20 Anos do Grupo de Estudos de Curadoria

TADEU CHIARELLI

Esta exposição, concebida dentro do espaço de mostras dedicadas ao Grupo de Estudos de Curadoria do MAM-SP, possui um componente experimental ou laboratorial que caracteriza as atividades práticas do Grupo.

Desde o início, o que norteou a concepção da mostra não foi propriamente um conceito estabelecido do que seria o desenho ou a arte sobre papel no contexto da produção contemporânea brasileira. Deixei que a coleção existente no Museu e que as visitas às exposições e aos ateliês dos artistas cujas produções me interessavam fossem ditando o conceito visual da mostra.

Aos poucos, essas visitas e observações foram configurando o que poderia vir a ser a disposição geral das obras no espaço da Sala Paulo Figueiredo, de ótimas dimensões, porém sem o caráter ortogonal das salas de exposições “ideais” para qualquer curadoria. Logo de início, percebi que as obras escolhidas podiam ser divididas em dois tipos principais: as que se configuravam de maneira muito próxima à escrita (cuja leitura forçosamente se dava da esquerda para a direita, como as de Marcelo Solá, Shirley Paes Leme, Roberto Bethônico, Paulo Climachauska e Paulo Whitaker), e aquelas em que predominava a possibilidade de uma visualização mais totalizadora por parte do espectador.

Sendo assim, ao lado de Ricardo Resende,2 abri um bloco de desenho mais ou menos no centro da sala, dispondo quatro grandes painéis em paralelo e um atrás do outro, cuidando para que o observador, já na entrada da sala, pudesse ter uma visão de pelo menos uma obra de cada artista selecionado para ocupar aquelas faces dos painéis respectivamente, de Edith Derdyk, Claudio Cretti, Paulo Portella e Ester Grinspum. Tanto a ocupação dessas faces dos painéis como das faces posteriores (nos quais estavam as obras de Flávia Ribeiro, Marco Túlio Resende, Alexandre Nóbrega e César Brandão), assim como os painéis do fundo (nos quais foram instaladas obras de Shirley Paes Leme, Carlos Uchôa e Maria Tereza Louro) e a parede a direita da entrada da sala (ocupada por obras de Paulo Monteiro e Célia Euvaldo) teve o intuito de repetir, de alguma maneira, a disposição que esses artistas costumam encontrar para colocar as formas que criam em relação ao suporte do papel.

Vai daí que as obras, nessa parte da mostra, tenderam a não serem centralizadas nos painéis; muitas vezes, uma ou mais obras de determinados artistas foram sacrificadas com o intuito de garantir um espaço de respiro maior para a obra escolhida. Já as obras dos artistas que, de alguma maneira, reinterpretam em chave extremamente criativa a tradição da escrita ocidental (Marcelo Solá, Shirley Paes Leme, Roberto Bethônico e, de maneira mais alargada, Paulo Climachauska e Paulo Whitaker), foram dispostos na parede a esquerda de quem entra, seguindo pela parede do fundo. A disposição das obras obedeceu a tradição da leitura ocidental: as obras foram colocadas lado a lado, da esquerda para a direita.

Como desejava dar à sala um tom mais quente, fugindo do caráter glacial do branco ou do cinza (minha intenção era recuperar na montagem o caráter intimista que percebo nas obras sobre papel), após discutir com Ricardo Resende chegamos a um tom muito sutil de vermelho, que apenas esquentava o ambiente, tornando-o menos impessoal.

Para garantir esse caráter ensimesmado, voltado para si próprio, apesar da força pouco tímida de algumas obras expostas, optei ainda por apagar as luzes da sanca que circunda a sala, deixando apenas uma iluminação de caráter mais pontual.

Creio que a montagem foi ao encontro de uma visão muito pessoal do que pode ser a arte brasileira sobre papel hoje em dia, embora nunca se tenha perdido de vista que, em uma mostra, o que deve sempre prevalecer é a integridade de cada obra em particular? Independente dos conceitos, preferências ou idiossincrasias do responsável pela mesma. Se esta mostra chegar a itinerar por outros espaços, será fundamental não perder de vista esses elementos básicos de montagem, embora eles só tenham se tornado viáveis devido a configuração da Sala Paulo Figueiredo.

