A herbologia é o estudo das plantas e o conhecimento sobre elas. Geralmente, os botânicos coletam e identificam espécies diferentes de plantas para fazer poções e remédios. As compilações deles são conhecidas como "herbários". Alguns dos herbários mais importantes atualmente estão em posse da Biblioteca Britânica, em Londres, incluindo o Curious Herbal de Elizabeth Blackwell (feito como um ato de devoção) e o extraordinário Temple of Flora.

Visitors in the Herbology room, Da coleção de: The British Library
"Três vezes por semana iam para as estufas de plantas atrás do castelo para estudar herbologia, com uma bruxa baixa e gorda chamada Profa. Sprout, com quem aprendiam como cuidar de todas as plantas e fungos estranhos e descobriam para que eram usados.
Harry Potter e a Pedra Filosofal
Culpeper’s English Physician; and Complete Herbal, 1789, Fonte original: 1601/42

Herbário de Culpeper
Nicholas Culpeper foi um "hedge-witch" (um praticante solitário do herbalismo), um boticário não licenciado que não era querido entre os profissionais de medicina. Aparentemente, em 1642, ele chegou a ser julgado, mas absolvido, por praticar bruxaria. Originalmente publicada como The English Physitian, a obra "Culpeper’s Herbal" apresenta uma lista abrangente de ervas nativas medicinais, prescrevendo as formas mais eficazes de tratamento e quando usá-las.

Culpeper’s English Physician; and Complete Herbal, 1789, Fonte original: 1601/42

J.K. Rowling utilizou o compilado herbário de Nicholas Culpeper quando estava buscando inspiração para nomear as ervas e poções.

Herbal of Pietro Andrea Mattioli, extracts from an edition of Dioscorides De re medicaassembled and illustrated by Gherardo Cibo, 16th century, Fonte original: Add MS 22332

O coletor de plantas
Gherardo Cibo foi um naturalista italiano, que fez este diário visual para registrar as excursões de coleta de plantas. Diferentemente de outros botânicos, que contratavam artistas, ele fez as próprias ilustrações. Mais importante ainda: Cibo também anotou o local, o dia e a hora em que as ervas foram coletadas.

Herbal of Pietro Andrea Mattioli, extracts from an edition of Dioscorides De re medicaassembled and illustrated by Gherardo Cibo, 16th century, Fonte original: Add MS 22332

Esta página mostra dois homens (um deles talvez seja o próprio Cibo) coletando espécimes em uma encosta italiana, equipados com uma enxada (ou podadeira), uma foice e um saco.

Herbal of Pietro Andrea Mattioli, extracts from an edition of Dioscorides De re medicaassembled and illustrated by Gherardo Cibo, 16th century, Fonte original: Add MS 22332
Magical gardening implements made from horn and bone, Fonte original: The Museum of Witchcraft and Magic, Boscastle

Ferramentas de jardinagem mágicas
Esses instrumentos de jardinagem, feitos de ossos e galhadas, eram usados especificamente para a semeadura e a colheita. Várias plantas são colhidas não só pelas qualidades medicinais, mas também pelos poderes supostamente sobrenaturais. Por isso, os rituais usados para coletá-las são extremamente importantes.

Magical gardening implements made from horn and bone, Fonte original: The Museum of Witchcraft and Magic, Boscastle

Acredita-se que ferramentas feitas de galhadas conectam a Terra com o mundo espiritual superior. Como as galhadas são perdidas e crescem novamente todos os anos, elas simbolizam a mágica da regeneração e renovação.

John Evelyn, Hortus Hyemalis or collection of plant specimens, 1645, Fonte original: Add MS 78334

John Evelyn é mais famoso atualmente como um diarista, mas também atuou como um botânico amador. Ele passou a maior parte da vida escrevendo uma história enciclopédica de jardinagem que nunca foi publicada. Em 1645, ele fez este álbum de amostras de plantas secas retiradas do jardim botânico de Pádua, o mais antigo da Europa.

