2018

David Drew Zingg

Instituto Moreira Salles

A cor no fotojornalismo moderno brasileiro

Brasil, primeiras cores
DAVID DREW ZINGG (1923-2000) Nascido em Montclair, EUA, David Zingg frequentou a Universidade de Columbia, onde mais tarde ensinaria jornalismo. Era repórter e fotógrafo da revista <em>Look</em> e já havia trabalhado para outras publicações americanas como <em>Life</em>, <em>Esquire</em> e <em>Vogue</em> quando foi ao Rio de Janeiro pela primeira vez, em 1959. A “descoberta” da cultura brasileira foi tão inusitada como viria a ser toda sua trajetória no país: ele fazia parte da tripulação do iate Ondine, que participava de uma regata entre Buenos Aires e Rio, e a viagem terminou, magicamente, durante os dias de Carnaval. Zingg começa então a viajar regularmente entre EUA e Brasil até decidir deixar a vida americana para trás definitivamente. Seus artigos sobre eventos no Brasil, incluindo a construção de Brasília, foram publicados em revistas americanas e britânicas. Tornou-se amigo íntimo de um grande número de artistas e era conhecido como o perfeito <em>bon vivant.</em>. Estava presente na noite de abertura do Show de Bossa Nova, estrelado por Tom Jobim e Vinicius de Moraes na boate Au Bon Gourmet, e ajudou a organizar o famoso show Bossa Nova Concert no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962.

Ao fundo, Lagoa Rodrigo de Freitas e Favela de Catacumba.

A Favela da Catacumba não existe mais. A remoção de sua população de cerca de 6.000 pessoas integrou um amplo projeto de "desfavelização" da Zona Sul que começou na década de 1940 e cujo ápice foi o final da década de 1960, auge da ditadura militar. O principal argumento para a transferência das comunidades foi a precariedade de suas condições de vida, simbolizada no caso das favelas da região de Lagoa por grandes incêndios; dois incidentes em 1967 e 1968 na Catacumba (alegadamente acidentais) e em 1969 na Praia do Pinto (sabidamente criminoso). Todos os habitantes da Ilha das Dragas, também na Lagoa, Largo da Memória, no Leblon, e Morro do Pasmado, em Botafogo, foram transferidos para bairros distantes, a despeito do fato de a maior parte deles ter empregos na Zona Sul.

No início da década de 1970, essas áreas já estavam completamente livres de ocupações irregulares e os antigos moradores vivendo em conjuntos habitacionais de Cordovil, Cidade de Deus, Vila Aliança e Nova Holanda, que em alguns anos também viriam a se tornar favelas.

Após um reflorestamento, a área da foi transformada no Parque da Catacumba. Nos arredores, nas franjas da Lagoa, surgiram vários edifícios de luxo que agora compõem a paisagem urbana.

Após um reflorestamento, a área da foi transformada no Parque da Catacumba. Nos arredores, nas franjas da Lagoa, surgiram vários edifícios de luxo que agora compõem a paisagem urbana.


David Zingg começou sua carreira na imprensa como repórter. Foi um dos editores da <em>Look</em> entre 1953 e 1958, quando decidiu tornar-se fotógrafo. Já então tendo publicado alguns dos melhores fotógrafos do mundo - como ele próprio declarou - rapidamente estabeleceu um estilo, se permitindo, por exemplo, experimentar tempos lentos de disparo da câmera, dando dinamismo à imagem de seus retratados. Neste período, enquanto o Brasil engatinhava em termos de soluções gráficas para as revistas de grande circulação, a imprensa americana já utilizava a fotografia colorida em larga escala.

David Zingg formou com George Love e Lew Parrella a trinca de fotógrafos norte-americanos que apontou caminhos para mudanças definitivas no fotojornalismo brasileiro. Atuando na revista Realidade nos anos 1960, incorporaram às práticas da revista, uma das mais lidas do período, procedimentos e abordagens até então inéditos na imprensa do país.

A Passeata dos Cem Mil aconteceu no Rio de Janeiro em junho de 1968. Foi uma das justificativas da ditadura militar para promulgar a Lei Institucional Número 5 (AI-5), abrindo o caminho para o momento mais difícil do regime. O AI-5 vigorou até dezembro de 1978.

Os anos 70

“Photography is history,” David Zingg wrote, “and that is its fundamental function. The machine shows the present day to those who wish to see the present day. But it also shows yesterday to those who wish to learn. …It seems to me that the duty of a photographer in Brazil is to press on in registering suffering and pleasure, the beautiful and the ironic. Only time and the public will decide the meaning that photographs truly hold.”

“Fotografia é história, e é essa sua função fundamental. A máquina mostra os dias de hoje àqueles que queiram ver os dias de hoje. Mas a máquina também mostra o ontem àqueles que queiram aprender. (…). O dever de um fotógrafo no Brasil, me parece, é insistir no registro do sofrimento e do prazer, do belo e do irônico. Só o tempo e o público decidirão o significado que as fotografias realmente têm.”
David Zingg

Zingg trabalhou para algumas das mais importantes revistas - Machete, Veja, Realidade, Claudia, Playboy, Quatro Rodas e Isto É - e jornais e foi diretor de fotografia do filme Memórias de Helena (1968), dirigido por David Neves. Em 1978 muda-se para São Paulo, trabalhando como consultor e colunista do jornal Folha de São Paulo, onde manteve a coluna "Tio Dave" de 1987 a 2000. Integrou a banda de hard rock Joelho de Porco, conhecida por suas letras satíricas.

“Em 1958 eu era editor e uma das três ou quatro pessoas que mandavam na <em>Look</em>. Aí um belo dia um amigo meu me convidou para fazer uma regata de Buenos Aires para o Rio. Eu já tinha feito muitas regatas [...]. Cheguei no Rio e desbundei, era época do Carnaval.”

Imagem sobre Imagem
Ao longo dos anos 1970 e 1980, David Zingg usou seu tempo livre entre viagens comissionadas para produzir ensaios fotográficos sobre elementos da iconografia urbana, quase sempre popular, em várias partes do Brasil e no exterior. O elemento comum a todas essas imagens é a subversão do sentido de cartazes, sinais, banners e inscrições, fazendo permanentemente lembrar o quanto ruidoso - simultaneamente poético, tosco, lírico, engraçado, melancólico - tornou-se o panorama visual humano desde o advento da "modernidade". As quatro fotos desta seqüência fazem parte da exposição David Drew Zingg: imagem sobre imagem, realizada pelo IMS em 2015. A mostra explorou especificamente a série gráfica, onde Zingg experimentou no limiar da explosão cromática.

David Drew Zingg morreu no dia 28 de julho de 2000, em São Paulo. Seu acervo, composto por mais de 150 mil imagens fotográficas (principalmente diapositivos coloridos), documentos e objetos pessoais, passou a integrar o acervo do Instituto Moreira Salles em 2012, por meio de comodato realizado com seus descendentes.

Créditos: história

David Drew Zingg – a cor no fotojornalismo moderno brasileiro
Edição: Rachel Rezende

Exposição David Drew Zingg: Imagem sobre imagem
Curadoria: Tiago Mesquita

Manjabosco, Ângelo: O Brazil não é para principiantes: Lew Parrella, George Love e David Zingg, fotógrafos norte-americanos na revista Realidade (1966-1968)

Agradecimentos: Ângelo Manjabosco, Joanna Balabram e Thaiane Koppe

Créditos: todos os meios
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