Sep 6, 2013 - Jan 6, 2014

Exposição "Resistir é Preciso..."

Instituto Vladimir Herzog

A História da Ditadura no Brasil - 1960 - 1985

Resistir é Preciso...
A exposição “Resistir é Preciso...” é uma idealização do Instituto Vladimir Herzog e tem como objetivo contar a história da resistência à ditadura militar que se implantou no Brasil em 1964 e que permaneceu no poder até a eleição indireta de Tancredo Neves, em 1985.Nesse período, muitos trabalhadores, estudantes, intelectuais, artistas, religiosos e diversas outras pessoas de vários setores da sociedade civil lutaram pelo restabelecimento da democracia. Durante a luta, milhares de pessoas foram presas e torturadas, centenas foram mortas e muitas delas, até hoje, continuam desaparecidas. Para sobreviver, inúmeros brasileiros foram obrigados a se exilar.
Resistir é preciso
reuniu um expressivo conjunto de obras de arte que mostra a militância dos artistas clamando por democracia e denunciando os abusos e os crimes da ditadura. Nesses anos, nasceu também uma imprensa de resistência que se expandiu no país, na clandestinidade e no exílio. Muitas publicações dessa imprensa alternativa eram vendidas nas bancas de jornal e, mesmo censuradas, foram importantes para a resistência à ditadura militar. “Resistir é Preciso...” possibilitará aos jovens conhecer melhor as lutas pela reconstrução democrática através da linha do tempo, que abrange o período de 1960 a 1985 e inclui fatos marcantes do cenário político e cultural do Brasil e do mundo.

O curador Fábio Magalhães fala sobre os diversos elementos da exposição.

Sumário
1º parte "A difícil travessia" Linha do Tempo, 2º parte "Anos de rebeldia - A arte contra a ditadura militar", 3º parte "A imprensa clandestina e a do exílio", 4º parte "Brasília no tempo da ditadura"
A difícil travessia 
O texto "A difícil travessia" escrito por Míriam Leitão retrata os anos em que o Brasil sofreu sob uma ditadura militar retratando os acontecimentos do período e trazendo a reflexão da importância dos jovem pela busca de seus direitos e da democracia.

"Houve um tempo em que os partidos foram extintos por ato institucional."

"A despeito de tudo, a ditadura de enfraquecia. Forte era a resistência que conseguiu liderar o país para a vitoriosa campanha pela anistia." - texto de Miriam Leitão.

"A resistência é, por sua natureza, anárquica, desorganizada, fragmentada. Ela ocorreu nas ruas, no partido legal, nos partidos clandestinos, na imprensa alternativa, em parte da grande imprensa, nas músicas, nos teatros, na literatura, na poesia, no humor, nas ações armadas, nos sindicatos, no exílio, dentro das casas, nos gestos, nas palavras e, sobretudo, nas mentes." -texto de Miriam Leitão.

"Uma ordem tirânica se formou, e seria cômodo não fazer nada, aceitar o silêncio, tocar a vida adiante, cuidar dos filhos, buscar o sucesso profissional, esquecer a política. Mas milhões resistiram àquela ordem. Foi esse mar de descontentamento que desaguou no Vale do Anhangabaú em abril de 1984, no maior de todos os comícios que a história do Brasil já presenciou. Era o vigésimo ano do sofrimento e ele ainda não havia terminado."- texto de Miriam Leitão.

"Ditadura é um túnel no qual se entra sem saber quando, como e se será possível sair. E ele é tão longo! É necessário tentar no escuro, caminhar sempre, sem medo dos tropeços, sem tempo para a dúvida. Apenas porque "resistir é preciso". - texto de Miriam Leitão.

Linha do Tempo
• 1960 a 1985 
Parte 1 de 1960 - 1975
• Da democracia à ditadura
1960

• Em Cuba, instala-se o governo revolucionário.

• Congo e Senegal tornam-se independentes em 1960
• Argélia torna-se independente em 1962

• Brasília é inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitschek

• Verso do poema "O Operário em construção"de Vinicius de Moraes

• Jânio Quadros é eleito

• A pílula anticoncepcional é lançada

1961 e1962 

• Cubanos comemoram a vitória militar sobre os invasores

• Jânio Quadros renúncia e assume o vice João Goulart

• O 13. salário é criado

• A Terra é Azul

1963

• Carlos Lacerda defende golpe militar contra Jango

• É lançado o filme “Vidas Secas”

• Um plebiscito restabelece o regime presidencialista

1964

• China e União Soviética em relações tensas

• Pesquisa em oito capitais mostra que 72% dos brasileiros consideram necessária a reforma agrária

