«Em toda a Cidade, naõ há sitio nem mais ameno, nem mais agradavel; porque álem da sua bella posição adornada de regulares Edificios, gozaõ os olhos de hum só golpe, vista de Cidade, de Mar, Rio, Navios, Montes, Campinas, Quintas,e Palacios.» (COSTA 1789: 33).

PORTO DE VIRTUDES
Na cidade do Porto, a área inscrita na Lista de Património Mundial da UNESCO (1996) tem cerca de 90ha, correspondendo, aproximadamente, ao espaço delimitado pela muralha medieval do século XIV, incluindo ainda a Ponte D. Luís I e o Mosteiro da Serra do Pilar, no concelho de Vila Nova de Gaia. Ao valor multissecular do tecido urbano (fruto de uma complexidade topográfica onde se articulam ruas, travessas, becos, vielas, escadas, praças e largos) e arquitetónico (seja ele de natureza habitacional ou monumental), acrescentam-se valores culturais acumulados ao longo de sucessivas épocas, reflexo de uma articulação entre a organização social, a economia e a geografia da cidade, mantendo uma estável e coerente relação com o ambiente urbano e o ambiente natural. Neste contexto, o lugar urbano das Virtudes destaca-se pela permanência de um perfil muito antigo. O lugar apresenta-se como um luminar exemplo do fenómeno do desenvolvimento urbano. A construção de uma frente urbana encostada ao exterior da muralha é um fenómeno frequente nas cidades europeias de configuração medieval, cuja capacidade de albergar mais moradores e novos equipamentos no perímetro amuralhado chega a um limite, obrigando a novas soluções de expansão. Por outro lado, esta expansão desenvolve-se, frequentemente, em terrenos ocupados anteriormente por quintas periurbanas destinadas à produção e/ou de recreio como este caso exemplifica. Mas a excecionalidade do caso das Virtudes reside na sobrevivência da configuração prístina das suas caraterísticas geomorfológicas. Mantém-se hoje uma mancha de ocupação humana que ao longo dos séculos não sofreu mutações que alterassem significativamente as encostas e o vale por onde corria o Rio Frio, afluente da bacia hidrográfica do Douro.

A zona urbana das Virtudes é um exemplo significativo do aproveitamento das condições naturais do território.

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Esta zona representa uma aprazível mancha verde no contexto da urbanização atual, não tendo sido completa nem profundamente alterada com o passar do tempo.

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O valor patrimonial intrínseco das Virtudes favoreceu, sem dúvida, o seu atual uso: a frente urbana que se moderniza com novos usos e equipamentos e um jardim público com programação cultural.

A Recomendação da UNESCO para as Paisagens Históricas Urbanas (2011) reconhece e promove o caráter dinâmico das cidades vivas.

O Passeio das Virtudes é um lugar de descompressão da malha urbana no centro da cidade do Porto, exposto à luz de sul e poente e onde o olhar disfruta a paisagem com características únicas.

A Recomendação para as Paisagens Históricas Urbanas da UNESCO (2011) entende a paisagem histórica urbana como resultante da estratificação histórica de valores culturais e naturais.

A Quinta das Virtudes
A Quinta das Virtudes, localizada na freguesia de Miragaia, remonta ao século XVII e é hoje sede da Árvore - Cooperativa de Atividades Artísticas. Originalmente quinta de recreio e de exploração agrícola, é de realçar o elevado valor paisagístico que a sua implantação sobranceira ao rio Douro propicia. Os espaços da quinta albergaram diversos usos ao longo dos séculos, consolidando assim um testemunho de transformações e permanências. A Quinta das Virtudes deve ser entendida como um conjunto constituído por vários elementos, como a Casa das Virtudes (zona de habitação principal), os anexos (construídos contíguos à casa) e o jardim desenvolvido em socalcos, outrora destinados, na sua maior parte, à produção agrícola. Com estas construções devem ser relacionados outros equipamentos urbanos, como a Rua e o Paredão dos Fogueteiros e a Fonte das Virtudes, que dão testemunho dos demais usos.

A casa da Quinta das Virtudes foi edificada em 1767 por encomenda de José Pinto de Meireles, e da sua mulher D. Francisca Clara de Azevedo Aranha e Fonseca.

