Redescubra as histórias de algumas peças de nossa coleção, entendendo o que as trouxe até aqui.

A exposição “O Caminho das Coisas” nasce do encontro entre pessoas e objetos em cenário privilegiado: um museu.  Fruto do projeto “Encontros com o Acervo” – que promove desde 2011 o diálogo entre a equipe do Museu da Imigração com antigos doadores, representantes de comunidades e membros de instituições parceiras – a exposição traz ao público a experiência de redescobrir as histórias de algumas peças de nossa coleção, entendendo o que as trouxe até aqui. Como muitas instituições do mundo, o Museu da Imigração tem uma coleção grande e variada. Sabe-se muito sobre algumas peças; sobre outras, pouco ou quase nada. No entanto, mais que acumular informações e significados de suas coleções, os museus só se realizam plenamente ao colocá-las no centro do encontro, da conversa e da troca com os mais diferentes públicos. Apresentamos aqui os resultados práticos desse pressuposto, a partir de três “Encontros com o Acervo”: o primeiro, com membros da comunidade lituana de São Paulo; o segundo, com representantes do Museu Histórico da Imigração Japonesa do Brasil e o terceiro, com um antigo doador do museu. Tais experiências, mais do que simples conversas, estruturam a relação que o Museu tem com seu acervo e com aqueles, que de muitas maneiras, se relacionam com ele.  Assim, convidamos você a olhar atentamente os objetos aqui expostos e descobrir conosco: quais foram os caminhos dessas coisas?   Qual o valor destes objetos? Por que eles estão aqui?
As pessoas
No primeiro núcleo da exposição estão representadas todas as pessoas que participaram dos “Encontros com o Acervo” e da elaboração da exposição. Temos aqui registros dos bastidores do Museu, onde se realizaram o trabalho de profissionais que viabilizaram a parte técnica dos “Encontros com o Acervo”, desde conservadores, documentalistas, museólogos, bibliotecários e arquivistas, até educadores, produtores e pesquisadores. Temos também registros das pessoas que colaboraram voluntariamente com o Museu para esse momento de redescoberta das peças. Temos ainda nosso público, que continua a nos mostrar novas formas de entender as peças de nosso acervo.
Os caminhos 
Os “Encontros com o Acervo” realizados possibilitaram o registro de novas informações sobre as peças que foram expostas. Essas informações podem ser entendidas como novos caminhos que se apresentam ao Museu da Imigração, mostrando como um único objeto pode ser a chave para entender vários assuntos diferentes. Quando pensamos na migração como tema principal do Museu, podemos nos debruçar sobre uma vasta lista de objetos cotidianos, fotos e documentos textuais para discutir as memórias pessoais e origens de seus donos, enfocando suas vidas e trajetórias enquanto migrantes. Podemos ainda pensar em outros assuntos, como memórias familiares ou coletivas; períodos de adaptação de migrantes e seus descendentes no Brasil, bem como nos ofícios que permearam suas vidas antes e depois do processo de migrar. Enfim, podemos pensar nos objetos e em suas histórias como pontos de partida para entender a migração no Brasil.
Antes da realização do primeiro encontro com representantes da comunidade lituana, o Museu apenas sabia que essas peças eram documentadas como sendo da Lituânia e que tinham o âmbar como um de seus materiais. Com os encontros, foi possível entender que o âmbar é muito popular e importante entre os lituanos e seus descendentes. Ele pode ter várias cores e é muito usado na produção de joias e artesanato do país, como as duas que foram expostas. É usado também nos trajes típicos, além de tradicionalmente serem usados com fins medicinais. Essa resina é também conhecida como “ouro da Lituânia” e, por isso, é tida como a pedra nacional do país.
