Os costumes da corte e das elites em Debret

Museu Imperial

A obra “Voyage Pittoresque et historique au Brésil”, de Jean Baptiste Debret, é uma obra singular produzida em três volumes que contemplam parte do período joanino até o fim do primeiro reinado. Nesta mostra, destacamos os costumes que acompanharam a corte e as elites no Brasil, com ilustrações que compõem o terceiro volume da obra.

As litografias do autor ilustram momentos significativos da história do Brasil, como aclamações, coroações, festejos religiosos ou não, que são de extrema importância para o conhecimento do período oitocentista, pois foram criadas quando os eventos retratados estavam em curso. A descrição dos fatos, por meio das ilustrações criadas por Debret, revelou-se fonte para a interpretação do Brasil em um período que é carente de fontes visuais, se tornando um autor necessário para a compreensão do período tratado.

De regente a rei: a ascensão ao trono de D. João VI.
Após o falecimento da rainha D. Maria I, em 1816, o príncipe regente D. João tornou-se o soberano absoluto das terras tropicais e de além-mar, mas não como novo monarca. A ratificação da regência portuguesa e o reconhecimento das potências europeias viriam posteriormente; com isso, a aclamação do novo monarca ocorreu somente em 1818. No entanto, antes das formalidades reais, o então príncipe regente tratou de encontrar uma esposa para o seu filho, D. Pedro, vinda de um reino que agregasse força política ao de Portugal – com a mudança da corte portuguesa para o Brasil, Portugal estava enfraquecido frente às outras potências –, fato que se concretizou com a união de D. Pedro com a princesa Leopoldina, da Áustria. A celebração ocorreu em 1817, marcando o fortalecimento da coroa portuguesa, o que concedeu a D. João segurança para dar continuidade aos preparativos da sua aclamação, que o oficializaria como rei D. João VI, de Portugal.

Homenagens em celebração à chegada da princesa real, D. Leopoldina.

Ao fundo, o Mosteiro de São Bento ornamentado com tapeçarias de seda em homenagem à chegada da princesa...

... Ao centro, o desembarque da princesa Leopoldina acompanhada do príncipe D. Pedro. Em seguida, D. Carlota com seu camareiro-mor e atrás, D. João sendo ajudado por dois homens.

Aclamação de D. João VI, rei de Portugal, ocorrida em 06/02/1818. Foi a primeira coroação de um monarca nas Américas. O momento escolhido foi exatamente após o "aceito" e a euforia dos presentes tomar o ambiente...

À direita do trono, está a tribuna com a família real na primeira fila, sendo a rainha D. Carlota a mais próxima do trono, tendo ao seu lado a princesa Leopoldina. Na segunda fila, encontram-se as damas de honra.

Após a cerimônia de aclamação, o rei aparece no balcão central do edifício para receber as primeiras homenagens.

Na primeira janela da esquerda, encontra-se o trono; em seguida, as tribunas, onde se encontravam a família real, as damas da corte e as delegações estrangeiras...

... Na terceira janela, à esquerda, é possível identificar a porta que faz conexão com a capela real. Em seguida, encontra-se a entrada, onde estão diversas pessoas aglomeradas acompanhando a cerimônia.

No balcão central do edifício, o rei surge e recebe homenagens da multidão.

Alegoria apresentada no teatro da corte, em 13/05/1818, em comemoração solene à ascensão do novo rei e ao casamento de seu filho, D. Pedro, com a arquiduquesa da Áustria, D. Leopoldina. Os elementos da representação explicitam uma apoteose em que o monarca ascendia entre os deuses.

Neste lado, a deusa Vênus chega em sua concha marinha puxada por dois cisnes guiados por Cupido simbolizando o casamento e a união das duas nações, Portugal e Áustria, recém-aliadas...

... Do lado oposto, Netuno se aproxima com o pavilhão do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

E no destaque da alegoria, D. João, trajando uniforme real incluindo a coroa, em cima de pavês (escudo), surge sustentado pelas três nações que compõem o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Abaixo, duas figuras ajoelhadas, que seriam os deuses gregos Hímen e Amor, com retratos do príncipe e da princesa real.

Modos, traços e significados: a corte e a elite no meio social
Os eventos que marcaram a história do Brasil não foram os únicos retratados no trabalho de Debret, que buscou inserir, em suas ilustrações, os traços da sociedade da corte, suas maneiras e tradições em práticas religiosas e em velhos costumes, sem que atrapalhassem a lógica apresentada na obra.

Aqui, vemos o batismo da princesa D. Maria da Glória, no Rio de Janeiro, em 1819.

À esquerda, abaixo, estão a rainha D. Carlota e seu camareiro-mor, marquês de Lavradio, antecedidos pelos príncipes D. Miguel e D. Pedro e a princesa Leopoldina. À frente, está o rei escoltado por dois ministros.

