Obras da Fundação de Serralves

Serralves Foundation

A Coleção de Serralves integra atualmente para cima de 4300 obras, das quais mais de 1700 são propriedade da Fundação de Serralves e as restantes 2600, provenientes de várias coleções privadas e públicas, foram objeto de depósito de longo prazo. A Coleção de Serralves inclui ainda cerca de 5000 livros e edições de artistas. Informação pormenorizada sobre este acervo pode ser consultada em http://biblioteca.serralves.pt.

O núcleo da Coleção de Serralves é a arte contemporânea produzida desde os anos 1960 até à atualidade. Arte produzida antes de 1960 pode também ser considerada em função da sua relevância para a Coleção e os artistas nela representados. "Circa 1968”, a exposição inaugural do Museu de Arte Contemporânea de Serralves em 1999, deu particular destaque às décadas seminais de 1960 e 1970, período histórico de mudanças políticas, sociais e culturais a nível planetário que assistiu à emergência de novos paradigmas do fazer artístico e ao nascimento da era pós-moderna.

Maria José Aguiar (Barcelos, Portugal, 1948)

Dobble 2 (Oito cansado), 1986
Esmalte acrílico sobre tela
140.4 x 179.8 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1989

Helena Almeida (Lisboa, Portugal, 1934), artista consagrada portuguesa, usa o seu corpo como extensão do desenho, da pintura e da fotografia. Nos seus “Desenhos habitados” a artista recorre a fio de crina como elemento tangível tridimensional que transpõe a superfície fotográfica para entrar em diálogo com o espectador.

Explorando a fronteira entre desenho e escultura e as qualidades espaciais do material para desestabilizar a bidimensionalidade da fotografia, Almeida reforça a dimensão performática do seu trabalho usando o seu corpo como meio de surgimento da obra e como obra em si mesmo.

Os trabalhos abstratos de Sónia Almeida (Lisboa, 1978) resultam de uma série de ações através das quais a artista converte a experiência visual do quotidiano numa série de formas ambíguas, que desafiam a perceção do espectador." Red Signal" [Sinal vermelho] (2013) pode representar uma hélice dupla, o símbolo do infinito ou um gráfico.

A pintura de Sónia Almeida parte frequentemente de imagens e objetos do quotidiano da artista. Uma vez registados nos seus cadernos de esboços, estes elementos são fragmentados, estilizados reenquadrados ou sobrepostos, surgindo como composições pictóricas que frustram qualquer tentativa de as organizar em sistemas de signos inteligíveis. As suas obras envolvem-se num sofisticado jogo de aproximação e recuo baseado nas duas tradições históricas maiores da pintura: a sua vocação representativa e a exploração formal.

Manuel Baptista (Faro, Portugal, 1936)

Sem título, 1987
Colagem e pintura sobre tela
160 x 130 cm
Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990

Eduardo Batarda (Coimbra, Portugal, 1943)

Come esta galinha, 1973
Tinta-da-china e aguarela sobre papel
78 x 59 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2000

Michael Biberstein (Solothurn, Suíça, 1948 - Alandroal, Portugal, 2013)

Sem título (Paisagem dupla), 1988
Tinta acrílica e tecido preto sobre linho (díptico)
199.7 x 265.5 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1992

Pedro Calapez (Lisboa, Portugal, 1953)

Sem título, 1987
Óleo sobre tela
250 x 174 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1989

Fernando Calhau (Lisboa, Portugal, 1948 - Lisboa, Portugal, 2002)

Sem título, 1974
Tinta acrílica sobre tela
110 x 110 cm
Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990

Manuel Casimiro (Porto, Portugal, 1941)

Estruturas, 1969
Marcador de feltro sobre papel
70 x 47 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação do artista em 1997

Lourdes Castro (Funchal, Portugal, 1930)

Sombra projectada de Adami, 1967
Plexiglas pintado
130 x 100 x 6 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998

Luís Noronha da Costa (Lisboa, Portugal, 1942)

Esta obra de Noronha da Costa situa-se entre a pintura de paisagem e a pintura de arquitetura. Num estilo propositadamente impessoal e preciso, o artista mostra-nos uma situação implausível em que imaculadas paredes brancas (vistas através de um filtro esverdeante evocador da passagem do tempo) parecem replicar as das galerias de um museu.

A ausência de teto, que torna visível a paisagem "lá fora", instaura a indistinção entre exterior e interior, através da qual a natureza esgueira-se no museu.