As duas peças que foram expostas estavam registradas como de origem lituana. Porém, o significado de cada uma foi redescoberto com os encontros realizados: elas nos falam da história recente do país. O calendário exposto data de 1990, quando o país se tornou independente da antiga União Soviética. O calendário também traz as cores da bandeira nacional, que voltou a ser usada nesse ano depois de um longo período em que permaneceu proibida pelo regime soviético. Tal peça tem uma relação direta com a bandeira em miniatura, que data de antes da independência. Ela pode ser entendida como símbolo desse movimento em prol da libertação, difundido pelos migrantes lituanos e seus descendentes em vários lugares do mundo, incluindo o Brasil. As cores também possuem um significado próprio. Em uma das interpretações, o amarelo significa o ouro; o verde, a floresta e o vermelho, o sangue derramado na guerra.
Antes de ser realizado o "Encontro com o Acervo" com o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, esta vestimenta estava identificada como kimono. Com a ajuda das representantes desse museu foi possível verificar que, pelas suas características, a peça é um “Haori”, tipo de casaco que se usa por cima do kimono em dias frios. O que foi exposto é masculino e não possui forro. Mais curto que um kimono, é utilizado por cima, em ocasiões formais, junto com uma calça. Um detalhe dessa peça é que ela possui um desenho circular sutil em cinco lugares diferentes. Esse desenho representa provavelmente um emblema de família, conhecido como “roda de oito flechas”.
Durante o "Encontro com o Acervo" realizado com o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, outros itens do acervo puderam ser melhor identificados, dentre eles este chapéu. Inicialmente com pouca informação registrada, ele é parte de um dos trajes usados na dança tradicional de Okinawa, conhecida como Ryukyu Buyo. Ryukyu era o nome do reino que existiu, até meados do século XIX, na região onde hoje é Okinawa. Apesar da mudança de nome, a dança continua com a referência ao antigo reino. Essa dança surgiu como uma forma de homenagear reis e delegações chinesas que possuíam relações comerciais na região. O chapéu possui ondas nos detalhes azuis que lembram o mar de Okinawa e seu formato lembra uma flor de lótus.
A partir do Encontro com o Acervo realizado com o Sr. Egydio Torrezani, foi conhecida a história do baú de ferramentas que pertenceu ao Sr. Luiz (Luigi) Torrezani, seu avô. Luiz era marceneiro e trouxe seus instrumentos de trabalho a bordo do navio Cachar. Ele e seu baú chegaram ao porto de Santos em fevereiro de em 1889. Ele, assim como como muitas outras pessoas que migraram, fez questão de trazer suas ferramentas de trabalho como uma forma de garantir que conseguiria exercer seu ofício no país de acolhida.
Múltiplas histórias
O museu pode ser um espaço para contar inúmeras histórias, com muitos pontos de vista diferentes. Por isso, o trabalho de pesquisa nunca termina; a cada objeto é possível conhecer mais sobre nós mesmos ou sobre a vida de outras pessoas, outros povos e lugares. Em um primeiro momento, a exposição trouxe peças que foram doadas em anos anteriores e que possuem poucas informações registradas. Elas são, ainda, um desafio e uma oportunidade para aprender. Podem ser objetos do cotidiano, como um tampa de garrafa, mas que possui um formato que chama a atenção: a cabeça de um touro, sendo que um dos chifres possui um detalhe especial. Outras vezes, são objetos dos quais não sabemos seu uso original, como o figador. Nesse processo, convidamos nossos visitantes para fazer e compartilhar suas próprias perguntas a respeito dessas peças e assim nos ajudar a pensar sobre elas.

