15 de ago de 2015 - 19 de jun de 2016

Centenário de João Vilanova Artigas nos pormenores um universo

Museu Oscar Niemeyer

Museu Oscar Niemeyer

Pormenores
Pormenores são detalhes, minúcias que indicam um fazer especial! Projetos arquitetônicos contêm sempre detalhes e detalhes do detalhe, que Artigas chamava de “pormenor”. Os pormenores são a mais clara representação da conduta do arquiteto, que traduzia ideias em obras construídas. Seus pormenores não continham só desenhos e especificações técnicas; eram feitos também de memórias, ideologias, relações com a história, com a política e com a vida. Nem sempre eram minúcias, às vezes eram grandes atos transformados em concreto, como escadas esculturais que acessam e dignificam o quarto da empregada, ou os lambrequins redesenhados que lembram a arquitetura de madeira da sua infância, como a barbearia da rodoviária (de Londrina), a rampa para o paciente do hospital, a vidraça que deixa o sol aquecer a sala de estar. Pormenores percorrem a obra do arquiteto, instigam a qualidade técnica até o limite por meio de cálculos precisos que envolvem a sua arte. Pormenores percorrem a obra do arquiteto, instigam a qualidade técnica até o limite por meio de cálculos precisos que envolvem a sua arte. por: Giceli Portela
Essa carta, bastante citada em livros que contam a trajetória de Artigas, é a tradução perfeita do ideal que o arquiteto transmitiu às suas obras. O trecho em que defende a arquitetura como arte é singular: [...] Arquitetura é construção e arte. Arte não tem livro de regulamento que ensine. Nasce dentro de cada um e desenvolve-se como conjunto de experiências. Procure um homem que possa dar à sua casa de saúde, além das características de um hospital eficiente pelo perfeito planejamento das diversas seções, um valor artístico indiscutível. O valor artístico é um valor perene, enorme, inestimável. É um valor sem preço e sem desgaste. Pelo contrário, aumenta com os anos à proporção que os homens se educam para reconhecê-lo. O valor artístico subsiste até nas ruínas. Os anos correm e desgastam o material, enquanto valorizam o espiritual. [...]
Nascido em Curitiba, em junho de 1915, João Batista Vilanova Artigas mudou-se para São Paulo e formou-se arquiteto pela Escola Politécnica da USP, em 1937. Foi fundador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), em 1948, na qual liderou mais tarde, em 1962, um movimento para a reforma do ensino que influenciou outras faculdades de arquitetura no Brasil. Foi bolsista da John Simon Guggenheim Foundation em 1947. Militante dos movimentos populares no Brasil, foi perseguido pela ditadura militar, tendo sido expulso da Universidade em 1969, junto com outros professores brasileiros. Sua obra foi duas vezes premiada internacionalmente pela União Internacional de Arquitetos – UIA (Prêmio Jean Tschumi, 1972 e Prêmio Auguste Perret, 1985 – póstumo). Dentre os 700 projetos que produziu durante sua carreira, destacam-se: Edifício da FAU-USP; Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado, em Guarulhos; Passarelas Urbanas; Estádio de Futebol do Morumbi; clubes; sindicatos e várias casas. Sua obra já foi objeto de exposições, publicações, pesquisas e teses no Brasil e no exterior.
FAUUSP
Este prédio acrisola os santos ideais de então: pensei-o como a espacialização da democracia, em espaços dignos, sem portas de entrada, porque o queria como um templo, onde todas as atividades são lícitas.

"Admiro os poetas. O que eles dizem com duas palavras a gente tem que exprimir com milhares de tijolos.”

