ARQUEOLOGIA BRASILEIRA

SAMBAQUIS
Ao longo da estreita e recortada faixa costeira do litoral centro-meridional brasileiro, nos ambientes estuarinos, ricos em peixes, moluscos e crustáceos, viveram populações pescadoras e coletoras entre 8 mil anos atrás e o início da era cristã. Seus vestígios podem ser vistos em grandes montes feitos de areia, terra e conchas - os chamados sambaquis - onde são encontrados restos alimentares, ferramentas, armas, adornos e os sepultamentos dos que ali viveram. Esses montes, com alturas variáveis, têm alta visibilidade e se destacam na paisagem litorânea. CONTINUA ---►
---► Embora existam desde o Rio Grande do Sul até a Bahia, é no estado de Santa Catarina que os sambaquis são mais numerosos. Ali, há sambaquis que alcançam até 35 metros de altura, o que demonstra que deviam ocorrer condições extremamente favoráveis ao modo de vida dos seus construtores. Embora sua cultura material de uso cotidiano seja bastante simples, no litoral meridional esses grupos produziram objetos cerimoniais em pedra e osso muito elaborados, com refinamento estético e sofisticação artística: os chamados zoólitos.

Cesto de palha

Este cesto foi revestido internamente com resina, conservada apenas em parte. Trata-se de uma peça rara, em virtude da dificuldade de preservação de materiais orgânicos em climas tropicais. Pertence à Coleção Balbino de Freitas e foi ele coletada em um sambaqui não identificado do litoral meridional brasileiro.

Zoólito em forma de peixe liso

A peça apresenta uma pequena depressão situada quase sempre na região ventral dos animais representados, que se supõe ter sido destinada ao processamento de substâncias capazes de produzir estímulos sensoriais, utilizadas em cerimônias e ritos.

Zoólito em forma de peixe

A peça apresenta uma pequena depressão situada quase sempre na região ventral dos animais representados, que se supõe ter sido destinada ao processamento de substâncias capazes de produzir estímulos sensoriais, utilizadas em cerimônias e ritos.

OUTRAS CULTURAS

Lâminas de Machado

Os machados semilunares foram produzidos por grupos horticultores na pré-história brasileira, em diferentes matérias-primas, para fins cerimoniais.

Ponta de Projétil

Pontas de projétil com pedúnculo e aletas em sílex e quartzo hialino, fabricadas e utilizadas por grupos caçadores-coletores da pré-história brasileira.

CULTURA MARAJOARA
A cultura Marajoara foi a que alcançou o maior nível de complexidade social na pré-história brasileira. Essa complexidade se expressa também na sua produção cerâmica, tecnicamente elaborada, caracterizada por uma grande diversidade de formas e decorada com esmero. As peças exibidas aqui estão relacionadas a práticas cerimoniais. Algumas foram encontradas em contextos funerários, outras provavelmente foram utilizadas em rituais de passagem.      CONTINUA ---►
---► A iconografia Marajoara – fortemente centrada na figura humana e na representação de animais da floresta tropical revestidos de significados simbólicos – compõe um intrincado sistema de comunicação visual que se vale de simetrias, elementos pareados, repetições rítmicas e oposições binárias para reafirmar, transmitir e perpetuar uma determinada visão de mundo.

Urna

Peça excepcional por suas dimensões, esta urna cerimonial apresenta a superfície totalmente recoberta por decoração plástica feita com a 272 técnica da excisão, em motivos geométricos e representações de seres híbridos que misturam características antropomorfas e zoomorfas.

Arte funerária

Com pintura em vermelho sobre fundo branco, apresenta o corpo profusamente decorado pela técnica da excisão, com variações em torno da figura humana estilizada e de motivos geométricos. Urnas funerárias elaboradas como esta, em geral contendo objetos de prestígio em seu interior, provavelmente destinaram-se a indivíduos de status social diferenciado na sociedade Marajoara.

Vaso Antropomorfo

Nesta peça de uso cerimonial aparece em relevo o tema das duas serpentes – recorrente na iconografia Marajoara talvez relacionado a algum mito – conformando uma face humana. As duas cabeças representam os olhos. Seus corpos compõem as típicas sobrancelhas em V. Um botão na junção das duas caudas configura o nariz. O bojo, banhado de branco, é decorado com formas geométricas incisas.