Installing a herbal in the Herbology room, Da coleção de: The British Library

"Harry sentiu um cheiro de terra molhada e fertilizante mesclados ao perfume pesado de umas flores enormes do tamanho de sombrinhas, que pendiam do teto."
Harry Potter e a Câmara Secreta

Du cao (Poisonous plants), 19th century, Fonte original: Or 13347B

Língua-do-diabo
A medicina herbácea, na China, originou-se tradicionalmente com o imperador mítico Shen Nong (o "Divino Agricultor"). Este manuscrito ilustrado descreve plantas venenosas e medicinais.

Du cao (Poisonous plants), 19th century, Fonte original: Or 13347B

Esta é a língua-do-diabo, também conhecida como konjac, voodoo lily ou inhame elefante. Atualmente, a língua-do-diabo é usada para fazer suplementos para perda de peso e produtos de massagem facial. Ela faz parte do mesmo gênero da flor-cadáver, a planta com o pior cheiro do mundo que tem um odor semelhante ao de carne apodrecendo.

A dragon and a serpent, in a herbal, 15th century, Fonte original: Sloane MS 4016
Curas para picada de cobra
Centaury in a herbal, 12th century, Fonte original: Harley MS 5294

Picada de cobra
Um dos remédios para picada de cobra é a planta conhecida como "centáurea". De acordo com este herbário medieval, as plantas centáurea-maior e centáurea-menor receberam esses nomes em homenagem a Quíron, o maior de todos os centauros, reconhecido como um médico e astrólogo.

Da coleção de: The British Library

Neste desenho, Quíron é mostrado entregando essas plantas a Esculápio, o deus da medicina e da cura. Uma cobra se afasta dos pés deles.

Installing a medieval herbal in the Herbology room, Da coleção de: The British Library
A dragon and a serpent, in a herbal, 15th century, Fonte original: Sloane MS 4016

Raiz-de-cobra
Este herbário decorado de forma magnífica foi feito em Lombardia, no norte da Itália, por volta do ano 1440. Cada página contém desenhos realísticos de várias plantas e pequenas anotações explicando os nomes delas. Aqui podemos ver a raiz-de-cobra, conhecida também pelos nomes dragontea, serpentária e viperina, todos referentes à sua capacidade de curar picadas de cobra.

Study of mandrakes by Jim Kay, for The Philosopher’s Stone, Da coleção de: The British Library
"Em vez de raízes, um bebezinho extremamente feio saiu da terra. As folhas cresciam diretamente da cabeça."
Mandrágoras em Harry Potter e a Câmara Secreta
Da coleção de: The British Library

Colheita de mandrágoras
De acordo com o conhecimento medieval, as mandrágoras podiam curar dores de cabeça, dores de ouvido e demência, mas as raízes cresciam em uma forma humana e emitiam um som agudo ao serem arrancadas.

Da coleção de: The British Library

Este manuscrito do século XV mostra a forma mais segura de colher essa planta: prendendo a ponta de uma corda à planta e a outra a um cachorro. A ideia era induzir o cachorro a ir para a frente com o som de uma buzina ou com um pedaço de carne, arrastando, assim, a mandrágora com ele. As mãos cortadas na raiz da mandrágora denotam o uso como um anestésico durante amputações.

Da coleção de: The British Library

The dog would be encouraged to move forward by sounding a horn or by enticing it with meat, dragging the mandrake with it.

Da coleção de: The British Library

The severed hands on the mandrake’s stems denote its use as an anaesthetic during amputations.

Kitāb mawādd al-‘ilāj (Arabic version of Dioscorides, Materia medica), 14th century, Fonte original: Or 3366

As mandrágoras macho e fêmea
Este manuscrito com iluminuras contém uma tradução em árabe dos escritos de Pedânio Dioscórides, um médico do exército romano. Dioscórides foi um dos primeiros a fazer a distinção entre as mandrágoras macho e fêmea. Infelizmente para os românticos entre nós, a ciência moderna agora dita que essa identificação está incorreta. Há mais de uma espécie de mandrágora nativa do Mediterrâneo, e não dois sexos diferentes da mesma planta.

