Navio de emigrantes

Museu Lasar Segall

A exposição apresenta o processo de criação da obra Navio de Emigrantes com reproduções de desenhos, gravuras, fotografias e da obra que é um dos maiores tesouros do acervo do Museu. 

Navio de emigrantes
Essa pintura de Segall, grandiosa alegoria da emigração, é o centro desta exposição. A mostra traz também, além dos desenhos de anotação, gravuras, esculturas, fotografias e documentos relacionados com esse tema e com o processo de criação do artista. 

A biografia de Segall, que percorreu enormes distâncias geográficas, culturais e afetivas, para se tornar um artista brasileiro, cruza-se com a dos emigrantes homenageados nesta tela, grandiosa alegoria da emigração.

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Lucy e o navio
Em 1935, Mário de Andrade apresentou a jovem pintora Lucy Citti Ferreira a Segall. Lucy passou a frequentar o ateliê do artista, trabalhando ao lado dele e auxiliando na documentação de sua obra.

Por mais de dez anos, ela foi a modelo preferida de Segall, que se impressionou pela força expressiva de seu semblante, principalmente pelos olhos fundos e sobrancelhas arqueadas.


Lucy está presente no Navio, na medida em que foi fotografada pelo próprio Segall em inúmeras poses, depois transpostas para os múltiplos personagens da pintura.

Os emigrantes  
 Pela primeira vez em minha vida avistava o mar e avistava navios. Vi como homens de todas as nacionalidades subiam a bordo desses navios e seguiam para mundos longínquos e desconhecidos, impelidos pelo destino e o algo de outro... Eu não largava um instante do lápis com que fixava continuamente no papel meus companheiros de viagem e modelos, esses emigrantes nos quais me parecia refletir-se a humanidade inteira.   Lasar Segall. Minhas recordações,1950. 

Seus apontamentos deram origem, no final dos anos 1920, às gravuras da série Emigrantes e, durante a Segunda Guerra Mundial, à tela Navio de emigrantes, realizada entre 1939 e 1942.

O destino de Segall, que percorreu enormes distâncias geográficas, culturais e afetivas, para se tornar um artista brasileiro, se cruza com o de todos os emigrantes homenageados na obra que é um testemunho veemente da história do século 20.

O Navio  
Um navio é uma grande embarcação, geralmente dotada de um ou mais conveses, com capacidade para transportar carga e/ou passageiros. Na obra Navio de emigrantes, Segall cria diálogos curiosos entre as formas humanas e detalhes do navio, como os respiradouros circulares, que parecem cabeças sem olhos para observar o mundo ao redor. 

A biografia de Lasar Segall (1889-1957) é marcada pelas grandes travessias e mudanças de rumo. Aos quinze anos de idade, ele deixou a cidade natal de Vilna, na Lituânia, para fazer sua formação artística na Alemanha. Desde sua primeira viagem ao Brasil, em dezembro de 1912, ele anotou, em pequenos cadernos de desenho, as experiências que viveu a bordo dos navios.

Marinheiros   
Os Marinheiros estão frequentes na obra de Segall nos temas ligados a série emigração. Na gravura ao lado, dois aspectos chamaram a atenção de Segall: o cais do porto, com sua população flutuante de marinheiros e prostitutas, e a imponência da paisagem do Jardim Botânico, com as fileiras de palmeiras imperiais.
1ª e 3ª Classe  
Passageiro de primeira classe, Segall sempre se solidarizou com o pathos dos despossuídos: isso é visível tanto na Alemanha pós Primeira Guerra Mundial, como no Brasil, na série do Mangue, por exemplo, que reúne a marginalidade da prostituição.  

Embora o próprio Segall não tenha sido um dos passageiros dessa terceira classe, sua condição de judeu russo e emigrante o tornou sensível ao drama de todos os refugiados.

Embora o próprio Segall não tenha sido um dos passageiros dessa terceira classe, sua condição de judeu russo e emigrante o tornou sensível ao drama de todos os refugiados.

Seus deslocamentos entre o Velho e o Novo Mundo, cruzando o Atlântico, produziram instantâneos de viagem, retratos de diferentes tipos humanos, o cotidiano dos marinheiros, detalhes construtivos das embarcações, a experiência da imensidão do oceano em confronto com a fragilidade do destino humano.

