Grandes artistas mundiais que passaram pelo Municipal

A voz do tenor
São Paulo já possuía casas para espetáculos desde 1874, como o Teatro Provisório (na rua Boa Vista), Teatro São José (praça João Mendes) e Teatro Colombo (largo da Concórdia). Mas foi com a inauguração do Theatro Municipal de São Paulo que a cidade passou a ter uma casa devidamente equipada para grandes espetáculos. Essa nova estrutura não só colocou São Paulo na rota das turnês mundiais, como também trouxe grandes nomes da ópera, teatro, música e dança para seus palcos. As primeiras duas décadas do Theatro foram um dos períodos mais ricos da música lírica na capital paulista. Além da presença de Titta Ruffo, o maior barítono da época, os paulistas assistiram em 1911 a estreia de "Tristão e Isolda", de Wagner. Logo depois, em 1914, veio "Tannhäuser" e, dois anos mais tarde, "Os Mestres Cantores". Vários cantores de primeira grandeza na cena lírica internacional conquistaram o público em suas récitas de estreia, entre eles a soprano Amelita Galli-Curci, o tenor Tito Schipa e a mezzo-soprano Gabriela Besanzoni. Mas nenhum atingiu a fama de Enrico Caruso, considerado o Rei dos Tenores.

Na imagem, o barítono Titta Ruffo, que ficou responsável por estreiar os palcos do Municipal com a ópera "Hamlet", de Ambroise Thomas. O talento do barítono foi confirmado com o papel de Fígaro, de "O Barbeiro de Sevilha", de Rossini, que Ruffo cantou encerrando a primeira temporada lírica do Theatro. Ruffo voltou aos palcos do Municipal em 1915 como protagonista do "Rigoletto", de Verdi.

Considerado um dos tenores mais importantes do século XX, o italiano Tito Schipa (tenor) falava quatro idiomas e cantava em doze (entre elas, a língua aborígene australiana). Se apresentou com a Civic Opera of Chicago (1919) e no Metropolitan Opera House, em Nova York (1935).

Enrico Caruso, considerado o Rei dos Tenores em sua época, foi também ovacionado por Luciano Pavarotti como o maior intérprete da música erudita de todos os tempos. Sua obra marcou a história da música como a primeira gravação a vender 1 milhão de cópias no mundo, com sua interpretação de "Vesti la giubba", da ópera "Pagliacci".

Gabriella Besanzoni (mezzo-soprano), embora fosse contralto, se dedicou aos estudos nos tons da tessitura de mezzo. Sua estreia nesse registro foi no Teatro Costanzi, em Roma. No começo do século XX, consagrou-se como a estrela do famoso Teatro Cólon, em Buenos Aires. Ela foi fundadora da S.A. Teatro Brasileiro, que embora tenha tido uma vida curta, foi fundamental para o enriquecimento da ópera no Brasil.

Beniamino Gigli (tenor), considerado o sucessor de Caruso e Giacomo Lauri-Volpi por sua extensão vocal, foi o principal tenor do Metropolitan Opera, de Nova York, por 12 anos seguidos.

Ficha técnica de "Cavalleria Rusticana" e "Pagliacci", com a participação de Beniamino Gigli (tenor).

O eterno retorno
Em 1936, foi comemorado o centenário do compositor Carlos Gomes. Na celebração, a excepcional soprano-dramático ítalo-francesa Gina Cigna participou da reprise de "Lo Schiavo". A aclamada Bidú Sayão contracenou ao lado de um dos maiores tenores franceses de sua época, Georges Thill, em uma remontagem de "Il Guarany". O Theatro Municipal se consagrava como palco de repertórios clássicos. A partir de 1940, as apresentações eram basicamente as mesmas das décadas anteriores, dominados pelos nomes de Verdi, Puccini, Donizetti, Rossini, Bellini, Mascagni, Leoncavallo, Bizet, Massenet e, claro, Carlos Gomes. Em 1946, Constantina Araújo, jovem soprano paulistana, estreou na temporada popular, desenvolvendo uma carreira promissora que a levaria, na década seguinte, aos melhores teatros da Europa. Nessa época, brilhavam no Municipal outros cantores brasileiros, como as sopranos Maria Sá Earp, Violeta Coelho Neto de Freitas, Agnes Ayres, o tenor Assis Pacheco e o barítono Silvio Vieira.

