Estilo em Campo: Acessórios, cores e tecnologias na moda do futebol

Museu do Futebol

O VALOR DA ESTÉTICA

Cintos, camisas, shorts, tocas, bordados e meiões. A prática do futebol é ornamentada por uma série de acessórios desde seus primórdios. No Brasil, mesmo que inicialmente importadas, as roupas e os adereços atribuíam um status de modernidade aos praticantes. Passadas algumas décadas, essas vestimentas passaram a integrar a cultura e a história do futebol no Brasil e no mundo.

As regras do futebol foram acordadas em 1863, pela Football Association. O uso de cores distintas entre os times adversários se fazia, desde então, obrigatório. Nasciam os uniformes!

A regra era clara: “Cada clube deve enviar ao Secretário uma declaração de suas cores e trajes distintivos”. Até os dias de hoje, o uso do uniforme é ditado nas regras do futebol.

Os uniformes esportivos não se diferenciavam das roupas usadas no início do século XX. O corte e o tecido das camisas e calções esportivos, era o mesmo para os outros trajes da época. Faixas, listras e cores foram recursos de diferenciação visual para os primeiros uniformes.

Cores e listras
No Reino Unido, para impedir uniformes iguais, as cores das camisas dos times passaram a fazer parte de um registro comum. Com o crescimento das Ligas Inglesas, passa a ser obrigatório que cada equipe registrada tivesse uma camisa reserva (branca ou não) para ser usada quando a cor do uniforme original pudesse ser confundida com a do adversário.

O padrão estético das listras lançada pela Liga Inglesa foi reproduzido na maioria dos países onde o futebol se popularizou.

Clubes caprichavam também nos ornamentos, cores e bordados. Afinal, o uniforme era também parte da distinção social.

Brasões e bordados
A partir da década de 1910, os brasões, emblemas e escudos passaram a ocupar espaço importante nas indumentárias esportivas masculinas e femininas. Bordados diretamente no tecido ou aplicados sobre o bolso superior no lado esquerdo de blazers e camisas, os brasões representam a identidade visual das agremiações esportivas.

O emblema também distingue os êxitos e conquistas dos times. A estrela, por exemplo, elemento comumente encontrado nesses adereços, informa as vitórias, simbolizando o respeito e a credibilidade dos clubes campeões ao longo do da história.

Protegendo os corpos
O desenvolvimento industrial, sobretudo do setor têxtil nas décadas de 1920 e 1930, reservou à produção de roupas esportivas novos tipos de tecidos e materiais, ampliando a produção e barateando os custos. A incorporação das evoluções tecnológicas nas roupas e acessórios esportivos afetavam o desempenho dos praticantes, protegiam melhor seus corpos de eventuais contusões, assim como, em alguns casos, a própria dinâmica dos jogos de futebol.
Boinas e caps
As boinas e caps, por exemplo, eram bastante utilizada até o começo dos anos de 1930. Guardavam uma função fundamental: proteger a cabeça dos jogadores.

Isso por que as bolas até esse período apresentavam grossas costuras. Se, em dias secos, elas podiam machucar, tornavam-se ainda mais perigosas nos dias de chuva, quando a bola chegava a dobrar de peso devido à retenção de água.

O fim dos "caps" está associado a uma invenção de três argentinos: Tossolini, Valbonesi e Polo revolucionaram o futebol com um novo modelo de bola. Deixaram para trás as costuras e nós ao utilizarem uma câmara interna inflada por injeção e com uma válvula para saída e entrada de ar.

Tomar um banho de sol
A valorização do banho de sol, atrelada aos benefícios para a saúde e beleza, revelou-se como outra importante contribuição à mudança nas roupas esportivas e cotidianas no início do século XX.

O desnudamento dos corpos a partir dos anos 1930 foi uma mudança de costume que saltou aos olhos, notada principalmente no comprimento dos decotes, saias e shorts.

Trajes femininos
Com o início da I Guerra Mundial em 1914, as mulheres entraram no mercado de trabalho, realizando atividades antes ocupadas por homens: do serviço operário às atividades esportivas e de lazer. 

O USO DAS SAIAS

As saias ficaram mais curtas quando as mulheres reivindicaram roupas de corte mais confortável que lhes permitissem caminhar e trabalhar com mais facilidade.

Nas fábricas norte-americanas e inglesas, surgiram times de futebol de mulheres, que ocuparam com êxito o lugar deixado pelos homens que foram para o front de batalha.

Quando jogavam bola, usavam saias longas ou modificavam a costura plissada de modo que a saia se transformasse em uma espécie de bermuda. O resto do corpo ficava coberto.

Em busca de conforto e eficiência
A busca pelo conforto funcionou como motor das inovações tecnológicas na confecção de materiais esportivos. Permitiram a maximização dos movimentos dos atletas, resultando a melhoria dos seus desempenhos. Nesse sentido, os esforços incidiram, sobretudo, na pesquisa de melhores materiais para confecção das camisas e shorts dos jogadores.

O ALGODÃO CRU

Os tecidos de tonalidade mais clara ou “crus”, sem tingimento, foram os mais populares na fabricação dos primeiros uniformes esportivos no Brasil.

Até a década de 1930, as camisas eram feitas em algodão cru, o que ocasionava na retenção de cerca de 50% de líquidos, seja o suor, seja a chuva.
As bermudas, largas e geralmente amarradas com cintos ou cordões, também mostraram-se, com o tempo, pesadas e inapropriadas ao desempenho dos atletas.

