12 de fev de 2016

Seção de Arte: Formação do acervo 

Centro Cultural São Paulo

Coleção de Arte da Cidade

1930 a 1942
As primeiras obras que passam a constituir o acervo da coleção foram adquiridas no final da década de 1930 na gestão de Rubens Borba de Moraes, então diretor da Biblioteca Municipal. O primeiro lote adquirido compõe-se de documentos artísticos de valor histórico. Segundo Borba, a primeira aquisição remonta à dificuldade econômica por que passava a Pinacoteca de Munique, Alemanha, vendendo parte de seu acervo, especialmente obras de Rugendas, que vieram parar no Brasil. Nessas circunstancias a Biblioteca Municipal adquire 35 desenhos de Rugendas.

Um dos mais afamados entre os artistas viajantes do século XIX, Johann Moritz Rugendas veio para o Brasil em 1821, como desenhista-documentarista da expedição Langsdorff, patrocinada pelo czar da Rússia.

Em 1824, Rugendas abandona a exposição, mas continua a registrar tipos, costumes, paisagens, fauna e flora brasileiras.

Na Europa publicou Voyage pittoresque dans Brésil, ilustrada com gravuras e aquarelas feitas a partir de desenhos realizados nessa viagem. Na Coleção há 48 obras adquiridas no final da década de 1930.

A obra de Frans Post é a obra mais antiga do acervo da Coleção de Arte da Cidade. Datada de 1640.

Especialista em naturezas mortas, aos onze anos trabalhava como pintor na decoração da Catedral de Campinas. Foi aluno de Almeida Jr, estudou na Academia de Belas Artes e foi bolsista na França.

Aos nove anos o artista integrava como desenhista a expedição do naturalista Jean Brunet ao Nordeste. Estudou no Rio de Janeiro e foi bolsista em Paris. Lecionou na Academia Imperial de Belas Artes.

Provavelmente realizado na Itália, este pequeno esboço pertencente à Coleção ensaia traços de alguns cavalos e a fisionomia de um príncipe em uniforme militar prussiano.

O artista dedicou-se exclusivamente à pintura, interpretando principalmente a natureza brasileira com poesia e sensibilidade. Morro do Jaraguá destaca um dos importantes marcos naturais de São Paulo.

Depois de residir na Índia, na Itália e no Chile, a escritora inglesa Maria Graham permaneceu no Brasil entre 1822 e 1823, quando foi convidada a ser preceptora da princesa Maria da Glória.

Exímia desenhista e aquarelista, fez inúmeras paisagens e apontamentos sobre suas andanças pelo Brasil.

Almeida Jr foi aluno de Vitor Meirelles e estudou como bolsista em Paris. Destacou-se com pinturas de temáticas paulistas, em que sobressaem as cores e a luminosidade regionais.

Esta pintura representa a agonia do bandeirante paulista em uma paisagem da mata. Integra o conjunto de pinturas históricas do artista, especificamente da história de São Paulo.

Foi aluno de Vitor Meirelles, que ajudou a impulsionar sua carreira como pintor histórico. Fundou sua própria escola. Foi um dos pintores mais populares da Primeira República.

A tela representa a fundação da cidade de São Paulo, onde a religião mostra-se como o elemento unificador.
Detalhe do padre na missa que inaugura a cidade.

A representação mostra o Índio e o branco unidos pela religiosidade.

1943 a 1959
Em 1945, Sergio Milliet, juntamente com Maria Eugenia Franco, inaugura oficialmente a Seção de Arte da Biblioteca Municipal, primeira coleção pública de arte moderna brasileira, dando início a um projeto de colecionismo de arte moderna no país, formando uma coleção de desenhos, gravuras e pinturas, fundamental para o estudo e compreensão da história das artes visuais no Brasil. Além de obras de artistas brasileiros, entre os estrangeiros ligados a correntes modernistas foram adquiridas obras de Miró, Léger, Matisse entre outros.

Desenho preparatório para a pintura La Tasse, em que a construção do nu remete a formas circulares sujeitas a linhas verticais e horizontais, à maneira de Léger.