A estreia da brasielira Bidú Sayão (soprano) foi no Teatro Constanzi, em Roma, no papel de Rosini, em "O Barbeiro de Sevilha", em 1926. A partir de 1937, faz parte do elenco do Metropolitan Opera House, em Nova York, chegando a cantar para o casal Roosevelt na Casa Branca, em 1938. Roosevelt a ofereceu a cidadania estadunidense, mas Bidú recusou: "no Brasil eu nasci e no Brasil morrerei". Infelizmente, morreu nos Estados Unidos, em 1999, por causa de uma pneumonia.

Ficha técnica de "Manon", com a participação de Bidú Sayão (soprano).

Georges Thill (tenor) se apresentou em grandes casas de espetáculo no mundo, como La Scala, em Milão; Teatro Cólon, em Buenos Aires; e Royal Opera House, em Londres. Também participou do elenco do Metropolitan Opera House, entre 1931 e 1932, mas teve problemas para se adaptar à cultura norte-americana, o que degradou sua saúde e o tornou menos desejado pelos patronos da casa.

O italiano Salvatore Baccaloni (baixo) é considerado como um dos grandes bufões do século XX. Se especializou em comédia graças ao conselho do regente do La Scala, Arturo Toscanini, fazendo apresentações históricas como Leporello, em "Don Giovanni"; Dulcamara, em "L'elisir d'amore"; os personagens principais em "Falstaff" e "Gianni Schicchi".

Claudia Muzio (soprano) teve uma carreira ascendente desde sua juventude. Teve sua estreia no La Scala, em Milão, uma das principais casas de ópera do mundo, com 24 anos, como Desdemona em "Otello", de Verdi. No ano seguinte, se apresentou em Paris e Londres. Mas foi no Teatro Cólon, em Buenos Aires, que Muzio estabeleceu uma relação especial com seu público.

Gina Cigna (soprano), na verdade, começou como pianista. Ela decidiu enveredar pelo canto seguindo o conselho de seu marido, Maurice Sens. Fez sua estreia no La Scala, em Milão, em 1927, sob o nome Ginette Sens, sem grandes repercussões. Dois anos depois, já usando o nome Gina Cigna, no mesmo La Scala, incorporou Donna Elvira em "Don Giovanni", que foi um triunfo. Permaneceu no La Scala até 1945.

Ebe Stignani (mezzo-soprano) também teve como casa o La Scala, em Milão. Convidada por Arturo Toscanini em 1926, para interpretar a Princesa Eboli em "Don Carlo", de Verdi, sua estreia em Milão fez com que a cidade fosse seu principal palco. Viajou pelo mundo, fazendo temporadas grandes na América do Norte, principalmente no pós-guerra, mas sem nunca ter se apresentado no Metropolitan Opera House, em Nova York.

A carreira da croata Zinka Milanov (soprano) está muito ligada com o Metropolitan Opera House, em Nova York. Em 1937, ela fez sua estreia na casa interepretando o papel Leonora em "Il Trovatore", de Verdi. Ficou na casa até 1947, quando se casou novamente. Por causa de sua estreia no Met, Zinka teve que adotar o sobrenome artístico de seu segundo marido, Milanov, uma vez que seu sobrenome real, Kunc, não era tão glamouroso para a casa e, também, os patronos estavam preocupados com erros de pronúncia que os norte-americanos poderiam fazer (o que poderia gerar palavrões).

Bruna Castagna (mezzo-soprano) ficou entre duas grandes casas de ópera do mundo: o Metropolitan Opera House, em Nova York (entre 1937 e 1945) e o Teatro Colón, em Buenos Aires (1925 - 1942). Embora uma carreira emblemática, Catagna se aposentou cedo, com pouco mais de 40 anos de idade.

A Fase Áurea
A temporada de 1951 encerra uma fase áurea da vida operística paulistana. Pela última vez, ela reuniu um grande elenco internacional conforme a tradição desde a abertura do teatro. Os maiores nomes da cena lírica vieram a São Paulo: Maria Callas, Renata Tebaldi, Fedora Barbieri, Mario Del Monaco, Giuseppe di Stefano, Titto Gobbi, Nicola Rossi-Lemeni. Foi nessa época que Beniamino Gigli fez a sua derradeira aparição no Brasil. Depois dessa temporada, o Theatro fechou para reformas, reiniciando sua atividade em 1955, com repertório extenso, mas com artistas menos conhecidos.

