PROGRAMA ARTE ATUAL 2013-2015

Instituto Tomie Ohtake

Coisas sem nomes
21 agosto a  27 setembro 2015
Arte atual, produção de hoje, elaboração em processo que pratica o que se sabe que a arte pode ser e desafia-se a estar além ou aquém dos limites desse território, renovando-o pela sua própria prática. Festival, modelo ancestral de encontro, partilha e dispêndio de energia cujo imaginário recente converge para a intensidade dos festivais de música dos anos 1960 e 70, cenas de expressão de atitudes e ideias sem restrições a estilos ou categorias, baseadas no convívio, na experimentação e na liberdade. Coisas sem nomes, objetos, elementos, formas ou fragmentos que não coincidem com categorias estabelecidas, nem se conformam com discursos prontos: atos que não cabem em verbo.

O Programa Arte Atual ora se constitui como Festival. Baseando-se na lógica de acúmulo – de obras, de textos, de ideias – e de vivência entre diferentes pessoas e modos de fazer e pensar, cada um dos curadores convidou três artistas a ocupar uma sala expositiva e construir uma mostra a partir de diferentes pensamentos sobre as coisas sem nomes. Valendo-se da troca entre esses 15 participantes, propõe-se que os trabalhos, reunidos no mesmo espaço, estejam sempre sujeitos a se completar, a se desdobrar, a se transformar no decorrer da mostra. Além disso, autores diversos foram convidados para escreverem textos, comentários ou ensaios sobre esse processo aberto que incorpora o imprevisível e a improvisação, os quais serão disponibilizados ao público durante a exposição.

Nesta edição inaugural, o amplo mote escolhido para ser interpretado e declinado é uma expressão que aponta justamente ao que resiste a definições. “Coisas sem nomes” é uma provocação à qual cada agente pode reagir livremente com respostas ou novas perguntas. Também permite trazer à tona uma gama de inquietações, como as dificuldades de definir fronteiras, as possibilidades de revelar o não dito, e até as limitações da própria linguagem. Em todos os casos, trata-se de trabalhar o impreciso, o incomum, o estranho e o inacabado, em um processo curatorial pautado pela dúvida.

E se quebrarem as lentes empoeiradas?
02 abril a 10 maio 2015
Nós somos a soma do que desejamos com o que herdamos, mesmo que involuntariamente. No que se refere ao pensamento, nosso legado está repleto de reflexos atávicos da razão lógica cientificista, baseada em polaridades artificiais e em inúmeras relações de casualidade. Mesmo nos detalhes aparentemente inofensivos de nossa cultura, transparecemos as excessivas simplificações que fazem o nosso entendimento de mundo.Dentre essas está o privilégio da visão como via de acesso na acepção do real e na elaboração de suas verdades. Essa preponderância do olhar, apesar de muitas vezes descreditada, ainda pauta e direciona a nossa apreensão do mundo e construção do pensamento, perpetuando a certeza de que as lentes - nossos dispositivos, técnicas e sistemas lógicos - funcionam e deverão sempre funcionar. Trata-se, claro, de uma ilusão. As coisas provavelmente irão colapsar mesmo se nossas teorias provarem que isso é impossível. A realidade é mais e menos do que nossas lentes permitem ver e é fundamental renovar a dúvida sobre nossas máquinas de certeza.A exposição e se quebrarem as lentes empoeiradas? reúne artistas que desconstroem, promovem fissuras e suscitam interrogações em meio a convicções cientificistas. Cada um dos três artistas trinca suas próprias lentes e problematiza um certo dispositivo. Assim, os artistas - que apresentam desdobramentos mais recentes de suas respectivas pesquisas - propõem alternativas a formas estabelecidas do saber. 

Thiago Rocha Pitta, por aderência e sinergia com o tectônico e mutável da natureza, reestabelece o protagonismo e devir próprio da paisagem,normalmente tida como meio indiferente e passivo.

