O Maracatu e o Guerreiro de Alagoas: festividades afro-brasileiras

Museu Afro Brasil

Reis, rainhas, caboclos, vaqueiros e bois-bumbá. Saiba mais sobre cada tradição e o contexto por trás de suas indumentárias.

Maracatu, festividade e tradição
Criação negra pernambucana, o maracatu, com suas levadas do gonguê, a batida marcante da zabumba, o gemido da cuíca, o chacoalho do ganzá, o movimento ritmado dos corpos em sublime elevação e brincadeira é uma das mais coloridas festividades carnavalescas do país. Sua origem remonta à coroação dos “reis negros” prontamente imbricada na festa católica da Nossa Senhora do Rosário, sem ocultar, entretanto a intimidade de muitos dos participantes do maracatu na religiosidade propriamente afro-brasileira.

MARACATU RURAL

Vídeo produzido por Wolfgang Besche Fotografia e extraído do YouTube para ilustrar as cores e a música do Maracatu Rural em Nazaré da Mata.

NAZARÉ DA MATA, EM PERNAMBUCO

Parque dos Lanceiros, onde acontecem as maiores festas de Maracatu Rural do país. É possível ver estátuas no centro do parque representando a festividade.

Nessa tradição viva desde a virada do séc. XVIII para o XIX coroa-se teatralmente seus reis e rainhas e os reverencia publicamente nos dias de festa.

Rei de Maracatu Nação Elefante

Camurça artificial, brocado, tecido de poliéster, tecido jacquard, metal e miçangas.

Era assim também em algumas regiões da África (em especial no Reino do Congo e também no Reino do Dahomé – atual Benin) em que os reis, acompanhados por seu séquito constituído por príncipes, princesas e outras figuras nobremente trajadas, lideravam cortejos em baixo de imponentes guarda-sóis.

Rainha de Maracatu Nação Elefante

Camurça artificial, brocado, tecido de poliéster, tecido jacquard, metal e miçangas

Caboclo de Pena do Maracatu Piaba de Ouro

Palha, fibra vegetal, lantejoulas, miçangas, vidrilhos, espelho, penas e fitas de plástico metalizado.
Data: 2003

Multiplicam-se os conjuntos, os ritmos, os instrumentos e são variadas as nações enquanto agremiações ancestrais protetoras do saber mágico das festividades populares, mas o maracatu em si mesmo é único em sua originalidade.

Fruto do anseio de preservação do sentimento estético africano e brasileiro e ao mesmo tempo de todo um sistema de solidariedade em torno da calunga, a boneca decorada que é símbolo dos patronos de cada nação, o maracatu resguarda na reinterpretação afro-brasileira a presença da realeza africana com seus paramentos como os estandartes, os para-sóis, as vestimentas luxuosas, as marchas e danças em sua reverência num cortejo.

Boneca Calunga

Madeira, tecido de algodão, organza, metais

O africanista e embaixador brasileiro Alberto da Costa e Silva chamou a atenção para a influência do culto da calunga entre os ambundos da Angola. Segundo a lenda, o herói civilizador ambundo, Angola Inene, teria trazido de terras do nordeste ou, conforme outras versões, do mar, as lungas (ou malunga, que é plural em quimbundo da palavra).

Esta última origem seria o resultado de interpolação europeia, do traduzir equivocado de Calunga, 'as grandes águas', por oceano Atlântico, e contrasta com o papel agrário da escultura de madeira, ligada aos ritos de chamar a chuva e da fertilidade.

Os europeus além disso, interpretaram Calunga como uma alta divindade e talvez tenham contagiado com este novo conceito as crenças ambundas. A Calunga tornou-se assim, e desde há bastante tempo - a contar do fim do século XIII? -, fonte de poder político e de uma organização social fundada na terra, num sítio preciso, e não apenas na estrutura de parentesco.

Ela é ligada ao nome de numerosos ancestrais e fundadores de reinos, bem como aos títulos de vários sobas. A boneca, com o seu nome, atravessou o Atlântico e sobrevive nos maracatus brasileiros.