• Cronologia do golpe

• João Goulart discursa em defesa das reformas de base

1964

• O primeiro ato institucional é decretado

• General Castelo Branco é eleito presidente

• Estréia do show Opinião no Rio de Janeiro,

1965

• Invadida a República Dominicana

• Castelo Branco decreta o Ato Institucional 2

• Manifestações de protesto em diversas capitais

1966

• 28. Congresso da UNE

• Manifestações de protesto

• Costa e Silva é eleito presidente da República

• Golpe Militar na Argentina

1967

• O exército desbarata a guerrilha do Caparaó

• Che Guevara é assassinado na Bolivia

• O Festival de Música da TV Record TV

1968

• A passeata dos 100 mil

• Protestos de estudantes agitam diversos países

• Protesto dissolve comemoração do Dia do Trabalho na Praça da Sé

1968

• 900 estudantes são presos durante o 30. Congresso da UNE

• Morre estudante em conflito

• Anúncio apresenta busca a Marighela

• Aumenta a censura aos meios de comunicação

1969

• Carlos Marighella é assinado em emboscada

• Embaixador dos EUA Charles Elbrick é sequestrado

• Um dos braços mais violentos da repressão é criado, a Oban

1970

• Dom Paulo Evaristo Arns é o novo arcebispo de São Paulo

• Dilma Rousseff é interrogada

• Brasil ganha Copa do Mundo no México

• A Rodovia Transamazônica começa a ser construída

1971

• Carlos Lamarca é assinado

• Deputado Rubens Paiva

• O deputado Rubens Paiva é preso

• Teodomiro Romeiro é condenado a morte

1972
• Acontecimentos

• Anistia Internacional divulga relatórios sobre torturados e torturadores

• Inicia combate a guerrilha do Araguaia

• Cartaz com fotografia de terroristas "procurados"

1973

• Ulysses Guimarães , o "anticandidato"

• Continua campanha contra a guerrilha do Araguaia

• Crise Mundial

1974

• Início de onda repressiva contra o Partido Comunista Brasileiro

• General Ernesto Geisel é eleito presidente

• Deputado Francisco Pinto é condenado

1975

• Jornalista Vladimir Herzog é assassinado

• Culto ecumênico em memória do jornalista Vladimir Herzog na Catedral da Sé.

• Capa do Jornal UNIDADE

• Chega ao fim a guerra do Vietnã

Parte 2 de 1976 a 1985
• Da ditadura à democracia
1976

• Golpe militar na Argentina

• Assassinado operário Manuel Fiel Filho

• Chacina da Lapa

1977

• Invasão da PUC

• Manifestação de estudante no Largo São Francisco, em São Paulo

• O movimento estudantil rearticula-se em todo o país

1978

• A Anistia começa a procurar desaparecidos

• Revogado AI-5

• As mães da Praça de maio

1979

• Lula fala no Estadio da Vila Euclides, no ABC Paulista.

• Greve de Trabalhadores

• Voltam milhares de cidadãos que estavam em exílio

• A Lei da Anistia é sancionada pelo Presidente Figueiredo

1980

• Fim do bipartidarismo

• Fundação do Partido dos Trabalhadores

• Atentados queimam bancas que vendiam jornais da imprensa alternativa

1981 + 82 + 83

• Os atentados continuam

• Primeiro comício pelas eleições diretas

1984

• Dezenas de comícios são realizados pedindo eleições diretas

• Decretado Estado de Emergência

• As diretas não são aprovadas

• Manifestações pelas Eleições Diretas

• Derrota da votação das Diretas

1985

• Tancredo Neves é eleito presidente

• Tancredo morre em São Paulo

• José Sarney é presidente

• "Não vamos nos desesperar"

• Mensagem deixada por Tancredo Neves

1964 a1985

"Há um samba de Billy Blanco - Obrigado Excelências - que reflete o otimismo dessa época"- texto de Fábio Magalhães

"Nessa década ocorreram grandes transformações que mudaram o comportamento da sociedade."- texto de Fábio Magalhães

"Esses movimentos atuaram de modo determinante na década de 1960 e revolucionaram as poéticas da música popular, do teatro e do cinema em nosso país, com repercussão internacional."- texto de Fábio Magalhães

"Pois bem, nesse caldeirão de transformações, de avanços e retrocessos, de sonhos e de rebeldias, os artistas procuravam criar suas obras na velocidade dos acontecimentos políticos e sociais."- texto de Fábio Magalhães

"A proibição provocou manifestações de solidariedade aos artistas brasileiros em todo o mundo."- texto de Fábio Magalhães