António Dacosta (Angra do Heroísmo, Portugal, 1914 - Paris, França, 1990)

Tau, 1989 - 1990
Tinta acrílica sobre madeira
104.5 x 54 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2003

David Goldblatt (Randfontein, Árica do Sul, 1930)

A partir de 1964 e até ao início dos anos 1990 David Goldblatt construiu um amplo testemunho fotográfico das estruturas sociais e culturais da complexa sociedade sul-africana sob o Apartheid e, posteriormente, sob a nova organização social que nasceu no país.

A série “Particulars” centra-se num conjunto de planos aproximados de gestos e atitudes de várias mulheres diante da câmara fotográfica. “Particulars” questiona a função tradicional do retrato, reduzindo-o a pormenores da linguagem corporal de cada um dos fotografados, que ainda assim sugerem as suas características e circunstâncias pessoais.

Dan Graham (Urbana, EUA, 1942)

Recorrendo mais uma vez ao sistema de distribuição dos meios de comunicação," Detumescence" é um anúncio na página de um jornal — um pequeno texto escrito numa linguagem clínica — onde Graham solicitava a contratação de alguém capaz de descrever o que acontece ao corpo e à psique masculinos na experiência pós-coital.

Esta descrição dos aspetos emocionais e fisiológicos posteriores ao clímax sexual do homem evoca o erotismo e a experiência sensorial para abordar um assunto que, de acordo com o artista, se encontrava reprimido na literatura especializada da altura. Nas suas palavras, a peça procurava expor essa “supressão, esse condicionamento psicossexual-social do comportamento”.

Ana Jotta (Lisboa, Portugal, 1946)

You are here, s.d.
Pano cru bordado e debruado a fita de nastro
114 x 143.5 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2006

Anselm Kiefer (Donaueschingen, Alemanha, 1945)

A pintura "Ohne Titel (Landschaft mit Pfeilen)" [Sem título (Paisagem com setas)] foi realizada no ano em que Anselm Kiefer começou a pintar paisagens, às quais sobrepunha sistematicamente elementos gráficos. Este era o método de tornar a pintura de paisagem num palco para a evocação da história e da mitologia

Kiefer foi um dos protagonistas do chamado regresso à pintura dos anos 1980. Aluno de Joseph Beuys na Kunstakademie de Düsseldorf no início da década de 1970, foi inspirado pelo interesse deste artista e professor pelos mitos culturais, as metáforas e os símbolos passíveis de elucidar a identidade e a história recente da Alemanha. Tema recorrente da sua obra pictórica é também a natureza duplicadora da representação, muitas vezes explicitada através da aplicação de objetos e elementos gráficos sobre telas em que também surgem reproduzidos.

Álvaro Lapa (Évora, Portugal, 1939 - Porto, Portugal, 2006)

Em que pensas? No tempo todo, 1979 - 1980
Pastel sobre papel montado sobre tela
100 x 67 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2000

As pinturas de José Loureiro (Mangualde, 1961) revelam mobilidade, vibrações e um largo espectro de efeitos pictóricos. Explorando a pintura como meio e a abstração como abordagem, Loureiro usa uma linguagem visual estritamente baseada na forma, na cor e na linha.

Este trabalho sem título é simultaneamente preciso, físico e expressivo: as pinceladas são rigorosas demonstrando porém a sua natureza manual. A obra decorre da investigação de Loureiro, nomeadamente sobre o espaço pictórico e a sua multiplicação. A pintura pode ser lida como uma manifestação da geometria interna de qualquer tela, normalmente um retângulo de linhas direitas e de ângulos retos.

Jorge Martins (Lisboa, Portugal, 1940)

Labirinto, 1984
Óleo sobre tela
232 x 162 cm
Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990

Marwan (Damasco, Síria, 1934 - Berlim, Alemanha, 2016)

Situation revela uma prática profundamente individualista: uma figura isolada, de pé numa espécie de não-lugar, parece aguardar o desenrolar de uma ação, aprisionada num estado fragmentado da existência. A obra faz parte de um importante conjunto de pinturas realizadas pelo artista de noite, enquanto de dia trabalhava numa oficina de peleiro.

Situation lê-se como um autorretrato psicológico, que revela a condição de exílio e o isolamento do artista e o impacto pessoal dos conflitos políticos e sociais (sobretudo a guerra israelo-árabe de 1973) que abalaram o mundo árabe na segunda metade século XX.