Marcone Moreira, por procedimentos de apropriação e observação etnográfica, compara modelos de circulação de produtos e pessoas, assim como de ocupação do território.

Eduardo Berliner atribui às imagens, aos suportes e à fatura artística escolhas e resistências, por insistência intuitiva e resiliente, deixando-lhes direcionar tanto o discurso quanto a forma dos trabalhos.

Medos Modernos
26 março a 4 maio 2014
Os traumas causados pelo processo de modernização podem parecer distantes, mas seguem presentes, com novas facetas, pressionando cada aspecto da vida contemporânea. A alienação dos sujeitos diante dos resultados e sentidos de seu trabalho; a soberania dos valores supostamente objetivos do progresso científico e econômico; o reconhecimento e o desconforto perante as necessidades psíquicas dos indivíduos; o terror no confronto com quaisquer diferenças irredutíveis – são esses alguns dos impasses que se acentuaram com o crescimento das grandes cidades e o acelerado processo de industrialização. Todos eles são, em alguma medida, resultantes da frustração dos indivíduos que se veem assombrosamente pequenos frente a sistemas de regulação e ordenação, massas e multidões, narrativas identitárias e projetos ideológicos. Pois todos esses impasses permanecem latentes em nosso cotidiano, muitas vezes acentuados pela velocidade, opacidade e crise das técnicas e das instituições contemporâneas.
 Há artistas que se motivam por esses desconfortos e, se não os resolvem, colaboram para que se mantenham palpáveis, apesar da euforia coletiva que tenta recobri-los. Muitas vezes, esses artistas preferem desviar das alusões às vanguardas modernistas, mantendo-se fiéis aos impasses que estas procuraram enfrentar e, evidentemente, não puderam sublimar. Luiz Roque, Matheus Rocha Pitta e Nicolás Robbio são exemplares dessa atitude. Cada um a seu modo, eles remetem às ansiedades e medos com que continuamos convivendo. Esta exposição é, portanto, uma amostra dessa produção contemporânea que, a despeito dos diagnósticos apressados, está interessada em atuar em seu tempo e exercitar junto ao público novos sentidos para velhos e persistentes problemas. Uma produção que consegue realizar esse intento.
Estranhamente familiar | Unheimlich
12 Março a 28 Abril 2013

Cada língua oferece seus próprios atalhos através das ideias e das emoções. Em português, por exemplo, nos orgulhamos de compartilhar a palavra saudade, sentimento contaminado pelo afeto e pela dor e que, em outras línguas, só pode ser expresso por combinações entre as ideias de falta e melancolia. Por outro lado, não temos uma palavra que equivalha ao termo unheimlich, consagrado e debatido por Freud em seu ensaio “Das Unheimlich” de 1919. Sem tradução direta para o português, a palavra indica algo que está entre estranho e familiar, que é excessivamente próximo e ao mesmo tempo emerge de um contexto ameaçadoramente irreconhecível.

Embora voltada à psicanálise, a reflexão sobre o termo extravasa esse campo. No seu cerne, está a descoberta de que o estranhamente familiar nada mais é do que o aprofundamento de um dos sentidos do ambivalente termo heimlich (doméstico, familiar): o que se protege na intimidade da casa também é o que se esconde do olhar de outrem, o que permanece recolhido, e é quando ele emerge inesperadamente para fora de sua reclusão que se produz o efeito de unheimlich.

O mote desta exposição é procurar aproximações a esse conceito, através de caminhos que passam ao lado das obras de um instigante grupo de artistas.

Os novos trabalhos de Alice Miceli, Mariana Manhães, Rodrigo Matheus e Thiago Honório, cada um à sua maneira, reorganizam as polaridades em jogo na apreensão desse sentimento que, mesmo difícil de definir, ecoa alguma lembrança em cada um de nós.

Créditos: história

Núcleo de Pesquisa e Curadoria Paulo Miyada, Carolina Mologni, Julia Lima, Priscyla Gomes e Olivia Ardui

Créditos: todas as mídias
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