32ª Bienal de São Paulo - de L a Q

Bienal de São Paulo

Incerteza Viva, o tema desta edição, reuniu artistas ao redor do mundo. Conheça seus trabalhos!

Lais Myrrha
1974, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Vive em São Paulo, Brasil

Lais Myrrha investiga instrumentos e saberes que constroem nossa experiência no mundo a partir do lugar que nele ocupamos. Dicionários, mapas, bandeiras, hinos, jornais e telejornais são alguns dos elementos sobre os quais a artista interfere. Para ela, a arte é uma possibilidade de se lançar em zonas de instabilidade, em situações nas quais o familiar se torna estranho e a lógica convencional parece falhar.

Myrrha explora em suas obras a noção de impermanência e a história contada do ponto de vista dos “vencidos”, assim como a precariedade dos conceitos de equivalência e equilíbrio. Um elemento importante de seu processo de criação é a escolha e o uso preciso dos materiais, o que revela sua atenção à capacidade de significar, de funcionar de modo simbólico e condensar narrativas. Em Dois pesos, duas medidas (2016), a artista constrói duas torres com as mesmas dimensões, compostas de materiais empilhados.

De um lado, materiais empregados nas construções indígenas (cipó, toras de madeira, palha) e, de outro, aqueles usados nas edificações típicas brasileiras (tijolo, cimento, ferro, vidro, canos) – dois modos construtivos que corporificam modos de vida e dois projetos distintos de sociedade que, ainda que sejam potência de construção, já anunciam suas formas de ruína.

Leon Hirszman
1937, Rio de Janeiro, Brasil – 1987, Rio de Janeiro

O cinema de Leon Hirszman tem a noção de trabalho como matéria-prima e eixo norteador. Assumindo que o sujeito transformador da história são os trabalhadores, Hirszman considerava sua tarefa como cineasta a organização dos registros das diversas formas de luta e resistência dessa classe social, de modo que se tornassem sua memória. Seus filmes trazem a marca de experiências históricas concretas, como as greves dos metalúrgicos na região do ABC paulista, na década de 1970.

É esse o caso também de Cantos de trabalho, trilogia filmada entre 1974 e 1976, nas cidades de Chã Preta (AL), Itabuna (BA) e Feira de Santana (BA). Em cada um desses locais foram registrados trabalhadores rurais exercendo suas atividades: mutirão para amassar o barro, colheita e pisa de cacau e colheita de cana, respectivamente. Enquanto trabalham, eles entoam cantos que atuam como marcadores rítmicos, ao mesmo tempo que firmam o lastro de sociabilidade envolvido no esforço físico coletivo. Filmados em uma linguagem que busca tempos e enquadramentos precisos para revelar o trabalho com todos os seus detalhes, os documentários são acompanhados de uma narração que enfatiza a importância do registro dessa prática cultural que, já naquela época, se encontrava em vias de desaparecer.

Lourdes Castro
1930, Funchal, Portugal. Vive na Ilha da Madeira, Portugal

Desde a década de 1950, Lourdes Castro se dedica à criação de livros de artista, objetos, desenhos, serigrafias, vídeos e performances baseados na convivência com elementos de seu cotidiano, em especial paisagens e plantas que cultiva em sua casa- ateliê na Ilha da Madeira, Portugal. Paralelamente, o interesse por formas de desmaterialização do objeto artístico levou-a à pesquisa das sombras, tema central de sua produção. Na série Sombras à volta de um centro (1980-1987), a artista pousa uma jarra com flores sobre o papel, debaixo de um foco de luz; a base da jarra é o centro das sombras que Castro contorna minuciosamente com lápis de cera, de cor ou nanquim.

Esse procedimento simples dá origem a um herbário de rastros topográficos com cores que enfatizam áreas diferentes em cada peça. Outra estratégia adotada por ela é a coleta de materiais para constituir uma espécie de inventário em torno de um tema de seu interesse. Un Autre livre rouge [Um outro livro vermelho], iniciado em 1973, em parceria com Manuel Zimbro, consiste na reunião e catalogação de objetos extraídos de contextos culturais diversos, mas unidos pela característica da predominância da cor vermelha. O resultado nos põe em contato com o movimento errático no imaginário contemporâneo dessa cor carregada de simbolismos.

Luiz Roque
1979, Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil. Vive em São Paulo, Brasil

Enquanto o conservadorismo cresce e acirra preconceitos de raça, classe e gênero, o futuro se fortalece como lugar recorrente na obra de Luiz Roque. Não porque o artista queira se omitir sobre o presente ou exercer o progresso como forma de apagar o passado. Quando projeta a vida daqui a trinta ou sessenta anos, busca pelo que atravessa o tempo como esperança, promessa, possibilidade. No limite entre a catástrofe e a redenção – duas estruturas narrativas recorrentes na sua linguagem cinematográfica –, Roque constrói filmes que expressam a natureza inconclusa e cíclica das disputas sociais na história.

