Histórias da loucura: Desenhos do Juquery

MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

“Não é confinando seu vizinho que alguém se convence de sua própria sanidade” — Fiódor Dostoiévski.   Em 2015, no ano em que se dedicou a exposições de seu acervo, o MASP apresentou, de 12.6 a 11.10.2015,  um conjunto extraordinário de desenhos feitos por pacientes do Hospital Psiquiátrico do Juquery, criado em 1898 em Franco da Rocha, São Paulo. 

O conjunto de 102 desenhos foi doado ao Museu em 1974 pelo dr. Osório César (1895-1979), um dos pioneiros das práticas artísticas em hospitais psiquiátricos no Brasil. Para César, esses trabalhos não deveriam ser compreendidos apenas em sua dimensão terapêutica, mas como arte, o que dá sentido à doação dos desenhos a um museu de arte.

César teve uma longa história com o Museu, onde organizou a "I Exposição de arte do Hospital do Juquery" em 1948, um ano após a inauguração do museu, e a exposição "Arte dos alienados", em 1954.

No Museu, a exposição foi dividida em duas salas, uma delas dedicada a Albino Braz, com 42 de seus trabalhos.

Todos os desenhos são feitos de materiais comuns, como papel e lápis, por isso, seu estado de conservação é precário, e seus formatos, pequenos.

A maioria dos desenhos não é datada, embora se suponha que sejam anteriores a 1964, último ano da direção de César na Escola Livre de Artes Plásticas do Hospital do Juquery.

Até recentemente, as obras eram registradas no Museu como “arte dos alienados”, mas nesta oportunidade nós as reclassificamos ao lado das obras que estão como “arte do Brasil”.

O título da exposição apontou para um primeiro capítulo de um projeto maior e de longo prazo do MASP, denominado "Histórias da loucura". Fez também referência ao título do livro "História da loucura" (1961), de Michel Foucault (1926-1984), que elaborou uma genealogia para a ideia de loucura construída no Ocidente.

A loucura, que já esteve associada à liberdade e ao êxtase, passou a ser tomada como doença e foi relegada ao asilo, como condição que deveria ser moralizada, culpabilizada e reprimida.

A proposta da exposição referiu-se a “histórias”, no plural, não como histórias completas e consolidadas, mas abertas, flexíveis, em processo.

A primeira exposição desse importante conjunto de obras, mais de quarenta anos depois de terem chegado ao MASP, indica também caminhos para leituras e considerações alternativas, frequentemente marginalizadas nas histórias da arte, para além das histórias modernas e eurocêntricas, conhecidas e canônicas, na academia e no museu. Ainda temos muito o que aprender com esses desenhos.

MASP - Museu de Arte de São Paulo
Créditos: história

"Histórias da loucura: desenhos do Juquery"
12.6 a 11.10.2015
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Luiza Proença, curadora

Créditos: todas as mídias
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