Nesta exposição propomos uma “viagem” pelo acervo do Museu da Imigração tendo como fios condutores o movimento e os caminhos percorridos, perpassando décadas de história sem um compromisso rígido com o encadeamento dos anos.

Migrar significa antes de tudo mudar de vida. Essa mudança pode ser temporária ou definitiva, uma experiência solitária, familiar ou comunitária. Muitas são as motivações que levam à decisão de partir de um lugar e passar a viver em outro: necessidade econômica, crise política ou militar, busca de aventura ou oportunidades, casamento ou reunião de famílias... Muitas também são as histórias relacionadas a essa experiência, mescladas às tramas complexas da memória e dos registros materiais que permaneceram. Nesta exposição propomos uma “viagem” pelo acervo do Museu da Imigração tendo como fios condutores o movimento e os caminhos percorridos, perpassando décadas de história sem um compromisso rígido com o encadeamento dos anos. Nossa tentativa foi a de articular as coleções fotográfica e de história oral no que elas oferecem de mais rico: experiências de vida, aqui entendidas como exemplares dos trajetos de cerca de 2,5 milhões de pessoas que tiveram a Hospedaria de Imigrantes do Brás (edifício que hoje sedia o Museu) como meio de caminho entre uma vida que ficava para trás e outra, ainda desconhecida.
Trajetos
Um traço une as milhares de histórias de vida que reunimos aqui: a experiência do deslocamento e do primeiro contato com um futuro desconhecido. Será, portanto, por aqui que iniciamos nossa “viagem”. O Porto de Santos era o ponto final da primeira parte do trajeto percorrido por milhares de trabalhadores e suas famílias, estrangeiros e nacionais. Após o desembarque, todos eram encaminhados à Inspetoria de Imigração, onde seus documentos eram conferidos e agentes sanitários e médicos avaliavam seu estado de saúde. De lá seguiam para a Hospedaria de Imigrantes do Brás, na capital paulista, onde receberiam abrigo, alimentação e encaminhamento. A viagem de subida pela Serra do Mar era de trem. Começava na estação ferroviária do Porto de Santos e terminava da estação da Hospedaria. Esse era o roteiro mais comum, mas havia ainda aqueles que desembarcaram em outros portos, como o do Rio de Janeiro, ou que tinham como ponto de partida estações ferroviárias de cidades brasileiras. De qualquer modo, a Hospedaria foi local de passagem de muitas famílias ao longo de seus 91 anos de funcionamento, que vinham trabalhar em São Paulo, geralmente subvencionadas pelo governo.
A Hospedaria do Brás
A história da Hospedaria do Brás começa em 1887 (data do início de suas operações) e se encerra em 1978 (quando o último grupo de imigrantes  - coreanos - é recebido). Nesses 91 anos percorreram suas edificações cerca de 2,5 milhões de homens, mulheres e crianças, vindos de outros países e também de estados brasileiros.A Hospedaria do Brás foi, assim, a primeira morada paulistana de muitos. Embora o tempo de permanência fosse restrito a poucos dias, o impacto dessa experiência pode ser comprovado por muitas das narrativas preservadas em diários e depoimentos de migrantes e imigrantes. De modo geral, podemos definir as atividades da Hospedaria pela tríade: recepção, acolhimento e encaminhamento. Para satisfazer cada uma dessas atividades, departamentos e instalações físicas foram criados. Para dar conta do grande número de pessoas, uma estrutura rígida foi pensada com fluxos e horários, envolvendo dezenas de funcionários.

Armazém / Setor de Bagagens - A Hospedaria tinha um serviço de recebimento das bagagens, essas importantes companheiras de viagem e referências essenciais dos locais de origem de estrangeiros e brasileiros recém chegados. Em malas, baús, sacolas e arcazes eram transportados itens considerados importantes para a manutenção de ritos cotidianos, como alimentar-se, vestir-se e trabalhar, além de objetos definidores de identidades: fotografias, diários, itens sentimentais ou rituais. Perdê-los de vista era perder parte da própria história e porque não, todo um patrimônio. Além disso, acreditava-se que nas bagagens vinham também impregnados por bactérias e vírus transmissores de doenças. Para tentar minimizar esses problemas, o Setor de Bagagens era responsável por sua recepção, desinfecção e distribuição.

Matrícula - A entrada efetiva na Hospedaria de Imigrantes do Brás ocorria no momento da matrícula dos trabalhadores e seus familiares. Esse procedimento burocrático consistia em entrevistas com os ingressos, na verificação de informações em documentos pessoais e nas listas de bordo dos respectivos navios, no registro de seus dados sumários no livro de matrícula e na entrega dos cartões de permanência. Funcionários da Hospedaria, como escriturários e tradutores, acompanhavam o procedimento. Após esse trâmite, podia-se usufruir dos serviços oferecidos pela instituição: alimentação, higiene, acomodação, assistência médica e colocação. Graças à matrícula, hoje nós temos um importante conjunto de livros que documentam nomes, idades, nacionalidades e destinos de homens, mulheres e crianças, imigrantes e migrantes, que passaram pelas dependências da Hospedaria do Brás, e que em 2009 foi considerado patrimônio documental pelo programa Memória do Mundo da Unesco.