Na 32a Bienal, apresenta HEAVEN [Paraíso] (2016), que se passa na segunda metade do século 21, quando a notícia de uma epidemia de origem desconhecida faz os órgãos de saúde levantarem a hipótese de transmissão de um vírus pela saliva de transexuais. A escolha precoce dos suspeitos repete a retórica preconceituosa e acusatória das campanhas contra a Aids na década de 1980. Os medos, portanto, persistem nessa visão do futuro, assim como uma eloquência exercida para fazer crer. A ficção científica fascina justamente por suas afirmações convictas.

Luke Willis Thompson
1988, Auckland, Nova Zelândia. Vive em Auckland

Sucu Mate – Born Dead [Sucu Mate – Nascido morto] (2016) é o resultado de um longo processo de pesquisa sobre o antigo Cemitério Público de Balawa, um cemitério com um histórico de escravidão nas Ilhas Fiji, no Pacífico. Luke Willis Thompson pleiteou os direitos de custódia de uma pequena seleção de lápides dentro de uma área do cemitério segregada racialmente. Em 2015, ele recebeu a aprovação oficial das instituições governamentais de Fiji para excavar materiais anônimos da seção de trabalhadores, ela mesma uma antiga plantação de cana-de-açúcar.

As lápides de concreto puderam ser transportadas para fora do país de Fiji por um período de 24 meses para serem exibidas como objetos de arte, e são apresentadas aqui depois de serem mostradas em Auckland e Brisbane. O trabalho é, nesse sentido, um cemitério móvel, que questiona como as vidas humanas e corpos mortos são inscritos na ordem do poder. O projeto continuará com a repatriação das lápides para Fiji e sua reinstalação no mesmo terreno de onde foram retiradas. Desse modo, o projeto simultaneamente emblematiza a continuidade histórica e a ação do deslocamento – duas operações culturais com relevância nacional, à medida que as ilhas Fiji enfrentam a mudança ecológica e a contínua submersão de suas terras baixas.

Lyle Ashton Harrys
1965, Nova York, EUA. Vive em Nova York

A instalação multimídia de Lyle Ashton Harris, Uma vez, uma vez (2016), é composta por imagens de Ektachrome feitas entre 1986 e 1998, reproduções fotográficas dos diários do artista e trabalhos em vídeo realizados cotidianamente – selecionados do arquivo expansivo do artista. As composições resultantes servem não só como memoriais, mas também para evocar momentos vividos na convergência do pessoal e do político, em uma experiência dinâmica que retoma o tempo passado para impactar afetivamente o presente.

Contendo testemunhos de um período de mudanças culturais sísmicas – a emergência do multiculturalismo, a segunda onda de ativismo da AIDS, e as interseções da cena da arte contemporânea com as comunidades LGBTQ e as resultantes da diáspora africana – a instalação documenta de maneira única a vida pessoal do artista, amigos, familiares e amantes, incluídos em uma paisagem social decisiva.

Ao documentar momentos íntimos ao lado de fatos marcantes da história dos EUA (a Conferência de Cultura Negra Popular de 1991, a trégua entre as gangues Crips e Bloods em 1992, a exposição Black Male em 1994, e a conferência Black Nations/Queer Nations em 1995), a instalação constroi narrativas coletivas e privadas entrelaçadas por acontecimentos públicos e o domínio subjetivo, para discutir identidade, desejo, sexualidade e perda.

Maria Thereza Alves
1961, São Paulo, Brasil. Vive em Berlim, Alemanha

A obra de Maria Thereza Alves envolve aspectos da vida atual ou vestígios encontrados no presente que apontam para ações movidas no passado. A fim de destacar a situação dos povos indígenas da América, a artista desenvolve trabalhos que abrangem questões sobre território, patrimônio cultural e história da colonização. Uma possível reversão de oportunidades perdidas (2016) promove uma discussão em torno de aspectos do conhecimento autóctone ignorados pelas instituições brasileiras e por seus pesquisadores não indígenas, devido a um imaginário ainda marcadamente colonial.

A artista, junto a um grupo de estudantes universitários indígenas, impulsiona a proposição de tópicos não abordados em conferências de diversos campos de pesquisa, tais como saúde, engenharia, educação, ciência, arte, cultura e filosofia. A partir desses tópicos, que levam em consideração não só o conhecimento dos povos nativos, mas também suas demandas científicas, Alves produz cartazes para conferências fictícias, cujas datas sugerem a ideia de já terem sido realizadas. Por meio dos cartazes, sua ação busca confrontar a ausência desse debate e o silenciamento dos povos indígenas em uma sistemática exclusão de sua cultura e de seus saberes no ambiente acadêmico brasileiro e na vida pública.

