Frida Kahlo nos Arquivos de Arte Americana

Archives of American Art, Smithsonian Institution

Introdução
Em comemoração ao 110º aniversário de Frida Kahlo, os Arquivos de Arte Americana do Smithsonian apresentam uma visão intimista da vida e dos amores de Kahlo por meio de cartas intensas, fotos espontâneas e outros documentos da artista obtidos em nossas coleções. Com esses recursos únicos, compreendemos melhor as relações de Kahlo com a historiadora Florence Arquin, a artista Emmy Lou Packard, o fotógrafo Nickolas Muray, o colecionador de arte Chester Dale e o escritor John Weatherwax.
Frida e Diego Rivera
Kahlo conheceu o muralista mexicano Diego Rivera (1886-1957) em 1928, e eles se casaram no ano seguinte. Muitas das coleções dos Arquivos de Arte Americana que documentam a vida de Frida Kahlo também registram a relação por vezes turbulenta que a artista tinha com Rivera. Fotos de Kahlo e Rivera mostram desde os primeiros anos do casamento, como este retrato tirado por Peter Juley, até a época em que o casal viajava e trabalhava junto nos Estados Unidos e, por fim, os últimos anos deles em Coyoacán.

Diego Rivera ainda era casado com a segunda esposa, Guadalupe (Lupe) Marin, quando conheceu Frida Kahlo em 1928. Diego e Kahlo se casaram em 21 de agosto de 1929, se divorciaram em 1939 e se casaram novamente em São Francisco, EUA, em 8 de dezembro de 1940.

De acordo com Emmy Lou Packard, Kahlo deixou este bilhete para Rivera no estúdio na cidade de Treasure Island. Ela estava a caminho de Nova York, onde foi envolvida em um processo judicial relacionado à Lupe Marín, a segunda esposa de Diego.

O bilhete foi escrito durante o período em que eles estavam divorciados, entre 1939 e o final de 1940.

Quando o Dr. Leo Elloesser (cirurgião) internou Kahlo no St. Luke’s Hospital para “repouso” em setembro de 1940, ela colocou os itens de valor que possuía (um relógio e algumas joias) nesse envelope. Não sabemos se esses itens ainda estavam no envelope quando ela o deixou para Diego ou se ela simplesmente usou o envelope vazio para escrever um bilhete.

Tradução: "Diego, meu amor. Lembre-se de que depois que você terminar o afresco, ficaremos juntos para sempre de uma vez por todas, sem brigas nem nada, apenas para amarmos um ao outro. Comporte-se e faça tudo o que a Emmy Lou mandar. Adoro você mais do que nunca. De sua garota, Frida (Escreva para mim)."

Frida e Florence Arquin
Florence Arquin (1900-1974), pintora e especialista em estudos da América Latina, percorreu toda a América do Sul documentando a arte e a cultura do continente para as inúmeras palestras que ministrou nos Estados Unidos. No início dos anos 1940, enquanto pintava no México, ela desenvolveu uma relação próxima com Diego Rivera e Frida Kahlo. Um dos resultados tangíveis dessa aproximação foi o livro escrito por Arquin, "Diego Rivera: The Shaping of an Artist, 1889-1921", publicado em 1971. Amiga pessoal de Frida e Diego, Arquin tirou as fotos coloridas no quintal da "Casa Azul" onde o casal morava, no subúrbio de Coyoacán, México, mostrando uma perspectiva íntima dos artistas na casa.
Frida e Nickolas Muray
“Meu amante, meu amor, mi Nick, mi vida, mi niño, te adoro… Todo o meu carinho e todas as minhas carícias para seu corpo, da sua cabeça aos seus pés. Aqui de longe, beijo cada centímetro do seu corpo”, escreveu Frida Kahlo para Nickolas Muray (1892-1965) em 1939. Na época, Kahlo era casada com Diego Rivera. Ela estava apenas começando a ganhar fama internacional como pintora surrealista. Muray, um elegante húngaro-americano, era um fotógrafo talentoso e conhecido, cujos retratos de celebridades apareciam na Vanity Fair, Vogue, Time e em outras revistas. Embora o caso intermitente tenha começado no início dos anos 1930, as cartas de Kahlo para Muray revelam a intensidade dos sentimentos que ela tinha por ele, bem como a natureza impetuosa e desinibida da artista, que costumava assinar as cartas com beijos de batom.