O acabamento no entalhe da madeira pode sugerir que este objeto é um ornamento. Você enfeitaria sua casa com ele? Você já viu algo parecido?

Este objeto poderia ser usado como ferramenta de pesca? Ou de jardinagem? Ou como amuleto de sorte?

Você acha que essa pinça serve para pegar coisas com cuidado ou arrancá-las?
Se você compreende a língua japonesa, poderia nos ajudar a traduzir o que está escrito?

Será que neste objeto se colocava comida ou água para as aves? Você vê alguma marca de garras ou bicos que possa comprovar esse uso? Ou seria outra a sua utilidade?

Será que é preciso mais habilidade ou mais sorte neste jogo? Será que há peças faltando? Você já jogou algo parecido?

Um evento importante da cultura espanhola são as touradas. Será que esta rolha é um souvenir dessa festa? Em que tipo de bebidas engarrafadas ela poderia ser usada?

Você guardaria uma presa de elefante na sua casa? Para que alguém fabricaria uma imitação de presa de elefante?

O objeto 
Eva Maria Augusta Boeckh Haebisch nasceu na década de 1920 na região da Floresta Negra, na Alemanha. Fez faculdade de Medicina durante o período da Segunda Guerra Mundial, quando serviu também como enfermeira da Cruz Vermelha. Após a Guerra, foi bolsista na Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, e depois morou em Estocolmo, na Noruega. Sua trajetória até então envolveu também uma viagem de bicicleta de sua cidade na Alemanha, Heidelberg, até Barcelona, na Espanha. No mesmo período, entre 1950 e 1955, trabalhou em uma clínica na Universidade de Heidelberg. Recebeu um convite para migrar para o Brasil e chegou ao Porto de Santos, São Paulo, no dia 19 de junho de 1955. Casou-se em 1956 com o também médico alemão Horst Haebisch, indo morar na zona norte de São Paulo. Conseguiu a revalidação de seu diploma de medicina no ano de 1963, quando abriu seu consultório perto da Praça da República, em São Paulo. Foi professora da Universidade de São Paulo, onde atuou por longos anos no Instituto de Ciências Biológicas.

A mala foi trazida pela doadora em 1955 e pertenceu a sua mãe, que também se chamava Eva Boeckh.

Esse tipo de jaqueta é também conhecido pelo nome de “anorak”. A doadora adquiriu a mesma entre os anos de 1949 e 1950 na cidade de Heidelberg, na Alemanha, onde morava. Era uma jaqueta militar dos Estados Unidos, que teve suas tropas alojadas na cidade de Eva na época da Segunda Guerra Mundial. O casaco foi tingido e transformado em dois, que Eva dividiu com uma amiga. Ela usou sua parte (forro) para viajar de sua cidade até Barcelona, usando uma bicicleta. Foi usado até os anos 1990 pela doadora.

De acordo com a doadora, esse objeto pertenceu à Christa Radius, outra migrante alemã que veio para o Brasil na década de 1950.

A câmera foi comprada pelo pai da doadora, Eduardo Boeckh, em Paris no ano de 1910. Ela foi usada até 1925 na cidade de Schiltach, Alemanha.

Segundo a doadora, este binóculo é da época da Primeira Guerra Mundial.

Segundo a doadora, o estojo de maquiagem é de 1900 e pertenceu a Christa Radius, outra migrante alemã que veio para o Brasil na década de 1950.

A régua foi utilizada pela doadora em pesquisas no Instituto de Fisiologia da Universidade de Heidelberg, Alemanha.

Faca de cozinha para cortar pão, confeccionada pelo marido da doadora, Horst Haebisch.

Revista utilizada pelo marido da doadora, Horst Haebisch, que tinha como hobby montar instalações de áudio.

Livro manuscrito em alemão, com as seguintes inscrições na folha de guarda “Ostern - Sara Grabo”. Segundo a doadora, é um álbum de poesia que pertenceu a Christa Radius, outra migrante alemã que veio para o Brasil na década de 1950. Abaixo segue trecho do diário, traduzido do alemão para o português em colaboração com o Instituto Martius Staden: “Que seja o seu coração o seu bem maior, que o limpe todo dia, que o deixe limpo e bonito que seja livre do pó do pecado. De lembrança do seu professor Oswaldo Friedrich”

Segundo a doadora, este diário que pertenceu a Christa Radius, outra migrante alemã que veio para o Brasil na década de 1950.

Bíblia Luterana que pertenceu a Christa Radius.

Par de sapatos usados pela doadora na sua viagem para o Brasil. De acordo com seu relato, os sapatos não foram mais usados após sua chegada.

Par de sapatos usados por Horst Haebisch.

Par de armações para calçados, que foram doados como partes dos sapatos usados pela doadora em sua viagem para o Brasil.

Créditos: história

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

GERALDO ALCKMIN
Governador do Estado

ROMILDO CAMPELLO
Secretário de Estado da Cultura

Regina Célia Pousa Ponte
Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico


INSTITUTO DE PRESERVAÇÃO E DIFUSÃO DA HISTÓRIA DO CAFÉ E DA IMIGRAÇÃO

Roberto Penteado de Camargo Ticoulat
Presidente do Conselho de Administração

Carlos Henrique Jorge Brando
Vice-presidente do Conselho de Administração

Guilherme Braga Abreu Pires Neto
Sérgio Ferreira Silva Carvalhaes
Comitê Executivo

Alessandra Almeida
Diretora Executiva

Thiago Santos
Diretor Administrativo

Caroline Nóbrega
Gerente de Comunicação e Desenvolvimento Institucional

Mariana Esteves Martins
Coordenadora Técnica do Museu da Imigração



MUSEU DA IMIGRAÇÃO


ADMINISTRATIVO

Administração
Lucinea Gomes do Nascimento
Maria Christina Chiara
Melise Pereira Lopes da Silva

