Louis Eugène Boudin na coleção dos Barões de São Joaquim

Museu Nacional de Belas Artes

Louis Eugène Boudin 
A concepção do gênero “paisagem” foi certamente transformada, entre outras, pela obras de Louis Eugène Boudin, um dos artistas que abriram caminho para as pesquisas formais que eliminaram do conteúdo o seu aspecto meramente narrativo. Sua arte tornou o gênero “paisagem” mais livre, mais despojado de detalhes e menos literário.   

A origem da coleção Boudin do Museu Nacional de Belas Artes

O conjunto de vinte obras de Boudin adquirido pelos dos barões de São Joaquim e doado à antiga Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), em 1922, não era, apesar da quantidade intrigante, uma compra ocasional. Foi, sim, resultado de um interesse consciente e objetivo pelas obras desse pintor dos barões.
Com a criação do Museu Nacional de Belas Artes, em 1937, a antiga pinacoteca da ENBA, e junto com ela as obras de Boudin tornaram-se patrimônio sob guarda da nova instituição, constituindo-se no maior conjunto de quadros de Eugène Boudin fora da França, de posse do poder público.

Temática dos quadros da coleção
Bastante representativa, estão presentes na sua maioria, temas que sempre atraíram a atenção do pintor. São marinhas, aspectos de portos, das mais diversas embarcações, cenas de praias; e também paisagens camprestres com animais, além de estudo de céu e figuras.

Bordeuax - O porto I
Um trecho do porto fluvial de Bordeaux. Ao longo dele, nas águas do rio Garona, alguns barcos parados.

Bordeuax - O porto II
Paisagem com veleiros parados nas águas do porto.

No primeiro plano um pouco de terra firme, vegetação rasteira e um sólido tripé com farol.

Atrás, um ajuntamento maior de veleiros.

No lado oposto, chamam a atenção figuras minúsculas de homens trabalhando.

A presença deles foi captada com poucas manchas de pincel.

Um céu azul e cinza cobre a maior parte da tela.

Le Havre
Único quadro da coleção que focaliza Le Havre. Nesta cidade portuária, foram embarcadas, rumo ao Brasil, muitas obras de arte, adquiridas na França pelos barões de São Joaquim. Entre elas, ao que tudo indica, os vinte quadros de L.E. Boudin.

Sob um céu de admirável azul, estende-se o panorama do porto, com seus prédios, casas e figuras no cais, inclusive um guindaste.

Ao lado dele, atracado, um navio de casco vermelho dominando a paisagem.

O espelho trêmulo do mar reflete o corpo do navio e de outros objetos na água da baía.

Estudo de céu

Este quadro é um estudo admirável dos efeitos atmosféricos registrados através do puro cromatismo. Numa sucessão de cores e valores, despreza-se nele, quase por completo, o desenho. É diminuição praticamente total da forma. Deixando de lado o fato narrativo, o pintor preocupa-se com o amplo céu que toma conta da maior parte do quadro. Sem as cores fortes ou dominantes, faz-se notar mais por sua claridade e luminosidade.

O Céu e o mar se fundem num horizonte a perder de vista. Tudo é iluminado por um disco solar que evoca tons incríveis de amarelo, azul, lilás, entre as nuvens cinzas.

Uma das quatro telas do conjunto do MNBA focalizando a paisagem com animais. Nesta, ao contrário das outras, nota-se a ausência de água: falta a presença de rio ou mar.

No primeiro plano, sente-se um livre espaço de pastos com animais malhados e galinhas.

Mais adiante, ao fundo, uma pessoa encostada na cerca. Casa e arvoredo compõem as partes distantes do horizonte,

subindo ligeiramente à esquerda. Um belo céu complementa paisagem.

Aglomerado de diversos elementos de sua preferência, como o céu claro, a relva verde, os bichos e o mar com seus veleiros – o pintor concentrou-se no primeiro plano que chega a ser surpreendentemente alto e amplo, em relação a toda obra.

Neste quadro, que nos relembra os ensinamentos dos pintores animalistas holandeses, encontram-se duas vacas, uma delas em pé e a outra deitada. Ambas estão voltadas para a direita, e uma terceira, mais adiante, está de frente para o mar. Nota-se um trabalho mais cauteloso nos corpos dos animais, que torna suas formas mais consistentes.

Um dos quadros mais líricos existentes na coleção.
Tonalidades azuis na maior parte da composição, conseguidas através dos reflexos do céu calmo no espelho d’água.
As curvas do rio Deauville, focalizadas em muitos outros quadros também, desenham aqui um formato elíptico sobrando estreitas faixas de terra firme. Nelas predominam uma verdejante vegetação.

Do lado esquerdo insinua-se a presença de animais domesticados.

No fundo, em ambas as margens, pequenas casa, Os elementos terra, céu, água e seres vivos estão em perfeito convívio e harmonia.

Esta é a derradeira obra da coleção assinalada pelo próprio artista. Nela, se notam duas parábolas opostas, que sustentam a composição do quadro. A primeira é formada, no plano mais próximo, a ondulação de terreno, uma cerca e o desdobramento do rio adiante.

Um poste no fundo marca o ponto alto desta curva.

A segunda se faz sentir na formação do horizonte por vegetação e casas, iniciando-se nos dois extremos do quadro para descer quase no centro, fazendo diminuir os lados da larga faixa destinada ao céu. Quanto às cores, a atenção se concentra no azul mesclado de cinza e branco, o que contrata com o verde da pastagem.

Lavadeiras nas margens do Rio Touques
Este é um dos muitos painéis interessantes sobre as lavadeiras do rio Touques.

A atenção do pintor não foi aqui atraída para a elaboração caprichosa do céu e das águas.

Estas, no caso, constam apenas em cinza e branco, quase uniformes.

O que se faz notar são as margens do rio com cenário povoado por mulheres lavadeiras. Elas ocupam uma das partes,

que vai descendo do canto direito

para o canto esquerdo da composição. As roupas coloridas concentram-se neste trecho, tanto as vestidas

como as que estão sendo lavadas; consistindo em pequenas manchas de tintas atraentes.

É notável a técnica de pincelada dividida.

Créditos: história

Louis Engène Boudin na Coleção dos barões de São Joaquim

Museu Oscar Niemeyer, Curitiba/ PR
De 28 de setembro de 2004 a 30 de janeiro de 2005

Curadoria
Suzana Paternostro

Créditos: todas as mídias
Em alguns casos, é possível que a história em destaque tenha sido criada por terceiros independentes. Portanto, ela pode não representar as visões das instituições, listadas abaixo, que forneceram o conteúdo.
Traduzir com o Google
Página inicial
Explorar
Por perto
Perfil