A MALHA DE ALGODÃO

A partir da década de 1930, o algodão cru foi substituído pela malha de algodão. Mais leve, não se deteriorava tão facilmente com uso. A favor do desempenho em campo, os uniformes ficaram mais curtos, as golas mais largas e as bermudas menores.

ESPORTES E... QUÍMICA!

O Jornal Correio da Manhã, editado no Rio de Janeiro, noticiava em 1946 a parceria entre a empresa química brasileira Duperial S.A. com a londrina Imperial. A propaganda ao lado valoriza as contribuições da indústria e da ciência no desenvolvimento dos equipamentos esportivos e gramados dos campos de futebol.

O ELASTANO

Com a invenção do fio de elastano em 1959, houve uma revolução na indústria têxtil a partir da década de 1960. Nos esportes, as roupas ganharam em elasticidade e resistência a perfurações, além de tornarem-se ainda mais leves e com custos mais baixos para a coloração.

NOVOS CORTES: MICRO SHORT E GOLA CANOA

Nos anos 1970, mais uma mudança: surge o micro short masculino e camiseta modelo gola canoa. Essas mudanças permitiam aos jogadores se movimentarem com mais vigor e facilidade. Os micro-shorts perderam sua “hegemonia” somente a partir do final dos anos de 1980, com a substituição do cordão do cós por uma tira elástica.

O POLIÉSTER

Na década de 1980, entra-se na era de tecidos mistos, de fibras sintéticas e naturais. Surge o poliéster, mesclado ao algodão. Já em 1990, as camisas de futebol foram produzidas integralmente em Poliéster. Apesar da leveza e resistência do material, eram desconfortáveis pois retinham muito suor, já que as fibras sintéticas não retém os líquidos. O corte da camisa e calção voltou a adotar o modelo mais largo.

O DRI-FIT

A partir do final dos anos 1990, o Dri-Fit, da empresa Nike, elevou muito o conforto do tecido das roupas esportivas. O material absorve o líquido e o elimina através da parte exterior do tecido, facilitando a evaporação do suor.

Cem anos depois do surgimento dos esportes modernos, a tecnologia da indústria têxtil finalmente solucionou o problema da retenção dos líquidos, que faziam os uniformes pesarem muito no corpo dos atletas.

CLIMACOOL E CLIMALITE

A partir dos anos 2000, as técnicas chamadas Climalite e a ClimaCool, da empresa Adidas, passaram a garantir a evaporação do suor de forma ainda mais rápida. Além disso, a parte externa do tecido das camisetas tornou-se elástica e impermeável, mantendo-a seca em condições de extrema umidade.

TECIDOS DE GARRAFAS PET

Em 2010, a seleção brasileira usou camisas confeccionadas pela Nike feitas a partir da reciclagem de garrafas PET (cerca de 8 garrafas plásticas derretidas para a produção de fios finos para compor o tecido), aliando tecnologia, sustentabilidade e conforto.

O material faz parte da linha Dri-Fit, contendo cerca de 200 pequenos buracos de cada lado cortados a laser, que ajudam na circulação do ar por todo o torso e na dispersão do calor. No lugar da linha, cola para a unir as partes da camisa.

Pins e broches
Utilizados como identificadores no início do século XX, os pins ou broches metálicos há alguns anos já fazem parte do programa de licenciamento dos acessórios vendidos nos mais importantes eventos esportivos, como a Copa do Mundo FIFA e os Jogos Olímpicos.

Esses pequenos broches se tornaram peças de troca entre atletas, torcedores e colecionadores, principalmente por estampar cores ou desenhos que caracterizam seus países de origem ou clubes.

A roupa de gala
Quando as equipes passaram a viajar para competições, muitas seleções e clubes europeus deram aos seus jogadores, além do uniforme de jogo, uma roupa chamada “de gala”. O terno bem cortado se tornou peça imprescindível no guarda-roupa das delegações.

Os paletós, de cores discretas ajudavam a criar a identidade visual do grupo, dos jogadores à comissão técnica.

Até 1958, não eram permitidas substituições em campo. Os jogadores reservas, portanto, não disputavam as partidas, assistindo aos colegas na arquibancada, nos trajes “de gala”.

Créditos: história

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Governador | Geraldo Alckmin
Secretário de Estado da Cultura | José Luiz Penna
Secretário Adjunto de Estado da Cultura | Romildo Campello
Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico | Regina Ponte

IDBrasil Cultura, Educação e Esporte
Organização Social de Cultura gestora do Museu do Futebol
Conselho de Administração
Presidente – Carlos Antonio Luque
Vice Presidente – Clara de Assunção Azevedo
Diretor Executivo – Luiz Laurent Bloch
Diretora Administrativa e Financeira – Vitória Boldrin
Diretora Técnica do Museu do Futebol – Daniela Alfonsi

Exposição virtual “Estilo em campo”

Curadoria, pesquisa e textos – Aira Bonfim e Fernando Breda
Apoio à seleção de imagens – Camila Aderaldo e Julia Terin
Edição de imagens – Rafael Lumazini
Edição final – Daniela Alfonsi

Realização do Núcleo do Centro de Referência do Futebol Brasileiro – CRFB – do Museu do Futebol
Coordenação – Camila Chagas Aderaldo
Pesquisadora – Aira Bonfim
Assistente de Pesquisa – Fernando Breda
Bibliotecário – Ademir Takara
Assistentes de Documentação – Julia Terin e Dóris Régis
Estagiária – Ligia Dona

Créditos: todas as mídias
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