A norte-americana Maria Callas (soprano) foi considerada a maior soprano de todos os tempos. Callas ficou famosa não apenas pela sua voz, que possuía características únicas, mas também pela sua vida pessoal. Por ter um temperamento forte, volta e meia brigava com colegas, maestros e administradores de casas de espetáculos ao redor do mundo. A briga mais emblemática, talvez, seja com Rudolf Bing, do Metropolitan, que a demitiu depois que ela se recusou a alternar as apresentações de "La Traviata" e "Macbeth", ambas de Verdi, que possuíam exigências vocais muito distintas. Respondendo à Bing, Callas setenciou que sua voz não era um elevador.

Fedora Barbieri (mezzo-soprano), talvez, tenha tido a carreira lírica mais longa da história. Sem se aposentar oficialmente, Barbieri deixou de se apresentar com frequência no meio da década de 1990. Embora tenha tido uma carreira respeitosa, Fedora era bastante conhecida por sua parceria com Maria Callas dentro e fora dos palcos na década de 1950.

Ferruccio Tagliavini (tenor) pode ser considerado o herdeiro de Tito Schipa e Beniamino Gigli. Se apresentou nas mais tradicionais casas de espetáculo do mundo: La Scala, em Milão; Teatro Colón, em Buenos Aires; Metropolitan Opera House, em Nova York; San Francisco Opera, em São Francisco; Royal Opera House, em Londres; e Paris Opéra, em Paris.

Renata Tebaldi (soprano) foi conhecida como "La voce d'angelo", ou a voz do anjo, por causa de sua bela voz. Isso fez com que fosse considerada uma das melhores sopranos da história e se tornando uma grande diva. Em 1963, sofreu alguns problemas vocais, que a fizeram parar por um curto tempo para reeducar a voz. Voltou no ano seguinte com maestria, mas sua voz ganhou um relativo peso.

Ficha técnica de "La Traviata", com Renata Tebaldi (soprano) e Tito Gobbi (barítono).

As estrelas tropicais
Apesar da presença de artistas estrangeiros, as temporadas dos anos 1960 foram marcadas pela presença maciça de artistas nacionais. Destacaram-se os talentos das sopranos Agnes Ayres, Niza de Castro Tank, Ida Micollis, Ercila Block; as mezzo-sopranos Martha Baschi, Glória Queiroz; os tenores Sergio Albertini, Benito Maresca, Bruno Lazzarini; os barítonos Constanzo Mascitti, Andréa Ramus, Paulo Fortes e muitos outros artistas que lutaram pela sobrevivência da ópera. Empenhados nesta luta, estavam os maestros Armando Belardi e Edoardo de Guarnieri, os quais vinham liderando as temporadas líricas do Theatro desde os anos 1940.

Mario Del Monaco (tenor) teve sua estreia na ópera "Madame Butterfly", de Verdi, no Teatro Puccini, em Milão, em 1940, um ano antes de ter sido impedido de seguir com o exército italiano para a Rússia pelo coronel Gino Ninchi. Ninchi justificou: "Não force o destino. Você fará parte do batalhão se for chamado. De resto, você é um patrimônio de nosso país e servirá muito à sua pátria mostrando ao mundo a sua voz única". Seu desempenho era tal que o teatro La Scalla passou 28 anos a só apresentar "Andrea Chènier", de Umberto Giordano, se Monaco estivesse no elenco.

Agnes Ayres (soprano) fez parte de uma das históricas gravações da TV Cultura. Atuando na ópera "Fosca", de Carlos Gomes, no papel de Délia, é uma das únicas apresentações da década de 1970 gravada na íntegra pela emissora. O material foi achado pelo sobrinho de Agnes, José Eduardo Pereira de Oliveira, logo após o falecimento da cantora, com 83 anos.

Ida Miccolis (soprano) participou de inúmeras óperas, récitas e concertos no Theatro Municipal. Para tanto, vestiu figurinos feitos pelos mais renomados estilistas, como Denner Pamplona de Abreu, para a ópera "Tosca", e Clodovil Hernandez, para "Aída".

Niza de Castro Tank (soprano) começou sua carreira artística na Rádio Gazeta, onde ficou durante cinco anos. Ela fez parte do elenco que fez a primeira gravação mundial na íntegra de "Il Guarany", de Carlos Gomes.

