Doze artistas compõem o quadro “Memória e Subjetividade” – exposição virtual que evoca o invisível, o inconsciente, as lembranças, o íntimo.

Memórias que se materializam na matéria, na história, na citação e nas relações que o público estabelece com as obras. Do anfitrião da casa, o pernambucano Aloisio Magalhães, o Mamam possui 23 obras, divididas em duas séries: as litografias do Álbum Olinda, criadas em 1981 para a defesa, em Pádua, na Itália, da importância dessa cidade na lista de Patrimônio da Unesco.

São litos que evocam o Sítio Histórico de Olinda, a Cidade Alta, como é popularmente conhecida, com seus casarios em estilo colonial, as igrejas, as ruas, os mirantes – cartões postais da cidade que dão destaque aos coqueiros, a sua natureza;

E a série de Cartemas, linguagem que se vale da reprodução das imagens de cartão postal para formar imagens diferentes das incialmente apresentadas. Os Cartemas do Mamam, todos produzidos em 1979, foram comprados e incorporados ao Acervo em 1997, ano da inauguração do Museu de Arte Moderna Aloiso Magalhães.

Mas, muito antes da criação do Museu, em 1982, essa casa de arte homenageou esse designer, artista e gestor cultural ao incorporar, na ocasião do seu falecimento, a figura de Aloisio ao nome da Instituição: Galeria Metropolitana de Arte Aloisio Magalhães, antes denominada Galeria Metropolitana de Arte do Recife (1981-1982).

Essa memória histórica é também apresentada em Ofélia do Capibaribe, pintura da artista Recifense Tereza Costa Rêgo, que faz menção, com referências culturais da cidade natal da artista, a personagem da literatura shakespeariana que morre afogada de amores no Rio Avon.

Ao citar Aloisio Magalhães, o pernambucano Gil Vicente homenageia o criador dos cartemas e faz uma releitura contemporânea da linguagem.

Memória e subjetividade marcam inteiramente esse trabalho com questões que vão além de uma denominação que cita a história da arte – Auto-retrato cartema.... (visita à casa de Aloisio Magalhães), sobretudo na atitude autoretratista do artista junto a seus pares.

A obra de Oriana Duarte, artista paraibana que vive e trabalha em Recife, também é permeada por esses substantivos definidos em Gil. Todavia, sua materialidade está na experiencia, nas marcas provocadas, no seu próprio corpo. O que fica no museu são os índices dos rituais realizados em seu corpo/matéria.

É assim que se apresenta a série O Gabinete de Souvernirs de A coisa em Si – um gabinete, um laboratório com objetos que resgatam memórias de experiências de deslocamento, da viajem artística que se coloca como a própria matéria da obra de arte. Após a realização de uma série de performances públicas (1997-2002) intituladas de A Coisa em Si, que tinha como base a produção de uma sopa de pedras de origens diferentes, que eram deslocadas de um lugar através de um ritual de preparação da sopa, cuja artista tomava durante a performance, Oriana Duarte reúne documentos – impressões em cores e em caborno com anzóis e linhas sobre feltro construindo mapas subjetivos do seu próprio corpo e dos lugares cuja performance foi realizada - para constituir seu gabinete.

O experienciar artístico define também, e obviamente não limita, os trabalhos de Rodrigo Braga, Manauara, criado em Recife e, atualmente, com Residência no Rio de Janeiro. Desejo Eremita, uma série composta por dezesseis fotografias, é oriunda de um trabalho de Residência Artística realizado na cidade de Solidão, interior de Pernambuco. No Acervo do Mamam há uma (01) fotografia dessas dezesseis, trabalho que compõe a primeira edição do Clube de Fotografia do Museu e que evidencia questões antagônicas complementares que perpassam o trabalho desse artista: vida/morte, animalidade/humanidade, temas que atravessam as inquietudes mais íntimas do artista.

E nessa linha de trabalhos cuja memória e subjetividade são permeadas pela busca de si do artista, o Mamam conta em seu acervo também com as obras dos artistas contemporâneos Priscila Buhr (Da série Ausländer) e Gordana Manic (Da série Ausentes), que juntas compõem a segunda edição do Clube de Fotografia do Mamam e Bruno Vilela.

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