Mariana Castillo Deball
1975, Cidade do México, México. Vive em Berlim, Alemanha, e na Cidade do México

Mariana Castillo Deball trabalha no cruzamento entre campos como arqueologia, literatura e ciências, apropriando-se de metodologias e práticas comuns a estas áreas. Com frequência, atua em parceria com diferentes tipos de profissionais e instituições para o desenvolvimento de suas obras, promovendo convergências de natureza peculiar às artes visuais.

Suas instalações, publicações e performances agenciam objetos e narrativas, desfazendo fronteiras categóricas e aproximando ciência e ficção. Para a 32a Bienal, a artista trabalhou em parceria com o Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo e o Geopark Araripe, no Ceará, para construir a instalação Hipótese de uma árvore (2016), que consiste em uma estrutura de bambu em forma de espiral que remete a um esquema de representação evolutiva de espécies

A obra conta com dezenas de frotagens – técnica de transferência amplamente utilizada na paleontologia – feitas pela artista em papel japonês a partir de fósseis e materiais geológicos encontrados em sítios arqueológicos, coleções institucionais e fachadas de edifícios na cidade de São Paulo. Ao justapor em espiral os registros de elementos de diferentes naturezas e épocas, Deball coloca em perspectiva ideias de evolução, extinção e história.

Maryam Jafri
1972, Karachi, Paquistão. Vive em Nova York, EUA, e Copenhague, Dinamarca

Maryam Jafri trabalha com instalações, filmes, fotografias, textos e arquivos em projetos que utilizam o potencial crítico da arte para evidenciar ou investigar arqueologias do conhecimento, a política de imagens e a produção de espaços. Fundamentadas em pesquisas e em materiais documentais, suas obras abordam os modos de produção e de circulação de mercadorias na economia capitalista globalizada e a dimensão psicológica da cultura de consumo que esse tipo de economia provoca.

Em Product Recall: An Index of Innovation [Recall de produtos: um índice da inovação] (2014-2015), Jafri investiga coleções privadas ligadas à indústria de alimentos e à publicidade. Seu interesse concentra- se em produtos que foram considerados inovadores nos Estados Unidos a partir dos anos 1970, mas que, por variadas razões, acabaram recolhidos do mercado.

A esses objetos e suas imagens publicitárias a artista justapõe legendas de caráter informativo – estratégia museográfica de apresentação de artefatos e também adotada pela linguagem de apropriação da arte. A montagem limpa contrasta com o apelo visual comumente associado ao design e à publicidade desses produtos, o que faz com que tais estratégias de manipulação, produção de emoções e de desejos se neutralizem, possibilitando um distanciamento crítico.

Michael Linares
1979, Bayamón, Porto Rico. Vive em San Juan, Porto Rico

Michael Linares trabalha com instalação, vídeo, pintura e escultura. Sua obra volta-se, frequentemente, para a reflexão sobre o modo como um objeto pode vir a se tornar arte – ou deixar de ser arte. Linares investiga as narrativas artísticas mediante a prática da apropriação para resgatar propostas de outros artistas e reativá- las de forma crítica, utilizando, porém, o recurso do humor.

Una historia aleatoria del palo [Uma história aleatória do pau] (2014) e Museu do Pau (2013-2016) fazem parte de uma extensa pesquisa do artista sobre como o mesmo objeto ou material ganha diferentes atribuições e acepções ao longo do tempo e em diversas culturas. Por meio de uma grande coleção de paus e de objetos derivados desse elemento rudimentar, incluindo um vídeo que retrata seus diferentes usos, Linares cria uma espécie de inventário que combina o gesto artístico a um sentido antropológico, interessado em interpretar a cultura em um contexto museológico específico.

Linares age como o colecionador que retira as coisas de seu contexto e os insere na superfície aparentemente neutra do museu, no qual passam a se conectar com valores estéticos museológicos e se distanciam de sua qualidade utilitária.

Michal Helfman
1973, Tel Aviv, Israel. Vive em Tel Aviv

Michal Helfman trabalha com escultura, desenho, instalação, performance, dança e filme. Para a 32a Bienal, a artista apresenta a videoinstalação Running Out of History [Esgotando a história] (2015-2016), filme ficcional com roteiro baseado em entrevistas reais da artista com a ativista israelense Gal Lusky, que criou uma organização não governamental atuante em lugares nos quais a entrada de ajuda humanitária internacional é dificultada por seus regimes políticos.

O filme traz uma narrativa sobre justiça, construção histórica, arte, política e práticas ativistas. As discussões giram em torno de temas como contrabando, semelhanças e diferenças entre ativistas e artistas, figuras que podem inspirar e influenciar a realidade. As conversas são moderadas por dois dados impressos em 3D, cada face contém uma palavra da frase “Não perdoaremos, não esqueceremos” – cunhada em Israel acerca do Holocausto, mas que também serviu para legitimar atos de violência praticados por autoridades estatais.

Na impressora 3D, uma dançarina se movimenta de acordo com as direções da máquina. O filme é parte de uma instalação que inclui barreiras e dispositivos, como caixas de transporte e esculturas. Dentro dela está uma escultura de chapa de metal com a imagem de uma balança, sugerindo um signo de ponderação, pesos e medidas ante a condição histórica e política tratada por Helfman.

