Intervenções

Museu Lasar Segall

Arte contemporânea no Segall

Intervenções
A série Intervenções tem como objetivo apresentar obras no jardim principal do MUSEU LASAR SEGALL | IBRAM | MINC. Essas obras devem propiciar ao público visitante uma reflexão sobre as relações entre espaço arquitetônico, arte pública e artes visuais. Desde 2011 foram expostas as “intervenções” de Lygia Reinach, Regina Silveira, José Manuel Ballester, Mônica Nador, Edith Derdyk, Marilá Dardot, Marcelo Moscheta, Ana Maria Tavares e Macaparana. Anterior ao projeto, o artista Hilal Sami Hilal inaugurou o espaço com a obra "Para sonhar continentes", trabalho inédito para a exposição Atlas, realizada no Museu Lasar Segall em 2010. Com essas intervenções, o jardim do Museu, anteriormente um simples espaço de circulação, transforma-se em uma “galeria” a céu aberto. Assim, o local ganha novos significados e estabelece, por meio da obra em exposição, um diálogo ativo com os visitantes. Ao mesmo tempo, o Museu amplia as possibilidades investigativas, inserindo novos conceitos, ações e práticas nas tendências contemporâneas de arte.
Lygia Reinach
"O espaço do jardim, embora pequeno, oferece uma atmosfera generosa e acolhedora. Gosto dele. Quanto ao projeto de abrir novos espaços para as artes visuais, não tenho dúvida de que é corajoso. Porque? Porque trata-se de espaço digno e inusitado. E não duvido de que Segall iria aplaudir a iniciativa. Estou orgulhosa por estar inaugurando Intervenções e apresentar duas esculturas no jardim. A primeira é de cerâmica e água. Algo que venho desenvolvendo, tentando simplificar sempre os procedimentos no sentido de torná-los mais e mais misteriosos. A segunda escultura é toda em aço corten, de aproximadamente 2 metros de altura." (Depoimento de Lygia Reinach)
Regina Silveira
Regina Silveira descreve a obra como “um inventário sobre a luz, tratada como conceito, palavra-imagem e fenômeno. O trabalho foi criado em 2010 para fachada curva envidraçada do hall de entrada do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, como junção aleatória de tipologias diversas que escrevem a palavra ‘LUZ’, recortada e vazada em material transparente e colorido, com a intenção de compor uma espécie de vitral “impermanente”, em termos de cor-luz, efeitos e reflexos.O significado de Glossário está na pequena narrativa visual misturada e aberta que propõe. A interpretação envolve não apenas a ‘leitura’ do discurso, linear ou cruzada, mas também o fluxo de interações que as palavras podem manter com o usuário em movimento e com a luz física e cambiante, externa ou interna, da qual o trabalho depende para iluminar-se e ‘funcionar’.
José Manuel Ballester
Arquitetura e simulacros é o título da intervenção de José Manuel Ballester nos jardins externos do Museu Lasar Segall. Utilizando da técnica do “trompe-l´oeil” (ilusão de ótica), Ballester desloca a estrutura da janela do Atelier de Segall, espaço tombado no Museu, para reconstrui-la nos espaços do Jardim. Assim, ele quebra e justapõe, através da fotografia, novos espaços que, em perspectiva abismal, passam a ter uma nova visão e uma nova interlocução. Há um processo de simultaneísmo arquitetônico, que só a fotografia desconstruida e reconstruida lhe permite criar.
Mônica Nador
Cabeças de negros, obra desenvolvida pela artista plástica Mônica Nador, inspira-se na xilogravura Cabeça de negro, de autoria de Lasar Segall. Trata-se de uma justaposição das duas cabeças: aquela feita por Segall, em 1929, e outra realizada em 2004, por um morador que participa do Jardim Miriam Arte Clube (Jamac). Uma diferença de 75 anos separa essas duas representações. A primeira, feita por um branco europeu que chega ao Brasil em 1923 e, contaminado pela cultura e por seu povo, desenvolveuma extensa “iconografia”; a segunda, um Autorretrato, representação atual de um negro que vive na periferia da cidade de São Paulo. Tempos históricos distintos, mas que, no diálogo, trazem as marcas das diferenças, da desigualdade e da beleza.Para a elaboração de texturas dos planos pictóricos que compõem a obra agora exposta, também foram utilizadas no trabalho da artista as imagens das conhecidas venezianas de Segall, criadas para a série do Mangue (Rio de Janeiro).