No Brasil, entre as nações mais conhecidas encontra-se o Maracatu Elefante, cuja rainha principal foi Maria Júlia do Nascimento a lendária Dona Santa (1877-1962). Há que se destacar também outras nações igualmente famosas Porto Rico do Oriente, Estrela Brilhante, entre outras.

Vestimenta de Caboclo de Lança do Maracatu Piaba de Ouro

Fibra vegetal, fio de algodão, plástico metalizado, madeira, lantejoulas e fitas de fibra sintética.
Data: 2003

Atenção especial deve ser dada aos estandartes que são insígnias de cada nação do maracatu, nelas alguns maracatus desfilam com a apresentação de um animal, que às vezes identifica o grupo: leão, tigre, elefante... São animais bordados em bandeiras de tecidos vermelhos ou dourados que contém, ainda, os motivos e as iniciais que sintetizam e expressam as marcas visuais de cada grupo.

Elas são empunhadas pelo porta-estandarte que segue à frente da animada procissão.

O guerreiro de Alagoas
Festas populares de Alagoas convergem diferentes manifestações do legado afro-brasileiro no contexto das manifestações católicas e das lendas populares. O Auto dos Guerreiros é uma representação teatral popular ao ar livre desenvolvida no Estado de Alagoas, que ocorrem principalmente durante as festividades natalinas. Grupos de até 70 pessoas formam o conjunto de atores e atrizes populares que fomentam tradições Pastoris mesclando a tradição do Reisado e do Bumba-Meu-Boi (em função da referência ao nascimento e ressurreição de Cristo) com diversas outras influências do folclore e de danças populares como o Caboclinho e mesmo referências ao auto popular da Chegança, figurando o embate entre Mouros e Cristãos.

Guerreiro Treme Terra Canoense

Techo do vídeo produzido por Wagner Barbosa e extraído do YouTube para ilustrar a festividade alagoana. Veja o vídeo completo.

Lagoa da Canoa, em Alagoas
O município de Lagoa da Canoa, onde a tradição do Guerreiro ainda continua viva.

O uso das roupas é subdividido em função da responsabilidade de cada figurante, assim, o Rei, a Rainha são paramentados fazendo uma adaptação de acordo com o imaginário baseado no paramento real do séc. XIX

Vestimenta-de-Vaqueiro de Bumba meu Boi

Cetim, veludo, penas e miçangas.

Agora, se o figurante for um Índio, um boiadeiro ou uma “Catirina”, uma mulher grávida do auto do Bumba-Meu-Boi, suas características indumentárias assumem seu próprio papel na peça teatral e no folguedo. Todo o colorido das vestes se sintetiza principalmente nas vibrantes cores vermelhas, amarelas e azuis.

Além disso, essas vestimentas se compõem com grandes e pesados chapéus geralmente enfeitados com algumas fitas coloridas e decorados tradicionalmente com pequenos espelhos colados ao longo de suas estruturas.

Vestimenta de Guerreiro de Alagoas

Tecido de algodão, papelão, cola, fibra vegetal, isopor, palha, papel laminado, plástico, contas, espelhos, miçangas, lantejoulas e purpurina

A configuração mais comum dos chapéus é a representação de igrejas de arquitetura colonial portuguesa, com duas torres nas laterais e um domo maior ao centro, encimado por uma cruz. Mas não é incomum o aparecimento de chapéus em forma de coroas relacionadas aos três magos, que honraram o nascimento do menino Jesus, entre outras representações natalinas.

Toda festa é acompanhada por ladainhas, cânticos e danças.

Bumba-meu-Boi "Graça de São João"

Cetim, veludo, miçanga, lã, resina (olho), madeira, osso (chifre).

Os instrumentistas utilizam os pífanos, acordeões, violões, tambores e pandeiros, além de outros instrumentos que executam a música nordestina de herança rítmica que mesclam tradições afro-brasileiras, músicas indígenas, além de melodias de canções religiosas antigas de origem portuguesa.

Créditos: história

Museu Afro Brasil

Créditos: todas as mídias
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