Misheck Masamvu
1980, Mutare, Zimbábue. Vive em Harare, Zimbábue

Misheck Masamvu é conhecido por suas pinturas provocadoras, que são consideradas reflexões e comentários sobre a paisagem sociopolítica pós- independência do Zimbábue e o lugar desse país no imaginário mundial.

Embora tenha nascido no início do processo de independência do Império Britânico, as cenas de Masamvu visualizam um mundo caótico similar ao retratado no romance "The House of Hunger" (1978), do falecido escritor zimbabuense Dambudzo Marechera – o artista descreveu sua literatura como um “tratamento de choque literário”. O mesmo pode ser dito das pinturas de Masamvu: são declarações de um estado político estagnado e fraturado.

Ainda que sedutoras em seu tratamento de cores e formas, podem ser lidas como uma forma de combate. A guerra aqui é tanto política como espiritual, feita para redimir a apatia humana diante do sofrimento e da dor, condições que levam à exaustão espiritual. Comissionadas pela 32a Bienal, Midnight [Meia-noite] (2016) e Spiritual Host [Anfitrião espiritual] (2016) foram criadas em um contexto de transformação política no Zimbábue, onde protestos recentes contra o governo mostram um povo exigindo uma nova realidade.

Mmakgabo Helen Sebidi
1943, Marapyane, África do Sul. Vive em Joanesburgo, África do Sul

Nascida na vila de Marapyane, Mmakgabo Helen Sebidi aprendeu com a avó técnicas tradicionais de pintura em parede e cerâmica. Mudou-se para Joanesburgo adolescente e, entre as décadas de 1970 e 80, participou de cursos e ateliês em espaços que proporcionaram o contato com outros artistas e um ambiente politizado, o que impactaria a temática de seus trabalhos. Sebidi retrata experiências cotidianas e sabedorias ancestrais, assim como mostra o sofrimento infringido pelo contexto do apartheid, especialmente para mulheres negras.

De seus professores e colegas artistas ela absorveu técnicas de colagem e elementos abstratos, gerando o emblemático díptico Tears of Africa [Lágrimas da África] (1987-1988), presente na 32a Bienal. A obra, produzida em carvão, tinta e colagem, trata de conflitos continentais assim como da aspereza das relações humanas no cotidiano da cidade grande e suas decepções, agravadas pela degradação das estruturas familiares e pelo regime de segregação que vigorou oficialmente na África do Sul de 1948 a 1994.

Novas obras, criadas durante sua residência artística em Salvador, na Bahia, e presentes na exposição, geram uma conversa entre o Brasil e o continente em que Sebidi nasceu e ativam um diálogo entre os dois trabalhos.

Naufus Ramírez-Figueroa
1978, Cidade da Guatemala, Guatemala. Vive em Berlim, Alemanha, e na Cidade da Guatemala

Ao prescindir de arquivos e documentos para a construção de sua obra, Naufus Ramírez-Figueroa procura confrontar narrativas históricas com sua memória ou testemunho, utilizando a gravura, o desenho, a instalação e a performance.

Sua relação com o passado, principalmente da América Latina, se configura por meio de experiências vividas individual ou coletivamente, além de recorrentes referências aos mitos. Para a 32a Bienal, Ramírez-Figueroa retoma a peça Corazón del espantapájaros [Coração do espantalho] (2015-2016), escrita em 1962 pelo dramaturgo guatemalteco Hugo Carrillo.

A partir de um novo roteiro – inspirado no texto original e produzido pelo escritor também guatemalteco Wingston González – e em parceria com artesãos e figurinistas, Ramírez-Figueroa criou máscaras, vestuários e adereços com base nos elementos originais da obra: uma oligarca, um ditador, um soldado, um cardeal e um espantalho.

Ao longo da exposição, atores reencenam, com esses objetos, trechos da peça no pavilhão e no Parque Ibirapuera. Com o projeto, o artista retoma não apenas a memória sobre a censura na Guatemala, mas o conteúdo da peça, vital para a história do teatro e da resistência política de esquerda exercida pelos artistas de seu país.

Nomeda & Gediminas Urbonas
1968, Kaunas, Lituânia. Vive em Cambridge, Massachusetts, EUA / 1966, Vilnius, Lituânia. Vive em Cambridge, Massachusetts, EUA

Nomeda e Gediminas Urbonas desenvolvem uma pesquisa interdisciplinar na qual investigam o papel da imaginação – política, cultural, científica – como ferramenta para transformação social e discussão do espaço público. Em 2014, iniciaram o projeto Zooetics [Zooética] para explorar novas maneiras de conectar o conhecimento humano com o de outras formas de vida.