O «Primeiro de Janeiro» noticia que a causa do atentado poderá estar relacionada com as reuniões que a Árvore terá recebido da Comissão Antifascista de Apoio aos Revolucionários Presos (CAARP).

As oficinas de cerâmica e de litografia da Cooperativa Árvore mantêm ativa uma produção artística contemporânea singular que a diferencia pela qualidade dos materiais produzidos.

A remodelação do espaço interior da Casa que acolhe a Árvore - Cooperativa de Atividades Artísticas dá-se nos anos de 1980, com projeto do arquiteto Alcino Soutinho.

A Casa da Quinta das Virtudes foi ocupada pela família de Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque, professor na Academia Politécnica do Porto, por várias gerações.

Na Casa da Quinta das Virtudes foi erigida uma capela com invocação a Nossa Senhora da Conceição e Jesus, Maria e José, chegando a ser de culto público.

A capela da Casa da Quinta das Virtudes foi destruída em 1872 para alargamento da Rua dos Fogueteiros e edificação do novo Mercado do Peixe.

Esta Planta (1869) mostra um edifício religioso adossado à Casa, no alinhamento da via pública, em terreno que virá a ser expropriado para cumprir o objetivo de alargar esta artéria urbana.

O inegável valor paisagístico da Quinta das Virtudes reside no terraceamento das margens do Rio Frio.

Em terrenos de elevado pendor, é a construção de socalcos que permite a transformação de uma difícil orografia para a realização da atividade agrícola.

A Casa da Quinta das Virtudes possuía maior impacte quando observada a partir do rio Douro, a principal entrada da cidade ao tempo da sua construção.

Dois lances de escada enfatizam a escala e o aparato desta fachada, acentuando o domínio sobre a unidade de exploração.

A erudição da arquitetura é percetível na escala e na perfeita adequação ao local de implantação, mas também é visível no trabalho de cantaria, no alpendre e na escadaria.

Neste projeto destaca-se a linguagem neoclássica que se identifica no aparelho rusticado em edifícios como o Hospital de Santo António, a Cadeia da Relação e a Academia Politécnica.

Nas palavras do artista trata-se de uma “escultura para usar”.

A peça metamorfoseia-se na representação da textura de um tronco de árvore, através da incisão de um padrão linear no granito, perpetuando as formas naturais presentes no local, o Jardim das Virtudes.

O Horto das Virtudes
A geomorfologia dos espaços sempre condicionou a sua ocupação e utilização pelo Homem. Nas Virtudes, aproveitando as encostas encaixadas do vale do rio Frio, soalheiras e férteis, foram surgindo socalcos cultivados: campos, pequenas hortas, e quintas. Entre estas destacou-se, no século XVIII, a Quinta das Virtudes. Foi neste espaço que, no século seguinte, prosperou o Horto, propriedade de José Marques Loureiro (1830-1898). Sob o seu impulso, tornou-se um dos estabelecimentos hortícolas de maior destaque no país, chegando a atingir projeção internacional e tendo arrecadado inúmeros prémios em exposições de plantas. O crescente sucesso do negócio levou ao investimento em novos viveiros, na cidade do Porto e na Maia, bem como à abertura de uma sucursal em Lisboa. Entre os seus inúmeros visitantes e clientes contava-se a família real portuguesa. A partir de 1890, o Horto das Virtudes passaria a chamar-se «Real Companhia Hortícolo-Agrícola Portuense», sendo, então, seu diretor Jerónimo Monteiro da Costa. Por essa altura dera-se um grande impulso nos jardins do Porto. Muitos deles terão recebido o contributo de plantas deste Horto, ainda que seja difícil identificá-las. Não foi possível, até ao momento, precisar a data e as circunstâncias que levaram ao encerramento do Horto das Virtudes.

A transformação paisagística desenvolvida pela CMP em 1999, visou a sua inserção na vida urbana da cidade.

José Marques Loureiro introduziu em Portugal um grande número de espécies, transformando-se o Horto das Virtudes num verdadeiro campo experimental de aclimatação de plantas.

«Entrando pela porta que dá para a rua dos Fogueteiros, analogas belezas se deparam logo […] Uma beleza, toda esta surpreendente vegetação exótica!» (VIEIRA 1887: 270).

