Antonio Benetazzo, permanências do sensível - Parte II

Instituto Vladimir Herzog

Estudos em nanquim e obras de engajamento político

Estudos em nanquim e obras de engajamento político
No período inicial da produção de Benetazzo, sobretudo até 1967, predominou um processo criativo cindido em pelo menos duas opções de exercício estético: as obras engajadas e a pesquisa formal em estilo abstrato. 

Tateando processos criativos distintos, até 1967, ele bifurcou a sua experiência estética em duas, tensionando-as como polos excludentes no interior do campo artístico.

Experimentando a busca por uma delicadeza associada à pureza estética, parte de sua obra, a exemplo de nanquins sob inspiração de Wassily Kandinsky, seria dedicada às formas em estilo abstrato.

Nessas peças, as referências ao contexto histórico seriam anuladas, dando lugar a uma pesquisa formal claramente afastada dos atos de engajamento e das representações figurativas.

A partir do uso de técnicas diversas, o trabalho de Benetazzo, na alternância entre representações da História imediata e a imanência das formas, realizou-se como uma espécie de convívio entre estranhos.

Artista em formação e cada vez mais próximo da luta armada, ele sentiria a necessidade de contribuir com a resistência à ditadura a partir de criações explicitamente políticas.

Procurando comunicar-se com o público, produziu obras funcionais e engajadas, nas quais os comentários críticos ao Brasil surgiram a partir de uma composição exclusivamente figurativa. Ao artista, porém, essa opção não parecia bastar.

Gestação dos monstros e Brasil 68: do grotesco ao abjeto
Entre 1968 e 1969, cada vez mais envolvido com a resistência à ditadura, Benetazzo produziu duas séries de grande impacto, ambas compostas por desenhos realizados sobre papel e feitos a partir do nanquim. 

A série, originalmente sem título, mas que chamaremos de Gestação dos Monstros, apresenta uma das singularidades do fazer criativo de Benetazzo: o trânsito entre elementos figurativos e abstratos.

Os quatro primeiros desenhos foram compostos em estilo abstrato, com traços sutis destacando uma espécie de ovo na iminência de chocar um ser asqueroso.

Realizado em um momento no qual os mecanismos políticos de perseguição se ampliavam no Brasil, esse conjunto de obras foi construído como uma sequência narrativa ordenada do número 1 a 8.

Rogério Sottili, diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, conta suas impressões sobre a exposição "Antonio Benetazzo, permanências do sensível", que lhe foi apresentada pelo curador Reinaldo Cardenuto.

Os quatro últimos desenhos, em diálogo com as gravuras de Goya, concentram-se em elementos figurativos a partir dos quais nasce uma criatura deformada, de corpo retorcido, que alegoricamente anuncia a sua presença cancerígena entre os homens.

A impressão de mal-estar, reforçada pelo período histórico no qual Benetazzo os produziu, se amplia no próximo conjunto de nanquins desenhado pelo artista, intitulado Brasil 68.

Com cerca de nove peças, a segunda série apresenta a aparição de novas criaturas aterrorizantes.

Se a formação do grotesco provinha das obras incluídas em Gestação dos Monstros, esse mesmo grotesco, agora representado a partir de corpos variados, espalha-se pelo mundo na série Brasil 68.

Créditos: história

Exposição "Antonio Benetazzo, permanências do sensível"

Realização
Prefeitura de São Paulo - Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania
Secretária | Eloisa Arruda
Secretária-adjunta | Yara Cunha Costa
Chefe de Gabinete | Eduardo Barbin Barbosa
Coordenação de Direito à Memória e à Verdade | Rogério Wagner da Silva Leite e Marina Molina

Instituto Vladimir Herzog
Diretor executivo | Rogério Sottili
Coordenadora de Projetos Especiais | Carla Borges
Comunicação | Carolina Vilaverde

Curadoria, organização, pesquisa e textos
Reinaldo Cardenuto

Adaptação
Carolina Vilaverde

Documentário Entre Imagens (Intervalos)
Andre Fratti Costa e Reinaldo Cardenuto

Agradecimentos especiais
Alipio Freire, Celso Nucci, Cida Horta, Daniel Fresnot, Eliana Ferreira de Assis, Ermínia Maricatto, Itália Benetazzo, Nordana Benetazzo, Luiz Carlos Poloni, Zuleika Alvim.

Agradecimentos
Ana Corbisier, André Luiz Rafaini Lopes, Anivaldo Padilha, Anna Ferrari, Ariana Iara de Paula, Arquivo Público do Município de Caraguatatuba, Carlos Augusto Calil, Celso Sim, Centro Cultural da Juventude, Centro Cultural São Paulo, Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, Clara Rossi Ferreira, Claudio Tozzi, Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo, Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, Eduardo Oikawa, Equipe SMDHC, Equipe SMC, Eugênia Gonzaga, Eva Soban, Francisco Ramalho Jr., Grupo de Trabalho pelo Direito à Memória e à Verdade (GT-DMV), Imprensa Oficial do Estado S/A - IMESP, Ivan Seixas, Ivany Turíbio, Ivo Herzog, José Luiz Del Roio, Luiz Fernando Manini, Marcelo Godoy, Maria Aparecida Horta, Maria Eunice Paschoal Homem de Melo, Maria Rita Kehl, Mariana Rosell, Mario Prata, Nabil Bonduki, Paulo de Tarso Venceslau, Paulo Schlick, Paulo Reis, Renato Martinelli, Ricardo Ohtake, Ricardo Scardoelli, Roaldo Fachini, Rogério Sottili, Rose Mary Teles Souza, Samuel Ribeiro Jr., Sérgio Ferro, Sérgio Muniz, Suzana Lisboa, Thiago Carrapatoso, Toshio Kawamura, Valdirene Gomes, Valéria Barbosa Paganelli.

Concepção e realização da exposição original
Prefeitura Municipal de São Paulo - Fernando Haddad - Prefeito 2013-2016
Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania
Secretário | Rogério Sottili e Eduardo Matarazzo Suplicy
Coordenação de Direito à Memória e à Verdade
Carla Borges, Clara Castellano, Dyego Oliveira, Marília (Marie) Goulart, Fábio Luis Franco, Gabriela Monico, Naomi Xavier, Marina Molina, Tomaz Seincman, Victhor Fabiano.

Créditos: todas as mídias
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