Sanitários e lavanderia - Após a entrada efetiva na Hospedaria de Imigrantes do Brás, imigrantes e migrantes eram levados às dependências reservadas à higiene. Homens, mulheres e crianças tomavam banho e tinham suas roupas lavadas na lavanderia mecanizada da Hospedaria. Homens passavam pela barbearia, onde tinham os cabelos cortados e a barba feita. Após o longo tempo de viagem, este era certamente um momento agradável, embora os banheiros fossem compartilhados e o volume de pessoas em algumas épocas aumentasse extrapolando os limites de acolhimento da instituição. A modernidade das instalações da lavanderia justificava-se pela quantidade de roupas a serem lavadas por dia – considerando as vestes dos acolhidos, assim como roupas de cama e banho – e pela preocupação da época com higiene e salubridade.

Alimentação - A alimentação era parte importante da rotina na Hospedaria de Imigrantes do Brás. Já no momento de sua chegada, migrantes e imigrantes recebiam o “cartão de rancho” e podiam se dirigir ao refeitório para sua primeira refeição. No total, eram oferecidas cerca de quatro refeições diárias por pessoa, em que eram servidos itens tipicamente brasileiros, como arroz, feijão, café e banana. A alimentação era certamente um dos primeiros choques culturais pelos quais passavam os trabalhadores e seus familiares acolhidos pela Hospedaria e não por acaso, esse é um dos temas mais lembrados em entrevistas realizadas pelo Museu que hoje compõem seu valioso acervo de História Oral.

Serviço Médico - A Hospedaria de Imigrantes do Brás contava com instalações e equipe voltadas exclusivamente à profilaxia e ao tratamento médico dos migrantes e imigrantes acolhidos: enfermaria adulta e infantil, consultório médico, consultório odontológico, sala de parto, assim como médicos, enfermeiras e parteiras. Em seu primeiro dia na Hospedaria, trabalhadores e familiares eram vacinados contra doenças típicas do Brasil, por quais essas pessoas, de diferentes origens, não possuíam imunidade. Casos corriqueiros eram atendidos na própria Hospedaria, porém doentes infecciosos ou em estado mais grave eram levados à Santa Casa de Misericórdia. Atualmente o Museu da Imigração possui em seu acervo uma rica coleção de objetos médicos que atestam a importância desse serviço para a instituição.

Alojamentos - Em 1890, a Hospedaria de Imigrantes ainda não possuía condições adequadas de acomodação; cada dormitório era um salão com espaço para 300 a 600 pessoas, muitas dormiam no chão ao longo do alojamento, inclusive mulheres e crianças, sobre esteiras entregues à chegada e devolvidas à saída. As instalações sanitárias eram poucas, havia uma torneira e tina no pátio interno para beber água e lavar-se. Após 1892, quando a Hospedaria passou a ser administrada pela Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas (órgão estatal), e não mais pela Sociedade Promotora da Imigração (administrada pelos fazendeiros do café), o local começou a ser modificado. Em 1906 a Hospedaria foi reformada e os alojamentos remodelados. No primeiro andar, havia seis vastos dormitórios, com capacidade para abrigar 150 pessoas em cada um, bem arejados, iluminados durante o dia por numerosas janelas e à noite por luz elétrica. Junto às paredes, as camas de ferro de dia eram erguidas e presas às paredes, deixando assim o espaço livre para a circulação; a parte central era dividida, por madeira, em pequenos quartos reservados às famílias; tais divisões eram facilmente desmontáveis e tanto estas como as camas de ferro constituíam importantes inovações para a época. Toda a roupagem das camas era esterilizada por máquinas à vapor. Os dormitórios eram fechados durante o dia, sendo permitida a permanência apenas dos que por razão de idade, cansaço ou indisposição necessitassem de repouso.

Agência Oficial de Colonização e Trabalho - A finalidade primeira da Hospedaria de Imigrantes do Brás era organizar a imigração de mão de obra para São Paulo. Assim, era de extrema importância proporcionar o contato entre empregadores e trabalhadores e assegurar contratos legítimos e seguros para ambas as partes, fossem eles para a agricultura, a indústria ou o comércio. Para isso foi construída em 1905 a Agência Oficial de Colonização e Trabalho dentro do complexo da Hospedaria. Em seu interior, trabalhadores eram informados das vagas existentes e podiam negociar com os contratantes suas condições. Quando necessário, intérpretes facilitavam o diálogo com os imigrantes e ao final das tratativas, o nome de quem contratava e o local para onde se dirigiriam era marcado no Livro de Matrícula e no cartão que acompanhava os acolhidos. A partir desse momento, o tempo de permanência na Hospedaria começava a chegar ao fim.

