Antonio Benetazzo, permanências do sensível - Parte I

Instituto Vladimir Herzog

Biografia do artista e seus anos de formação

No segundo semestre de 1972, Benetazzo deu início à preparação de sua última obra. Após ficar meses sem compor desenhos devido ao compromisso com a guerrilha, o artista resolveu retomar o seu processo criativo a partir da realização de um novo trabalho. Em meio às tensões enfrentadas pela resistência armada contra a ditadura, Benetazzo rabiscou os contornos de um pilão, desenhou as folhas de uma planta e dispôs sobre o papel pedaços de um material que evocava tanto o Brasil quanto uma espécie de braço feminino mutilado. A colagem, que talvez marcasse o seu reencontro com o fazer poético, ficaria, entretanto sem ser concluída. 

Em outubro daquele ano, capturado pelo regime militar, Benetazzo foi assassinado por agentes a serviço da repressão. Restando um trabalho inacabado, objeto preenchido pelas ausências, com o passar do tempo a colagem acabaria adquirindo um sentido para além das intenções que seu autor desejava lhe dar. A interrupção da última obra de Benetazzo ganharia um lugar simbólico mais amplo, relacionado às perversidades praticadas pela ditadura. Diante dessa obra, há um mal-estar que provém da incompletude estética, mas sobretudo da vida que foi encerrada prematuramente pela violência que marcou a História do Brasil entre os anos de 1960 e 1980.

Desenhos de formação, corpos, paisagens e série Haicai
Os primeiros passos de Benetazzo como artista ocorreram entre os anos de 1964 e 1967, quando morou na cidade de São Paulo para estudar arquitetura e filosofia na USP. 

Nesses “anos de formação”, nos quais se evidencia um tom de busca, há a predominância de desenhos que se voltam para as autorrepresentações, para a composição de corpos que emanam sexualidade e para a realização de paisagens com características evidentemente rurais.

Se, de início, convergia para uma obra a lembrar técnicas pictóricas do impressionismo, rapidamente se afastaria dessa matriz com o objetivo não apenas de ampliar seu repertório como também de alcançar a singularidade de um estilo no trânsito entre as criações figurativas e abstratas.

A despeito de seu engajamento, que o levaria à luta armada contra a ditadura, Benetazzo não produziu uma arte circunscrita às questões envolvendo a militância política.

Na produção inicial do artista, destacam-se trabalhos em aproximação com expressões do orientalismo pictórico, a exemplo da série Haicai, na qual ele experimenta colagens, variações de cores e pinceladas velozes que reaparecerão, posteriormente, em seu estilo mais maduro.

Nessa época, o processo criativo de Benetazzo caracterizou-se por uma constante pesquisa no sentido de estabelecer possíveis diálogos com expressões provenientes do modernismo artístico.

Créditos: história

Exposição "Antonio Benetazzo, permanências do sensível"

Realização
Prefeitura de São Paulo - Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania
Secretária | Eloisa Arruda
Secretária-adjunta | Yara Cunha Costa
Chefe de Gabinete | Eduardo Barbin Barbosa
Coordenação de Direito à Memória e à Verdade | Rogério Wagner da Silva Leite e Marina Molina

Produção
Instituto Vladimir Herzog
Diretor executivo | Rogério Sottili
Coordenadora de Projetos Especiais | Carla Borges
Comunicação | Carolina Vilaverde

Curadoria, organização, pesquisa e textos
Reinaldo Cardenuto

Adaptação
Carolina Vilaverde

Documentário Entre Imagens (Intervalos)
Andre Fratti Costa e Reinaldo Cardenuto

Agradecimentos especiais
Alipio Freire, Celso Nucci, Cida Horta, Daniel Fresnot, Eliana Ferreira de Assis, Ermínia Maricatto, Itália Benetazzo, Nordana Benetazzo, Luiz Carlos Poloni, Zuleika Alvim.

Agradecimentos
Ana Corbisier, André Luiz Rafaini Lopes, Anivaldo Padilha, Anna Ferrari, Ariana Iara de Paula, Arquivo Público do Município de Caraguatatuba, Carlos Augusto Calil, Celso Sim, Centro Cultural da Juventude, Centro Cultural São Paulo, Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, Clara Rossi Ferreira, Claudio Tozzi, Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo, Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, Eduardo Oikawa, Equipe SMDHC, Equipe SMC, Eugênia Gonzaga, Eva Soban, Francisco Ramalho Jr., Grupo de Trabalho pelo Direito à Memória e à Verdade (GT-DMV), Imprensa Oficial do Estado S/A - IMESP, Ivan Seixas, Ivany Turíbio, Ivo Herzog, José Luiz Del Roio, Luiz Fernando Manini, Marcelo Godoy, Maria Aparecida Horta, Maria Eunice Paschoal Homem de Melo, Maria Rita Kehl, Mariana Rosell, Mario Prata, Nabil Bonduki, Paulo de Tarso Venceslau, Paulo Schlick, Paulo Reis, Renato Martinelli, Ricardo Ohtake, Ricardo Scardoelli, Roaldo Fachini, Rogério Sottili, Rose Mary Teles Souza, Samuel Ribeiro Jr., Sérgio Ferro, Sérgio Muniz, Suzana Lisboa, Thiago Carrapatoso, Toshio Kawamura, Valdirene Gomes, Valéria Barbosa Paganelli.

Concepção e realização da exposição original
Prefeitura Municipal de São Paulo - Fernando Haddad - Prefeito 2013-2016
Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania
Secretário | Rogério Sottili e Eduardo Matarazzo Suplicy
Coordenação de Direito à Memória e à Verdade
Carla Borges, Clara Castellano, Dyego Oliveira, Marília (Marie) Goulart, Fábio Luis Franco, Gabriela Monico, Naomi Xavier, Marina Molina, Tomaz Seincman, Victhor Fabiano.

Créditos: todas as mídias
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