Lasar Segall Processos

Museu Lasar Segall

O Museu Lasar Segall | Ibram | MinC apresenta uma seleção de obras de seu acervo, escolhidas entre as mais representativas da produção de Lasar Segall (1889 - 1957). 

Museu Lasar Segall
O Museu Lasar Segall, idealizado por Jenny Klabin Segall – viúva de Lasar Segall – foi criado como uma associação civil sem fins lucrativos, em 1967, por seus filhos Mauricio Segall e Oscar Klabin Segall. Está instalado na antiga residência e ateliê do artista, projetados em 1932 pelo o arquiteto Gregori Warchavchik. Atualmente integra o Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM do Ministério da Cultura. Além de seu acervo museológico, o Museu constitui-se como um centro de atividades culturais, oferecendo programas de visitas monitoradas, cursos nas áreas de gravura, fotografia e criação literária, cinema, e uma biblioteca especializada em artes do espetáculo e fotografia.
Período Alemão
Lasar Segall nasce em 1889 na comunidade judaica de Vilna, na Lituânia, nessa época sob domínio da Rússia czarista. Em 1906, ele vai para a Alemanha, ingressando na Academia de Berlim. Os trabalhos que produz até 1910 mostram uma personalidade artística em formação, marcada mais pela forte ligação com a cultura de origem do que pela influência acadêmica. Os assuntos de Segall são a figura humana retratada em ambiências interiores, os temas judaicos e as ruas da cidade natal com seus habitantes sofridos.

Pinceladas curtas e coloridas fazem a pintura vibrar, enquanto o movimento é sugerido pelo braço do músico e pelo arco do violino, que escapam da tela, à direita.

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A iluminação indireta, filtrada pelas janelas, reforça a dramaticidade da cena e é indicativa da admiração do artista pela pintura flamenga.

Nesta pintura está retratada, provavelmente, a primeira esposa de Segall, Margarete, que ele conhecera em Dresden, em dezembro de 1913, recém-chegado de sua viagem ao Brasil.

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O artista aparece em primeiro plano, “tão alto quanto as casas” – como ele escreveu em texto autobiográfico – que povoam o cenário fantasmagórico de Vilna, sua cidade natal, onde vagueia, no canto esquerdo da imagem, um pequeno homem solitário.

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O casario que aparece ao fundo, nesta gravura, é semelhante ao que marca o segundo plano na pintura de mesmo título.

A tela Aldeia russa inaugura, na pintura de Segall, o movimento de geometrização das composições, visível nas gravuras Vilna e eu (1910?) , Aldeia russa (1913?).

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Os autorretratos têm lugar de destaque na produção de Segall. Eles exibem não só as transformações visíveis no rosto do artista, mas, principalmente, as que ocorrem em seu projeto poético.

O historiador e crítico de arte Paul Ferdinand Schmidt era o diretor do Museu Municipal de Dresden, quando a pintura Eternos caminhantes, entre outras obras de Segall, foi adquirida pelo museu, em 1920.

Os anos 1919 e 1920, na Alemanha, representaram uma época de falência de todas as utopias. Seres humanos perplexos, perdidos, sem sonhos possíveis, que perambulavam pelas grandes cidades alemãs.

Adquirida em 1920 pelo Museu da Cidade de Dresden, então dirigido pelo historiador de arte Paul Ferdinand Schmidt, esta pintura foi retirada desse acervo pelo governo nacional-socialista – que subiu ao poder na Alemanha em 1933, com Hitler à frente – e exibida em Munique em 1937, na célebre Exposição de Arte Degenerada.

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O historiador e crítico de arte Will Grohmann, um dos intelectuais do círculo de amizades de Segall, esteve próximo ao artista em diversas ocasiões, inclusive na fundação da Secessão de Dresden – Grupo 1919.

Segall apontava três instrumentos para a superação do Impressionismo: Cubismo, Futurismo e Abstracionismo.

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A gravura, para Segall e outros expressionistas, devia ser algo muito simples na forma e veemente na mensagem.

Esta aquarela representa o núcleo familiar do próprio artista. Ele se retrata aqui como menino, ao lado do pai Abel Segall e da mãe Esther Ghodes Glaser Segall.

Meus avós foi mostrada na maior exposição individual que Segall realizou na Alemanha, no Museu Folkwang, de Hagen, em 1920.

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Este guache parece ter uma filiação clara – a tela Eternos caminhantes –, do ponto de vista da temática e da composição.

A prostituição é uma questão universal, comum aos centros urbanos do Velho e do Novo Mundo. Esta pintura, que repete a composição de uma litografia do álbum Bubu, 1921, mostra uma cena típica da Berlim dos anos 1920.

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Esta Figura feminina com espelho revela ainda influência da tendência Nova Objetividade, ao mesmo tempo que as áreas geométricas se acomodam sob a influência ordenadora do Cubismo.