Edith Derdyk
Edith Derdyk descreve o seu projeto como “portas que se abrem e/ou se fecham, um respiro suspenso no ar em contato com lugares secretos e escondidos, para dentro da terra e para o alto do céu. Assim compreendo o espaço de um museu – um lugar em que a arte pode respirar em plena travessia e cruzar com todos que por ali transitam. Este jardim é um espaço de passagem, com entradas e saídas no plano horizontal, estabelecendo uma conexão diretacom a rua e o ambiente exterior.Por se tratar de uma intervenção, quis maior aproximação com as configurações físicas do espaço arquitetônico, abrindo, simbolicamente, outras paragens e passagens secretas, talvez com desejo de acionar mananciais necessários para a sobrevivência da arte e, como consequência, dos lugares em que ela habita – uma casa, um atelier, um museu”.
Marilá Dardot
A artista Marilá Dardot apresenta/escreve/inscreve o verso Para aprender da pedra, frequentá-la, sobre o piso do jardim com pedras portuguesas similares às do espaço destinado ao projeto.Esse verso faz parte do poema “A educação pela pedra” (1966), de João Cabral de Melo Neto. As letras construídas com o mesmo tipo de pedras e rejuntes de cimento criam um poema visual único. Forma e conteúdo,pedra sobre pedra, palavra sobre pedra e pedra sobre palavra constituem na criação de Marilá Dardot uma única unidade. É curioso que a pedra tenha conquistado prestígio e tradição raros na moderna poesia brasileira, em função do famoso poema de Carlos Drummond de Andrade, “No meio do caminho”: “[...] no meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho [...]”, publicado pela primeira vez na Revista de Antropofagia, em 1928, ou seja, quase quatro décadas anterior ao poema cabralino.Ao comentar seu trabalho, Marilá Dardot afirma:“A estratégia de trabalhar com letras, que de algumamaneira se fundem ao chão, não é nova em meu trabalho. Já cheguei a materializar a frase do escritor chileno Roberto Bolaño: ‘Porque as palavras estão por toda parte’ (2008), retirada do romance 2666” (2004). 
Marcelo Moscheta
Marcelo Moscheta apresenta a obra Inverno, especialmente concebida e produzida para o Museu Lasar Segall, onde ele explora a memória do espaço. A ideia do artista ao apresentar o projeto, foi trabalhar com elementos orgânicos do próprio jardim. Assim, Moscheta pensou e escolheu as folhas que caem das árvores e que são varridas e dispensadas todos os dias. Desta efemeridade o artista explora todo o potencial, transformando o objeto coletado em obra de arte.O processo implica em recolher a matéria prima e replicar inúmeras vezes uma única folha, que seráprensada, com massa de paperclay branco e queimada em forno. Assim, o artista cria uma produção seriada, replicando um único elemento do jardim, conservando suas texturas e características.O material utilizado para os moldes, uma mistura de papel com argila, apresenta-se como uma possibilidade de trabalhar as variadas formas e ao mesmo tempo conservar a aparente fragilidade das folhas. A grande instalação, como algo que já passou; os ciclos da vida, da falsa ideia de permanência que temos da própria vida e da cerâmica, como instrumento formal, carrega em si toda essa carga de perenidade, de registro de civilizações passadas, de marcas do tempo e da luta contra ele.Assim, como diz o próprio artista, Inverno “seria a tentativa de prolongar essa frágil existência da vidano jardim, já não mais habitado pelo seu dono original, mas revivido pelo público que ali transita eativa o museu todos os dias. A palavra inverno carrega a ideia da estação, da conservação das coisas, da hibernação, de se resguardar, de se proteger”
Ana Maria Tavares