A Coleção abriga a série de ilustrações originais de Tarsila do Amaral para os poemas de "Pau-Brasil" (1925) de Oswald de Andrade.

Tarsila trouxe influências dos ateliês que havia frequentado em Paris, mas soube amalgamar suas raízes brasileiras às teorias formais de Gleizes, Lhote e Léger, que marcaram sua fase Pau-Brasil

À fase Pau-Brasil seguiu-se a fase da Antropofagia, mais livre nas formas e mais adensada pelo imaginário nativo.

Escritor, crítico de arte e literatura, Sérgio Milliet participou da Semana de 22. Foi diretor da Biblioteca Municipal, criando a Seção de Arte que deu origem a esta Coleção. Retrato executado por Tarsila.

Milliet foi diretor do Museu de Arte Moderna e ajudou a criar a Bienal de São Paulo, da qual foi curador. Foi peça fundamental para o desenvolvimento e para a divulgação da arte moderna no Brasil.

Pode-se considerar a Seção de Arte fundada por Miliet como um dos primeiros núcleos de arte moderna do Brasil.

Escultor e pintor da Família Artística Paulista, sofreu o impacto da Exposição de Arte Francesa, passando a experimentar as lições cézannianas. Neste gesso sobressaem as marcas do processo de modelagem

A artista ateve-se a temas populares e à pintura chapada. Esta obra exibe diversas cenas concomitantes, confirmando o gosto narrativo: as figuras são esquematizadas, os traços contínuos e arredondados

"Poesia determinada coletivamente" assim Paul Eluard definia o jogo Cadavre Exquis. Aqui três críticos e escritores se exercitaram na brincadeira.

Bandeira foi um dos precursores da pintura abstrata brasileira. Nesta aquarela do acervo, distribui luminosidade e transparência nas pequenas manchas interligadas pelo desenho sutil a nanquim.

Em 1946 participou da exposição Quatro Novíssimos, núcleo inicial do Grupo dos 19 Pintores. Estudou em Roma e Viena. Como gravador percebe-se grande carga simbólica que revela a admiração por Doré e Goeld

Grassmann desenvolveu uma trajetória ímpar em seus desenhos e gravuras sombrias, com uma técnica apuradíssima e uma temática mítica, que se aproxima da tradição do cordel e do imaginário medieval.

Aldemir dedicou-se a temas do Nordeste brasileiro: cangaceiros, rendeiras, retirantes. Após esse momento, acrescenta novos temas: gatos, galos, flores... Com o tempo, as formas tornam-se mais limpas.

Na década de 1950, Marina Caram foi para Paris e realizou diversas litografias, trabalhando sempre com uma figuração de características expressionistas, com acumulação de registros gráficos e deformações prismáticas.

1961 a 1981
Em 1961 é oficializada a criação da Pinacoteca Municipal, que assimila a Seção de Arte e demais obras que se encontravam dispersas por várias instituições municipais. A ampliação da Seção de Arte para Biblioteca de Arte acontece em 1975, quando Maria Eugenia Franco cria o IDART (Departamento de Informação e Documentação Artística), outro momento relevante da Coleção. Na ocasião, são adquiridas obras de Lygia Pape, Antonio Manuel entre outros.

A coleção municipal possui dois Flans de jornal, com alto e baixo-relevos, produzidos por Antônio Manuel nas oficinas do jornal O Dia, do Rio de Janeiro.

A coleção conta também com um conjunto de jornais da década de 1970, com intervenções que, segundo o artista, "nasceram de uma paixão pelo veículo" por captar a realidade imediata.

Aldo Bonadei foi integrante do Grupo Santa Helena e um dos primeiros artistas do país a realizar obras abstratas. Fez naturezas-mortas, paisagens, figuras e composições híbridas.

Nas pinturas, especialmente nas paisagens, passou a investigar a composição a partir de Cézanne, no modulado das formas, na distribuição das cores e linhas que criam volumes e profundidade.