Encaminhamento - Finalizada a contratação dos migrantes e imigrantes acolhidos, funcionários da Agência Oficial de Colonização e Trabalho solicitavam à diretoria da Hospedaria de Imigrante do Brás que o transporte necessário fosse providenciado. Após adquiridas as passagens, trabalhadores e familiares seriam acompanhados ao seu local de destino por representantes dos empregadores. Na saída da Hospedaria, eram distribuídos farnéis compostos por pão e salame para usufruto durante o novo trajeto. Essa seria, para muitos, a última etapa de um deslocamento longo, iniciado dias, semanas e até meses antes, e tendo como ponto de partida paisagens que jamais seriam revistas. Para outros, o novo local de trabalho seria o primeiro de muitas moradas em solo nacional. Para poucos, o retorno à terra natal seria um desejo realizado e São Paulo se tornaria uma dentre tantas lembranças que se pode acumular ao longo de uma vida.

Créditos: história

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

GERALDO ALCKMIN
Governador do Estado

JOSÉ LUIZ PENNA
Secretário de Estado da Cultura

ROMILDO CAMPELLO
Secretário-adjunto de Estado da Cultura

Regina Célia Pousa Ponte
Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico


INSTITUTO DE PRESERVAÇÃO E DIFUSÃO DA HISTÓRIA DO CAFÉ E DA IMIGRAÇÃO

Roberto Penteado de Camargo Ticoulat
Presidente do Conselho de Administração

Carlos Henrique Jorge Brando
Vice-presidente do Conselho de Administração

Guilherme Braga Abreu Pires Neto
Sérgio Ferreira Silva Carvalhaes
Comitê Executivo

Alessandra Almeida
Diretora Executiva

Thiago Santos
Diretor Administrativo

Caroline Nóbrega
Gerente de Comunicação e Desenvolvimento Institucional

Mariana Esteves Martins
Coordenadora Técnica do Museu da Imigração

Claudia Marinelli
Coordenadora Administrativa



MUSEU DA IMIGRAÇÃO


ADMINISTRATIVO

Administração
Lucinea Gomes do Nascimento
Maria Christina Chiara
Marisa dos Santos
Melise Pereira Lopes da Silva
Natalia Alves de Oliveira
Priscila da Silva Vitor Dias

Infraestrutura
César Pimenta
Trajano Rodrigues
Adriano Aparecido de Jesus do Carmo
Bruno dos Santos Callender
Elisangela Maria Melo da Silva
Glecia Lopes Ferreira
Grimaldo Madeira da Silva
Janifer Martinelli da Silva
Maria Aparecida dos Santos
Maria Conceição da Silva
Maria Sandra Soares Batista
Railde Maria Lima
Rogério Vagner da Silva
Veronica Simão da Silva

Recepção e bilheteria
Débora Castequini Lemes
Drielly Gloria dos Santos
Joselma Guilherme Silva
Mariane Nunes
Simone Monteiro de Brito

Tecnologia da informação
Alexandre Jorge Cardoso
Rafael da Silva e Souza


COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL
Sttela Gatuso Desenzi Vasco
Thâmara Malfatti


TÉCNICA

Comunicação Museológica
Juliana Silveira
Vivian Bortolotti

Educativo
Isabela Maia
Aline Oliveira
Ana Menezes
Bruna Marques
Felipe Pontoni
Guilherme Ramalho
Jenifer Bene Lu
Juliana Barros
Luiz Gregório G. de Camargo
Mariana Kimie Nito
Raquel Freitas
Valeria Chagas

Pesquisa
Tatiana Chang Waldman
Angélica Beghini
Henrique Trindade Abreu
Mariana de Oliveira Keller

Preservação
Ana Beatriz Giacomini
Letícia Brito de Sá
Luciane Santesso
Marcelo Alves de Macedo Leandro
Victor Marques


EXPOSIÇÃO VIAGEM, SONHO E DESTINO

Curadoria
Mariana Esteves Martins

Pesquisa de acervo
Luciane Santesso
Pedro Malafaia

Agradecimentos
Equipes Administrativa, Comunicação Institucional, Infraestrutura e Técnica do Museu da Imigração
Voluntários do Museu da Imigração

MUSEU DA IMIGRAÇÃO
Rua Visconde de Parnaíba, 1316
Mooca - São Paulo-SP
(11) 2692 1866
Horário de funcionamento da bilheteria: Terça a sábado das 9h às 17h - Domingo das 10h às 17h
www.museudaimigracao.org.br

Créditos: todas as mídias
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