Entre os inúmeros visitantes e clientes do Horto das Virtudes contava-se a família real portuguesa. Em 1890, o Horto passaria a designar-se «Real Companhia Horticolo-Agrícola Portuense».

Marques Loureiro criou o Jornal de Horticultura Pratica, publicado entre 1870 e 1892, uma verdadeira obra de referência no campo da horticultura.

A Ginkgo Biloba das Virtudes é a maior árvore desta espécie que se conhece em Portugal, com 35,5 m de altura, e, provavelmente, a mais antiga.

Vistos como «monumentos vivos», sujeitos a princípios de salvaguarda próprios pelo seu caráter perecível, pretende-se estimular o interesse pelos Jardins Históricos.

Virtudes e Obras Públicas
As intervenções urbanas realizadas no período ”dos Almadas” (1763-1804) procuraram acima de tudo definir novas linhas de expansão urbana, modernizar a malha urbana de origem medieval e criar novos e significativos eixos de circulação, ligando a zona ribeirinha do Porto às portas da muralha fernandina, que por então se monumentalizaram. Além disso, identifica-se uma continuidade de uma das mais interessantes preocupações urbanísticas dos Filipes e que foi o do reordenamento dos espaços públicos, conforme atestam as primeiras alamedas – Olival, Hortas e Batalha -, com a plantação de árvores e a instalação de bancos de repouso, a par da criação de praças públicas, da renovação das calçadas e no abastecimento de águas e melhoria dos cais de acostagem. Assim, a primeira zona verde criada fora da cidade muralhada foi a Alameda da Cordoaria (1611). Um aspeto que caracteriza a intervenção da Junta das Obras Públicas (1789-1892) na cidade do Porto, prende-se com o arranjo dos jardins públicos e especialmente os organizados em jeito de varandas para o rio, como o das Virtudes.

No séc. XIX a intenção de melhorar o espaço urbano é materializada no projeto de nivelamento da Calçada das Virtudes, que liga o Passeio das Virtudes e a antiga cidade intramuros à Fonte das Virtudes.

A implantação do Paredão das Virtudes, resultante de atuação da Junta das Obras Públicas, passa a coexistir lado a lado com uma obra de caráter privado e erudito, como a Casa das Virtudes.

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O risco da fonte das Virtudes é atribuído a Pantaleão de Seabra e Sousa (século XVII).

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Estas carrancas com forma de «cabeça de bestas», caracterizam-se por um gosto exótico e uma linguagem decorativa dita maneirista e terão sido inspiradas em tratados do século XVI.

Naquilo que é hoje a cidade do Porto existe um considerável número de nascentes naturais e mananciais que abastecem poços e fontes, muito embora se encontrem encanados.

A conceção do Passeio criou um espaço privilegiado para a construção urbana.

Apesar da inserção de elementos mais contemporâneos, mantém-se neste local uma paisagem urbana que conserva ainda o seu caráter original.

Datada de 1969 e da autoria de Gustavo Bastos, esta escultura partilha o espaço ajardinado com outra obra do mesmo autor, intitulada “Serpente”.

Passeio das Virtudes e área urbana envolvente
O Morro da Vitória teve os primeiros sinais de urbanização programada após a determinação régia (1396) de D. João I (r. 1385-1433) de instalação em espaço intramuros daquela que foi a chamada Judiaria Nova. A evolução da antiga colina do Olival demonstra bem que, para compreender os lugares urbanos, é fundamental atentar às pré-existências, sejam elas naturais ou já resultantes da ação antrópica. A importância alcançada por esta zona a partir do período filipino tornou-a atrativa à fixação de famílias nobres, cuja presença se identifica pelas casas nobilitadas com pedras de armas, que marcam a paisagem urbana, mas sobretudo pela preocupação com a criação de espaços lúdicos, como os espaços verdes que se começaram a formar na Cordoaria e que, posteriormente, culminou no aparecimento do Passeio das Virtudes. Pela permanência das arquiteturas tradicionais, em consonância com a manutenção de formas urbanas resultantes da primeira consolidação da cidade extramuros, a área das Virtudes tem um grande potencial habitacional mas também turístico, estando igualmente próxima de locais de referência. As estruturas habitacionais do Passeio das Virtudes revelam algum grau de erudição, quer pelo desenho quer pelos materiais, nomeadamente a cantaria lavrada ou o azulejo, que graças aos seus variados padrões e cores completam o já singular ambiente lumínico do local, proveniente da sua exposição solar e da quantidade de árvores que filtram a luz e projetam as suas sombras na fachada.

