Otto Stupakoff e a fotografia de moda: seu estúdio

Instituto Moreira Salles

Parte 3 (final): o estúdio de Otto

A FOLHA EM BRANCO DO FOTÓGRAFO
Em que pese a obra de Otto Stupakoff ser mais ampla e rica quando realizada em ambientes externos, portanto, muito mais afeita ao imponderável e ao improviso, e estes aspectos são claramente constituintes de parte de seu processo de trabalho, ele, entre idas e vindas, acabou tendo diversos estúdios. Em todos eles, de alguma forma, foi muito produtivo, e todos ao final se configuraram como antíteses de um estúdio formal. Mesmo o primeiro, em Porto Alegre, construído especialmente como tal, guardava características de um “não estúdio”. Todos os imóveis, que desenhou, ergueu ou ocupou ao longo de sua vida foram sempre tentativas de fazer do estúdio um lugar de acolhimento e conforto, muito mais próximo a um ateliê de artista do que a um estabelecimento próprio à função profissional. Extraído do texto de Bob Wolfenson para a exposição/ Novembro de 2016

A profusão de coisas, objetos e obras de arte presentes nestes seus ambientes são o retrato de uma mente em constante ebulição e atestam as múltiplas facetas de seus interesses. Otto ainda encontrava nestes espaços um refúgio, e fazia deles sua oficina de fundição de idéias e de exercício de suas aptidões: ora como fotógrafo de retratos ou publicidade, ora como autor de engenhosas colagens. Além do que, no âmbito destes recintos, ultra-sedutores, recebia suas amigas e amigos, artistas e intelectuais.

A beleza feminina
As melhores imagens que Otto produziu sobre o nu e a beleza feminina, em sua maioria em ensaios não comissionados, foram realizadas ao registrar pessoas com quem mantinha um relacionamento próximo e afetivo. Fotografou-as em sessões realizadas em seus estúdios ou em sua casa, com um olhar único e sensual, tentando exaurir todas as possibilidades do encontro, produzindo de forma visceral. Otto encontrava no rosto e no corpo feminino a expressão maior de sua busca pela beleza, e esse objetivo permeou sua produção ao longo de toda a carreira. Em texto de outubro de 1980, Jorge Amado escreveu sobre o fotógrafo que tão bem conhecia e admirava: “De nossa parte, somos testemunhas da invariável tenacidade do artista, de sua consciência em busca do extremo limite da beleza. Assim nascem as verdadeiras obras de criação, pois essa última luz, a mais bela e verdadeira, Otto traz em seu coração, resulta de seu amor à vida.”

"As fotos de moda, ao contrário do que faziam alguns de seus contemporâneos, eminentes fotógrafos de estúdio como os americanos Richard Avedon e Irving Penn, aconteciam quase sempre em locações externas ou internas. Enfim, para ele, o ateliê/estúdio era freqüentemente seu porto seguro, um local fechado em si, protegido das variações do tempo, da imponderabilidade das cenas exteriores, do choque com a realidade das ruas e, mais que tudo, palco para suas fabulações e esquetes, onde pôde exercer parte de sua variada e particular dramaturgia." Extraído de <em>A Folha em Branco do Fotógrafo</em>

"(...) o estúdio com suas quatro paredes e seus fundos infinitos não o continha, não comportava sua personalidade exuberante e aventureira. Sua folha em branco haveria de ser preenchida no planeta todo, subordinada ao seu olhar obsessivo em busca da beleza, a qual sempre dizia perseguir. Por isso seu périplo pelo mundo." Extraído de <em>A Folha em Branco do Fotógrafo</em>

Saigon
No final de 1967 e primeiros dias de 1968, durante a Guerra do Vietnam, Otto faz uma extensa cobertura de Saigon (atual cidade de Ho Chi Minh), apenas duas semanas antes da ofensiva do Tet, que resultaria em centenas de mortos. Registrou, entretanto, uma Saigon viva nas ruas, com um olhar especial sobre o pulsar da cidade e a beleza das mulheres vietnamitas.
MODA, CONCEITO E REFERÊNCIAS
Entre 1976 e 1980 Otto retorna ao Brasil e produz imagens icônicas como a série autoral de nus realizada em 1978 em sua residência no Joá, no Rio de Janeiro, ou as produzidas para edições especiais da Vogue Brasil, como a dedicada à Xuxa. É no entanto um período para ele desapontador em termos de oportunidade. Decide em 1981 se estabelecer definitivamente em Nova York, onde atua intensamente nos anos 1980 e 1990 fotografando para revistas e realizando projetos como o livro Art to Wear, de Julie Schafler Dale, de 1992, a documentação sobre as vítimas do Khmer Vermelho no Cambodja para o fundo humanitário Cambodja Trust, em 1994, e muitas viagens pelo mundo, incluindo quatro viagens ao Ártico.

Entre os especiais para a revista Vogue, Otto fotografou um ensaio na Bahia em torno do universo de Jorge Amado, publicado em 1978.

Otto fotografando Pierre Verger (1978)

A ÚLTIMA ETAPA
Entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, Otto Stupakoff foi aos poucos se despojando de seus pertences e se distanciando de relacionamentos, vivendo em exílio voluntário na Tailândia e em diferentes endereços nos Estados Unidos. Este isolamento foi rompido pela insistente aproximação de dois fotógrafos de uma nova geração, Fernando Lazlo e Bob Wolfenson, que o procuraram em busca de valorizar sua trajetória e difundir sua obra, já então quase esquecida no Brasil. Em 2005 é montada a exposição-homenagem "Moda Sem Fronteiras", organizada e curada por Wolfenson, com assistência de Lazlo e montada no âmbito da São Paulo Fashion Week daquele ano. A mostra provoca o retorno definitivo de Otto ao Brasil.

Em 2006 é lançado pela Cosac & Naify Otto Stupakoff, primeiro livro retrospectivo de sua obra. Em 2008 sua produção de 1955 a 2005, cerca de 16.000 negativos, é incorporada ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles. A partir daí o IMS produz em conjunto com o autor Otto Stupakoff- fotografias, exibição que faz o circuito dos centros culturais IMS e que estreia no Rio de Janeiro em fevereiro de 2009, mesmo ano de lançamento do livro Sequências, também produzido pelo IMS, e de seu falecimento, em 22 de abril.

Créditos: história

FASHION/IMS—from the Otto Stupakoff exhibition "Beauty and Anxiety": Instituto Moreira Salles Rio de Janeiro from December 13, 2016 through April 16, 2017
Curation: Sergio Burgi and Bob Wolfenson FASHION/IMS Edition: Rachel Rezende

Continue your visit in:
Part 1: Otto Stupakoff and Fashion Photography: The Early Days
Part 2: Otto Stupakoff and Fashion Photography: His International Career

Research: Joanna Balabram and Rachel Rezende
IMS Photography Coordinator: Sergio Burgi

Video editing for the section "The early days of fashion photography in Brazil": Laura Liuzzi Caption translation: Joanna Balabram

The content of this collection was edited based on the exhibition texts.

Créditos: todas as mídias
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