Coleção de Escultura: da República à contemporaneidade

Museu Nacional de Belas Artes

Coleção de Escultura: da República à contemporaneidade
Apresenta obras de escultores que marcaram o desenvolvimento da história da arte no Brasil, como Rodolfo Bernardelli, Francisco Stockinger, Modestino Kanto, Hugo Bertazzon, Victor Brecheret, Bruno Giorgio, Farnese de Andrade e Zélia Salgado, e de contemporâneos, entre os quais Walter Riedweg e Mauricio Dias.São peças de tamanhos e formatos diversos em bronze, madeira, ferro, e resina que explicam a transformação do fazer artístico e da arte de esculpir desde a proclamação da República, em 1889, até os dias atuais. O período representado nesta mostra é marcado, inicialmente, por variações de estilo, trazidos da Europa por uma burguesia contagiada pelos ares parisienses, e que se envolveria nas mais diversas correntes artísticas e filosóficas do período entreguerras. Os constantes deslocamentos realizados ao estrangeiro pelos artistas contemplados com bolsas e prêmios de viagem, ou mesmo subvencionados por familiares, exemplificam o contato que tiveram com a arte europeia.   Alguns dos trabalhos são encomendas oficiais e outros, obras que personificam personalidades emblemáticas do seu tempo, como também temas de cunho social. Transversalmente, do figurativo à abstração, trata-se de peças que exprimem a poética de sua época e o gosto de uma sociedade marcada por conflitos estéticos e culturais.
Rodolfo Bernardelli
Do final do século XIX, momento em que ocorre a proclamação da República, até meados do século XX, Rodolfo Bernardelli ocupou o cargo de principal representante da escultura brasileira.Diretor da Escola Nacional de Belas Artes e escultor oficial do Estado, ele assinou os principais monumentos e estátuas dos logradouros públicos de importantes cidades brasileiras durante esse período.

A ideia de construir um monumento ao Descobrimento do Brasil partiu de um grupo de pessoas, que mais tarde formariam a Associação do Quarto Centenário do Brasil. Não houve concurso, como era costume nas encomendas de obras públicas. Rodolfo Bernardelli foi convidado para executar o trabalho, sem direito a honorários. Foram pagas tão somente as despesas necessárias ao empreendimento. O monumento foi feito em dois anos, tendo sido uma verdadeira aventura do artista contra o tempo.

Monumento ao Descobrimento do Brasil

A inauguração, ocorrida no dia 3 de maio de 1900 com a presença de então presidente da República Afonso Pena, contou com missa campal celebrada num altar colocado sobre um tablado em formato de cruzeiro.

Barão de Mauá

Estatueta que serviu de estudo para o monumento ao Barão de Mauá

Monumento a Barão de Mauá

Inaugurado em setembro de 1903 na praça Mauá, Rio de Janeiro, onde permanece até hoje.

Musas para da fachada do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Bernardelli é o autor do projeto musas para da fachada do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Tendo como base o verismo, apresenta-as como um ponto fixo de atenção para o espectador.
Em conjunto, as alegorias da fachada do Theatro Municipal simbolizam a contribuição de Bernardelli à imponência do edifício, belo representante da belle époque carioca.

São facilmente perceptíveis a alegria do rosto da Dança

e a fisionomia taciturna na face da Tragédia.

Poesia

Canto

Model for the monument to the Count of Figueiredo, 1888.

The character is sitting in a comfortable chair, in a meditative pose. As Bernardelli did not usually portray sitting people, this model seems to be one of the few examples among his works.

Senhorita José de Alencar

Retrato da filha do patriarca da literatura brasileira, José de Alencar. Bernardelli consegue registrar em mármore uma autentica jovem da burguesia carioca,

com volumes bem marcados, cabelos cuidadosamente trabalhados

e fisionomia serene. O olhar confere à retratada sentimento e frescor juvenis.

Modestino Kanto
Escultor e professor, frequentou o Liceu de Artes o Ofícios do Rio de Janeiro e estudou escultura com Rodolfo Bernardelli e Correia Lima na Escola Nacional de Belas Artes. Recebeu o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro no Salão Nacional de Belas Artes de 1918.

Fruta da terra

O artista tira partido de linhas e volumes bem modelados para traduzir a sensualidade,

a elegância e a feminilidade do modelo.