Gordon Matta-Clark (Nova Iorque, EUA, 1943 - Nova Iorque, EUA, 1978)

Portas do Bronx, chãos do Bronx, 1973
Fotografia p/b (2 elementos)
55 x 70.5 cm (cada)
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998

Julie Mehretu (Addis Abeba, Etiópia, 1970)

Sem título, 2012
Grafite sobre papel
56 x 76 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013

Albuquerque Mendes (Trancoso, Portugal, 1953)

A colagem, combinada com a pintura, é um dos meios preferidos de Albuquerque Mendes para experimentar com os significados implícitos das imagens. Em "Catálogo", o artista utiliza recortes de uma revista norte-americana dos anos 1950 dedicada ao crime e uma brochura dos anos 1980 dos portuenses Armazéns Marques Soares. Enquadradas por uma arquitetura urbana desolada e articuladas em conjunto, as figuras apresentadas transmitem mensagens diferentes das supostamente pretendidas nos seus suportes de origem: a bonomia do polícia suscita desconfiança e os modelos de pijama assemelham-se a suspeitos de crimes fotografados pelas autoridades.

Um selo comemorativo português, colado na parte inferior da tela, alude à transmissão de ideias que a pintura promove entre o artista, seu autor, e o espectador. A moldura antiga, restaurada e pintada por Mendes, envolve a pintura e dá-lhe uma condição objetual.

Albuquerque Mendes, artista ativo desde inícios da década de 1970, cruza a pintura, a performance, o happening e a instalação. A sua obra explora temas da cultura pop, tradições populares, formas e rituais religiosos, bem como as condições histórico-sociais de circulação, legitimação e receção da obra de arte. A sua pintura, que muitas vezes inclui colagens, reflete a apropriação e a citação de estilos e iconografia alheios que marcou a arte a partir dos anos 1980. Apropriando-se da maneira de pintores consagrados, como Picasso, Arnulf Rainer, Max Ernst ou Salvador Dalí, as suas pinturas exemplificam o evitar de um estilo próprio que definiu muita da arte produzida na altura. Na verdade, ao aplicar uma lógica de desconstrução pós-moderna, com reminiscências do neodadaísmo e de algum surrealismo, a sua obra é um mostruário de uma parte substancial da história e da história da arte do século XX.

Bernd & Hilla Becher
Hilla Becher (Potsdam, Alemanha, 1934 - Dusseldorf, Alemanha, 2015
Bernd Becher (Siegen, Alemanha, 1931 - Rostock, Alemanha, 2007)

Instalações de preparação, 1962 - 1974
9 fotografias p/b montadas sobre papel
90 x 105.5 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2001

Carlos Nogueira (Maputo, Moçambique, 1947)

Pintura I, 1981
Tinta acrílica sobre papel montado em madeira
30,5 x 38,5 x 6,3 cm
Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990

Paulo Nozolino (Lisboa, Portugal, 1955)

Manchas de sangue, Paris, 1989
Gelatina sais de prata montada em alumínio
120 x 80 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2006

Silke Otto-Knapp (Osnabruck, Alemanha, 1970)

Figure (Horizontal, grey), 2010
Aguarela e guache sobre tela
80 x 100 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2014

António Palolo (Évora, Portugal, 1946 - Lisboa, Portugal, 2000)

Sem título, 1973
Tinta acrílica sobre tela
100 x 180 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2000

Pedro Portugal (Castelo Branco, Portugal, 1963)

Sem título, 1985
Óleo sobre tela
80 x 60 cm
Col. Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2004

Paula Rego (Lisboa, Portugal, 1935)

A cela, 1997
Pastel sobre papel montado sobre alumínio
120 x 160 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, em 1999

"The Studio" (2013), de Jorge Queiroz (Lisboa, 1966), dá continuidade à sua exploração do subconsciente enquanto gerador de imagens inquietantes. Trabalhando entre a abstração e a figuração, e recorrendo a uma paleta de cores ácidas, o artista apresenta paisagens e figuras indefinidas, difusas e fiapos de narrativas, cujo sentido nunca é explícito.

O universo de Queiroz é formado por um imaginário misterioso onde personagens e situações suscitam uma permanente ambivalência entre o real e o fantástico, num constante desafio à interpretação e à construção de um significado coerente. Este teste aos limites entre aquilo que é e não é reconhecível ou representável, associado a um processo de trabalho que privilegia o inconsciente e a associação livre, dando primazia ao aleatório, ao acaso, explica a contínua associação deste artista ao legado surrealista.