Os edifícios adossados à Casa das Virtudes podem ter tido relação com a Quinta, albergando a Roda dos Expostos e o Colégio Podestá.

Segundo Horácio Marçal, o arco central possuía uma fonte dita «dos Fogueteiros», cuja água, que caía num espaçoso tanque construído em 1843.

A Casa da Quinta das Virtudes teve alguns edifícios anexos. Existe registo da transferência provisória da Roda dos Expostos, em 1825, para o prédio nº 4 da Rua dos Fogueteiros.

A Roda instalou-se neste local mediante o pagamento de uma renda anual.

No ano de 1901, Luís Couto dos Santos, engenheiro civil, fundou a Fábrica Electra, especializada em produção de material hospitalar, movida a eletricidade.

A área do Passeio das Virtudes passou por várias alterações ao longo dos séculos.

As habitações das Virtudes obedecem a uma arquitetura que se integra na paisagem, que a humaniza, contribuindo para a harmonia visual da paisagem histórica urbana.

Apesar das transformações ocorridas, os materiais utilizados na construção são essencialmente os mesmos numa longa diacronia: a pedra granítica, a madeira, os metais e elementos cerâmicos.

Durante o séc. XIX as fachadas simplificam-se, revestindo-se de azulejos, o que atribui ao pano murário um maior enobrecimento, juntamente com os trabalhos de cantaria aplicados às molduras dos vãos.

As sacadas, no primeiro piso assentam sobre mísulas graníticas em volutas e que nobilitam, pelo seu caráter erudito, estas arquiteturas.

O muro da Escola Artística e Profissional Árvore encontra-se adossado a um prédio da mesma cor, com porta central e duas longas janelas laterais com grades.

O desenho da casa nº 60 da Rua Dr. Azevedo de Albuquerque, cuja requerente é Maria Madalena Teixeira Lima mostra-nos configurações muito semelhantes às executadas e características das Virtudes.

As cantarias são retas e os elementos de verticalidade dão lugar a elementos em pedra horizontais, dos quais a cornija, a sacada e a balaustrada em ferro rematadas por dois jarrões.

Os metais, principalmente o ferro, substituíram alguns usos da madeira, sendo aplicados nas grades de janelas de sacada, canalizações e elementos decorativos.

Os elementos decorativos, como as estátuas, as taças florejantes e o muro são datados do século XVIII A casa é hoje, propriedade da Cooperativa Árvore.

A inserção de ações de Street Art dão um novo dinamismo aos panos murários da cidade do Porto.

Identificam-se já murais comissionados pelas próprias autarquias ou instituições, onde se começam a notabilizar artistas que os assinam e afirmam linguagens muito próprias.

Através de artistas como Hazul ou Mesk, a chamada Street Art começa a ser considerada uma prática artística reconhecida e cada vez mais valorizada por vários tipos de público.

O desenvolvimento destas artérias e as suas características diferenciadoras têm de ser compreendidas na sua relação com a pré-existente Judiaria Nova, com a topografia do local.

As últimas nove habitações do Passeio das Virtudes tiveram ligação direta com a rua Dr. Barbosa de Castro, sendo que o primeiro andar, voltado para o Passeio, corresponde ao rés-do-chão da outra rua.

A importância alcançada por esta zona a partir do período filipino tornou-a atrativa à fixação de famílias nobres, cuja presença se identifica pelas casas nobilitadas com pedras de armas.

Para a renovação urbanística da colina do Olival, em muito contribuíram as novas artérias, cuja disposição foi determinada pelas difíceis condições do local.

O traçado da rua das Taipas foi condicionado pela existência da muralha medieval e pela presença da judiaria implantada no local a partir do século XIV.

Estes edifícios resultaram da aglomeração dos habituais lotes estreitos ou refletiram a manutenção de um particionamento que tinha por base espaços irregulares que foram posteriormente urbanizados.