Vasilhame

Tigela cerimonial decorada internamente com pintura policroma, em vermelho e preto sobre fundo branco, com motivos geométricos e representações estilizadas da figura humana. A borda, sem pintura, recebeu decoração em relevo, com representações de serpentes e rostos humanos dispostos alternadamente. No verso a peça apresenta uma exuberante decoração plástica com motivos geométricos feitos com a técnica da excisão.

Estatueta oca em forma de falo

Esta peça cerimonial parece ter sido quebrada de propósito – o que era prática freqüente na sociedade Marajoara – talvez para inviabilizar sua reutilização. Com os olhos em forma de escorpião, um atributo recorrente nas figuras antropomorfas e associado a xamãs, testa alta e depilada, com o formato da cabeça sugerindo deformação craniana, a estatueta foi decorada com pintura facial e corporal em motivos geométricos vermelhos sobre fundo branco. A iconografia Marajoara, como atestam as características desta peça, indica que as mulheres ocuparam posições de status social elevado, que em outras culturas são em geral reservadas aos homens.

Tangas

Pintadas em vermelho e preto sobre fundo branco, estes tapa-sexos femininos eram modelados individualmente, acompanhando a anatomia pubiana de suas portadoras. Padrões geométricos, muitos deles correspondendo a representações estilizadas da figura humana, preenchem seus quatro campos decorativos, que em alguns exemplares são reduzidos a apenas três. Enquanto a faixa superior varia pouco, a seguinte e também a inferior apresentam maior variabilidade. O campo central, maior, não se repete nunca. Apresentam em cada uma das extremidades orifícios para amarração, muitos deles desgastados pelo uso.

Pequeno recipiente antropomorfo

Decorada com formas geométricas feitas com a técnica da excisão, esta peça, de uso cerimonial, provavelmente servia para a ingestão ou inalação de substâncias capazes de produzir fortes estímulos sensoriais, utilizadas em ritos comunais.

Peça antropomorfa em forma de falo

O corpo e a cabeça, que apresenta as típicas sobrancelhas em T, foram decorados com motivos geométricos feitos com a técnica da excisão.

CULTURA SANTARÉM
Na região do baixo rio Tapajós floresceu a chamada cultura Santarém, que se notabilizou pela produção de uma cerâmica de estilo muito peculiar, baseado no emprego das técnicas de modelagem, incisão, ponteado e aplicação. Descrita desde o século XIX por naturalistas e viajantes que percorreram a área, suas formas revelam composições elaboradas, contendo uma profusão de apêndices de animais da floresta tropical, que constituem verdadeiras esculturas concebidas de maneira naturalista.     CONTINUA ---►
---► Estatuetas antropomorfas também se destacam pelo naturalismo das representações de homens e mulheres, portando atributos que permitem identificar emblemas de prestígio e posições sociais. Na verdade, pouco se sabe sobre essa cultura, uma vez que escavações arqueológicas sistemáticas só começaram a ser desenvolvidas nos últimos anos. As peças existentes em museus provêm em grande parte de coletas e escavações realizadas sem controle no seu maior sítio arqueológico, onde hoje está assentada a cidade de Santarém, o que impede a compreensão de seus contextos. Ainda assim, elas constituem importante fonte de conhecimento sobre a complexa sociedade que as produziu, porquanto são testemunho de suas práticas sociais, formas de construção do corpo e concepções cosmológicas.

Vaso Antropomorfo

Vaso cerimonial que representa uma figura feminina sentada, com pernas inflectidas, totalmente recoberta por pintura corporal com motivos geométricos em preto e vermelho sobre fundo branco.

Estatueta antropomorfa feminina

Peça excepcional por suas dimensões, em se tratando de uma representação feminina, que em geral tem menor porte. Os membros inferiores foram hiperdimensionados, enquanto os superiores apresentam- se atrofiados. Com olhos fechados em forma de grãos de café, e boca com expressão de amuo, freqüente em outras representações antropomorfas dessa cultura, a figura porta vários atributos: tapa- sexo em forma de tanga, lóbulos perfurados, grinalda nos cabelos penteados, adorno nos braços e vestígios de pintura corporal em vermelho e preto, que permitem supor um status social diferenciado. Há orifícios circulares em diferentes pontos do corpo: narinas, ouvidos, axilas, vagina e sola dos pés. Peça restaurada, com partes ausentes.