É o que vemos em Psychotropic House: Zooetics Pavilion of Ballardian Technologies [Casa psicotrópica: Pavilhão zooético de tecnologias ballardianas] (2015-2016). A instalação inspira-se no livro de ficção científica "Vermilion Sands" (1971), do escritor inglês J. G. Ballard, que imagina um mundo no qual existiriam dispositivos tecnológicos vivos, como uma casa capaz de responder aos estados emocionais de seus habitantes.

A obra apresentada na 32a Bienal mostra uma concepção de futuro no qual casas e objetos, mais do que construídos, possam ser cultivados por seus habitantes e usuários e vice versa. Utilizando o micélio, parte do fungo responsável pela absorção de nutrientes, oxigênio e energia em uma relação simbiótica com outras culturas e materiais, os participantes podem criar seus próprios artefatos biotecnológicos (micomorfos), promovendo a interação desse fungo com, por exemplo, casca de café, bagaço de cana-de-açúcar, etc.

Oficina de Imaginação Política
Criada em 2016. Baseada em São Paulo, Brasil

Oficina de Imaginação Política é uma proposta de Amilcar Packer para a 32a Bienal. Partindo das palavras que dão nome ao projeto – oficina, imaginação e política – e junto a um grupo de colaboradores composto por Diego Ribeiro, Jota Mombaça (Monstra Errátika), Rita Natálio, Thiago de Paula e Valentina Desideri, Packer programou sessões de trabalho, apresentações públicas e debates ao longo dos três meses de duração da exposição.

A Oficina, instalada no pavilhão, reúne pesquisa, produção e aprendizado em um mesmo local, enfatizando o uso desse espaço como um lugar de convívio e elaboração coletiva de ferramentas para intervenção na esfera pública. Ao criar uma zona temporária e autônoma com os participantes, as ações concebidas pela Oficina visam ocupar espaços da cidade, do parque e das mídias, indo contra tentativas de captura e controle macropolíticos.

Entendendo que há na imaginação uma potência de reinvenção de territórios conceituais e reformulação de perguntas, narrativas e práticas dentro do que compreendemos como política, e diante do atual contexto sociopolítico nacional e internacional, a Oficina busca resgatar a potência de transformar imagens em ação como ferramenta de resistência e atuação política, e como forma de requalificar a experiência com a arte.

OPAVIVARÁ!
Criado em 2005, Brasil. Baseado no Rio de Janeiro

OPAVIVARÁ! é um coletivo artístico que faz uso de elementos do cotidiano para modificar a dinâmica dos espaços onde se insere. Eles intervêm em objetos e hábitos, alteram seu funcionamento e propõem outras engrenagens, cujo uso requer desaprender o que se pensava conhecido, de modo a reinserir o prazer e o afeto como valores políticos. A criação desses objetos ganha novo sentido quando são trazidos a público e habitados pelos participantes, deflagrando situações, encontros e vivências que visam gerar um curto-circuito nos valores e protocolos dos sistemas nos quais atuam, seja uma praça, seja um museu.

Na 32a Bienal, o coletivo apresenta o trabalho Transnômades (2016), um conjunto de dispositivos móveis de interação pública, que circula pela exposição, pelo parque e por pontos específicos da cidade, buscando um diálogo com as formas de expressão do comércio ambulante e dos carregadores. O OPAVIVARÁ! ressignifica os carrinhos movidos por tração humana e lhes confere usos ligados aos entretempos de trabalho dos próprios carregadores e carroceiros, transformando tais dispositivos em cama, cabana, biblioteca e carro de som. Trata-se de uma reflexão sobre a condição dos agentes nômades da cidade: sua situação vacilante entre lei e improviso, a gambiarra como prática de subsistência e seu estado permanente de migração.

Park McArthur
1984, Carolina do Norte, EUA. Vive em Nova York, EUA

Ao expor discursos e estruturas que organizam os corpos e moldam subjetividades, Park McArthur materializa a política de circulação e mediação de corpos individuais e coletivos. As operações artísticas que ela realiza ocupam zonas limítrofes e tornam visíveis conflitos e negociações de poder que existem entre o público e o privado, entre um corpo e outro. Ao expor esse sistema, a artista tensiona discursos sobre acessibilidade, inclusão, proteção e cuidado.

Para a 32a Bienal, McArthur desenvolveu Sometimes You’re Both [Às vezes você é ambxs] (2016), que consiste em colunas de aço inox distribuídas entre o pavilhão e o parque e que contêm itens que intermediam o contato e as relações íntimas – luvas cirúrgicas estéreis e protetores de dedo. Com diferentes profundidades, as colunas regulam o acesso de acordo com as condições físicas do visitante. Os materiais contidos na instalação ficam à disposição do público e não são repostos. Ao final restará apenas a estrutura que os comporta, como um totem passível de usos espontâneos. As ideias de encontro e de separação são centrais nessa instalação, tanto na relação do corpo e de seus fluidos com o material industrial, antisséptico, como nas relações entre um corpo e outro, da instituição com o parque ou da obra com o público.