Sergio Albertini (tenor) também fez parte da primeira gravação de "Il Guarany", de Carlos Gomes. Acontecida em 1986, a gravação contou com o Coral Lírico e a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, e com solos vocais de Niza de Castro Tank, Andrea Ramus e Benedito Silva. A regência ficou por conta de Armando Belardi e Roberto Tibiriçá.

Há uma anedota no Theatro Municipal de que, na década de 1950, quando o tenor Beniamino Gigli estava se apresentando no Rio de Janeiro, ouviu-se uma bela voz de um dos camarins. Os funcionários do Theatro e participantes do coro pararam em frente à porta para não perder a oportunidade de escutar o grande tenor ensaiando. Eis que, quando o canto para e a porta se abre, sai o grande Assis Pacheco (tenor)! Ele foi um dos poucos cantores líricos brasileiros que viveram basicamente da arte.

Paulo Fortes (barítono), o artista que mais vezes se apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e Glória Queiroz (soprano), que cantou cerca de 60 papéis de ópera em sua carreira, na ópera "O Chalaça", de Francisco Mignone.

A representação
Embora não ofereça uma acústica adequada para o teatro de prosa, pelo palco do Municipal passaram companhias teatrais estrangeiras, sendo em sua maioria italianas, mas também as francesas, alemãs, tchecas, espanholas, russas e israelitas, além dos mais consagrados grupos do teatro brasileiro. As companhias estrangeiras faziam suas turnês pela América do Sul e tinham como ponto de referência o Teatro Colón, de Buenos Aires. De lá, visitavam algumas capitais brasileiras trazendo seu elenco completo. O guarda-roupa e cenários, na maioria das vezes, eram os mesmos para todas as peças encenadas, variando apenas a disposição do mobiliário em cena.

Marcel Marceau (mímico), considerado como o Chaplin francês, deixou marcas pelo mundo com sua pantomima e seu alter-ego Bip, personagem que usava um casaco surrado, uma camiseta listrada, e um chapéu de ópera de seda com uma flor espetada.

Madeleine Renaud (atriz) e seu marido Jean-Louis Barrault (ator), com quem foi casada durante 50 anos Os dois até fundaram juntos a própria companhia de teatro, Renaud-Barrault.

Vivien Leigh, atriz do filme "E o Vento Levou" se apresentou nos palcos do Theatro Municipal acompanhando o grupo londrino Old Vic Company na peça "A Dama das Camélias".

O Teatro Brasileiro
O teatro brasileiro sempre esteve em cena, apresentando os tradicionais dramas e comédias populares. Em 1921, Itália Fausta foi a maior expressão da Companhia Dramática Nacional. Sua interpretação da peça "Mãe", de Russinol, é o seu melhor momento. Em 1927, Leopoldo Fróes juntou-se com Dulcina de Moraes na peça "Flores do Mundo", de Fleur e Croisset. Retornou nesse mesmo ano com a Companhia de Comédias, ao lado de Chaby Pinheiro e Manoel Durães, na peça "A Rosa de Outono", de Jacques Deval. Ao lado de Carmen de Azevedo, interpretou "Gigolô", de Renato Viana. Em julho de 1937, Décio de Almeida Prado encenou "A Luva", de Julio Dantas, com o recém-formado Teatro Universitário do Grêmio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Em 1938, um novo texto de Alfredo Mesquita, "Casa Assombrada", com Irene Bojano. No ano de 1943, estreia Cacilda Becker no "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente. Um grupo do Rio, "Os Comediantes", com direção de Ziembinski, colocava o teatro brasileiro na vanguarda, com a peça "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, deixando o público e crítica aturdidos e perplexos.

Cacilda Becker (atriz), um dos maiores mitos dos palcos brasileiros, na apresentação de "A Dama das Camélias", de Alexandre Dumas. Irmã da global Cleyde Yáconis, Cacilda se apresentou em 68 peças, três filmes e uma novela em 30 anos de carreira. Foi parte do lendário Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e faleceu nos palcos, durante sua apresentação de "Esperando Godot", por causa de um aneurisma cerebral.

O histórico Procópio Ferreira (ator, dramaturgo e diretor) foi a pessoa que mais interpretou o maior número de peças nacionais e lançou o maior número de autores. Em 68 anos de carreira, representou mais de 500 personagens em 427 peças. Quando faleceu, aos 86 anos, seu corpo foi velado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Italia Fausta (atriz), na montagem "O Anjo Negro", de Nelson Rodrigues. Ligada às tradições de um teatro colonizado pelos portugueses, Fausta foi parte de importantes reformas modernas no teatro nas décadas de 1940 e 1950. Fez parte do grandioso Teatro da Natureza e dirigiu o espetáculo de lançamento do Teatro do Estudante do Brasil (TEB). Quando faz "Anjo Negro", Fausta faz parte do Teatro Popular de Arte (TPA) em uma marcante temporada no Teatro Fênix do Rio.

