinário que o Gil contém. Ho- mem negro, de mais de 60 anos, com uma trajetória de vida absolutamente vitoriosa. Gabaritado para o exer- cício da função, diferentemente do que muita gente, preconceituosa- mente, falava. Sua condição de ídolo emblemático da música brasileira, seu trânsito internacional estavam a serviço do ministério. A saída dele é uma perda muito grande de vi- sibilidade da cultura brasileira. Como ministro, fez algumas coisas fundamentais: criou os pon- tos de cultura, que são realmente uma perspectiva de revolução cul- tural no país. São cerca de 700 e há o desejo de aumentar esse número, com conexão entre eles. Outro feito deste ministério é o Plano Nacional de Cultura, que já foi aprovado no Senado. E um mação do cineclube. Eles podem pela ampliação do orçamento. Em relação à questão do au- diovisual, tem alguns projetos muitos importantes. Um gramadora Brasil, que é uma janela fantástica do cinema brasileiro, Com R$ 600, qualquer entidade, sindi- cato, ONG, Associação Cultural etc pode adquirir 300 títulos brasileiros por três anos para fazer a progra- passar quantas vezes quiserem. Isso é quase uma universidade do cinema brasileiro. Também tivemos o pro- jeto Revelando Brasis, ainda na épo- ca do Orlando Senna como se cretário do audiovisual. Além disso , o projeto da Ancinav foi muito mal interpretado e rechaçado muito rá- pido, em vez de ser discutido. E óbvio que houve pontos ne- gativos. O que eu acho que deixou que faça sentido para a cultura no durou meses, foi o arroz com feijão país. Giléum homem cosmopolita, nesse último ano de ministério. O mas com um pensamento de des- funcionamento, a falta de dos pa- centralização. Quer que os projetos receristas etc capengou no fim. Mas não se resumam ao eixo Rio-São ele fez uma ótima gestão. 66 Gilberto Gil demorou para sair do governo porque não quis largar o osso mesmo. Não fez nada pelo teatro Rosamaria Murtinho 66 Os pontos de cultura, são realmente uma perspectiva de revolução cultural “Ele não dialogava, 99 como era esperado" não tinham nada a ver com aquilo Ninguém me contou, eu estava lá. Esse descaso não me sai da cabeça até hoje. o Gilberto Gil não dialogava conosco, como era esperado pela classe. Havia muitas reclamações da Associação dos Produtores de Tea- tro do Rio de Janeiro (APTR) e muitas omissões como a promessa de 1% do orçamento do MinC para teatro, que não foi cumprido. Ele não foi um grande ministro. Não foi mesmo. O próprio Gil viu que, ape- sar de ser charmoso exercer a função de ministro, talvez não desse para ser músico e atuar na cultura, que é uma área ex- tremamente carente no nosso país. Uma vantagem para nós, ar- tistas, existiu. Ele, que é nosso colega, deixou o cargo sem nenhum pro- cesso, o que é raro nesse governo. Quantos nós já vimos sendo acu- sados de corrupção? Então, nesse caso, ponto para o Gil , que com- provou a idoneidade da classe. Lamento que seja o Juca Fer- reira que fique em seu lugar. Es- creve aí: se puder, ele acaba com a Lei Rouanet. Isso transparece nas declarações que já deu. Pode ser uma pessoa muito perigosa. Em relação à questão do audiovisual, há alguns projetos muitos importantes Paulo Betti Rosamaria Murtinho, ATRIZ Gilberto Gildemorou pa- ra sair do governo porque não quis largar o osso. Ser ministro da status, é uma posição muito charmosa. É muito dificil alguém chegar àquela ilha da fan- tasia e não gostar. Mexe com a cabeça, principalmente de um músico que já sofreu como poder na época do golpe. Mas ele aca- bou não aguentando mais.. Gil pode ter sido responsável por alguns avanços em outras áreas, mas pelo teatro, que é sobre o que posso falar como atriz, não fez nada. Esse govemo, de maneira geral, não se importa com as artes cênicas. Tenho uma história que exem- plifica a falta de interesse do PT pelas artes. Há 30 anos, eu estava sentada num café com o Carlito Maia, um dos fundadores do PT, e me lembro que o grupo de teatro que montava a peça Teledeum veio reclamar estupefato de adia proibida pela Polícia Federal e os atores pediram ajuda ao PT, que sempre recebeu o apoio dos ar- tistas, para reverter a situação. E eles não fizeram nada. Disseram que
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