"Em certa ocasião, fizemos uma aranha"- texto de Fábio Magalhães

"Esses depoimentos dão idéia do alargamento dos conceitos de arte e de suas funções."- texto de Fábio Magalhães

Hélio Oiticica
• Depois do golpe militar, Hélio Oiticica desenvolveu uma arte voltada para as questões sociais. “Seja marginal seja herói” (1968), é uma homenagem ao marginal Cara de Cavalo, morto por policiais da escuderia Le Cocq. E confronta a afirmação de que “bandido bom é bandido morto”, alardeada e repetida até hoje pelos programas policialescos na televisão

Alex Flemming
• A série de nove fotogravuras em metal intituladas “Natureza Morta” (1978) expõe formas de tortura praticadas pelo órgãos de repressão da ditadura. Algumas gravuras são auto-retratos, como modo de acentuar a denúncia - “Pode acontecer comigo...”
• Obras, gravuras, faixas, objetos e pinturas de artitas como: Antonio Dias; Marcelo Nitsche; Ivan Serpe; Anna Maria Maiolino e outros

Alipio Freire
• Militante da Ala Vermelha (PCdoB), foi preso pela Operação Bandeirante (Oban) durante a ditadura militar. No presídio Tiradentes desenvolveu atividade artística juntamente com outros presos como forma de resistência. Anistiado, Alípio reuniu um expressivo conjunto de obras de arte realizadas na prisão por presos políticos, seus contemporâneos.

Cildo Meirellles
• "Inserções em circuitos ideológicos” são obras conceituais que vão além da visualidade e rompem com a lógica dos circuitos artísticos. Garrafa de Coca Cola com serigrafia aplicada que explica como fazer um coquetel Molotov e o carimbo em cédulas de um cruzeiro com a pergunta “Quem matou Herzog?”

• Decalques em silk-screen em garrafas retornáveis de Coca Cola. Elas voltavam à circulação com uma mensagem que questionava o regime ou mesmo com instruções para fazer um coquetel Molotov.

Sergio Ferro
• Artista e arquiteto, foi militante da ALN-Ação Libertadora Nacional e esteve preso no presídio Tiradentes (1970). A obra “São Sebastião” presta homenagem ao líder e fundador da ALN, Carlos Marighella, morto em 4 de novembro de 1969. A obra “Ícaro” homenageia Carlos Lamarca, comandante da VPR-Vanguarda Popular Revolucionária, morto em 17 de setembro de 1971.

Rubem Grillo
• Artista gravador, realizou suas primeiras xilogravuras em 1971. Participou da imprensa de resistência à ditadura militar criando ilustrações para os jornais Opinião, Movimento, Jornal do Brasil e Pasquim.
A imprensa clandestina e a do exílio
José Luiz Del Roio

"O Brasil sempre foi um terreno hostil para uma real liberdade de expressão."- Texto de José Luiz Del Roio

"Praticamente toda a imprensa clandestina foi destruída, com um alto saldo de mortos, encarcerados e torturados."- Texto de José Luiz Del Roio

"Mas a comunicação dos exilados não se baseava apenas em jornais. Houve uma produção impressionante de cartazes em diversas técnicas. alguns de ótima qualidade."- Texto de José Luiz Del Roio

• Cartazes realizados com diferentes técnicas retratavam diversos movimentos na busca por direitos, desde grupos no exílio à centrais sindicais
Brasilia no tempo da ditadura
• Na crônica sagaz de Luis Humberto e Orlando Brito.

"As fotos mostravam o que os artigos não podiam dizer."- texto de Fábio Magalhães

Luiz Humberto
Orlando Brito

• Comício para as eleições "Diretas Já"

• Certificado de óbito entregue a família do Herzog em 1975. "deu como caso de morte: asfixia mecânica por enforcamento"

• Novo certificado de óbito entregue a família do Herzog, 38 anos depois da morte do Vlado. O novo certificado foi uma vitória para a familia e amigos do jornalista.

• Tributo aos desaparecidos e assinados durante o regime militar, em seus 21 anos de duração.

Visita virtual
• Veja toda a exposição "Resistir é Preciso..." em sua passagem pelo Centro Cultural Banco do Brasil em Belo Horizonte.
Credits: Story

Exposição Resistir é Preciso...

Coordenação - Institute Vladimir Herzog
Produção - Arte3

Organização - Fábio Magalhães
Edição Google Cultural Institute - Julio Maia
Apoio - Correios | BNDES
Realização- Centro Cultural Banco do Brazil | Ministério da Cultura

Credits: All media
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