Maria Della Costa (atriz), encenando "A Prostituta Respeitosa", de Jean Paul Sartre. Della Costa foi a fundadora do Teatro Popular de Arte (TPA) junto com seu marido Sandro Polloni (sobrinho de Italia Fausta). Em 1954, funda seu próprio teatro que leva o seu nome na Bela Vista, em São Paulo, onde cria um dos melhores repertórios do teatro brasileiro.

A atriz Dulcina de Moraes foi fundadora da Fundação Teatro Brasileiro, posteriormente transformada em Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, em Brasília. Funda, com seu marido Odilon Azevedo, a companhia Dulcina-Odilon, responsável pelas primeiras montagens no país de Garcia Lorca, D'Annunzio, Bernard Shaw e Jean Giraudoux.

Saltando fronteiras
Mikhail Baryshnikov, um dos bailarinos dissidentes russos, veio em 1980 associado ao American Ballet Theatre e dançou "O Corsário". Em 1983, Rudolf Nureyev, o bailarino que recuperou a importância do intérprete masculino, chegou ao Brasil com o Ballet Français para dançar a "Canção do Companheiro Errante", música de Mahler. Os dois ficaram conhecidos como dois dos maiores bailarinos da história. Embora dissidentes, os dois demonstram como a escola Russa marcou a história do ballet e da técnica de dança.

Rudolf Nureyev foi o primeiro superstar homem na dança desde Vaslav Nijinsky. Nureyev desistiu de viver na Rússia em 17 de junho de 1961, logo após uma apresentação em Paris, quando ele quebrou a barreira da segurança soviética no aeroporto de Le Bourget para pedir asilo político. Ao lado, Nureyev na apresentação "Aureole".

Mikhail Baryshnikov em "Le Spectre de la Rose". Considerado pelo crítico Clive Barnes como o "mais perfeito bailarino que alguma vez vi", Baryshnikov pediu asilo político durante uma turnê com o Ballet Kirov em Toronto, no Canadá, em 1974. a partir daí e até 1979, ele foi o principal bailarino do American Ballet Theatre (ABT)

Dedos de ouro
Os solistas brasileiros tiveram mais chances do que os nossos cantores líricos dentro do mercado da música. Conseguiram se projetar tanto em nível nacional, quanto internacional. Pianistas conquistaram plateias exigentes e a admiração de um público seleto. As primeiras estrelas do teclado mundialmente bem sucedidas foram Guiomar Novaes e Magdalena Tagliaferro, também chamada de "cintilante pianista". Tanto Magdalena quanto Guiomar dominaram a cena por décadas até o surgimento de uma nova geração. Entre outros brasileiros, citamos Jacques Klein, Yara Bernette, Nelson Freire, Caio Pagano, Roberto Szidon, Arnaldo Estrela, Arnaldo Cohen, Cristina Ortiz.

Durante seus estudos em Paris, Guiomar Novaes (pianista) foi convidada a se apresentar para uma compatriota: a Princesa Isabel, que estava em exílio em Versalles. Foi a Princesa que estimulou com que Guiomar incluísse em seu repertório a "Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro", de Louis Moreau Gottschalk. Dessa maneira, logo na entrada, seu público saberia sua nacionalidade e ela contribuiria para o reconhecimento do Brasil.

Já aos 13 anos, Magdalena Tagliaferro (pianista) ganhou o Primeiro Prêmio do Conservatório Nacional de Pari. Em constantes apresentações na América e na Europa, Tagliaferro foi quem criou o que chamamos de Aula Pública, como meio para formar público e educar alunos.

Jacques Klein (pianista) estudou no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno fundado por seu pai, Alberto Klein, em Fortaleza. Já no exterior para aprimorar sua técnica, aos 25 anos foi considerado o pianista do ano em Londres, recebendo a Medalha Harriet Cohen. Klein foi muito importante na Música Popular Brasileira também, tendo inclusive composto junto a Dorival Caymmi.