Sob o ponto de vista da organização interna da casa de habitação tipo da cidade do Porto destaca-se a entrada lateral que se articula com escada central de dois lanços, encimada por claraboia.

A proximidade do Tribunal e Cadeia da Relação também pesou na decisão régia de construção do jardim, geométrico e racional, ao qual se pode aceder através da Rua das Taipas e da Rua Dr. Barbosa de Castro.

Na antiga Rua do Calvário, hoje Rua Dr. Barbosa de Castro, encontramos a casa onde morou o romancista do século XIX, Almeida Garrett (1799-1854).

A Rutura do Palácio da Justiça
No espaço hoje marcado pelo Jardim da Cordoaria foram várias as construções existentes desde o século XVII: capelas, armazéns de cereais, hospitais militares, hospícios, mercados, até ao actual edifício do Palácio da Justiça que se destaca na paisagem pela sua monumental arquitectura e pelo facto de ter criado uma rutura urbana entre a zona das Virtudes e uma cota mais elevada da cidade. O espaço ocupado hoje pelo monumental edifício do Palácio da Justiça denominava-se anteriormente de Sítio do Calvário Novo. A construção deste edifício veio provocar uma profunda alteração no local, quer a nível construtivo quer a nível das vivências da cidade. O Palácio da Justiça, iniciado em 1958 e inaugurado em 1961, localiza-se no hoje denominado Campo dos Mártires da Pátria na freguesia de Miragaia. Tanto o projeto arquitetónico como o decorativo são da autoria do arquiteto Raul Rodrigues Lima, salientando-se assim todo um paradigma de imagem solene e grandiosa associada à riqueza histórica e cultural da cidade e à função do edifício.

O Palácio da Justiça destaca-se na paisagem urbana pela sua monumental arquitetura e pelo facto de ter criado uma rutura urbana entre a zona das Virtudes uma cota mais elevada da cidade.

A fachada principal do Palácio da Justiça é valorizada por um pórtico de dez pilares e enfatizada por uma estátua da autoria do escultor Leopoldo de Almeida, que representa a alegoria da Justiça.

A escala e monumentalidade do edifício do Tribunal impõem-se no tecido urbano, através da sua fachada principal virada ao Jardim da Cordoaria.

A partir da Rua dos Fogueteiros, este edifício impunha-se pela sua escala ajustada ao terreno, materializando-se na conceção de diversos patamares.

No espaço voltado à Cordoaria encontravam-se instalados importantes edifícios que cumpriram diversas funções públicas e que foram demolidos a fim de se ampliar o Mercado do Peixe.

O risco do Mercado do Peixe é da autoria do Engenheiro Civil Gustavo Adolfo Gonçalves de Souza, que colaborou igualmente nos edifícios do Palácio da Bolsa e da atual Reitoria da Universidade do Porto.

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Inserida no Jardim da Cordoaria, a estátua em bronze, representativa da Ninfa Flora, da autoria de Teixeira Lopes foi concebida enquanto memorial a José Marques Loureiro.

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Antes da construção do Mercado do Peixe, existiu neste local da Cordoaria o Hospício de Santo António da Cordoaria, no qual se instalaram os frades antoninos do Vale da Piedade em 1730.

Estratigrafias e Acumulações Urbanas
Segundo a Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural (UNESCO, 1972) os conjuntos são valorizados pelo facto de integrarem um grupo de construções que, em virtude da sua arquitetura, unidade ou integração na paisagem têm valor universal excecional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência (Art. 1º). A inscrição deste último na lista do Património Mundial da Unesco fundamentou-se no valor universal excecional do tecido urbano do seu centro histórico, cujo valor estético testemunha um desenvolvimento urbano que remonta, de forma muito particular, às épocas romana, medieval e almadina (século XVIII). A riqueza e a variedade da arquitetura civil do centro histórico do Porto traduzem os valores culturais das mais sucessivas épocas, reflexo de uma perfeita adaptação à estrutura social e geográfica da cidade, mantendo ao longo dos séculos uma estável e coerente relação entre o ambiente urbano e o ambiente natural. É no dinamismo do tecido social e institucional que encontramos a sua garantia de sobrevivência enquanto centro histórico. A cidade do Porto faz-se de estratigrafias que desenham uma particular paisagem histórica urbana que, tal como afirma a Recomendação para as Paisagens Históricas Urbanas da UNESCO (2012) deve incidir sobre a proteção do património cultural e natural, visando sobretudo a preservação da qualidade do ambiente humano, potenciando o uso produtivo e sustentado dos espaços urbanos, reconhecendo ao mesmo tempo o seu carácter dinâmico e promovendo a sua diversidade social e funcional (Art. 11º). Dando resposta às recomendações da doutrina internacional mais recente na matéria, a cidade do Porto, no seu Centro Histórico e particularmente nas Virtudes, a preservação da sua Paisagem Histórica Urbana deve, pois, fundar-se numa relação equilibrada e sustentável entre o ambiente natural e urbano, entre as necessidades do presente, as necessidades das gerações futuras e o legado do passado (UNESCO 2012: Art. 11º).