Rotatórias (Tête-à-tête), intervenção de Ana Maria Tavares, são confeccionadas em aço inox polido e posicionadas de maneira a criar um arranjo orgânico em meio ao jardim do Museu. A artista assim descreve sua obra: "Dotadas de caráter quase ao estilo art-nouveau, as esculturas brotam verticalmente como forma linear percorrendo um caminho veloz e sensual de volta ao chão, de onde surgiram. Aparentemente figuram como um jardim artificial e agigantado, uma vez que o metal tubular e espelhado de suas formas são como caules de plantas que se curvam, mimetizando a vegetação do entorno. Porém, há na obra uma pegada perversa e intrigante que captura o passante, tal como uma planta carnívora detém o intruso em seu ambiente supostamente dócil. O corpo busca amparo e assim o visitante curioso é convocado a adentrar o espaço interno das peças facilitado pelas características familiares da obra: o material utilizado lhe é familiar. Do mesmo modo que nos espaços públicos o aço inox é corrimão e amparo para o corpo. Rapidamente as proporções das peças acolhem o visitante, deixando-o repousar seu corpo, o qual se adapta imediatamente à forma dada. Nas seis partes que compõem a totalidade da intervenção, cada pessoa poderá se instalar e ver as outras cinco: a obra abre caminho para uma interação inesperada. Tête-à-tête é uma composição para cúmplices, um ambiente de encontro a céu aberto: é forma e função; um jogo entre o deleite visual da forma em sua condição pura e isolada e sua utilização como descanso do corpo. Nesse contexto as esculturas tornam-se mobiliário e vão cumprir a tarefa de transformar o atual caminho, aquele que liga a porta de entrada à sala de exposição ou ao café, em uma pequena praça, local onde o tempo é dilatado para simples fruição. Em vez de apenas atravessar o espaço, a intervenção pressupõe a possibilidade do encontro com o outro".
Macaparana
Para o "Intervenções IX", convidamos José de Souza Oliveira Filho, que nasceu em 1952 em Macaparana, cidade do interior de Pernambuco. Artista visual, radicado em São Paulo, realiza sua primeira individual em Recife, em 1970. Maca, para os íntimos, transita entre a pintura, desenho e objetos. Sua produção inicial é fortemente marcada pela cultura nordestina, que ele investiga em seus aspectos formais partindo da figuração até chegar à abstração total. Na década de 1980, o encontro com o neoconcreto Willys de Castro transforma radicalmente sua trajetória, período em que introduz em suas obras elementos da arte concreta/geométrica e utiliza materiais industrializados como o aço, acrílico e poliestireno. Pesquisando e explorando as relações entre cor e espaço, o artista inicia um diálogo intenso com o neoconcretismo em que predominam as retas e formas elementares como o triângulo, o retângulo e o quadrado. A obra de Macaparana, um díptico confeccionado em aço inoxidável, é um desdobramento da série Sara executada sobre papel em homenagem a uma grande amiga. As hastes e esferas que fazem parte desse trabalho são fixadas no chão e na parede, apresentadas em duas situações, na vertical e na horizontal. São retas e círculos, que se projetam no espaço, representando um jardim. Ela estabelece conexões entre o universo plástico do artista e o ambiente circundado pela vegetação. As estruturas duras, rígidas e frias dos objetos ampliam nosso campo de visão e nossa percepção sobre as relações entre arte e natureza. Há uma interação entre o jogo de luzes e sombras, em diferentes situações, proporcionada pela luz natural e artificial.
Créditos: história

Museu Lasar Segall

Presidente da República: Michel Temer

Ministro da Cultura: Roberto Freire

Presidente do IBRAM: Marcelo Mattos Araújo


Diretoria do Museu Lasar Segall

Diretor Emérito: Mauricio Segall

Diretoria: Jorge Schwartz | Marcelo Monzani


Exposição

Curadoria:
Jorge Schwartz | Marcelo Monzani

Produção: Ademir Maschio

Créditos: todas as mídias
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