Anna Stella Schic (pianista), além de se dedicar ao piano, também foi responsável pela biografia de Villa-Lobos. O livro "Villa-Lobos: Souvenirs de l'Indien blanc" foi publicado em 1987, na França, onde morou desde 1971.

A estreia de Yara Bernette (pianista) nos palcos do Theatro Municipal aconteceu ainda quando tinha apenas 11 anos de idade, em um concerto infantil. A estreia profissional, porém, só viria quando ela atingisse a maioridade, quanto toca junto à Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e sob regência de Souza Lima. Quatro ano mais tarde, se apresenta no Town Hall, de Nova York.

Nelson Freire (pianista) mostrou à família seus dotes ao piano aos três anos de idade, ao tocar de memória peças que sua irmã mais velha havia executado. Freire teve uma carreira internacional exemplar, ganhando diversos concursos e premiações. Participou como convidado das maiores orquestras do mundo, como Royal Philharmonic Orchestra, Orchestre de Paris e Berliner Philharmoniker.

As batutas notáveis
Muitos maestros passaram pelos palcos do Theatro. Não apenas regentes conectados à tradição da profissão, mas também experimentações que questionavam até o papel do maestro em uma orquestra. Em 1940, Leopoldo Stokovski, conhecido pelas suas experimentações, regeu no Municipal. Três anos mais tarde foi a estreia de Eleazar de Carvalho e, em 1952, foi a vez do pianista Gyorgy Sandor. Em 1958, São Paulo foi incluída na primeira turnê da Filarmônica de Nova York, na qual regeram Dimitri Mitropoulos e Leonard Bernstein. Em 1961, o Theatro teve a primeira regência de Isaac Karabtchevsky. A Orquestra Filarmônica de Londres se apresentou em agosto de 1963. Em maio de 1966, foi a vez da Orquestra de Filadélfia, com a regência de Eugene Ormandy. Ela foi a primeira orquestra a ser televisionada nacionalmente pela CDS e a transmitir concertos através de uma rede de rádio, com patrocínio comercial.

A importância de Heitor Villa-Lobos (maestro) para a música brasileira é tanta que sua data de nascimento foi a escolhida para celebrar o Dia Nacional da Música Clássica. Villa-Lobos foi o maior expoente da música do modernismo do país, graças às suas misturas de sonoridades populares e indígenas no repertório clássico. No dia de sua morte, até o jornal norte-americano The New York Times publicou um editorial em sua homenagem.

Nascido na Itália, Edoardo de Guarnieri (maestro) se naturaliza brasileiro em 1941, quatro anos depois de ter fugido da ditadura fascista de seu país. Teve uma morte que marcou a história do Theatro Municipal. Enquanto subia as escadas do edifício, sofreu um aneurisma que culminou em seu falecimento.

Souza Lima (maestro), logo após uma temporada de estudos em Paris, volta a São Paulo e é convidado por Mario de Andrade a fazer parte do Departamento de Cultura do Município de São Paulo (que mais tarde viria a ser a Secretaria de Cultura da cidade). Com o cargo, foi regente da orquestra aqui do Theatro, além de ter regido e integrado também o Trio São Paulo.

O italiano Tulio Serafin (maestro) substituiu o famoso diretor musical Toscanini no La Scala, em Milão, quando ele foi passar uma temporada em Nova York. Conhecido por sua reputação em treinar cantores líricos, Serafin teve como uma de suas discípulas Maria Callas. Foi também parte do Metropolitan Opera, onde ficou por cerca de 10 anos.

Camargo Guarnieri (maestro) teve um mentor intelectual de peso: Mário de Andrade. Em 1928, logo após apresentar dois de seus trabalhos ("Canção Sertaneja" e "Dança Brasileiro"), Andrade o chamou para frequentar sua casa, onde discutiam estética, ouviam obras musicais e trocavam livros. Andrade, não só se tornou um grande amigo de Guarnieri, como também foi responsável pela divulgação e aceitação de seu trabalho, já que atuava como crítico musical na imprensa.

Isaac Karabtchevsky (maestro) é um dos poucos profissionais na música clássica brasileira que pode se orgulhar de ter sido homenageado por um samba enredo. A escola Unidos de Vila Isabel, em 2015, referenciou o regente com os seguintes versos "O maestro brasileiro está na terra de Noel. A partitura Azul e Branca da nossa Vila Isabel". A escola ficou com a penúltima posição.

