Eliseu Visconti e o Theatro Municipal

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Em outubro de 1905 tem início a história que liga o pintor Eliseu D’Angelo Visconti ao
Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Visconti nasceu em 30 de julho de 1866, em Salerno, Itália. Ainda menino chegou ao Brasil, por volta de 1873. Passou a viver na cidade de Além Paraíba, na Fazenda de propriedade de Luiz de Souza Breves, o Barão de Guararema.
Ainda jovem mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1883, iniciou os estudos de desenho e pintura no Liceu de Artes e Ofícios. Dois anos depois, ingressou na Imperial Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Em 1886, Visconti recebeu das mãos do imperador Dom Pedro II seu primeiro prêmio: a medalha de prata em ornamentos.
Em outubro 1905, depois de vencer o Prêmio Viagem a Europa, concedido pela Escola Nacional de Belas Artes, e outras competições que lhe deram reconhecimento como artista, Eliseu Visconti recebeu de Francisco Oliveira Passos, engenheiro responsável pela construção do Teatro Municipal, o convite para realizar o trabalho de decoração do pano de boca, do friso do Proscênio e do teto da Sala de Espectáculos.

Visconti escreve então uma carta em resposta ao engenheiro, na qual manifesta seu profundo agradecimento pelo convite.
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Na capital francesa, Visconti preparou as esquisses dos trabalhos, trazendo-as ao Brasil no início de 1906, por sua conta e risco, para serem aprovadas pelo Prefeito.

O contrato foi firmado em fevereiro de 1906.
Visconti voltou a França, onde morava, para lá executar os trabalhos encomendados pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Em Paris, alugou o maior atelier à época - com pouco mais que quatro metros de pé-direito, o que o obrigou a dividir a tela do pano de boca em três seções.

Os trabalhos foram concluídos em 1907. Em outubro daquele ano, Visconti retornou ao Brasil para orientar a instalação de seus trabalhos artísticos no Theatro Municipal.
O pano de boca foi instalado em abril de 1908, com antecedência de mais um ano à inauguração do Theatro.

O friso acima do Proscênio foi decorado com figuras femininas nuas, inspiradoras do Amor e da Virtude.

Com a reforma do Theatro Municipal de 1934, o friso foi substituído pela pintura atual, também de autoria de Eliseu Visconti, intitulada "As nove Musas recebem as Ondas Sonoras". O trabalho foi concluído por Visconti e sua equipe em 13 de fevereiro de 1936.

A colocação dos painéis do plafond da Sala de Espetáculos foi executada entre 27 de janeiro e 3 de fevereiro de 1908.
Ao todo, oito painéis em tons avermelhados - na representação das horas do dia - e em tons azuis - para as horas da noite, contornam o imenso lustre sobre a plateia.

Em 1913, Visconti recebeu novo convite de Francisco Oliveira Passos para realizar outro trabalho no Theatro Municipal: a pintura do teto e das laterais do Foyer.

A decoração é composta por um grande painel central representando “A Música” e por dois painéis laterais, menores, simbolizando “A Arte Lírica” e “O Drama” (Inspiração Poética). Visconti empregou a técnica pontilhista, compondo um conjunto magistralmente harmônico, com tons suaves, claramente impressionista.
A pintura é considerada a obra prima do artista e está completando 100 anos em 2016.

Em 1942, dois anos antes de falecer, Eliseu Visconti prestou um imenso e generoso ato de amor ao público e ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro: doou os estudos que fez para a decoração do Theatro à municipalidade do Rio.
(Clique no documento para ver os detalhes)

A doação de seus estudos motivou a criação do Museu dos Teatros do Rio de Janeiro, que foi instalado no Salão Assyrio, em 1951.
Hoje, uma vasta documentação relativa ao Theatro e a seus espetáculos, além de um expressivo acervo museológico, estão disponíveis para pesquisadores e o público em geral no Centro de Documentação do Theatro Municipal.

Em uma das correspondências de Eliseu Visconti a Francisco de Oliveira Passos, o artista revela:
"Sempre [acalentei] um sonho: realizar um conjunto de arte em um edifício importante."
Ao executar os trabalhos de decoração no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Visconti realizou o seu sonho e fez do Theatro a instituição que abriga o maior conjunto de suas obras.

Em 2016, ano dos 150 anos de nascimento de Eliseu Visconti, a equipe do Theatro Municipal foi surpreendida com uma feliz descoberta: uma tela com dois metros de diâmetro, sem título atribuído e localizada no teto da antessala do Camarote do Governador.
Após intensas pesquisas na documentação do Theatro e, ao serem examinadas as correspondências de 1933 do então diretor do Municipal, Roberto Doyle Maia, veio a grande constatação: a autoria da obra é de Eliseu D'Angelo Visconti.

Créditos: história

Fontes Documentais
Acervo do Centro de Documentação da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro - CEDOC/FTMRJ

Curadoria e Texto
Fátima Cristina Gonçalves

Fotografias
João Lima
Jorge Campana
Júlia Rónai

Agradecimentos
Equipe de Engenharia, Arquitetura e Conservação da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro
Projeto Eliseu Visconti

Créditos: todas as mídias
Em alguns casos, é possível que a história em destaque tenha sido criada por terceiros independentes. Portanto, ela pode não representar as visões das instituições, listadas abaixo, que forneceram o conteúdo.
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