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QAP: Tá na escuta?

Instituto Tomie Ohtake2017

Instituto Tomie Ohtake

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Nunca produzimos, editamos e compartilhamos tanto. Numa era de hipercomunicação, as tecnologias mediam distâncias e estendem o alcance de diferentes vozes enquanto possibilitam a amplificação dos pensamentos individuais e dos menores detalhes cotidianos. Ainda assim, o otimismo originalmente depositado no potencial das novas formas de comunicação como recursos para nos confrontar com o diverso parece cada vez mais restrito à teoria. Tornou-se usual constatar o fechamento sistemático de nossas redes em torno de opiniões já familiares, por vezes estratificando alinhamentos ideológicos e favorecendo a intolerância em detrimento das trocas. Câmara de eco, espelho narcísico, fábrica de ódio, circuito de verdades parciais.

Em macro-escala, acontecem neste momento diversas batalhas pelos princípios que regem os canais de comunicação. Na escala dos indivíduos, persiste uma dúvida: será que entre tantas trocas, existe diálogo efetivo? E, para isso, alguém pratica alguma dimensão da escuta?

Em 'QAP: Tá na escuta?', título alusivo à sigla usada por operadores de rádio, a ideia é que as salas de exposição sejam ocupadas por convites para entrar em contato direto com os artistas. 'QAP: Tá na escuta?' reflete sobre a escassez da escuta no tempo atual e ensaia modos de contato entre artistas e públicos. Os artistas foram convidados para elaborar propostas que privilegiassem a comunicação no período da exposição. Não há propriamente um conjunto de obras prontas, mas convites para o público. Conforme o teor dos projetos, eles podem se valer de canais telefônicos ou virtuais, da presença efetiva do artista ou mesmo de instruções para participação. Esses trabalhos podem acontecer inteiramente na sala de exposição, apenas começar aqui, ou terem neste espaço um ponto de uma rede – será por meio das trocas que as obras encontrarão suas dimensões reais.

Embora pautadas pela escuta, as propostas não se configuram somente como convites amistosos, apartados das divergências. Lançam-se como pontes para o diálogo, que enfatizam o tempo presente dos visitantes, como convite para que estejam, pelos meios de comunicação escolhidos, junto aos artistas, dispostos a “perder tempo”. O tempo, condição incontornável para que haja escuta, é praticado aqui como antítese da urgência por produtividade capitalizada como trabalho ou consumo. Para quem quiser, há aqui tempo a ser gasto para compartilhar, assimilar, interiorizar e, mesmo, contrapor as proposições apresentadas. As trocas, gradativamente ditadas pela velocidade instantânea de nossos fluxos informacionais, devem aqui implicar o tempo do envolvimento, do deixar-se disponível para escuta, do estar em linha, mas não necessariamente online.

Núcleo de Pesquisa e Curadoria
Luise Malmaceda, Paulo Miyada, Priscyla Gomes e Theo Monteiro

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Detalhes

  • Título: QAP: Tá na escuta?
  • Criador: Instituto Tomie Ohtake
  • Data de criação: 2017
  • Local: São Paulo
  • Palavras-chave do assunto: Instituto Tomie Ohtake
  • Tipo: image
  • Direitos: Instituto Tomie Ohtake
  • Meio: image

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