Descubra o incrível som de instrumentos históricos!
O cravo Antunes de 1758 marcou presença em todas as temporadas do ciclo “Um Músico, Um Mecenas” entre 2013 e 2018, sendo, juntamente, com o violoncelo ‘Stradivarius’ o instrumento mais representado. José Carlos Araújo (em quatro ocasiões), Joana Bagulho, Jenny Silvestre, Enno Kastens, Michele Benuzzi, Cristiano Holtz, Flávia Castro, Masumi Yakamoto e Miguel Jalôto foram os cravistas que tiveram oportunidade de dar vida a este instrumento, em concertos a solo ou acompanhando outros instrumentos da coleção.
O piano que pertenceu ao compositor português Luís de Freitas Branco (1880-1955), foi utilizado em seis concertos do ciclo por Duarte Pereira Martins, João Paulo Santos (em duas ocasiões), Jill Lawson, Luís Costa e Akari Komiya, acompanhando os violoncelos ‘Stradivarius’ e "Lockey Hill" e a viola de arco construída por Francesco Emiliani. O concerto de Luís Costa, que acompanhou o seu irmão Fernando Costa, seria gravado pela RTP2.
O violoncelo "Lockey Hill" que pertenceu à violoncelista portuguesa Guilhermina Suggia (1885-1950) brilhou em quatro concertos do ciclo, tocado por Nuno M. Cardoso (em duas ocasiões), Fernando Costa e Teresa Valente Pereira. Nos três primeiros casos, acompanhado pelos dois pianos Bechstein do Museu e, no último, integrado num quarteto de violoncelos com dois violoncelos Galrão e o violoncelo Dinis. Para que pudesse ser utilizado, o violoncelo foi intervencionado pelo luthier Christian Bayon.
Sendo umas das peças mais emblemáticas da coleção do Museu, o violoncelo Stradivarius fez-se ouvir em todas as temporadas do ciclo, tal como o cravo Antunes de 1758. Tendo em vista a sua preservação, este violoncelo é tocado apenas um número muito limitado de vezes por ano. No conjunto das temporadas esse privilégio coube a Irene Lima, Levon Mouradian e Pavel Gomziakov (em duas ocasiões, cada) e Clélia Vital, Paulo Gaio Lima, Marco Pereira, Maria José Falcão, Filipe Quaresma e Varoujan Bartikian.
O pianoforte van Casteel é um dos raríssimos pianofortes originais construídos em Portugal que chegaram até nós e celebrou em 2013 os seus 250 anos. Graças à visibilidade conseguida com o ciclo foi possível avançar com o seu restauro, intervenção que se aguardava há anos e que seria desenvolvida por Geert Karman, um reputado restaurador e construtor holandês de instrumentos de teclas antigos, bastante conhecedor da coleção do Museu. Na sequência do trabalho desenvolvido, o pianoforte seria tocado em três concertos por José Carlos Araújo (em duas ocasiões) e Pieter-Jan Belder.
O violino ‘Galrão’ de 1780 é um dos dois violinos da autoria de Joaquim José Galrão que integram a coleção do Museu Nacional da Música. Seria tocado por Raquel Cravino em 2013 e por Daniel Bolito em 2017, concertos em que acompanhou um violoncelo do mesmo construtor e o cravo Antunes de 1758 assim como o piano Bechstein de 1925 e o violoncelo Dinis de 1797.
Este violoncelo é da autoria de Joaquim José Galrão e pertenceu a el-rei D. Luís I. No decurso do ciclo seria tocado por Nuno M. Cardoso, Amarilis Dueñas Castán, Raquel Reis e Marco Pereira, em concertos onde foi acompanhado por outros violoncelos da coleção (Galrão de 1781, Lockey Hill e Dinis), um violino (também Galrão) e o cravo Antunes de 1758.
Viola da Gamba da autoria do prestigiado construtor Pieter Rombouts (1677-1749), discípulo de Hendrick Jacobs. Datado da primeira metade do século XVIII e construído em Amesterdão, este instrumento foi tocado, em 2014, por Birgund Meyer-Ohme e, em 2016, por Sofia Diniz, concertos em que foi acompanhada pelo cravo Antunes de 1758.
Johann Heinrich Eichentopf foi provavelmente o mais proeminente construtor de sopros da sua época. O oboé da sua autoria que integra a coleção do Museu é um instrumento de extrema raridade. No contexto do ciclo foi tocado por Pedro Castro juntamente com uma cópia moderna da autoria do construtor português Diogo Leal, o que possibilitou a comparação do som dos dois oboés.