Eleazar de Carvalho (maestro) foi diretor artístico do Festival de Inverno de Campos de Jordão a partir de 1973 e implantou diversos programas pedagógicos e bolsas de estudos para estudantes promissores. Seu nome é indissociável do Festival, já que fez a coordenadoria musical até a sua morte.

O maestro Lorin Maazel foi um prodígio em sua carreira. A partir dos 12 anos já realizada turnês conduzindo orquestras nos Estados Unidos. Para se ter uma ideia, com 11 anos ele comandou a Orquestra Sinfônica NBC em uma apresentação da rádio.

Pietro Mascagni (maestro) foi o autor da célebre "Cavalleria Rusticana", que o Theatro já apresentou diversas vezes. A peça foi escrita em apenas dois meses e baseada no texto do italiano Giovanni Verga. "Cavalleria Rusticana" é uma das únicas das 17 peças do autor ainda apresentadas atualmente.

Conhecido pelo seu "grand style", Gino Marinuzzi (maestro) conduziu a estreia de "Tristão e Isolda" e "Parsifal" em Palermo. Fez participações especiais na Paris Ópera e Royal Opera House.

Fidelio Finzi (maestro) também faz parte da história do Theatro Municipal. Finzi foi o primeiro diretor do Coral Lírico, em 1939. O Lírico teve sua estreia com a peça "Turandot", em 13 de junho daquele ano. Finzi ficou no Lírico até 1947, quando foi substituído por Sisto Mechetti.

En garde!
Ocorreu em setembro de 1962 uma mudança de ares na programação do Theatro Municipal com a visita do Modern Jazz Quartet. O impacto maior estava por vir em 1965, com o Festival de Música de Vanguarda. Dois violinistas esgrimiam usando os arcos como espadas. Outros músicos jogavam sinuca, fazendo o piano como mesa. Pedrinho Mattar dormia ao som de um metrônomo. Acordou com um despertador e saiu de cena. Outro piano emitia sons estranhíssimos, provocados por objetos colocados entre suas cordas. Era uma composição de Maiasumi. Na partitura do maestro, os compassos haviam sido substituídos por sinais de trânsito, instruções para assobio, desenhos de histórias em quadrinhos. Entre a indignação irrestrita, os gritos de "bravo, trogloditas, patacoada, genial...". Ouviam-se músicas de Webern, John Cage, Maiasumi, Willy Correa de Oliveira, Henry Poesseur, com regência de Diogo Pacheco e a Orquestra de Câmara de São Paulo. Em dezembro de 1964, Diogo Pacheco instigava novamente os ânimos, promovendo o espetáculo "Vinícius, Poesia e Canção", com participação de Pixinguinha, Ciro Monteiro, Carlos Lyra, Baden Powell, Edu Lobo, Francis Hime, Paulo Autran e o próprio Vinícius. A vinda de Duke Ellington, em 1968, desencadeou uma série de récitas com cantores populares americanos e músicos de jazz: Ray Charles (1970), Ella Fitzgerald (1971), Dizzie Gillespie (1971), Sara Vaughan (1972), James Brown (1973), Charles Mingus e Quarteto de Jazz (1974) e Miles Davis (1974).

A "primeira dama da canção", Ella Fitzgerald (cantora) tinha uma extensão vocal de três oitavas e venceu 14 prêmios Grammy. É considerada a maior cantora do século XX por diversos críticos musicais.

Miles Davis (trompetista) foi considerado um "músico que produzia um som que nenhum outro músico era capaz de reproduzir", embora nunca tenha sido considerado um possuidor de alta habilidade técnica como trompetista.

A música de Ravi Shankar (sitarista) exerceu enorme influência sobre os Beatles. Foi considerado como o "padrinho da música do mundo". Embora sua música tenha sido extremamente influente, em 1986 Shankar foi nomeado primeiro-ministro Rajiv Gandhi para a casa superior do Parlamento Indiano, onde atuou até 1992.

No aniversário de 20 anos da Bossa Nova, João Gilberto tocou sentado num banquinho e cantou os sucessos da música que influenciou compositores nacionais e estrangeiros. Gilberto ficou conhecido no cenário nacional ao provocar uma revolução na música popular com a gravação de "Chega de Saudade".

Duke Ellington (compositor, maestro e pianista), o "The Duke", foi o primeiro músico de jazz a fazer parte da Academia Real de Música de Estocolmo. Embora grande músico, sua primeira paixão foi o baseball. Ele até chegou a arrumar um emprego de vendedor de amendoim nos estádios para ver seus ídolos de perto.