Pia Lindman
1965, Espoo, Finlândia. Vive em Fagervik, Finlândia

Em seus projetos, Pia Lindman utiliza-se de metodologias nativas e saberes tradicionais. Ao investigar modos alternativos de ação que superam padrões rígidos de conhecimento, ela busca repensar as convenções de comportamentos sobre como sentimos, moramos, estudamos ou nos curamos.

Nose Ears Eyes [Nariz orelhas olhos] (2016) evidencia a relação ativa entre diferentes seres em um ambiente multissensorial. A obra é baseada na Kalevala finlandesa, uma tradição oral registrada pela primeira vez na idade média, mas reunida e organizada em um épico no século 19. A Kalevala reúne canções e mitos populares, cuja parte medicinal apresenta conhecimentos de práticas centenárias de comunidades rurais, inclusive diferentes técnicas de cura.

Na 32a Bienal, Lindman realiza nos visitantes um tratamento concentrado em articulações e ossos, propondo que a terapia seja uma colaboração entre corpos e mentes. O fluxo de energia também estará presente nas cores e formas dos desenhos com nanquim e pastel quem surgem para a artista enquanto aplica o tratamento.

O potencial de novas relações é expandido para o espaço graças à construção de cabana de barro e bambu que ramifica para uma árvore fora do pavilhão e para outros andares do edifício. Ao abrir caminhos para circulações reais e imaginárias, a artista desafia nossos sentidos e ideias de realidade para além do que é aceito ou esperado.

Pierre Huyghe
1962, Antony, França. Vive em Santiago, Chile e Nova York, EUA

Os trabalhos de Pierre Huyghe desafiam as fronteiras entre ficção e realidade. Sua obra se materializa em meios como filme, situações ou exposições, operando, por vezes, como ecossistemas – jardins, aquários ou um museu com microclima programado. Huyghe inclui em sua prática elementos que desafiam a noção de objeto de arte. Tanto o público quanto outros organismos podem ser incorporados dentro de uma rede dinâmica a fim de criar um grande organismo vivo em constante evolução.

De-Extinction [Des-extinção] (2016) é uma navegação dentro de uma pedra de âmbar, em um instante congelado no tempo, em que uma rede de relações vivas foi interrompida de forma repentina e inusitada. O filme foi feito com câmeras de controle de movimento que captam imagens microscópicas de uma amostra de âmbar – resina fóssil que mantém intactos vestígios de seres vivos por 30 milhões de anos.

O que inicialmente pode se apresentar como um “cosmos” ganha outro aspecto quando o filme conduz ao que se encontra no interior da matéria translúcida, revelando formas imprecisas e texturas até focalizar um casal de insetos – da primeira espécie conhecida pela humanidade – imobilizados em um ato de possível reprodução. No espaço ao lado está De-Extinction (S.P. Evolution) (2016) [Des-extinção (S.P. Evolução)], em que insetos descendentes desta mesma espécie se auto-organizam em seu novo habitat.

Pilar Quinteros
1988, Santiago, Chile. Vive em Santiago

Pilar Quinteros parte de sua relação com o desenho para desenvolver ações que reconfiguram espaços públicos e paisagens por meio de intervenções nesses locais. A artista dirige sua atenção para lugares abandonados ou destruídos, a fim de promover a restauração, reconstrução, substituição ou intervir nos elementos arquitetônicos de edifícios públicos.

Ela também dirige seu olhar para o escombro e a ruína, como elementos de conteúdo vivo, articulados ao tempo presente. No vídeo Smoke Signals [Sinais de fumaça] (2016), Quinteros resgata a história da expedição liderada por Percy Harrison Fawcett, em 1925, em busca de uma cidade perdida que ele chamou “Z”, supostamente situada no estado do Mato Grosso. A artista retoma um imaginário que encontra na América Latina o território fértil para descobertas de paraísos perdidos e civilizações ocultas, encenando uma busca por vestígios da cidade e forjando um encontro com suas ruínas.

Quinteros questiona o relato de cunho histórico, a memória e a capacidade humana de inventar passados enfatizando o caráter frágil e ao mesmo tempo potente das narrativas de expedições como a de Fawcett ao apropriar-se de suas lacunas como possibilidades criativas.

Pope.L
1955, Newark, Nova Jersey, EUA. Vive em Chicago, Illinóis, EUA

Utilizando suportes e formatos variados – performance, instalação, pintura, escultura, desenho – desde meados da década de 1970, Pope.L faz uso do humor e da irreverência como algumas de suas ferramentas críticas. A questão racial nos Estados Unidos, o reflexo das estruturas sociais sobre o espaço público e os privilégios de determinados grupos sociais estão entre seus temas centrais de pesquisa. Para a 32a Bienal, ele desenvolveu um circuito pedonal para São Paulo na performance Baile (2016).