Com o Passeio das Virtudes, à cota alta, a cidade abre-se a ocidente, à foz do rio Douro, expansão que os primeiros anos do século XIX irão consolidar.

Créditos: história

EXHIBITION COORDINATORS:: Lúcia Rosas (FLUP/CITCEM) e Maria Leonor Botelho (FLUP/CITCEM)

SCIENTIFIC COMMITTEE: Hugo Barreira (FLUP/CITCEM)Lúcia Maria Cardoso Rosas (FLUP/CITCEM) e Maria Leonor Botelho (FLUP/CITCEM)

CURATORSHIP: Hugo Barreira (FLUP/CITCEM)Lúcia Maria Cardoso Rosas (FLUP/CITCEM) e Maria Leonor Botelho (FLUP/CITCEM)

TEXTS: Ana Campelos, Ana Clarisse Lopes, Ana Isabel Lino, Ana Patrícia Gonçalves, Andréa M. Diogo, Carolina Furtado, Clarice Ausquia Leão, Cláudia Quaresma, Francisca Pires de Almeida, Joana Isabel Duarte, Isabel Rebelo da Silva, Juliana Moura, Laura Fabíola Marques, Lúcia Teixeira, Maria Moura, Mariana Carvalho, Marisa Pereira Santos, Rodrigo Magalhães, Vera Barbosa e Vera Gonçalves.

PHOTO CREDITS: Texts authors e Árvore - Cooperativa de Actividades Artísticas.

PROJECTS AND CARTOGRAPHY: Arquivo Histórico Municipal do Porto/Câmara Municipal do Porto e Associação Comercial do Porto.

IMAGE PRODUCTION: Laura Fabíola Marques e Marie Eva Rosiere

TRANSLATION: Tânia Vasco

ORGANIZATION: FLUP

PARTNERSHIP: UP, CITCEM, Árvore - Cooperativa de Actividades Artísticas e Câmara Municipal do Porto.

SPONSORS: Associação Comercial do Porto e UNICER.

QUOTED BIBLIOGRAPHY
Alves, Joaquim Jaime B. Ferreira (1997) – “A arquitectura da água : chafarizes e fontes do Porto dos séculos XVII e XVIII” In Poligrafia - nº6, p. 45-62.
BARREIRA, H.; BOTELHO, M.L.; Rosas, L. (coord.) (2017) - Jardim e Passeio das Virtudes. Uma Paisagem Histórica Urbana. Porto: Universidade do Porto. Faculdade de Letras. CITCEM - Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória.
MARÇAL, Horácio (1961, fevereiro). A Rua dos Fogueteiros, O Tripeiro. Porto. Série VI, ano I, nº2, pp. 169-173.
Oliveira, Ernesto Veiga de (1992) - Arquitectura tradicional portuguesa. 1a ed . Lisboa: Dom Quixote.
TEIXEIRA, Diogo Emanuel Pacheco (2011). O Abastecimento de Água na cidade do Porto nos séculos XVII e XVIII. Aquedutos, Fontes e Chafarizes. Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Dissertação de Mestrado.
UNESCO (1972) – Convenção para a salvaguarda do Património Mundial, Cultural e Natural. Acessível em: https://goo.gl/5kro6t
UNESCO (2012) - Recomendação sobre as Paisagens Históricas Urbanas. Acessível em: https://goo.gl/qcaUWQ

Créditos: todos os meios
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