Gerhard Richter (Dresden, Alemanha, 1932)

Pintura de sombras, 1968
Óleo sobre tela
67 x 87 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998

Joaquim Rodrigo (Lisboa, Portugal, 1912 - Lisboa, Portugal, 1997)

Paris - Orio é um exemplo das numerosas pinturas-itinerários onde Joaquim Rodrigo estabelece um mapa mnemónico e subjetivo através de uma gramática de signos que representam o trajeto dessa viagem. A composição diagramática, composta por pictogramas e palavras pintados de forma simplista e pueril, remete para o interesse do artista pela arte primitiva e aborígene, sublinhado por uma paleta de cores (que inclui ocres, brancos e pretos) reminiscente da sua formação em agronomia.

Dieter Roth (Hannover, Alemanha, 1930 - Basileia, Suíça, 1998)

Interface 27-28, 1977 - 1979
Madeira, tinta acrílica sobre fotografia a cores, tinta acrílica sobre papel
44.5 x 61.5 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2002

Ed Ruscha (Omaha, EUA, 1937)

Explorando a interação metafórica entre a forma das palavras e o seu significado linguístico, Acting Silly apresenta uma série de letras ordenadas em diagonais paralelas pintadas com extrato de mirtilo. Esta pintura apresenta duas características essenciais da prática de Ruscha: o uso de materiais invulgares como matéria pictórica e a mediação entre palavra e imagem, com as letras seguindo aparentemente a sugestão espirituosa do título.

Julião Sarmento (Lisboa, Portugal, 1948)

Dias de escuro e de luz é a primeira série de um vasto conjunto de obras que, ao longo de toda a década de 1990, Julião Sarmento produz sob o título genérico de Pinturas Brancas. Esta pintura apresenta uma figura feminina entreabrindo um dos vestidos pretos emblemáticos da iconografia do artista. Está acompanhada pelo seu duplo (sombra ou espectro), à esquerda, e por uma forma geométrica arredondada e um jarro de evidente conotação fálica, à direita.

O desenho sóbrio e incisivo, associado à neutralidade do fundo branco, manifesta a intenção de Sarmento de eliminar o caráter descritivo e impactante da cor para, ao invés, procurar 'as formas mais simples com o máximo efeito. 'Quis eliminar todos os pontos de atração porque não me interessavam. Queria que o olhar fosse atraído apenas pela essência daquilo que ali estava', a forma mais simples possível que pudesse traduzir e transmitir a ideia que eu tinha em mente'.

Dias de escuro e de luz revela uma mudança pictórica e plástica no trabalho de Sarmento: a exuberância da forma e a saturação expressiva da cor, características da sua produção da década de 1980, dão agora lugar à contenção formal e à sobriedade tonal. Várias camadas sobrepostas de diferentes tipos de pigmentos brancos misturados com terra e outros materiais compõem uma superfície, que o artista entende como uma "memória da pele", sobre a qual se inscrevem desenhos a grafite que funcionam como cicatrizes reminiscentes de experiências vividas no corpo.

O título desta nova série ressoa as alterações verificadas ao nível da técnica mas também o continuado interesse do artista pela indeterminação semântica das imagens. As suas obras nunca se explicam por si; ao representarem ações que estão prestes a acontecer ou que, pelo contrário, acabaram de acontecer, contêm sempre uma ambiguidade latente, abrindo-se por isso a diferentes sentidos consoante o espectador que as observa.

O protagonista por excelência das obras de Sarmento é uma mulher arquetípica, quase sempre sem rosto e rodeada de referentes espaciais de clausura (plantas arquitetónicas sem entradas nem saídas, escadas e caminhos que não conduzem a lado nenhum) e de objetos (punhais, mesas ou flores) que veiculam pequenas histórias inquietantes em torno de ações como a perseguição, o ataque, a fuga ou a queda. Sarmento procura representar a natureza instintiva, frequentemente voyeurística, narcísica e transgressiva, dos gestos de sedução.

António Sena (Lisbon, Portugal, 1941)

Sem título é uma revisitação do Poème phonétique [Poema fonético, 1924] de Man Ray, um poema “mudo” onde as palavras são substituídas por linhas segmentadas que marcam ritmo e métrica. Enquanto a obra de Man Ray é composta por segmentos negros sob fundo branco, Sena inverte a imagem recobrindo a tela com tinta negra e deixando a branco apenas os segmentos de linha. O silêncio do poema de Man Ray é reafirmado nesta pintura pela impossibilidade fonética da sua mensagem, onde as palavras são substituídas pela sua memória, tornando-se presentes porque ausentes.