Fase brasileira
"Vi-me transportado sob a fulgência de um sol tropical cujos raios iluminavam a gente e as coisas em seus recantos mais remotos e recônditos, emprestando até ao que se encontrava na sombra uma espécie de resplandecência, pois tudo dava por sua vez a impressão de irradiar reverberações de luz; vi terra roxa, terra cor de tijolo e terra quase negra, uma vegetação luxuriante desdobrando-se em fantásticas formas ornamentais, vi danças excecutadas pelo povo com exaltação quase religiosa, de um ritmo alucinante e contagioso, que realizava espontaneamente, sem teorias e pesquisas intelectuais, o que as modernas tendências do bailado na Europa se esforçavam por elaborar como criações revolucionárias e inovadoras no domínio da dança; e vi homens e mulheres com os quais, não obstante a estranheza de sua língua e costumes, me sentia irmanado." Lasar Segall

O autorretrato Encontro é o primeiro e mais forte símbolo da integração de Segall à vida brasileira.

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A vinda para o Brasil, no final de 1923, repercute intensamente na produção de Segall. Ao trocar o clima opressivo da vida alemã pela amplidão dos espaços brasileiros, uma revolução se processa em sua alma e em sua pintura.

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O velho Olegário, um ex-escravo de olhar embaçado pela idade avançada, posou para Segall diante do terraço da casa da fazenda de Carolina da Silva Telles, no interior de São Paulo.

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Menino com lagartixas é uma das pinturas da “fase brasileira” de Segall. A denominação, dada pelo crítico Mário de Andrade, refere-se às primeiras produções do artista em nossas terras.

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Os contatos iniciais de Segall com o meio rural brasileiro aconteceram nas visitas a fazendas do interior paulista, entre as quais a de Tarsila do Amaral e a de Carolina da Silva Telles.

Em muitas das telas criadas por Segall após sua vinda para o Brasil, a presença do desenho é determinante. Em Autorretrato III, o artista está diante de uma tela em branco e tem entre os dedos um lápis, em vez do pincel.

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Segall em Paris
Em 1928, por um período de quatro anos, Segall retorna à Europa com a esposa brasileira Jenny Klabin Segall e o filho Mauricio. Residem em Paris, onde, em 1930, nasce Oscar, segundo filho do casal. O recolhimento doméstico estimula o intimismo da obra e os temas da pintura – maternidades, judaísmo, naturezas-mortas, paisagens bucólicas.

Quando Segall chega ao Rio de Janeiro, no final de 1923, conhece a região do Mangue. As impressões dessa zona de prostituição carioca resultam em pinturas, em uma coleção de gravuras executadas em metal e madeira, a partir de 1928, na França, e no álbum Mangue, de 1943.

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Baseada em pequeno desenho de um caderno de anotações, no qual Segall registrou várias cenas da região do Mangue carioca, esta gravura sintetiza a relação entre a prostituta e seu cliente.

As possibilidades de contraste entre o preto e o branco, oferecidas pela xilogravura, foram magistralmente exploradas por Segall nesta Cabeça de negro.

Mulheres e casais da região do Mangue, como na tela Dois nus, são temas extraídos das visões daquele bairro de prostituição carioca.

As figuras do primeiro plano – mãe e filho – têm como cenário a arquitetura instável da favela.

A maternidade é um assunto freqüente na produção de Segall, desde os tempos de vida na Alemanha.

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A volta à Europa, em 1928, encerra a “fase brasileira” de Segall. Nos quatro anos em que vive com a família em Paris, até 1932, a tranquilidade doméstica inspira temas como maternidades, paisagens e naturezas-mortas.

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De volta ao Brasil
Segall volta ao Brasil em 1932, instalando-se definitivamente em São Paulo, na casa projetada por seu cunhado, o arquiteto modernista Gregori Warchavchik. O Museu Lasar Segall está instalado nos espaços que eram de sua casa e de seu ateliê, adaptados a essa nova finalidade.

Em 1935, Segall conhece Campos do Jordão e começa a retratar essa região conhecida como “a Suíça brasileira”.

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Este guache tem uma composição piramidal, concentrada, em que o grupo solidário de animais dialoga com o contorno da montanha ao fundo.

Em 1935, Mário de Andrade apresentou a jovem pintora Lucy Citti Ferreira a Segall. Lucy passou a freqüentar o ateliê do artista, trabalhando junto a ele, e auxiliando na documentação de sua obra.

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Este é um dos inúmeros retratos da pintora Lucy Citti Ferreira feitos por Segall, entre 1935 e 1947.

Transposta para o mármore cinza, a partir do modelo original em argila, a temática das duas amigas passa por uma simplificação das formas, visível principalmente no panejamento das vestes que envolvem as figuras.

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De todas as linguagens utilizadas por Segall, a escultura foi a que permitiu a melhor exploração formal do tema maternidade.

