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Escrivaninha de viagem de D. Pedro, Duque de Bragança (aberta)

Alphonse Giroux et Cie.1826/1831

Palácio Nacional de Queluz

Palácio Nacional de Queluz

Alphonse Giroux et Cie.
Paris, França, 1826-1831 (data atribuída)
Couro, prata dourada, ouro, madrepérola, cerda (?) tingida, vidro, pau-santo, aço, metal dourado, veludo de seda, papel
35 (altura) x 43,4 (comprimento) x 9 (profundidade) cm

A escrivaninha contém 20 utensílios de escrita: areeiro, tinteiro, limpa-plumas, régua, marcador, borracha (2), caneta, raspador (2), caixa (2), tesoura, compasso, furador, sinete, faca de papel, vassoura, pau de lacre (2).

Inscrições:
“A PARIS / CHEZ ALPH. GIROUX / RUE DU COQ St. HONORÉ”, na face interior da tampa do estojo; “Paris chez Alph. Giroux et Cie. 7 rue du Coq St. Honoré”, no espelho da fechadura; (coroa) “J. BRAMAH”, na fechadura; Monograma imperial “P” na face frontal do estojo; Monograma “P” nos utensílios de escrita; Monograma “PI / FUNDADOR DO IMPERIO DO BRAZIL” na matriz do sinete; “Poudre” na tampa do areeiro.
“LUNDI – Pagamento dos manifestos para / legaçoins; MARDI – Hichofer […] / 17 de Setembro de 1832 & Ma V. [idem?] / Monsenhor 3 idem Dana 6 idem; / MERCREDI – Offeciaes que quizerem ficão - / vão 100 francezes pelo menos 60 – Revista para ver qm esta em estado de resestir; / JEUDI – Vasconcellos tomar posse / retirar Azeredo - / Tarimbas [?]; / VENDREDI – Orçamento exacto nas duas Ipotheses / de ficarem ou não [?] os officiaes / Academicos já por Sam Miguel; / SAMEDI – Jose Maria 17-7bro / D Marianno 6 idem / Monsenhor 3 idem; / DIMANCHE – Conta de 16 de Março a [?] ou unos [?] ou 20:600 [?] em 2 / pag 10:000 logo e 10000 com in/tervallo de 15 ou 20 dias”, notas manuscritas pelo punho de D. Pedro no calendário semanal no interior da aba do lado direito.

Marcas: garantia (cabeça de lebre) para a prata, Paris, dd. 1819-1838.

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  • Título: Escrivaninha de viagem de D. Pedro, Duque de Bragança (aberta)
  • Descrição detalhada: Escrivaninha de viagem em forma de mala com vinte utensílios de escrita, marcada com o monograma imperial “P” (D. Pedro I, Imperador do Brasil). A 7 de abril de 1831, D. Pedro abdica do trono brasileiro e parte para a Europa. Em março de 1832, nos Açores e na qualidade de Duque de Bragança, assume a regência do país durante a menoridade da sua filha D. Maria da Glória. Defende o regime liberal em oposição a seu irmão D. Miguel, absolutista. Considerando a inscrição do fabricante “Alph. Giroux et Cie” e a marca de posse “P” sob coroa imperial, podemos inferir que a escrivaninha terá sido executada e adquirida entre 1826, altura em que os filhos de François-Simon-Alphonse Giroux participam no negócio familiar, e os primeiros meses de 1831, quando da abdicação de D. Pedro. A existência de um mecanismo secreto que dá acesso a três gavetas, sob um dos painéis de madeira, permite o arquivamento de bens ou documentação sigilosos. A fechadura, assinada “J. Bramah”, importante produtor de mecanismos de alta segurança é também reveladora da preocupação em dotar esta escrivaninha de uma segurança acrescida. As características de segurança desta peça justificariam a opção de uso de D. Pedro, em data posterior, de um objeto ainda marcado com o monograma imperial. A data anotada por D. Pedro no calendário que integra a escrivaninha, “17 de Setembro de 1832”, inscreve-se no período das lutas travadas entre liberais e absolutistas. A matriz gravada no sinete apresenta elementos referentes a D. Pedro I, Duque de Bragança e D. Pedro I, Imperador do Brasil. Nela figuram, por um lado, o coronel de duque e a serpe alada, timbre da casa real de Portugal e, por outro, a inscrição “Fundador do Império do Brazil” e o monograma “PI”, o que permite supor que a matriz tenha sido gravada em data posterior à realização do conjunto evocando, porém, o reinado de D. Pedro como imperador. Trata-se, por certo, de uma representação inspirada na insígnia da Ordem de D. Pedro I, Fundador do Império do Brasil, instituída por este monarca em 16 de Abril de 1826, a fim de comemorar o reconhecimento da independência. O cabo do sinete, esculpido em forma de punho direito segurando um rolo de papel constituirá, porventura, uma alusão à outorga da primeira Constituição brasileira. Segundo o testemunho do particular Pedro Dias no Arrolamento dos bens existentes no Paço da Ajuda (1911-1913), a escrivaninha de viagem de D. Pedro encontrava-se nos aposentos de D. Luís, prova de que o monarca tinha especial estima por esta peça que havia pertencido ao seu avô. SOBRE ALPHONSE GIROUX ET CIE. A Casa Giroux foi fundada em 1799 no n.º 7, rue du Coq Saint-Honoré, em Paris. Fabricava e comercializava todo o género de estojos nécessaire, brinquedos, jogos, gravuras, porcelanas, artigos de fantasia, encadernações de álbuns e livros, leques, cofres, pequenos objectos artísticos de luxo (tableterie) e requintadas peças de mobiliário (ébénisterie). Até ao seu desaparecimento, em 1885, forneceu uma abastada clientela de figuras da aristocracia, a corte imperial russa, a casa real e imperial francesa e também a casa real portuguesa.
  • Criador: Alphonse Giroux et Cie.
  • Data: 1826-1831 (atrib.)
  • Data de Criação: 1826/1831
  • Localização: Paris, França, Paris, France
  • Rights Information: Teresa Maranhas
  • Image Rights: © DGPC/ADF | Foto: Luisa Oliveira, 2014
  • Direitos: OBRA CONVIDADA - Palácio Nacional da Ajuda

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