Estatueta antropomorfa feminina

Peça excepcional por suas dimensões, em se tratando de uma representação feminina, que em geral tem menor porte. Os membros inferiores foram hiperdimensionados, enquanto os superiores apresentam- se atrofiados. Com olhos fechados em forma de grãos de café, e boca com expressão de amuo, freqüente em outras representações antropomorfas dessa cultura, a figura porta vários atributos: tapa- sexo em forma de tanga, lóbulos perfurados, grinalda nos cabelos penteados, adorno nos braços e vestígios de pintura corporal em vermelho e preto, que permitem supor um status social diferenciado. Há orifícios circulares em diferentes pontos do corpo: narinas, ouvidos, axilas, vagina e sola dos pés. Peça restaurada, com partes ausentes.

Vaso Antropomorfo representando um homem sentado

A postura corporal, os lóbulos perfurados e outros ornamentos sugerem que este indivíduo que apresenta os membros atrofiados, especialmente os inferiores, tenha tido uma posição social diferenciada. Peça restaurada, com falo fraturado e ausente.

Cabeça de estatueta antropomorfa feminina

Com olhos fechados em forma de grãos de café, típicos da cultura Santarém, esta cabeça, que foi destacada do seu corpo, apresenta vários atributos: além de adornos auriculares, seu cabelo foi cuidadosamente penteado e ela porta um elaborado toucado constituído por um cobre-nuca e uma grinalda ornada com três cabeças de morcego de cada lado. Apresenta orifícios circulares nas narinas e nos ouvidos.

VASO

Vaso cerimonial decorado com incisões geométricas e relevos, com figuras antropomorfas e zoomorfas dispostas alternadamente.

Muiraquitã

Pedra verde
Óbidos, Pará.

Os muiraquitãs – comuns em forma de rãs e, mais raramente, de aves, peixes e outros animais – eram fabricados quase sempre em pedras verdes, como jadeítas, nefritas e amazonitas. Utilizados como pendentes, aparecem também adornando toucados femininos em estatuetas cerâmicas de Santarém. Envoltos em lendas, os muiraquitãs são desde longa data considerados poderosos amuletos contra toda sorte de malefícios. Ao que tudo indica, Santarém foi o seu centro de produção, embora haja uma dispersão considerável de peças desse tipo, talvez em conseqüência de extensas redes de trocas e de difusão ideológica. Essas redes alcançaram a região caribenha onde são encontrados artefatos produzidos em Santarém.

CULTURA MARACÁ
No interior de grutas e abrigos-sob-rocha da região do rio Maracá foram encontrados vários cemitérios que guardam numerosas urnas funerárias em locais bem visíveis. Causando impacto e inspirando respeito em quem adentra esses espaços destinados aos mortos, as urnas atestam o vigoroso culto aos ancestrais praticado por essa cultura. Elas reproduzem figuras humanas masculinas e femininas em posição hierática – sentadas sobre bancos com forma de animais quadrúpedes – demonstrando tratarem-se de sepultamentos de indivíduos de status elevado. A cabeça, em forma de cone truncado, corresponde à tampa da urna, fixada ao corpo cilíndrico por meio de orifícios de amarração. Uma de suas mais notáveis características é a posição extrovertida e antinatural dos cotovelos. Pinturas faciais e corporais em padrões geométricos nas cores branco, amarelo, vermelho e preto, bem como adornos na cabeça e nos membros, expressavam a identidade social do morto.

Urna funerária antropomorfa
A peça aqui apresentada é uma das menores já encontradas. Embora as dimensões de tais urnas sejam variáveis, oscilando entre 20 e 85 cm de altura, esta fica muito aquém do porte médio.

Credits: Story

DIRETORA
Claudia Rodrigues Ferreira de Carvalho


VICE DIRETOR
Renato Rodriguez Cabral Ramos


DIRETORES ADJUNTOS
Wagner William Martins
Lygia Dolores Ribeiro de Santiago Fernandes
Luiz Fernando Duarte


EQUIPE DE CRIAÇÃO / EXECUÇÃO
Antonio Ricardo Pereira de Andrade
Valéria Maria Fonseca de Lima
Marci Fileti Martins
Lydia Maria Gomes da Silva
Lorrana Gonçalves de Alcântara
Déborah Rezende Gouvêa
Christina Aparecida de Lélis

FOTOGRAFIA
Rômulo Fialdini
Valentino Fialdini

Credits: All media
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