Infraestrutura
César Pimenta
Trajano Rodrigues
Adriano Aparecido de Jesus do Carmo
Bruno dos Santos Callender
Elisangela Maria Melo da Silva
Glecia Lopes Ferreira
Grimaldo Madeira da Silva
Janifer Martinelli da Silva
Maria Aparecida dos Santos
Maria Sandra Soares Batista
Railde Maria Lima
Rogério Vagner da Silva
Veronica Simão da Silva

Recepção e bilheteria
Débora Castequini Lemes
Drielly Gloria dos Santos
Simone Monteiro de Brito

Tecnologia da informação
Alexandre Jorge Cardoso
Rafael da Silva e Souza


COMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL
Thâmara Malfatti
Bruno Otavio Toma da Silva
Mayara Souto

TÉCNICA

Comunicação Museológica
Juliana Silveira
Vivian Bortolotti

Educativo
Isabela Maia
Aline Oliveira
Ana Menezes
Bruna Marques
Felipe Pontoni
Guilherme Ramalho
Jennifer Lu
Juliana Barros
Luiz Gregório G. de Camargo
Mariana Kimie Nito
Raquel Freitas
Valeria Chagas

Pesquisa
Tatiana Chang Waldman
Angélica Beghini
Henrique Trindade Abreu

Preservação
Denise Souza
Juliana Batista
Letícia Brito de Sá
Luciane Santesso
Victor Marques



EXPOSIÇÃO O CAMINHO DAS COISAS

Curadoria
Juliana Monteiro

Pesquisa
Alessandra Sampaio
Angélica Beghini
Henrique Trindade Abreu
Letícia Brito de Sá
Luciane Santesso
Tatiana Chang Waldman

Conservação de acervo
Ana Beatriz Giacomini
Lívia Alli

Registro fotográfico dos encontros
Ana Beatriz Giacomini
Henrique Trindade Abreu
Letícia Sá
Lívia Alli
Pedro Malafaia
Rodrigo Antônio dos Santos
Tatiana Chang Waldman
Thaís Klarge Minoda

Revisão de texto
Alessandra Sampaio
Angélica Beghini

Expografia e produção
Juliana Silveira
Vivian Bortolotti

Ilustrações para a exposição
Vivian Bortolotti

Design
Dínamo [Alexsandro Souza]

Material educativo
Paola Maués
Adilson Medeiros dos Santos
Aline Oliveira
Ana Menezes
Bruna Marques
Conrado Secassi
Guilherme Ramalho
Isabela Maia
José Pedro Viviani
Juliana Barros
Luiz Gregório G. de Camargo
Paulo Rogerio dos Santos
Raquel Freitas

Ilustrações para o material educativo
Conrado Secassi

Registro fotográfico do acervo
Angélica Beghini
Conrado Secassi
Isabela Maia
Rodrigo Antonio dos Santos

Agradecimentos
Adilson Paodzuenas, Amaury J. Torrezani, Ana Paula Tatarunas Di Giorno, Angelina Tatarunas, Asta Braslauskas, Daniel Quirino dos Santos, Egydio Torrezani, Emiko Nakashima, Helena Zizas, Hisae Eguchi, Iedvyga Nikitin, Irene Petraitis, Janete Nikitin Zizas, Lidia Reiko Yamashita, Lúcia M. Jodelis Butrimavicius, Lucilene L. Torrezani, Pedro Malafaia, Shuko Takada, Thaís Klarge Minoda

Centro de Tecnologia e Sociedade/FGV Rio, Creative Commons Brasil, Grupo Wikimedia Brasileiro de Educação e Pesquisa, Instituto Martius Staden, Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, New Bedford Whaling Museum/Estados Unidos

Equipes de Administração, Comunicação e Desenvolvimento Institucional, Infraestrutura e Técnica do Museu da Imigração

Voluntários do Museu da Imigração: Adriana Mendes Diogo, Carolina Nóbrega da Rocha Martins, Cristina Garcia Martinez, Felipe Augusto Chadi da Silva, Jessika Crispim Oliveira, Rodrigo Antonio dos Santos, Tereza A. Naked, Victor Taciano Cabral.


Licença Creative Commons CC BY-NC-ND 4.0 International

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Mooca - São Paulo-SP
(11) 2692-1866
Horário de funcionamento da bilheteria: Terça a sábado das 9h às 17h - Domingo das 10h às 17h
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Créditos: todas as mídias
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