1968 - 1980

Cinema Paulista nos anos 70

Museu da Imagem e do Som

Produção e bastidores do cinema paulista na década de 70 no acervo do MIS
Museu da Imagem e do Som/2013

O cinema realizado em São Paulo durante os anos 70 ficou conhecido por sua experimentação, criatividade e ousadia, além de possuir como característica marcante a diversidade temática e estética.

Diversidade que também está presente no acervo do MIS, composto por fotografias, objetos, vídeos e filmes que contam diversas histórias sobre a cultura de São Paulo e o audiovisual. Com uma mostra de materiais das coleções do museu que se referem aos filmes produzidos em São Paulo entre 1968 e 1980, e aos cineastas atuantes na cidade durante esse período, o MIS narra, por meio dessa galeria, uma das histórias do cinema paulista.

Rogério Sganzerla, José Mojica Marins (Zé do Caixão), Júlio Bressane e Ivan Cardoso no documentário "Horror Palace Hotel", de Jairo Ferreira.
Francisco Luiz de Almeida Salles, crítico de cinema, [de terno, à direita] em frente ao Bar e Restaurante Soberano, na Rua do Triunfo.

CINEASTAS EM 

AÇÃO!

A Grande São Paulo abrigou uma experiência cinematográfica importante para o cinema brasileiro nos anos 1950: a fundação da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Como conseqüência do desenvolvimento da Vera Cruz, a cidade de São Paulo passou a contar com escolas de cinema, como o Centro de Estudos Cinematográficos de São Paulo e a Escola Superior de Cinema São Luiz, que formaram alguns dos então jovens artistas que se tornariam referência na área cinematográfica durante os anos 60, 70 e 80.

Trecho de entrevista do cineasta Rogério Sganzerla para o MIS em 1990.
Carlos Reichenbach em entrevista para o MIS em 1989.

Jairo Ferreira, crítico, cineasta, ator, nascido em São Paulo, companheiro de vários outros cineastas e profundo conhecedor do que ele chamou de “Cinema de Invenção”, criou frases fortes para identificar alguns dos diretores aqui homenageados: “Ozualdo Candeias – Ponto de partida avançado”; “Rogério Sganzerla – Terremoto clandestino”; “Carlos Reichenbach – Sinergia da cineutopia” e “José Mojica Marins – O gênio total”. (Jairo Ferreira, “Cinema de Invenção”. São Paulo: Limiar, 2000).

Cineasta Ana Carolina Teixeira Soares, durante gravação de depoimento no MIS em julho de 1989.
Trecho de entrevista da cineasta Ana Carolina para o MIS em 1989.

Muitos outros talentos surgiram em São Paulo nessa época como Roberto Santos, Luis Sérgio Person, Walter Hugo Khouri, Ana Carolina, João Batista de Andrade, Carlos Ebert, Hermano Penna, Hector Babenco, João Silvério Trevisan, Jairo Ferreira, Júlio Calasso Júnior, José Agripino de Paula, Andrea Tonacci, entre outros.

Roberto Santos durante filmagem nos anos 70.
Trecho de entrevista do cineasta Walter Hugo Khouri para o MIS em 1989.
"Ozualdo Candeias, rebelde da América".
Trecho de entrevista do cineasta João Batista de Andrade para o MIS em 1989.

EM CARTAZ...

Marginal, udigrúdi (corruptela de underground), da boca, político, experimental, de invenção... Várias foram as denominações que buscaram definir os filmes produzidos  em São Paulo na década de 1970.

Uma parcela das produções desse período, algumas delas representadas nesta exposição, tinham como característica o cinema autoral.

Foi na mesma época que o cinema de autor se fortaleceu, deixando obras marcantes como: 'Bang-bang“ (Andrea Tonacci), ”O despertar da besta“ (José Mojica Marins), ”O profeta da fome“ (Maurice Capovilla), ”Nenê Bandalho“ (Emílio Fontana) , ”Orgia ou o homem que deu cria“ (João Silvério Trevisan), ”Mar de rosas“ (Ana Carolina), ”A mulher de todos“ (Rogério Sganzerla), ”O anjo da noite“ (Walter Hugo Khouri) , ”Delírios de um anormal“ (José Mojica Marins), ”Amor, palavra prostituta" (Carlos Reichenbach).

Cena do filme "Cordélia Cordélia", de Rodolfo Nanni, com a atriz Lilian Lemmertz  [Foto: Lúcio Kodato]

Rogério Sganzerla, após começar sua carreira como crítico de cinema e cineasta em São Paulo, dirige, no Rio de Janeiro, o filme “O Abismo”, com músicas de Jimi Hendrix e interpretações marcantes de Norma Bengell, Jorge Loredo e José Mojica Marins.