Hugo Bertazzon
Nasceu em Três Montes, distrito de Amparo, em São Paulo. Filho de italianos, seus primeiros estudos foram realizados em Pieve Di Soligo, Treviso, Itália. Estudou também com o escultor T. Belloto na Escola d’Arte Aplicada AL Carmine. Em 1918, ingressou na Academia de Belas Artes de Veneza, sob orientação de Pietro Carmine, obtendo o título de oficial de Professor de Desenho e Escultura. Voltou ao Brasil em 1922, fixando-se em São Paulo até 1926, quando viajou novamente para a Europa. Em 1928, passou a residir no Rio de Janeiro. Participou ativamente dos Salões Oficiais, tendo recebido diversas premiações.

Em Contemplação

e em Dançarina, ambas da década de 1930, Bertazzon se vale da geometrização na construção de volumes simplificados, com ênfase nas linhas retas.

Os rostos são marcados por ângulos limpos. A marcação dos fios de cabelo lembra as cabeças alegóricas das esculturas de Antoine Bourdelle, em que pequenas curvas sinuosas contrastam com o chapado do volume.

Armando Magalhães Correia
Aluno de Rodolfo Bernardelli, Correia Lima e Zeferino da Costa na Escola de Nacional de Belas Artes. Grande idealista, assumiu posição de destaque na luta pelos direitos dos artistas e a valorização das Belas Artes em sua época. 

O pulo da onça

O autor, em geral muito feliz na construção de seus animais, tira partido das linhas em perpendicular para dar movimentação

e maior realidade ao pulo do felino, destacando-se no conjunto a modelagem de sua musculatura.

Décio Vilares
Pintor e escultor, passou a frequentar a Academia Imperial de Belas Artes em 1868. Viajou para a Europa em 1872, aperfeiçoando-se com Alexandre Cabanel, em Paris, e Pedro Américo em Florença. Ao retornar ao Brasil, influenciado pelo positivismo, aderiu aos ideais republicanos.

São Paulo

O autor explora a linha em diagonal para dar movimento e dramaticidade ao personagem. O tratamento usado na modelagem

do cabelo

e da barba ratifica a teatralização que confere sentimento ao rosto.

Hildegardo Leão Velloso 
Escultor, decorador e professor. Aluno livre de Rodolfo e Henrique Bernardelli na Escola Nacional de Belas Artes. Participou da Semana de Arte Moderna de 1922 e obteve, ao longo de sua carreira, várias premiações em Salões de Arte. 

Henrique Bernardelli

Cabeça em estilo romântico, em que a preocupação do autor é registrar o sentimento do retratado, por meio de um perfeito trabalho de musculatura facial.

Bruno Giorgi
Iniciou seus estudos em Roma. Em seguida, já em Paris, frequentou o curso livre de Aristide Maillol na Academia Ranson e na Academia de La Grande Chaumieère em 1936 e 1937. Ao regressar ao Brasil em 1939, fixou residência em São Paulo, integrando o movimento modernista, ao lado de Mário de Andrade e Victor Brecheret, entre outros.

Camponesa

Giorgi constrói a cabeça de uma camponesa, preocupado com a síntese da forma,

cabendo às linhas equilibradas conferir serenidade e lirismo ao rosto

Figueira Júnior
Fez parte da Família Paulista Artística, de cujas exposições participou (1937 – 1940). É citado por Sério Millet em Pintores e pinturas (1940) e Quirino Campofiorito no artigo “Escultura moderna  no Brasil”, publicado pela Revista de Arte.

Cabeça em que o autor introduz

novas texturas, cujo diálogo com os pedaços polidos confere à obra um ar moderno.

Castellane, Arlindo Castellani di Carli, dito
Pintor e escultor, estudou no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, tendo sido aluno de José Maria da Silva Neves e Enrico Vito. Executou várias obras públicas em diversas cidades do país

Cabeça do doutor Iglésias

Cabeça em estilo realista, em que o autor se preocupa em representar com fidelidade tanto a forma quanto o sentimento.

Victor Brecheret 
Estudou em Paris com Antoine Bourdelle. De volta ao Brasil em 1926, fixou residência em São Paulo. Sua arte tende ao monumental, caracterizando-se pelo vigor expressionista que imprime às suas figuras.        

Portadora de perfumes

Obra de grandes proporções, em que a delicadeza dos detalhes confere à peça um grafismo decorativo.

As formas são nítidas e os volumes, bem marcados, com um toque de rotunda. Nota-se a preocupação do autor em ressaltar a nitidez dos volumes, por meio de uma luz homogênea.