Como se pode observar por estes comentários sobre a montagem, a exposição possibilita interpretações muito diferentes das que emiti aqui. Tomei o cuidado de agregar, sempre que possível, as novas doações feitas ao acervo. Afinal, se fui curador desta mostra, sou curador de todo o acervo do Museu, e minha obrigação é contextualizar as obras que ingressam na coleção, criando um sentido para as mesmas dentro do universo que elas passam a habitar assim que aqui chegam.

Créditos: história

MAM-SP Sala Paulo Figueiredo

21 de janeiro a 07 de março de 1999

ltaugaleria Penápolis (parte da exposição):
11 de junho a 8 de agosto de 1999
310 Fest de Inverno de Ouro Preto (parte da exposição):
11 a 24 de julho de 1999
Itaugaleria Brasília (parte da exposição):
25 de agosto a 1 de outubro de 1999
Centro Cultural de Belo Horizonte (parte da exposição):
30 de setembro a 24 de outubro 1999

OBRAS EXPOSTAS

Alexandre Nóbrega
(Recife, PE, 1961)
Sem título, 1998
Acrílica, bastão de cera e PVA sobre papel,
56,5 x 75,6 cm
Doação artista

Sem título, 1998
Acrílica, carvão vegetal e PVA sobre papel, 56,9 x 76,2 cm
Doação artista

Carlos Uchôa
(São Paulo, SP, 1961)
Sem título (da série Topologias), 1998
Carvão litográfico, sobre papel, 35,4 x 42,9 cm
Doação artista

Sem título (da série Topologias), 1998
Carvão litográfico, sobre papel, 35,9 x 43 cm
Doação artista

Sem título (da série Topologias), 1998
Carvão litográfico, sobre papel, 35,9 x 42,9 cm
Doação artista

Célia Euvaldo
(São Paulo, SP, 1955)
Sem título, 1990
Acrílica sobre papel, 67,5 x 51 cm
Doação Paulo Figueiredo

Sem título, 1990
Acrílica sobre papel, 69,4 x 51 cm
Doação Paulo Figueiredo

César Brandão
(Santos Dumont, MG, 1 9 56)
XYLONKHALKOSSERIGRAPHEINKOLlAGEM I (da série Salamandra), 1990
Colagem: xilogravura, papel colado, serigrafia, monotipia, grafite, folha de ouro, cobre, chumbo, palha de aço, algodão, barbante, aquarela, lápis, acrílica e PVA sobre papel, 30,9 x 42,7 cm
Doação artista

Sem título (da série Justaposições), 1997
Colagem: grafite, pastel, ponta-seca, alumínio e folha de ouro sobre papel, 19 x 28,5 cm
Doação artista

Ao inverso de Morandi, 1997
Colagem: acrílica, nanquim, purpurina, grafite (lápis), estanho, cobre, pedras, folha de ouro e folha de cobre sobre papel, 21, 5 x 32,8 cm
Doação artista

Claudio Cretti (Belém, PA, 1964)
Sem título, 1995
Bastão de óleo sobre papel, 78,6 x 107,4 cm
Doação artista

Edith Derdyk
(São Paulo, SP, 1955)
Sem título, 1997
Linha e cola vinílica sobre papel-arroz, 121,5 x 49 cm
Doação artista

Sem título, 1997
Linha e cola vinilica sobre papel japonês, 121 x 95,5 cm
Doação artista

Ester Grinspum
(Recife, PE, 1955)
Sem título, 1991
Óleo sobre papel tingido colado sobre papel tingido, 90x60cm
Doação Paulo Figueiredo

Sem título, 1991
Óleo sobre papel tingido colado sobre papel tingido, 89,8 x 59,7 cm
Doação Paulo Figueiredo
(São Paulo, SP, 1954)