Entre os dias 7 e 10 de setembro, um grupo de participantes caminha pela cidade atravessando regiões marcadas por profunda disparidade socioeconômica. A performance dialoga diretamente com Blink (2011), ação realizada em Nova Orleans, nos EUA, em referência ao furacão Katrina. Na ocasião, Pope.L reuniu voluntários para empurrar um caminhão em cuja traseira projetavam-se fotos da cidade, num alerta às necessidades de mobilização coletiva no pós-desastre.

Priscila Fernandes
1981, Coimbra, Portugal. Vive em Roterdã, Holanda

Em sua produção, Priscila Fernandes reflete sobre o impacto dos contextos industrial e pós-industrial na vida dos indivíduos e em sua percepção sensorial. Em vídeos, publicações, desenhos, pinturas, performances e instalações sonoras, ela aborda as disputas sociais que estão no centro de decisões estéticas de diferentes movimentos modernos.

Na 32a Bienal, Fernandes apresenta três imagens fotográficas, um conjunto de mobiliário e um filme, que constituem a instalação GOZOLÂNDIA E OUTROS FUTUROS (2016). Realizadas por meio de um processo de técnica mista, as imagens são resultado da impressão de negativos expostos à luz, e nos quais a artista intervém por meio de pintura, perfurações e riscos.

O mobiliário, um conjunto de cadeiras de praia, convida o público a um momento de pausa, embora de forma ambígua, pois, diante das obras, o visitante se encontra entre contemplação e análise, distração e atenção, descanso e trabalho.

O filme, realizado inteiramente no Parque Ibirapuera, faz referência ao país da Cocanha, mito medieval sobre a existência de um lugar onde há comida abundante, clima ameno e onde o trabalho é desnecessário. A instalação articula relações entre a estética da abstração e a dicotomia trabalho/ócio, atualizando essa discussão para o contexto de hoje.

Créditos: história

Artistas:
De A a C
De D a G
De H a K
De L a Q
De R a Z

32ª BIENAL DE SÃO PAULO

FUNDAÇÃO BIENAL DE SÃO PAULO – EQUIPE PERMANENTE

Superintendência
Luciana Guimarães

Coordenadoria geral de projetos
Dora Silveira Corrêa · coordenadora

Coordenadoria administrativa
e financeira
Paulo Rodrigues · coordenador

Comunicação
Felipe Taboada · gerente
Adriano Campos
Ana Elisa de Carvalho Price
Diana Dobránszky
Eduardo Lirani
Gabriela Longman
Julia Bolliger Murari
Pedro Ivo Trasferetti von Ah
Victor Bergmann

Projetos Especiais
Eduardo Sena
Paula Signorelli

Relações institucionais e captação
Emilia Ramos · gerente
Flávia Abbud
Gláucia Ribeiro
Marina Dias Teixeira
Raquel Silva

Secretaria geral
Maria Rita Marinho
Carlos Roberto Rodrigues Rosa
Josefa Gomes

Arquivo Bienal
Ana Luiza de Oliveira Mattos · gerente
Ana Paula Andrade Marques
Fernanda Curi
Giselle Rocha
Melânie Vargas de Araujo

Editorial
Cristina Fino

Pesquisa e conteúdo
Thiago Gil

Produção
Felipe Isola · gerente de
planejamento e logística
Joaquim Millan · gerente de
produção de obras e expografia
Adelaide D’Esposito
Gabriela Lopes
Graziela Carbonari
Sylvia Monasterios
Veridiana Simons
Vivian Bernfeld
Viviane Teixeira
Waleria Dias

Programa educativo
Laura Barboza · gerente
Bianca Casemiro
Claudia Vendramini
Helenira Paulino
Mariana Serri
Regiane Ishii

Assessoria jurídica
Ana Carolina Marossi Batista

Finanças
Amarildo Firmino Gomes · gerente
Fábio Kato

Gestão predial e manutenção
Valdomiro Rodrigues da Silva · gerente
Angélica de Oliveira Divino
Larissa Di Ciero Ferradas
Vinícius Robson da Silva Araújo
Wagner Pereira de Andrade

Projetos incentivados
Eva Laurenti
Danilo Alexandre Machado de Souza
Rone Amabile

Recursos humanos
Albert Cabral dos Santos

Tecnologia da informação
Leandro Takegami · gerente
Jefferson Pedro

Serviços Terceirizados
Bombeiros
Empresa Atual
Serviços Especializados

Limpeza
Empresa Tejofran
Saneamento e Serviços

Portaria
Empresa Plansevig
Tercerização de Serviços Eireli

CURADORIA
Curador
Jochen Volz
Cocuradores
Gabi Ngcobo
Júlia Rebouças
Lars Bang Larsen
Sofía Olascoaga

Assistentes
Catarina Duncan
Isabella Rjeille
Sofia Ralston

ARQUITETURA
Alvaro Razuk
Equipe
Daniel Winnik
Isa Gebara
Juliana Prado Godoy
Paula Franchi
Ricardo Amado
Silvana Silva