À frente do rei, encontrava-se o pálio, onde a princesa recém-nascida era carregada pelo seu capelão-mor, D. Francisco da Costa Souza Macedo, marquês da Cunha. A criança estava coberta com um véu transparente de brocados de ouro.

Costumes de Portugal acompanharam as celebrações ocorridas no Brasil, como no detalhe que mostra o gesto de agitar o lenço.

Tradições de Portugal também foram indicadas pelo autor, conforme aponta a imagem: coroa em cima de uma almofada, respeitando o costume sebastianista português, iniciado após o desaparecimento de D. Sebastião.

Os trajes dos ministros entram em cena nesta gravura. Abaixo, destaca-se o momento do velho costume monárquico europeu do "beijão-mão".

As elites também foram retratadas em seus trajes oficiais e, em alguns dos casos, exercendo suas funções e atividades culturais e religiosas.

Simbolismos também foram detalhados pelo autor, como o simbolismo das duas foices em pé, na entrada do tribunal, indicando o julgamento de um criminoso.

Cortejo de São Jorge, que precede a procissão do corpo de Deus, conhecido, tradicionalmente, como "Corpus Christi".

Interior da Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, em uma Quarta-feira Santa, no Rio de Janeiro.

Cavalhadas, torneio de montaria de tradição europeia.

Mudanças à vista
Após as homenagens e comemorações em torno da ascensão de D. João ao trono e ao casamento de D. Pedro, o dever real seria testado. Mudanças que ocorreram em Portugal, devido à revolução do Porto, criaram implicações que trouxeram consequências ao reino no Brasil, dentre elas, o retorno do rei para Portugal.

Última vez que o rei D. João VI apareceu em público, antes de seu retorno a Portugal.

A partida da família real portuguesa foi acompanhada por um enorme público que se aglomerou para o adeus.

A rainha Carlota acena para o público que acompanhou sua partida.

As consequências geradas pela revolução do Porto modificaram, radicalmente, o quadro político brasileiro, determinando o estabelecimento de uma nova administração...

... consagrada com a coroação de D. Pedro I como primeiro imperador do Brasil.

Na tribuna real, em frente ao trono onde o imperador foi coroado, encontravam-se D. Leopoldina e a filha, D. Maria da Glória.

Em detalhe, o cetro e a coroa usados pelo imperador na ocasião da coroação.

Créditos: história

Exposição viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura, Lei Rouanet. Em sua 5ª fase, o Projeto de Digitalização do Acervo do Museu Imperial (Dami) foi patrocinado pela empresa GE Celma e desenvolvido com o apoio da Sociedade de Amigos do Museu Imperial. :

Presidente da República : Michel Temer

Ministro da Cultura : Sérgio Sá Leitão

Presidente do Instituto Brasileiro de Museus : Marcelo Mattos Araujo

Diretor do Museu Imperial : Maurício Vicente Ferreira Júnior

Coordenadora Administrativa : Isabela Neves de Souza Carreiro

Coordenador Técnico : Fernando Ferreira Barbosa

Biblioteca:

Claudia Costa e Marcio Miquelino

Estagiários : Lucas Priori e Leonardo Ramos

Equipe do Projeto Dami:

Coordenadora-geral : Muna Raquel Durans

Coordenador de produção : Guilherme da Silva Aguiar

Técnicos em fotografia : George Milek, Luis Azevedo

Técnicos em acervo : Neibe Costa , Tulio Magalhães Rodrigues e Vera Bulgarelli

Edição de imagens : Ana Paula Piermatei, Carla Magno e Robson Gomes

Conservação: Cristina de Castro

Assistente administrativo: Antônio José M. Pereira

Ficha técnica da exposição:

Curadoria e textos: Tulio Magalhães Rodrigues

Apoio: Claudia Costa e Marcio Miquelino

Montagem virtual: Tulio Magalhães Rodrigues e Muna Raquel Durans

Edição e fotografia: George Milek

Revisão de texto: Rosana Carvalho

Versão para o inglês: Vera Bulgarelli

Obras consultadas :

Os textos que compõem esta exposição foram baseados e trabalhados com a ajuda do 3° volume, edição original de 1839, da obra “Voyage Pittoresque et historique au Brésil”, de Jean Baptiste Debret, além de uma versão traduzida da mesma obra, da Livraria Martins Editora. Também foi utilizada para suporte dos textos a obra “Debret e o Brasil: obra completa”, dos autores Júlio Bandeira e Pedro Corrêa Lago.

Patrocínio: Ge Celma:

Apoio: Sociedade dos Amigos do Museu Imperial:

Créditos: todas as mídias
Em alguns casos, é possível que a história em destaque tenha sido criada por terceiros independentes. Portanto, ela pode não representar as visões das instituições, listadas abaixo, que forneceram o conteúdo.
Traduzir com o Google
Página inicial
Explorar
Por perto
Perfil