Foto de porta de cinema do filme "O abismo" com a atriz Norma Bengell  [DPP-Embrafilme]
Foto de porta de cinema do filme "O abismo" com o ator Jorge Loredo [DPP-Embrafilme]
Jornal mural sobre o filme "Doramundo" de João Batista de Andrade.
Cenas do filme "Pixote: a lei do mais fraco" de Hector Babenco, filmado no final dos anos 70 e lançado em setembro de 80. [Fotos: Ayrton Magalhães]
Cartaz do filme "A herança", de Ozualdo Candeias [LF. Longfilm]
Cenas do filme "A herança" [Fotos: Ozualdo Candeias]
Cartaz do filme "Os amantes da Chuva", de Roberto Santos  [DPP-Embrafilme]
Lima Duarte e Fernando Bezerra em cena do filme "Sargento Getúlio", de Hermano Penna [Foto: Marcos Maciel]
Cartaz do filme "A lenda de Ubirajara" de André Luiz Oliveira [Arte de Laerte Fernandes e Victor Alves de Castro]
Cena do filme "Lilian M: confissões amorosas  (Relatório confidencial)" de Carlos Reichenbach  [Foto: Belmiro Zenha Filho]
Cenas do filme "Meu nome é Tonho", de Ozualdo Candeias.
Cartaz do filme "As três mortes de Solano" de Roberto Santos  [Arte de Diego Peñuela]
Cena do filme "Jornal do sertão", de Geraldo Sarno, produção de Thomas Farkas.
Paulo José e Paulinho da Viola em cena do filme "O homem nu", de Roberto Santos [Foto de Atila Miranda]
Bastidores de filmagem de "O homem nu"  [Foto de Atila Miranda]
Cartaz do filme "Cristais de sangue", de Luna Alkalay [Arte de Môca]

Com um apelo mais popular e características comerciais, os filmes produzidos e estrelados por Amácio Mazzaropi ganharam fôlego na década de 1970, depois da inauguração de seu próprio estúdio cinematográfico na cidade de Taubaté/SP.

Cenas do filme "Uma pistola para D'Jeca", de Ary Fernandes, produzido e estralado por Amácio Mazzaropi. 
Amácio Mazzaropi em cena do filme "Uma pistola para D'Jeca".

A força  do 

cinema político 

nos anos 70

Alguns realizadores engajaram-se em produções de teor político e questionador.

Sobre esses filmes, destacam-se no acervo do MIS os registros de divulgação e bastidores de produções como “Braços cruzados, máquinas paradas”, “Coronel Delmiro Gouveia” e “O homem que virou suco”.

Cartaz do filme "Braços cruzados máquinas paradas", de Sérgio Segall e Roberto Gervitz.
Fotos de porta de cinema do filme "Coronel Delmiro Gouveia",  de Geraldo Sarno [Arte de Mello Menezes]
José Dumont em cena do filme "O homem que virou suco", de João Batista de Andrade. [Foto: João Farkas e Nellie Solitrenick]
João Batista de Andrade, José Dumont e equipe durante as filmagens de "O homem que virou suco". [Foto de João Farkas e Nellie Solitrenick]

EXPERIÊNCIA

DO 

SUPER 8

"Super 8: apenas um hobby ou um cinema de verdade?

No começo foi um acessório de lazer para quem tivesse habilidade, gosto e algum dinheiro. Casamentos, festas, formaturas ou viagens de férias deixaram de ser apresentados através das antiquadas molduras dos slides. Da febre doméstica passou ao uso industrial, como nos testes para filmes de propaganda, na promoção de vendas ou na área de treinamento. Ao mesmo tempo, um fértil movimento cinematográfico com festivais e mostras em vários estados brasileiros, deu importância definitiva à bitola Super 8 mm.

As inúmeras inovações técnicas lançadas – algumas muito próximas das bitolas profissionais – evidenciaram desde o início o potencial do Super 8. Sua aceitação no mundo inteiro e, principalmente, no Brasil foi fulminante. E o brasileiro revelou que além de músico, poeta, médico e louco, também era cineasta. “

Texto Escrito por Abrão Berman e publicado no Folheto do VII Super Festival Nacional do Filme Super 8.

São Paulo, 1979.

Capa do folheto de divulgação do 'VII Super Festival Nacional do Filme Super 8' [Arte de Antônio Carlos Espilotro e Manuel Nunes Ferreira]
Abrão Berman.

Abrão Berman foi um dos mais importantes cineastas do movimento superoitista. Fundou em 1972 o Grife (Grupo de Realizadores Independentes de Filmes Experimentais), equipe responsável pela realização do Super Festival Nacional de Cinema Super 8 entre 1973 e 1983. O Grife foi também um centro de ensino para os iniciantes na prática do Super 8.

Abrão Berman [Foto: Armando de Sylos]

As produções em Super 8 tiveram seu apogeu durante a década de 1970.

No início dos anos 80 o formato começou a se tornar obsoleto sobretudo com a popularização do vídeo.

O acervo do MIS possui uma importante coleção de filmes em Super 8 exibidos nas várias edições do Super Festival Nacional do Filme Super 8.

Além de filmes, o acervo contempla equipamentos cinematográficos, como as câmeras aqui exibidas.

Todo o conteúdo desta exposição pertence ao Acervo do MIS e pode ser consultado através do site ou por meio de visita à Midiateca do museu.

Créditos: história

Supervisão geral — André Sturm
Curadoria — Patrícia Lira e Renan Daniel
Pesquisa em vídeo — Jorge D´Ângelo, Patrícia Lira, Renan Daniel e Wilson Basso Neto
Digitalização de cartazes — Letícia Godoy
Digitalização de fotos — Gildo J. Rocha
Edição de vídeos — Gildo J. Rocha
Conselho de Administração — Cosette Alves (presidente), Antônio Hermann (vice-presidente), Cecília Ribeiro, James Sinclair, Marcello Hallake, Max Perlingeiro, Nilton Guedes, Olivio Guedes e Simone Gil Braz

Créditos: todas as mídias
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