Esperanza Rama, Martin Henneken e Fernando Costa foram os músicos que se encarregaram de tocar o violoncelo Galrão de 1781 durante o ciclo. Nos concertos realizados, este foi, curiosamente, acompanhado pelo violoncelo do mesmo construtor de 1769 e, num outro caso, também pelos violoncelos Lockey Hill e Dinis.
O violoncelo Dinis de 1797 foi apresentado em quatro concertos do ciclo, beneficiando de uma intervenção da da luthier Elise Derochefort. Diana Vinagre (em duas ocasiões), Gonçalo Lélis e Nuno M. Cardoso foram os músicos que lhe deram vida, acompanhando o órgão Fontanes, três outros violoncelos (dois Galrões e o Lockey Hill) e o piano Bechstein de 1925 em conjunto com o violino Galrão de 1780.
O órgão da autoria de Joaquim António Peres Fontanes, considerado um dos mais relevantes organeiros portugueses, é um dos tesouros nacionais da coleção do Museu. No decurso do ciclo foi tocado por Miguel Jalôto em dois concertos nas temporadas de 2015 e 2016, acompanhando, nas duas ocasiões, o violoncelo Diniz tocado por Diana Vinagre.
A tiorba de 1608 do construtor alemão Matheus Buchenberg é um dos instrumentos restaurados no âmbito do trabalho desenvolvido para o ciclo, neste caso graças ao patrocínio de Agostinho da Silva (administrador do Grupo CEI-Zipor). O restauro, realizado em 2014, esteve a cargo do construtor e restaurador Orlando Trindade e veio possibilitar a utilização da tiorba em quatro concertos por outros tantos músicos: Hugo Sanches (com a soprano Manuela Lopes e Pedro Sousa Silva nas flautas), Pietro Prosser, Helena Raposo (com Orlanda Velez na voz) e Vinicius Perez.
O piano de cauda Bechstein datado de 1925 foi mais um dos instrumentos restaurados graças ao trabalho desenvolvido para o ciclo, neste caso pela empresa pianos.pt. Uma vez restaurado tornou-se um dos instrumentos com presença mais recorrente, tocado por Duarte Pereira Martins (em três ocasiões), Marina Dellalyan, Joana David, Anne Kaasa, António Rosado e Lucjan Luc em concertos onde acompanhou vários violoncelos e violinos da coleção.
Dada a sua fragilidade, o clavicórdio da autoria de Jacinto Ferreira datado de 1783 não foi efetivamente tocado no decurso do ciclo. No entanto, uma cópia moderna deste instrumento seria utilizada por Cremilde Rosado Fernandes num concerto de 2015 em que o público pode apreciar o original em contraponto com a cópia.
O cravo Antunes de 1789 foi mais um dos instrumentos restaurados por Geert Karman na sequência do trabalho desenvolvido para o ciclo. Será estreado na temporada de 2018 num concerto onde será apresentado em conjunto com o cravo de 1758 por José Carlos Araújo e Miguel Jalôto, seguindo-se um outro concerto a realizar por Cremilde Rosado Fernandes.
Tesouro nacional e instrumento de enorme valor histórico e organológico, o cravo Taskin aguardava há vários anos a conclusão do seu restauro, o que aconteceria finalmente em 2018, num processo que envolveu vários intervenientes: Ulrich Weymar (restauro organológico), Instituto José de Figueiredo (restauro dos elementos decorativos), Geert Karman (harmonização, afinação e substituição de saltarelos), além de vários outros colaboradores. Uma vez concluído este processo, o cravo será finalmente apresentado em concerto em 2018.
O encerramento da temporada 2018 do ciclo ficará por conta do piano Boisselot & Fils que o compositor e pianista Franz Liszt (1811-1886) trouxe consigo em 1845, aquando da sua passagem por Portugal. Este instrumento encontra-se em processo de restauro, sendo mais uma das peças emblemáticas da coleção do Museu que ficará em condições de ser tocada na sequência do trabalho desenvolvido para o ciclo.
SUPERVISÃO
Graça Mendes Pinto
COORDENAÇÃO
Rui Pedro Nunes
TEXTOS
Rui Pedro Nunes
TRADUÇÃO
Catarina Silva, Fernanda Maciel, Marisa Rocha, Rui Pedro Nunes, Sara Ferreira
FOTOGRAFIAS
Direção-Geral do Património Cultural / Arquivo de Documentação Fotográfica (DGPC/ADF), Museu Nacional da Música, Aurática