Study of mandrakes by Jim Kay, for The Philosopher’s Stone, Da coleção de: The British Library

Estudos de Jim Kay sobre mandrágoras
Este esboço preliminar de Jim Kay mostra uma mandrágora bebê ao lado de uma adulta. Este desenho parece ter como inspiração a vida real: anteriormente, Jim Kay foi curador dos Reais Jardins Botânicos de Kew.

Study of mandrakes by Jim Kay, for The Philosopher’s Stone, Da coleção de: The British Library

As raízes da planta formam perfeitamente o corpo da mandrágora adulta, com folhas crescendo de sua cabeça.

Study of mandrakes by Jim Kay, for The Philosopher’s Stone, Da coleção de: The British Library

Na visão de Kay, a raiz forma a coluna da mandrágora bebê.

The Herball or Generall Historie of Plantes. Gathered by John Gerarde of London, Master in Chirurgerie, 1597, Fonte original: 35.g.13
Herbários famosos
The Herball or Generall Historie of Plantes. Gathered by John Gerarde of London, Master in Chirurgerie, 1597, Fonte original: 35.g.13

Herbário de Gerard
John Gerard foi um herbolário inglês, cujo trabalho mais famoso chama-se The Herball or Generall Historie of Plantes. Gerard manteve um jardim em Holborn, Londres, e cultivou todos os tipos de plantas, incluindo espécimes exóticos, como a batata. O herbário dele contém mais de 1.800 ilustrações em xilogravura; a maioria delas foi retirada (sem fazer referência) de um livro impresso pouco tempo antes na Alemanha.

Basilius Besler, Hortus Eystettensis, 1613–15, Fonte original: 10.Tab.29.

O Jardim de Eichstätt
Este livro é um marco na ilustração botânica. Na época (1613), ele foi o maior e mais detalhado texto sobre plantas já feito. Ele cataloga as plantas que cresciam no jardim do palácio do príncipe-bispo de Eichstätt, na Baviera, Alemanha, e contém 367 gravuras coloridas à mão, incluindo do Helleborus niger (heléboro-negro), mostrada aqui.

Basilius Besler, Hortus Eystettensis, 1613–15, Fonte original: 10.Tab.29.

"'Acrescente a pedra da lua moída, mexa três vezes no sentido anti-horário, deixe cozinhar durante sete minutos, depois, junte duas gotas de xarope de heléboro.'"
Harry Potter em Harry Potter e a Ordem da Fênix

Elizabeth Blackwell, A Curious Herbal, 1737–39, Fonte original: 452.f.2.

A Curious Herba
Há uma história incrível por trás do A Curious Herbal. Elizabeth Blackwell fez as ilustrações e gravuras desse livro e o coloriu à mão para angariar fundos para que o marido, Alexander, fosse solto de uma prisão de devedores. Alexander Blackwell a ajudou, identificando as plantas que ela havia desenhado no Chelsea Physic Garden, em Londres, até que ela conseguiu o perdão da dívida. Depois de solto, ele recompensou a bondade da esposa indo embora para a Suécia, servindo o rei Frederico I e sendo executado por envolvimento em uma conspiração política.

Elizabeth Blackwell, A Curious Herbal, 1737–39, Fonte original: 452.f.2.

Esta cópia comovente de A Curious Herbal tem anotações feitas à mão por Elizabeth Blackwell.

Robert John Thornton, The Temple of Flora, 1799–1807, Fonte original: 10.Tab.40.

The Temple of Flora
Este livro elaborado quase levou o autor, Robert John Thornton, à falência. Originalmente, ele foi chamado de The New Illustration of the Sexual System of Linnaeus, mas ficou mais conhecido como The Temple of Flora. Thornton contratou equipes de mestres em criação de gravuras e coloristas para reproduzir 28 pinturas de plantas do mundo todo. A Dracunculus vulgaris, por vezes chamada de serpentina, reproduz o cheiro de carne em putrefação para atrair moscas para realizar a polinização.

Créditos: história
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