O artista questiona os meios, o processo, a produção, o mercado, a autoria da obra, a crítica, a instituição e tudo o que envolve o contexto em que esta se realiza.

Clóvis Graciano participou do Grupo Santa Helena e da Família Artística Paulista. Desde então, seu trabalho é marcado pela presença da figura humana e pelos temas sociais.

Este trabalho pertence a uma série feita por Antônio Dias em 1970, a qual foi fundamental para o desenvolvimento de sua poética.

1982 a atualidade
Com a sua criação em 1982, o Centro Cultural São Paulo passa a assumir a coleção da Pinacoteca Municipal. A partir de 2008, com a reorganização do CCSP a Pinacoteca passa a denominar-se Coleção de Arte da Cidade.

José Spaniol começou a trabalhar em São Paulo, na década de 1980.Foi para sua primeira exposição na galeria de Paulo Figueiredo, em 1990, que o artista preparou esta obra.

Nessa monotipia, ao invés de lápis, pincel ou caneta, Stela Barbieri usa um pano embebido em tinta vermelha, trazendo à obra sua marca de constante busca por materiais e procedimentos diversos.

A obra fica exposta no Centro Cultural São Paulo na rampa de acesso ao Metrô.

Depois de participar do grupo Casa 7 (1985), Carvalhosa pintou esta obra para uma exposição na galeria Paulo Figueiredo, em 1989. O aspecto material da pintura abria caminho para uma nova fase do artista.

Integrante do Grupo Casa 7, no início de 1980, Paulo Monteiro fez sua primeira exposição individual em 1987 e, em 1994, participou da XXII Bienal Internacional de São Paulo.

Em Anamorfas, Regina Silveira subverte os sistemas de perspectiva e reinventa esses códigos, a fim de retirar deles novas possibilidades de significação e questionamentos sobre a percepção e a representação visual.

Anatol Wladyslaw foi um dos percursores da arte abstrata no Brasil. Em 1952, fez parte do grupo Ruptura, juntamente com Luis Sacilotto e Waldemar Cordeiro. O acervo municipal possui na coleção 112 obras do artista.

Em 1957, o artista abandona a arte geométrica, voltando-se para a abstração informal. Nos anos seguintes, o seu trabalho caminha para uma volta à figuração em que predominam os elementos simbólicos.

Na obra o artista se utiliza de uma imagem digital do Centro Cultural São Paulo para fazer suas intervenções.

Hudinilson começou a expor a partir de 1976 e, desde então, realizou trabalhos com os mais diferentes suportes. Foi um dos pioneiros da xerografia, fundador do grupo 3NÓS3 e ativo participante da arte postal.

Créditos: história

Exposição - Seção de Arte: Formação do Acervo

Curadoria: Divisão de Acervo, Documentação e Conservação e Curadoria de Artes Visuais
Texto: Marcio Harum, Maria Adelaide Nascimento Pontes, textos do livro Coleção de Arte da Cidade: Banco Safra: 2005 de Maria Camila Duprat, Stella Teixeira de Barros
Fotografias: João Mussolin, Sossô Parma, Rômulo Fialdini
Exposição Google Cultural Institute: Camila Romano, Eduardo Niero, Talita Malacrida, Luciana Nicolau

Prefeitura de São Paulo Fernando Haddad
Secretaria de Cultura Nabil Bonduki

Centro Cultural São Paulo | Direção Geral Pena Schmidt | Divisão Administrativa Diogo Lima Oliveira e equipe | Divisão de Curadoria e Programação Luciana Schwinden e equipe | Divisão de Acervo, Documentação e Conservação Eduardo Navarro Niero Filho e equipe | Divisão de Bibliotecas Juliana Lazarim e equipe | Divisão de Produção e Apoio a Eventos Luciana Mantovani e equipe | Divisão de Informação e Comunicação Marcio Yonamine e equipe | Divisão de Ação Cultural e Educativa Alexandre Araujo Bispo e equipe | Coordenação Técnica de Projetos Priscilla Maranhão e equipe

Créditos: todas as mídias
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