Charles Mingus (contrabaixista) tinha um temperamento forte, tanto que ficou conhecido como "The Angry Man of Jazz". Em diversas apresentações teve autênticas erupções de raiva em cima do palco.

Créditos: história

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Prefeito
Fernando Haddad

Secretário Municipal de Cultura
Nabil Bonduki

FUNDAÇÃO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO

Conselho Deliberativo
Nabil Bonduki - Presidente
Leonardo Martinelli
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Direção Geral
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Diretora de Gestão
Carolina Paes Simão

Diretor de Formação
Leonardo Martinelli

INSTITUTO BRASILEIRO DE GESTÃO CULTURAL

Presidente do Conselho
Claudio Jorge Willer

Diretor Executivo
William Nacked

Diretor Financeiro
Neil Amereno

Diretor Artístico
John Neschling

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO

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Bernardo Guerra

Direitos Autorais
Olivieri Advogados Associados

Diretoria Geral

Assessora
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Cerimonial
Egberto Cunha

Bilheteria
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Diretoria Artística

Assessoria de Direção Artística
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Thomas Yaksic
Clarisse De Conti

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Eni Tenorio dos Santos

Coordenação de Programação Artística
João Malatian

Diretor Técnico
Juan Guillermo Nova

Assistente de Direção Técnica
Daniela Gogoni

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Assistente de Direção de Palco Cênico
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Julianna Santos

Segunda Assistente de Direção Cênica
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Figurinista Residente
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Produção de Figurinos
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MUNICIPAL DIGITAL

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Arquivo Artístico

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Assistente de Coordenação
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Copistas e Arquivistas
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Cassio Mendes
Guilherme Prioli
Jonatas Ribeiro
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Roberto Dorigatti

Ação Educativa
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Produção Executiva
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Nathalia Costa
Rosa Casalli

Produtores
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Pedro Guida
Nivaldo Silvino

Assistente de Produção
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APRENDIZ
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Palco

Chefe da Cenotécnica
Anibal Marques (Pelé)

Chefe de Maquinária
Thiago dos S. Panfieti

Subchefe de Maquinária
Paulo M. de S. Filho

Acervo de Ferramentas
Marcelo Luiz Frozino

Chefe de Contrarregragem
João Paulo Gonçalves

Técnicos de Palco

Maquinistas
Alberto dos Santos
Aristides da Costa neto
Carlos Roberto チvila
Ivaildo Bezerra Lopes
Peter Silva M. de Oliveira
Uiler Ulisses Silva
Wilian Danieli Peroso

Mecânica cênica
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Anderson S. de Assis

Contrarregras
Eneas R. Leite Neto
Paloma Neves da Costa
Sandra S. Yamamoto

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Operadores de Som
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Kelly Cristina da Silva
Sergio Nogueira

Chefe de Iluminação
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Iluminadores
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Igor Augusto F. Oliveira
Lelo Cardoso
Olavo Cadorini
Ubiratan Nunes

Camareiras
Alzira Campiolo
Isabel Rodrigues Martins
Katia Souza
Lindinalva M. Celestino
Maria Auxiliadora
Maria Gabriel Martins
Marlene Collé
Nina de Mello
Regiane Bierrenbach
Tonia Grecco

CENTRAL DE PRODUÇÃO “CHICO GIACCHIERI”

Coordenação de Costura
Emilia Reily

Acervo de Figurinos Assistente
Ivani Rodrigues Umberto

Acervo de Cenário
Ermelindo Terribele

Carregadores
Carlos da S. Ribeiro
Marcos C. Rocha
Rui da Silva Costa

AUXILIAR ADMINISTRATIVO

Luiz Carlos Lemes
Maria Aparecida
Gonçalo da Silva

GERENTE DE COMUNICAÇÃO
Marcos Fecchio

ANALISTA DE COMUNICAÇÃO
Gisele Pennella

EDITOR
Gabriel Navarro Colasso

EDITORA WEB
Desirée Furoni

COORDENADORA DE IMPRENSA
Amanda Sena

ASSESSORAS DE IMPRENSA
Caroline Zeferino
Vanessa Beltrão

Créditos: todas as mídias
Em alguns casos, é possível que a história em destaque tenha sido criada por terceiros independentes. Portanto, ela pode não representar as visões das instituições, listadas abaixo, que forneceram o conteúdo.
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