2016

O morro do Corcovado antes do Cristo Redentor

Instituto Moreira Salles

Marc Ferrez. Ponte Silvestre na estrada de ferro do Corcovado, Rio de Janeiro, 1890.

As fotografias da coleção do Instituto Moreira Salles, contidas nesta seleção vão desde a década de 1860 à 1920, e apresentam os aspectos dos arredores e do cenário espetacular do morro do Corcovado na paisagem do Rio. A partir de 1931, a estátua do Cristo Redentor passa a zelar pela cidade e seus habitantes.

Mesmo antes da invenção da fotografia, o Corcovado já era um marco geográfico claramente reconhecido na paisagem da cidade. Considerando por um lado a cadeia de montanhas que atravessa a cidade e, por outro, a orla que se estende desde a Baía de Guanabara até o mar aberto de Copacabana, Ipanema e Leblon, o Rio de Janeiro é, devido a estas características geográficas, um cenário urbano único. O Corcovado tem assim servido por muito tempo como um ponto privilegiado de observação da cidade e suas paisagens naturais.

Mais conhecido pelo público em geral por suas paisagens, Marc Ferrez era um artista plural. Em 1875, ele se junta a Comissão Geológica e Geográfica do Império, quando decide investigar o que se tornaria uma das suas muitas especialidades: a documentação fotográfica das então novas obras de engenharia, tais como ferrovias e sistemas de abastecimento de água. Em 1882 Ferrez começa a documentar a construção da Estrada de Ferro Corcovado.

Augusto Malta (1864 - 1957), nascido no estado brasileiro de Alagoas, foi o principal fotógrafo do desenvolvimento urbano no Rio nas primeiras décadas do século XX, um período de rápida modernização. Em 1903, Malta é contratado como fotógrafo oficial da Diretoria Geral de Obras e Viação da Prefeitura do Distrito Federal, um cargo criado especialmente para ele pelo prefeito Pereira Passos (1902-1906), responsável por mudanças radicais na cidade. Malta foi mantido na função por mais de 30 anos, cobrindo desde grandes eventos - como a inauguração da estátua do Cristo Redentor- a aspectos da vida cotidiana. Em 1905, ele também foi contratado pelo Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited - que seria popularmente conhecido como Light. Desde então Malta produziu uma impressionante variedade de atividades da empresa na modernização da cidade- especialmente em transportes públicos, com a introdução de bondes elétricos e iluminação pública.

Principal fotógrafo brasileiro do século XIX, Marc Ferrez (1843-1923) é o artista mais importante do período na coleção Instituto Moreira Salles. As paisagens que ele fotografou, particularmente fotos panorâmicas da cidade de área de Rio de Janeiro, trazem em sua estética e escolhas temáticas alguns dos principais elementos do imaginário iconográfico da cidade, que foi consolidada desde então, especialmente no exterior. Estas fotografias foram produzidas com câmeras especiais em negativos de grande formato, a prática a que dedicou toda a sua inventividade técnica.

Ao contrário de outros estúdios de fotografia do período, o interesse de Ferrez por paisagens naturais e urbanas, visível desde o início de sua carreira, tornou-se o seu mais poderoso corpo de trabalho, compondo imagens únicas que marcariam permanentemente a iconografia brasileira do século XIX. Ferrez explorou os limites da cidade, tanto nas montanhas quanto pela baía, construindo uma visão pessoal e poética do espaço urbano com suas fotos de locais que fazem fronteira do natural com o artificial, áreas mágicas que continuam a caracterizar a grande metrópole que o Rio de Janeiro se transformou durante o século XX.

Créditos: história

Joanna Balabram
Rachel Rezende
Sergio Burgi

Instituto Moreira Salles

www.ims.com.br

Créditos: todas as mídias
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