Nikias Skapinakis (Lisbon, Portugal, 1931)

Esta pintura faz parte de uma série intitulada Metamorfoses de Zeus que Nikias Skapinakis desenvolveu durante a década de 1970. Neste caso, temas simbólicos da história da arte - como a pintura mitológica ou o nu feminino - são dessacralizados e banalizados através de uma exploração plástica próxima da estética gráfica do cartaz, de clara influência pop.

Ângelo de Sousa (Maputo, Moçambique, 1938 - Porto, Portugal, 2011)

Sem título, 1973 - 1974
Tinta acrílica sobre tela
199.5 x 170 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2003

Simon Starling (Epsom, Reino Unido, 1967)

Em The Pink Museum Simon Starling explora simultaneamente a exposição de objetos – sob a perspetiva de como a sua encenação particular influencia o seu significado – e a história do colonialismo português.

Simon Starling (Epsom, Reino Unido, 1967)

A instalação de dezasseis fotografias foi originalmente produzida em 2001 para a exposição “Squatters”, apresentada na Casa de Serralves e em diferentes locais da cidade do Porto e, mais tarde, nesse mesmo ano, no Centro de Arte Contemporânea Witte de With (Roterdão).

Simon Starling (Epsom, Reino Unido, 1967)

Depois de visitar a Casa de Serralves e o Museu da Liga dos Combatentes, que tinham ambos paredes cor-de-rosa, Starling fotografou, num estúdio propositadamente instalado para o efeito, dez objetos da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais, assim como da Guerra Colonial portuguesa, pertencentes à coleção do Museu.

Simon Starling (Epsom, Reino Unido, 1967)

Para além destas fotografias, produziu também imagens de cada um dos três “locais de exposição cor de rosa” no Porto: a Casa de Serralves, o Museu da Liga dos Combatentes e o espaço alternativo Maus Hábitos.

Paul Thek (Brooklin, EUA, 1933 - Nova Iorque, EUA, 1988)

As pinturas de Paul Thek refletem claramente a intenção de impor a produção artística enquanto expressão da transitoriedade da vida, neste caso particularmente reforçada pela utilização de papel de jornal como suporte. Thek iniciou as pinturas sobre papel de jornal em 1969, produzindo-as, embora com intervalos, até ao fim da vida. Sobre estes dois pedaços de jornal, o artista pintou elementos que associamos à ideia de fragilidade e degradação natural: uma teia de aranha, esboçada sobre um fundo monocromático, e uma batata, objeto humilde e insólito como protagonista de pinturas, cujas protuberâncias indiciam estar já a apodrecer.

Wolfgang Tillmans (Remscheid, Alemanha, 1968)

Fim de transmissão VII, 2014
Impressão a jato de tinta sobre papel, clips. Ed 1/1 + 1 A.P.
273 x 408.7 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2016

Wolf Vostell (Leverkusen, Alemanha, 1932 - Berlim, Alemanha, 1998)

Erdbeeren [Morangos] tem origem numa das ações de rua que Wolf Wostell realizou a partir de 1958 de modo a quebrar as barreiras entre arte e vida. O happening consistiu num autocarro a circular pelas ruas de Berlim durante três dias. O veículo encontrava-se totalmente forrado a chumbo e a comunicação com a rua era possibilitada apenas por monitores televisivos, afixados às laterais, que transmitiam em direto o que estava no interior: uma plantação de morangos que procurava vingar num ambiente sem luz natural nem circulação de ar.

Na rua, os berlinenses eram entrevistados por Vostell sobre o que lhes agradava na cidade." Erdbeeren" é uma metáfora da vida berlinense daqueles anos, condicionada, isolada e atravessada por um muro que era a manifestação mais visível da cortina de ferro político-ideológica que separou o Ocidente do Leste europeu desde o pós-guerra até 1989.

Lynette Yiadom-Boakye (Londres, Reino Unido, 1977)

4am Friday, 2015
Óleo sobre tela
200 x 130 cm
Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2016

Cumprindo o seu programa de pesquisa e desenvolvimento permanentes, a Coleção de Serralves pretende distinguir-se por uma aturada atenção à criação do século XXI, em particular à relação das artes visuais com a performance, a arquitetura e a contemporaneidade no âmbito de um presente pós-colonial e globalizado. Embora repercutindo a arte e as ideias do nosso passado recente, a Coleção tem como objetivo refletir sobre o modo como a arte de hoje também antecipa o seu futuro.

Créditos: história

Fundação de Serralves

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