Francisco Stockinger
Chegou ao Brasil em 1921. Em 1929, estabeleceu-se em São Paulo e estudou no Colégio Mackenzie, onde Anita Malfati dava aulas de desenho. Viveu no Rio de Janeiro de 1937 a 1954, quando se transferiu para Porto Alegre e passou a trabalhar com xilogravura. Diagramou e fez caricatura para o jornal A Hora.  Em 1956, naturalizou-se brasileiro e foi eleito presidente da Associação Rio-Grandense de Artes Plásticas Francisco Lisboa. Fundou e se tornou o primeiro diretor do Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre em 1961. 

As duas obras presentes na exposição representam a figura feminina. Ao olhar para elas, acompanhamos o processo a que o autor recorreu para confeccioná-las.
Em Mulher ajoelhada destacam-se os volumes

ressaltados pela luz produzidas por texturas diferenciadas.

Em Mulher vê-se uma ruptura com a forma feminina

produzida pelo tratamento dado ao bronze fundido, em que pedaços irregulares se acumulam e reúnem visão e tato.

Josias Félix Pereira
Escultor ativo no Rio de Janeiro. Discípulo de Schnoor,  participou do Salão Nacional de Belas Artes em 1959, quando obteve a medalha de bronze.

Myris
Cabeça de jovem senhora, caracterizada pelo modo como o artista explora o material e as linhas na realização do retrato. Destaca-se o contraste

entre o polimento e o não polimento.

Margarida Lopes de Almeida
Iniciou seus estudos artísticos com Correia Lima na Escola Nacional de Belas Artes, em 1916. Em 1924, recebeu o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, seguindo para Paris, onde permaneceu cinco anos. Em 1930, conquistou a menção honrosa no Salão dos Artistas Franceses em Paris. 

Creoula
Modelado perfeito, no qual a autora explora as reentrâncias para iluminar a face e dar sentimento à personagem.

Observe-se a forma como a artista trabalha a textura do cabelo.

Edgar Duvivier 
Diplomou-se pela antiga Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro. Durante 12 anos, exerceu a profissão de advogado, abandonando-a para dedicar-se à escultura. Estudou com Carlos Chambelland e Paulo Mazzuchelli. Sua obra revela, inicialmente a inspiração tradicional, mantendo-se filiada ao realismo acadêmico. Mais tarde, evoluiu para as formas abstratas.

Primavera
Obra bem modelada, na qual o autor usa recursos da resina de poliéster para dar aspecto difuso e translúcido ao trabalho. Seu modelado liso é acariciante e, nele, uma harmonia simples comanda o todo.

A luz percorre a superfície de suas formas, ressaltando a delicadeza e a sexualidade da figura feminina.

Diocleciano Martins de Oliveira
Pintor, desenhista e escultor. Estudou no Rio de Janeiro com Oswaldo Teixeira e Salvador Sabaté, tendo sido um dos promotores do Salão de Recusados, realizado nesta cidade em 1952. Nesse mesmo ano, fundou o Movimento Nacional Livre de Belas Artes. Autor do livro Iniciação plástica e do álbum Imagens do encantamento.

O encontro

Representação em relevo de cena cristã, com forte influência cubista.

Remo Bernucci 
Fez seus estudos de arte com seu pai Tito Bernucci. Participante ativo dos Salões da década de 1960. Recebeu o Prêmio de Viagem ao Exterior no XXII Salão de Belas Artes, em 1967. 

A floresta
O autor tira partido das texturas permitidas pelo material,

com o intuito de expressar a forma das árvores.

Zélia Salgado
Iniciou seus estudos artístico com Henrique Bernardelli no ateliê da praça do Lido, residência dos irmãos Bernardelli. Em 1924, entrou para a Escola Nacional de Belas Artes. Após ganhar o Prêmio Caminhoá em 1930, viajou para a Europa. Em Paris, estudou com Isaac Dobrinski (desenho), Robert Wlérick (escultura) e Othon Friesz. No Brasil, recebeu orientação de Roberto Burle Marx. Professora do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1954 – 1959), membro da Comissão Nacional de Belas Artes (1962 – 1963) e presidente da Associação Internacional de Artistas Plástico.

Mármore preto

Escultura de forma abstrata, com volume ousado, em que curvas e pontas

são elaboradas de forma a atribuir a elas força expressiva.