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Segall faz suas primeiras esculturas em Paris, em 1929. São dessa época relevos em gesso policromado, depois passados para o bronze.

A partir de 1937, sob o impacto das tensões que conduziram o mundo à Segunda Guerra Mundial, Segall produziu uma série de pinturas de grandes dimensões, retratando os eventos dramáticos que vitimaram a humanidade, nos séculos 19 e 20

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As gravuras da série Emigrantes começam a surgir em 1927, tendo como referência desenhos feitos por Segall durante suas viagens de navio, em cadernos de anotação que são verdadeiros diários de bordo.

A biografia de Segall, que percorreu enormes distâncias geográficas, culturais e afetivas, para se tornar um artista brasileiro, cruza-se com a dos emigrantes homenageados nesta tela, grandiosa alegoria da emigração.

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Uma mulher entrevista por detrás de persianas é imagem recorrente nas obras de Segall da série Mangue. As mulheres desse bairro de prostituição do Rio de Janeiro são retratadas quase sempre com uma dose de sensualidade e outro tanto de tensão formal.

Última fase
Segall retoma, na década de 1950, temas freqüentes em sua obra anterior. Eles constituem as séries das Erradias, Favelas e Florestas. A pintura dessa época caminha à procura da sublimação dos temas, da transparência da matéria e da verticalização das formas, às vezes representadas pelo corpo esguio das erradias, outras vezes pelos longos troncos das árvores.

Da aproximação entre o rumo incerto dos emigrantes e a marginalidade das prostitutas, surge, no final dos anos 1940, a série que Segall chamou Erradias.

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Nos últimos anos de vida, Segall retoma as séries das Erradias, Florestas e Favelas. Construções verticais que pontuam a geografia carioca.

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Nas florestas, mesclam-se as tonalidades cinza de suas lembranças da infância passada nos bosques de Vilna, aos ocres cezanneanos e verdes-musgo, aos marrons quentes e às cores da terra brasileira que ele admirava.

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As florestas de Campos do Jordão inspiraram diversos desenhos de Segall. Feitos a grafite, caneta ou nanquim aplicado com a caneta bico de pena.

O tema das florestas ocupou os últimos anos de vida de Segall, motivando o surgimento de pinturas, aquarelas e desenhos inspirados em Campos do Jordão.

Lasar Segall
Lasar Segall (Vilna, Lituânia 1889-São Paulo, SP, 1957). Pintor, gravador, escultor, desenhista de origem judaica. Inicia estudos de arte em 1905, na Academia de Desenho do mestre Antokolski, em Vilna, Lituânia. Muda-se para a Alemanha em 1906 e estuda na Escola de Artes Aplicadas e na Academia Imperial de Belas-Artes, em Berlim. Em 1910, vai para Dresden, onde frequenta a Academia de Belas- -Artes. Nesse período inicial na cidade, amplia seu contato com a pintura impressionista e realiza, em 1910, a primeira mostra individual na Galeria Gurlitt. No final de 1912, vem para o Brasil e, no ano seguinte, expõe em São Paulo e Campinas. Retorna à Europa em 1913 e, a partir de 1917, envolve- -se com a nova geração expressionista de Dresden. Em 1919, funda com Otto Dix (1891-1969), Conrad Felixmüller (1897- 1977), Otto Lange (1879-1944) e outros o Dresdner Sezession Gruppe 1919, grupo que agrega artistas expressionistas da cidade. Em 1921, publica o álbum de litografias Bubu, em 1922, e Recordações de Vilna em 1917, com águas-fortes. Volta ao Brasil, onde fixa residência em São Paulo, em fins do ano de 1923. Na capital paulista, Lasar Segall torna-se um dos protagonistas do cenário da arte moderna, considerado um representante das vanguardas europeias. Em 1924, executa decoração para o baile futurista do Automóvel Clube e para o Pavilhão Modernista de Olívia Guedes Penteado (1872- 1934). É um dos fundadores da Sociedade Pró-Arte Moderna (spam), em 1932, da qual se torna diretor até 1935. Dez anos após sua morte, em 1967, a casa em que morava na Vila Mariana, em São Paulo, é transformada no Museu Lasar Segall. 
Créditos: história

Museu Lasar Segall

Presidente da República: Michel Temer

Ministro da Cultura: Roberto Freire

Presidente do IBRAM: Marcelo Mattos Araújo


Diretoria do Museu Lasar Segall

Diretor Emérito: Mauricio Segall

Diretoria: Jorge Schwartz | Marcelo Monzani


Exposição

Coordenação:
Jorge Schwartz | Marcelo Monzani

Seleção de obras:
Pierina Camargo | Rosa Esteves | Vera d'Horta

Textos: Vera d'Horta

Revisão: Maria Carolina de Araújo

Produção: Ademir Maschio

Créditos: todas as mídias
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