Apesar do sucesso da exposição de Kahlo, ela não ficou impressionada com a elite artística parisiense. Além da frustração de Kahlo com Paris, a ameaça de uma guerra iminente na Europa estava inibindo a prática de compras dos colecionadores que costumavam ser generosos, o que a forçou a cancelar uma exposição em Londres.

"... Eu percebi que aconteceria o mesmo em Londres, por isso não vou fazer nenhuma exposição lá. As pessoas em geral estão morrendo de medo da guerra, e toda a exposição tem sido um fracasso porque os ricos não querem comprar nada."

Foto de uma confraternização na casa de Rivera em San Ángel, Cidade do México, México.

Duas mulheres que serviram de modelo para Diego Rivera estão sentadas à esquerda.

Diego Rivera está atrás de Nikolas Muray, no centro.

Frida Kahlo está à direita.

Frida Kahlo e Emmy Lou Packard
Em 1940, a artista Emmy Lou Packard (1914-1998) era assistente de pintura em tempo integral de Rivera, que estava trabalhando no afresco "Unidade Pan-americana" para a Exposição Universal de São Francisco (a Exposição Internacional Golden Gate), em um estúdio em Treasure Island. Mais tarde, ela morou com Frida e Diego na “Casa Azul”, no México. Os documentos de Packard incluem as fotos espontâneas que ela tirou do casal, muitas delas com observações no verso que descreviam o momento, além de cartas de Kahlo para Packard.

Esta carta para Packard foi escrita na Cidade de Nova York, onde Frida estava organizando uma segunda exposição com o marchand Julien Levy. Enquanto trabalhava com Packard em São Francisco, em 1940, Rivera desenvolveu alguns problemas de visão e precisou de cuidados médicos. Na carta, Frida expressa preocupação com a saúde do marido e pede a Packard que diga a ela, com sinceridade, se a condição dele é grave o bastante para fazê-la deixar Nova York e ir para São Francisco imediatamente.

"Emmy Lou, minha querida. Desculpe-me por escrever a lápis, não consegui encontrar nenhuma caneta ou tinta nesta casa. Estou extremamente preocupada com a visão de Diego. Diga-me toda a verdade sobre o problema. Se ele não estiver se sentindo melhor, irei para aí imediatamente. Um médico me disse que a sulfanilamida pode ser perigosa. Por favor, querida, pergunte ao Dr. Eloesser sobre isso. Conte a ele todos os sintomas que Diego teve depois de tomar esse remédio. Ele saberá o que fazer, porque conhece a condição geral de Diego. Estou muito feliz que ele esteja perto de você. Não tenho palavras para dizer o quanto a amo por ser tão boa com ele e tão gentil comigo."

Frida também responde a Packard sobre um dos desenhos dela e sobre uma exposição na galeria de Julien Levy.

"Querida, Julien Levy gostou muito do seu desenho, mas não pode fazer uma exposição para você porque ele diz que só exibe pinturas surrealistas. Vou falar com Pierre Mathisse [Matisse] e tenho certeza de que consigo organizar algo aqui para você no ano que vem. Eu ainda gosto mais do primeiro desenho que você fez de mim do que dos outros".

Kahlo se refere a Pierre Matisse, o filho mais novo do artista francês Henri Matisse, que abriu uma galeria em Nova York em 1931, negociando com artistas europeus modernos e contemporâneos, como Balthus, Marc Chagall, Jean Dubuffet, Alberto Giacometti, Henri Matisse, Joan Miró, Georges Rouault e Yves Tanguy. Embora Emmy Lou Packard não tenha exposto o próprio trabalho na Galeria de Henri Matisse, ela conseguir fazer uma exposição em 1941 na Galeria Stendahl, em Los Angeles.

Frida e Chester Dale
O colecionador de arte e patrono Chester Dale (1883-1962) adquiriu pelo menos um dos quadros de Kahlo e proporcionou suporte financeiro para a artista. Entre os documentos de Dale estão fotos da primeira vez que ele visitou Kahlo e Rivera, nos anos 1940. Frida e Diego tinham acabado de se casar pela segunda vez e haviam voltado para a "Casa Azul", casa da família de Frida em Coyoacán. Em 1940, Rivera era uma celebridade internacional no mundo da arte, conhecido pelas pinturas murais grandiosas que tinha feito no México e nos Estados Unidos. Kahlo estava prestes a alcançar um grande sucesso e aclamação, apesar de sofrer com problemas de saúde ao longo da vida e de enfrentar diversas cirurgias na coluna e longos períodos de recuperação. Ela transformou o próprio quarto em um estúdio e a cama em um lugar onde recebia amantes, maridos e, no dia em questão, um colecionador de arte ansioso para conhecer o casal feliz (ao menos temporariamente). Em 1945, Rivera concluiu um retrato de Dale, que hoje integra a coleção da Galeria Nacional de Arte de Washington, D.C.