Flávia Ribeiro
Sem título (da série Corpos Associados), 1995/97
Nanquim e pigmento ouro sobre papel de seda, 75 x 175 cm
Doação artista

Marcelo Solá
(Goiânia, GO, 1 971)
Sem título, 1997
Lápis conté e grafite sobre papel, 29 x 41,5 cm
Doação artista

Sem Título, 1997
Lápis conté e grafite sobre papel, 29,3 x 41,9 cm
Doação artista

Sem título, 1997
Lápis conté sobre papel, 29,3 x 41 ,9 cm
Doação artista

Marco Túlio Resende
(Belo Horizonte, MG, 1950)
Sem título, 1997
Base vinílica e guache sobre papelão, 80,2 x 100,7 cm
Doação artista

Sem título, 1997
Base vinílica e guache sobre papelão, 80,4 x 101 cm
Doação artista

Maria Tereza Louro
(São Paulo, SP, 1963)
N 4º (da série Ainda, formas de amor), 1996
Têmpera de óleo sobre 180 x 200 cm

Paulo Climachauska
(São Paulo, SP, 1962)
Sem tíltulo, 1998
Lápis de cor preto sobre acrílica branco sobre papel colado, acrílica, lápis de cor preto e nanquim (caneta), 96 x 66 cm
Doação artista

Sem título, 1998
óleo sobre papel colado, óleo, nanquim (caneta) e acrílica sobre papel, 96,2 x 65,8 cm
Doação artista

Sem título, 1998
Lápis de cor branca e acrílica sobre papel colado; óleo, acrílica e lápis de cor preto sobre papel, 96x66cm
Doação artista

Paulo Monteiro (São Paulo, SP, 1961)
Sem Título, 1992
Grafite sobre papel, 96 x 66,4 cm
Doação Paulo Figueiredo

Sem título, 1992
Grafite sobre papel, 93 x 65,5 cm
Doação Paulo Figueiredo

Paulo Portella Filho
(São Paulo, SP, 1950)
Sem ti1ulo, 1990/93
Lápis de Cor e grafite sobre papel, 70,9 x 99,8 cm
Doação artista

Sem título, 1994
Grafite e crayon sobre papel, 70,5 x 100 cm
Doação artista

Paulo Whitaker
(São Paulo, SP, 1958)
Sem título, 1996
Carvão, acrílica, tinta spray, aquarela e grafite sobre papel, 65,7 x 96 cm
Doação artista

Sem título, 1998
Grafite, pastel seco e caneta esferográfica sobre papel colado, carvão, acrílica, grafite, tinta spray e esmalte sobre papel, 65,9 x 96 cm

Doação artista
Sem título, 1998
Grafite e tinta spray sobre papel colado, óleo, acrílica, tinta spray, pastel seco e caneta esferográfica sobre papel, 65,8 x 96 cm
Doação artista

Roberto Bethônico
(ltabira, MG, 1 964)
Sem título, 1997
Ponta-seca e pó de ferro sobre papel, 56,5 x 76,7 cm
Doação artista

Sem título, 1997
Ponta-seca e pó de ferro sobre papel, 56,5 x 77 cm
Doação artista

Sem título, 1997
Ponta-seca e pó de ferro sobre papel, 56,3 x 77 cm
Doação artista

Shirley Paes Leme
(Cachoeira Dourada, GO, 1 956)
Sem título, 1978
Papel gravado com metal incandescente, 50,2 x 70,4 cm
Doação artista

Sem título, 1978
Papel gravado com metal incandescente, 50 x 70,3
Doação artista

Sem título, 1978
Vestígios de fumaça sobre papel, 50x70cm
Doação artista

Sem título, 1978
Vestígios de fumaça sobre papel, 70,5 x 100 cm
Doação artista

Créditos: todas as mídias
Em alguns casos, é possível que a história em destaque tenha sido criada por terceiros independentes. Portanto, ela pode não representar as visões das instituições, listadas abaixo, que forneceram o conteúdo.
Traduzir com o Google
Página inicial
Explorar
Por perto
Perfil