COLABORADORES COMUNICAÇÃO
Assessoria de imprensa nacional
Pool de Comunicação

Assessoria de imprensa internacional
Rhiannon Pickles PR

Campo Sonoro (audioguia)
Matheus Leston

Design
Roman Iar Atamanczuk

Publicidade
CP+B

Registro e conteúdo audiovisual
Carolina Barres, Fernanda Bernardino, F For Felix

Registro fotográfico
Leo Eloy, Ilana Bar, Tiago Baccarin

Desenvolvimento Webapp
JT Farma

Desenvolvimento Website
Estúdio Existo

COLABORADORES COORDENADORIA DE PROJETOS
Editorial
Rafael Falasco

Produção
Dorinha Santos
Tarsila Riso
Clarissa Ximenes
Felipe Melo Franco

Audiovisual
MAXI Áudio, Luz, Imagem

Cenotécnica
Metro Cenografia

Conservação
Ana Carolina Laraya Glueck
Bernadette Baptista Ferreira
Cristina Lara Corrêa
Tatiana Santori

Iluminação
Samuel Betts

Montagem
Gala
Elastica

Seguro
Axa-Art

PROGRAMA EDUCATIVO
Mediação
Maria Eugênia Salcedo
Supervisores
Anita Limulja
Juliana da Silva Sardinha Pinto
Paula Nogueira Ramos
Silvio Ariente
Valéria Peixoto de Alencar

Mediadores
Peixoto de Alencar Mediadores Affonso Prado Valladares Abrahão
Alexandre Queiroz
Alonzo Fernandez Zarzosa
Ana Carolina Porto da Silva
Ana Lívia Rodrigues de Castro
Ananda Andrade do Nascimento Santos
André Luiz de Jesus Leitão
Ariel Ferreira Costa
Barbara Martins Sampaio da Conceição
Bianca Leite Ferreira
Bruno Coltro Ferrari
Bruno Elias Gomes de Oliveira
Bruno Vital Alcantara dos Santos
Carina Nascimento Bessa
Carlos Eduardo Gonçalves da Silva
Carmen Cardoso Garcia
Carolina Rocha Pradella
Cláudia Ferreira
Daiana Ferreira de Lima
Danielle Sallatti
Danielle Sleiman
Danilo Pêra Pereira
Diane Ferreira
Diran Carlos de Castro Santos
Divina Prado
Eduardo Palhano de Barros
Eloisa Torrão Modestino
Erica da Costa Santos
Felipe Rocha Bittencourt
Flávia de Paiva Coelho
Flávio Aquistapace Martins
Ian da Rocha Cichetto
Janaina Maria Machado
Jorge Henrique Brazílio dos Santos
José Adilson Rodriguês dos Santos Jr
Julia Cavazzini Cunha
Juliana Biscalquin
Karina da Silva Costa
Karina Gonçalves de Adorno
Leonardo Masaro
Letícia Ribeiro de Escobar Ferraz
Lia Cazumi Yokoyama Emi
Ligia Marthos
Lívia Costa Monteiro
Luara Alves de Carvalho
Lucas Francisco Del�no Garcia da Silva
Lucas Itacarambi
Lucia Abreu Machado
Luciana Moreira Buitron
Lucimara Amorim Santos
Ludmila Costa Cayres
Luiz Augusto Citrangulo Assis
Manoela Meyer S de Freitas
Manuela Henrique Nogueira
Marcia Falsetti Viviani Silveira
Marco Antonio Alonso Ferreira Jr
María del Rocío Lobo Machín
Maria Fernanda B Rosalem
Maria Filippa C. Jorge
Marília Souza Dessordi
Marina Baf�ni
Marina Colhado Cabral
Mateus Souza Lobo Guzzo
Nei Franclin Pereira Pacheco
Nina Clarice Montoto
Paula Vaz Guimarães de Araújo
Pedro Félix Ermel
Pedro Wakamatsu Ogata
Renato Ferreira Lopes
Roberta Maringelli Campi
Rogério Luiz Pereira
Rômulo dos Santos Paulino
Thiago da Silva Pinheiro
Thiago Franco
Tiago Rodrigo Marin
Tiago Souza Martins
Vinícius Fernandes Silva
Agendamento
Diverte Logística Cultural

Difusão
Elaine Fontana
Articuladores
Ana Luísa Nossar
Célia Barros
Celina Gusmão
Gabriela Leirias
Maurício Perussi
Valquíria Prates

COLABORADORES COORDENADORIA ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA
Ambulância
Premium Serviços Médicos

Administração
Lays de Souza Santos
Silvia Andrade Simões Branco

Bombeiros
Local Serviços Especializados

Compras
Daniel Pereira Nazareth
Leandro Cândido de Oliveira

Jurídico
Olivieri Sociedade de Advogados

Limpeza
MF Serviços de Limpeza e Conservação

Segurança
Empresa Atual Serviços Especializados

Créditos: todas as mídias
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