Paisagens  
A tela Navio de emigrantes é uma grandiosa alegoria da emigração, muito mais do que mera paisagem marítima. O destino de Segall, que percorreu enormes distâncias geográficas, culturais e afetivas, para se tornar um artista brasileiro, se cruza com o de todos os emigrantes homenageados nessa tela, testemunho veemente da história do século 20.   

Os deslocamentos de Segall entre o Velho e o Novo Mundo, cruzando o Atlântico, alimentaram sua experiência da imensidão do oceano em confronto com a fragilidade do destino humano.

Um tema atual  
Os estudiosos de Segall, a começar por Mário de Andrade e Jorge Coli, assinalam freqüentemente que em Navio de emigrantes existem dois planos: o da arquitetura do conjunto, com suas retas, ângulos e pontos visuais de referência como os grandes tubos de respiração e a numerosíssima individualização de dezenas e dezenas de figuras humanas amontoadas na proa do navio. 

A cada uma destas figuras – isoladas, em par ou em grupo – Segall, com o seu olhar intimista, dá vida própria com apurado cuidado plástico. É por isto que Navio de emigrantes é um quadro que lida com a complexidade, combinando a reveladora alegoria da mensagem do conjunto com as perspectivas individualizadas dos seres humanos, captadas na proa do navio

Segall afirmou que o seu quadro era símbolo e não documento. Estava, por isso mesmo, fora do tempo e do espaço. Daí o alcance alegórico das duas pombas no alto do canto esquerdo de Navio de emigrantes que, simultaneamente, revelam e escondem. Evocam, mas não asseguram, a possibilidade de terra e de esperança. É para isto que estas duas pombas apontam em nossos dias, marcados por tantas migrações, por não documentados e refugiados que enfrentam o Cabo Não das fronteiras

Lasar Segall
Lasar Segall (Vilna, Lituânia 1889-São Paulo, SP, 1957). Pintor, gravador, escultor, desenhista de origem judaica. Inicia estudos de arte em 1905, na Academia de Desenho do mestre Antokolski, em Vilna, Lituânia. Muda-se para a Alemanha em 1906 e estuda na Escola de Artes Aplicadas e na Academia Imperial de Belas-Artes, em Berlim. Em 1910, vai para Dresden, onde frequenta a Academia de Belas- -Artes. Nesse período inicial na cidade, amplia seu contato com a pintura impressionista e realiza, em 1910, a primeira mostra individual na Galeria Gurlitt. No final de 1912, vem para o Brasil e, no ano seguinte, expõe em São Paulo e Campinas. Retorna à Europa em 1913 e, a partir de 1917, envolve- -se com a nova geração expressionista de Dresden. Em 1919, funda com Otto Dix (1891-1969), Conrad Felixmüller (1897- 1977), Otto Lange (1879-1944) e outros o Dresdner Sezession Gruppe 1919, grupo que agrega artistas expressionistas da cidade. Em 1921, publica o álbum de litografias Bubu, em 1922, e Recordações de Vilna em 1917, com águas-fortes. Volta ao Brasil, onde fixa residência em São Paulo, em fins do ano de 1923. Na capital paulista, Lasar Segall torna-se um dos protagonistas do cenário da arte moderna, considerado um representante das vanguardas europeias. Em 1924, executa decoração para o baile futurista do Automóvel Clube e para o Pavilhão Modernista de Olívia Guedes Penteado (1872- 1934). É um dos fundadores da Sociedade Pró-Arte Moderna (spam), em 1932, da qual se torna diretor até 1935. Dez anos após sua morte, em 1967, a casa em que morava na Vila Mariana, em São Paulo, é transformada no Museu Lasar Segall. 
Créditos: história

Exposição Navio de Emigrantes

Museu Lasar Segall
Presidente da República: Michel Temer
Ministro da Cultura: Roberto Freire
Presidente do IBRAM: Marcelo Mattos Araújo

Diretoria do Museu Lasar Segall
Diretor Emérito: Mauricio Segall
Diretoria: Jorge Schwartz | Marcelo Monzani

Exposição
Coordenação: Marcelo Monzani
Concepção: Pierina Camargo
Produção: Ademir Maschio
Estagiários: Gabriel Felix e Guilherme Dias

Textos de Celso Lafer (Um tema atual), Jorge Schwartz (1ª e 3ª classes), Lasar Segall (Os emigrantes) e Vera d'Horta (Navio de emigrantes, A obra, Lucy e o navio, Marinheiros e Paisagens)

Créditos: todas as mídias
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