João Batista
Vilanova Artigas

As Casas
But now comes the history lesson of all men of all races, all social ideologies of all time, which insists on telling me that the chapiter also derives from it (which in addition to functionally gathering efforts is functionally ornament too), and the thousand and one Kilimanjaro that infest the most sublime architectures. Which to my taste and racism are the Egyptian, the Florentine Renaissance and the modern home. The legitimate modern house that is. The Ministry of Education and never the Ministry of War; the Esther Building and never the Faculty of Law, and a house by Artigas and never a neo-colonial house. Mário de Andrade, 1943.
A Casinha
...transferi algumas vivências minhas, de menino paranaense, do sul do brasil, que tem sala e não sabe para quê. a convivência da família brasileira era na cozinha. enquanto, na casa tradicional paulista, a sala de jantar se dirigiu na direção do “living-room”, pelo processo de transformar duas salas em uma, eu fui para a tradição brasileira de integrar a cozinha à sala. segui caminho diverso. sei que perdi a parada. mas minha casa está lá. Artigas, 1978.
Rodoviária de Londrina
Tínhamos em Londrina uma fronteira agreste, mais vermelha de terra que o vermelho da revolução, mas também com o vermelho da esperança que nascia para aqueles que abandonaram seus locais de origem e vieram para Londrina em busca de uma nova vida Artigas, 1970
Children’s House
Casa Baeta
Qual a natureza das obras que eu fiz? Procurar em algumas delas sentir o tipo de proporção que conheci com o povo de minha terra, o Paraná, com as casinhas feitas de madeira. A maneira como o homem se relaciona com a forma passa a ser uma linguagem que o artista assume. Artigas, 1984.
Casa Bettega
Casa é uma bela imagem do querido Artigas. Forma peculiar de conhecimento, distingue o homem enquanto personagem – uma novidade no universo – que constrói para habitar o planeta. Transforma a natureza, as geografias. Arquitetura está no centro da Universidade, arte ciência e técnica a um só tempo, a ideia de êxito para todas as outras escolas. Esta Casa é uma extensão do seu trabalho. Reflexão e aula que estimula todos nós para continuar construindo a cidade atual para inverter a rota dos desastres. Deve ser um lugar alegre porque sempre novo e atento às transformações de nosso tempo. Paulo Mendes da Rocha, 2004.
Casa Elza Berquó
É meu projeto meio pop, meio irônico, e eu gosto muito de vê-lo, sob qualquer ângulo. São pedaços ou troncos de árvores que apoiam toda a estrutura de concreto da cobertura. Mas o que é avanço técnico! Danei a descobrir que era possível colocar laje de concreto armado sobre uma coluna de madeira e experimentei, pela primeira vez, na casa de praia de meu irmão Giocondo. Com o surgimento de um material chamado neoprene, foi possível fazer com que a carga do telhado se distribuísse pela área da coluna de madeira e, dali, para as funções.
Centro Integrado de Educação
A escola tem um tratamento que é, na sua essência, paisagística. O objetivo não foi a implantação de um parque infantil numa praça, mas integrar esses dois aspectos: praça e parque formam um conjunto homogêneo. O meu projeto trata de uma reorganização dentro da tradição republicana da escola primária. Dei aos grandes espaços abertos prioridade sobre as salas de aula. Estas não seguem um esquema rígido, ao contrário, têm formas bastante irregulares, evitando a solução convencional de salas quadradas ou retangulares.
Rodoviária de Jaú
Um pequeno pormenor, que vale a pena contar, porque sempe acho interessante um julgamento do povo em relação às coisas que faço. Se acham bonito ou feio. Em relação à essa rodoviária, há uma anedota que me encantou. O ônibus entra na Rodoviária e as pessoas descem diretamente na plataforma e, uma senhora que ia para Jaú me contou que, quando o ônibus entrou na estação, o motorista disse: “A senhora não vai descer?” E ela: “Não, vou pra Jaú.” “Mas nós estamos em Jaú.” “Que nada, rapaz, eu conheço Jaú, e lá não tem dessas coisas!” Artigas, 1981.
Dos modernistas à FAU
A revolução modernista brasileira consagrou três princípios: o direito à pesquisa estética, a atualização da inteligência artística brasileira e a estabilização da uma consciência criadora nacional (Mário de Andrade). Brecheret e Tarsila, construtivos de 22. Família Artística Paulista, contraponto. Portinari, Iberê Camargo, Ivan Serpa, Antônio Dias, Gerchman, Ohtake, Samson Flexor: diversidade de linguagens. Os construtivos Sacilotto e Nogueira Lima; o intuitivo Volpi. O neoconcretismo, de Ferreira Gullar a Lygia Clark e Oiticica, e o popcreto Waldemar Cordeiro. Opinião 65. Cinema Novo. Teatro de Arena, Oficina. Nova Objetividade Brasileira: afirmação da vontade geral construtiva e posicionamento em relação aos problemas políticos, sociais e éticos (MAM-RJ 1967). Tropicália. Brutalismo: opção pela verdade estrutural das construções. Ética e estética. FAU concebida como espaço aberto a todas as tendências, a todas as expressões: “Pensei-o como a espacialização da democracia, em espaços dignos, sem portas de entrada, porque os queria como um templo, onde todas as atividades são lícitas” (Artigas). Zona de turbulência: ensino republicano, manifestações estudantis, assembleias, ideias, invenções. Arquitetura, Arte e Política. Refuncionalização brechtniana: formas e instrumentosa serviço das mudanças sociais (Benjamin).

É obrigado a prestar concurso, para recuperar a condição de contrato anterior à cassação, pois a congregação da FAU-USP não teria aprovado a reabilitação do cargo de Professor

Em todo caso, ser arquiteto, meus jovens, é um privilégio que a sociedade nos dá e que eu desempenho como se fosse um segredo, no cantinho de meu escritório, fechado com meus pensamentos e meu desenho.” João Batista Vilanova Artigas
Arquitetura
Créditos: história

Nos pormenores um universo – centenário de Vilanova Artigas

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