Nina Baar
Realizou seus estudos na Escola Nacional de Belas Artes de Genebrae, depois, em Berlim e Varsóvia. Expôs individualmente pela primeira vez em Lausanne,  em 1913. No Brasil, residiu no Rio de Janeiro, onde em 1965 apresentou pinturas e colagens na Galeria Barcinski, de propriedade de seu marido, numa exposição que atraiu a atenção da crítica de arte.

O mar e a terra

A autora constrói a peça usando objetos dos mais variados tipos para concretizá-lo.

Farnese de Andrade
Desenhista e Gravador, fez parte do grupo de artistas reunidos em torno de Alberto da Veiga Guinard entre 1946 e 1948. Frequentou, de 1959 a 1961, o curso de gravura em metal ministrado por Johnny Friedlaender no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Anos depois, começou a realizar montagens com objetos recolhidos nas praias e em demolições e antiquários. Em 1969, recebeu o Prêmio de Viagem do País no Salão Nacional de Arte Moderna e, no ano seguinte, no mesmo Salão, o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro.

Duas obras de seu tempo de ilustrador e gravador no Rio de Janeiro.

O convívio com artistas renomados em seu ateliê o levou a trabalhar com a geometria, mas sem abrir mão de agrupar materiais descartados para compor suas criações.

Sylvia Goyanna 
Estudou cerâmica em Nova York no College of Ceramics Alfred University, tendo participado do projeto e execução do painel cerâmico para o hall de entrada do Branco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Rio de Janeiro. Professora de cerâmica da Universidade Santa Úrsula no Rio de Janeiro.

A autora parte de duas formas antagônicas, porém tira partido de um eixo fixo, que me geral é um ponto de união entre elas.

Almandrade, Antônio Luiz Morais de Andrade, dito
Artista Plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano e poeta. Participou de várias mostras coletivas, entre as quais XII, XIII e XVI Bienais de São Paulo. Foi um dos fundadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia, que editou a revista Semiótica em 1974. Escreveu em vários jornais e revistas especializados sobre arte, arquitetura e urbanismo. Recebeu o prêmio Fundarte no XXXIX Salão de Artes Plásticas de Pernambuco  e 1986, e tem trabalhos em vários acervos particulares e públicos, como o Museu de Arte Moderna da Bahia e a Pinacoteca do Município de São Paulo.

Obra geométrica cuja montagem e cores fortes dão equilíbrio e certo movimento à obra.

Maurício Dias / Walter Riedweg
- Maurício Dias - Formado em Belas Artes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, possui Especialização em Artes Visuais pela Schule für Gestaulung, em Basel , Suíça. Na Basileia, conheceu Walter Riedweg e, desde então, trabalham juntos em projetos de arte pública, atuando na interseção entre artes visuais, documentário e estudos socioculturais.  - Walter Riedweg - Formado em Regência de Coro e Orquestra pela Musikakademie de Lucerna e em Teatro pela Scuola di Teatro Dimitri, em Verscio, Itália. Desde 1993, realiza com Maurício Dias trabalhos de forma interativa, tendo participado de diversas exposições nacionais e internacionais, como as XXIV e XXV Bienais Internacionais de São Paulo em 1998 e 2002, e a 48º Bienal Internacional de Veneza, em 1999. Sua obra investiga as relações entre a esfera pública e o âmbito privado, a fim de relacionar o individuo  ao contexto sociopolítico em que está inserido.

Devotionalia começou como um ateliê móvel para crianças e adolescentes de rua na Lapa, Centro do Rio de Janeiro. Durante o ano de 1995 se ampliou para dezoito localidades, cobrindo diversas ruas e favelas cariocas.

Cada criança participante fez uma cópia do próprio pé ou da mão usando os princípios básicos da escultura, usando argila, gesso e cera de parafina. Para cada ex-voto feito há uma mensagem correspondente, um desejo pessoal, registrado em vídeo.

Os votivos e os vídeos formam uma instalação, um grande ex-voto coletivo, que foi depositado num museu de arte ao invés de numa igreja, não para Deus, mas sim para a Sociedade.

Créditos: história

Coleção de Escultura do MNBA: da República Brasileira à Contemporaneidade

Caixa Cultural Salvador
De 20 de julho a 22 de agosto de 2010

Caixa Cultural São Paulo
04 de setembro a 17 de outubro de 2010

Curadoria
Mariza Guimarães Dias

Créditos: todas as mídias
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