Também foi encontrada entre os documentos de Chester Dale uma foto tirada no estúdio de São Francisco do escultor Ralph Stackpole (1885-1973), que Rivera havia conhecido em Paris. Stackpole, juntamente com William Gerstle, presidente da Comissão de Arte de São Francisco, ajudaram Rivera a conseguir encomendas de murais em São Francisco no ano de 1930.

Frida e John Weatherwax
John Weatherwax (1900-1984) conheceu Diego Rivera e Frida Kahlo em São Francisco por volta de 1930, quando o casal foi recebido pelo escultor Ralph Stackpole no estúdio dele, na Montgomery Street. Rivera estava lá para trabalhar na encomenda de um mural para a Bolsa de Valores de São Francisco. Na época, Weatherwax estava trabalhando na tradução para o inglês de um códex maia antigo, o Popol Vuh, e pediu a Rivera para fazer as ilustrações do manuscrito. Embora a tradução nunca tenha sido publicada, Rivera aceitou a proposta e produziu 24 ilustrações em aquarela para o texto. Weatherwax revelou a admiração que sentia por Diego e Frida escrevendo um manuscrito intitulado "The Queen of Montgomery Street", uma breve e inteligente história sobre as experiências de Frida e Diego em São Francisco. Provavelmente escrita como um presente ao casal Rivera, essa breve história traz um "Rei" e uma "Rainha" inspirados em Diego e Frida.

Nesta carta ilustrada aos amigos Clara e Gerry Strang, Kahlo faz uma brincadeira ao se referir a si mesma como "A Rainha" e a Diego como "O Rei". As linhas irreverentes da carta de Kahlo mostradas abaixo podem se referir à breve história de Weatherwax que Kahlo esperava que ele concluísse.

"Diga a ele que decidi que, quando eu for para São Francisco de novo (provavelmente em janeiro), ele não terá mais barba. [ela soube que John Weatherwax tinha deixado crescer uma longa barba] E se ele desobedecer à minha decisão, será preso imediatamente. E ele deve ficar com muito medo, porque sou uma Rainha muito cruel. Diga a ele que estou esperando pela minha "História" e que espero que ele a termine antes que eu mude meu reino daqui!"

Ela assina a carta como "Rainha Frieda, a Primeira"

O pai alemão de Kahlo, Guillermo Kahlo, deu à filha o nome de "Frieda", que em alemão significa "paz". Por volta de 1935, durante a ascensão do nazismo, ela deixou de usar o "e" na ortografia de seu nome.

Frida e Juan O’Gorman
Frida Kahlo morreu em 13 de julho de 1954. Juan O'Gorman (1905-1982), arquiteto e pintor, escreveu este comovente texto para o décimo aniversário de morte de Frida Kahlo, encontrado nos documentos de Emmy Lou Packard e com as observações dela. O'Gorman, um amigo de Diego Rivera, foi o arquiteto das duas casas de concreto construídas entre 1929 e 1931: uma vermelha para Rivera e uma azul para Kahlo. O casal vivia e trabalhava junto nessas duas estruturas, que eram ligadas por uma ponte.

O texto de Juan O'Gorman foi traduzido do espanhol para o inglês por Emmy Lou Packard.

Por Arquivos de Arte Americana do Smithsonian
Créditos: história

This online exhibit highlighting the life, art and relationships of Frida Kahlo was organized by the Smithsonian's Archives of American Art.

Founded in 1954, the Archives of American Art fosters advanced research through the accumulation and dissemination of primary sources, unequaled in historical depth and breadth, that document more than two hundred years of our nation’s artists and art communities. The Archives provides access to these materials through its exhibitions and publications, including the Archives of American Art Journal, the longest-running scholarly journal in the field of American art. An international leader in the digitizing of archival collections, the Archives also makes nearly 2.5 million digital images freely available online. The Archives’ oral history collection includes more than 2,300 audio interviews, the largest accumulation of in-depth, first-person accounts of the American art world.

For more information, visit the Archives' website at www.aaa.si.edu

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