1914 - 1994

Iberê Camargo: uma cronologia

Fundação Iberê Camargo

Um dos grandes nomes da arte brasileira do século 20 e autor de uma extensa obra que inclui pinturas, gravuras, guaches e desenhos, Iberê Camargo nunca se filiou a correntes ou movimentos, mas exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual brasileiro.

1914
Iberê Bassani de Camargo nasce em 18 de novembro, em Restinga Seca, Rio Grande do Sul, filho de Adelino Alves de Camargo, agente ferroviário e Doralice Bassani de Camargo, telegrafista. Passa a infância em pequenas cidades do interior do Rio Grande do Sul: Erechim, Canela, Boca do Monte, Santa Maria, Cacequi e Jaguari.

1920
A família Camargo transfere-se para o terminal ferroviário de Jaguari.

1922
Iberê é então enviado para o internato em Cacequi, e vai posteriormente para Santa Maria.

1927
Inicia os estudos de pintura na Escola de Artes e Oficios da Cooperativa da Viação Férrea de Santa Maria, onde mora com a avó.

1928
Iberê produz muito e ganha um prêmio de 50 mil-réis na exposição de fim de ano da escola.

1929
Deixa a Escola de Artes e Oficios e se transfere para o Ginásio de Santa Maria, interrompendo assim sua carreira de artista. Em breve, termina por abandonar o ginásio também, e vai para a casa dos pais em Boca do Monte, lugar pouco povoado, onde as atividades locais giram em torno da estação ferroviária.

1932
A família volta para Jaguari. Iberê, então com 18 anos, tem seu primeiro emprego, como aprendiz do escritório técnico do 1° Batalhão Ferroviário. O aprendiz é rapidamente promovido à função de desenhista técnico, para projetar bueiros, rampas, taludes e aterros.

1934
De um breve relacionamento amoroso, nasce sua filha, Gerci, que passa a viver sob os cuidados da mãe de Iberê, dona Doralice.

1936
Iberê muda-se para Porto Alegre. Trabalha como desenhista técnico na Secretaria Estadual de Obras Públicas e retoma os estudos à noite no Curso Técnico de Desenho de Arquitetura do Instituto de Belas-Artes, o qual abandona após 3 anos.

1939
Conhece Maria Coussirat, graduada pelo Instituto de Belas-Artes e professora de desenho da escola primária, com quem se casa em 08 de novembro de 1939.

1940
Em companhia de Vasco Prado, desenha tipos de rua e empregadas domésticas em um galpão de madeira que ele construíra perto de casa.

1940
Realiza pinturas de paisagem às margens de um riacho que atravessa a parte baixa da cidade de Porto Alegre.

1941
Iberê recebe bolsa de estudos do Governo do Estado, desliga-se do serviço público e passa a se dedicar integralmente à pintura. Trabalha sem professor e sem orientação.

1942
Recebe conselhos de João Fahrion, professor da Escola de Belas-Artes.
Realiza sua primeira exposição individual no Palácio Piratini do Governo do Estado, em Porto Alegre, apresentando mais de 200 trabalhos. Recebe nova bolsa de estudos para estudar no Rio de Janeiro, onde chega em agosto. É apresentado a Portinari pelo casal Augusto Meyer. Maria chega em setembro. Conhecem Santa Rosa e Goeldi. Freqüentam o Café Vermelhinho, onde convivem com Adonias Filho, Flávio de Aquino, Milton Dacosta, Djanira e Maria Leontina.

1942
O casal mora inicialmente numa pensão na Praia de Botafogo, e depois em outra, na Rua Esteves Jr., onde Guignard dá aulas particulares para Iberê, tendo Maria como modelo. Recebe de Hans Steiner suas primeiras noções de gravura. Maria trabalha como desenhista de arquitetura na Cia. Construtora Pederneiras.

1943
Ingressa na Escola de Belas-Artes, que logo abandona, e passa a frequentar o curso de Guignard no edifício da UNE no Flamengo.

1943
Funda, com Geza Heller e Elisa Byington, o Grupo Guignard, que, ao fim do ano, faz uma exposição de desenhos no Diretório Acadêmico da Escola Nacional de Belas-Artes, hostilizada pelos estudantes. A exposição é desmontada à força e remontada na Associação Brasileira de Imprensa, e recebe inúmeros elogios da crítica especializada. Ainda nesse mesmo ano, Iberê participa do Salão Nacional de Belas-Artes com três desenhos e integra a Exposição de Pintura Brasileira Moderna, em benefício da Royal Air Force, na Royal Academy of Art, em Londres. O casal Camargo muda-se para o bairro de Laranjeiras.

1944
Com a ida de Guignard para Belo Horizonte, ocorre a dissolução do Grupo Guignard. Iberê passa a trabalhar sozinho num ateliê situado no Largo do Machado. Participa da divisão moderna do 50º Salão Nacional de Belas-Artes, no qual é premiado com medalha de bronze e da I Exposição Brasileira de Autorretratos no Museu Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro.

1945
Participa da divisão moderna do 51º Salão Nacional de Belas-Artes, onde ganha medalha de prata, e da mostra 20 Artistas Brasileiros em Buenos Aires. Com a partida de Guignard, Iberê absorve outras influêndas artisticas, tais como Lasar Segall e, mais tarde, Utrillo.

1946
Sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro é realizada no salão de exposições do Ministério da Educação e Saúde. Em novembro, está entre os artistas que participam do ato de fundação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

1947
Recebe prêmio de Viagem à Europa no 52º Salão Nacional de Belas-Artes (divisão moderna) com a tela Lapa. Essa era a maior distinção artística concedida na época. Pancetti fica com o prêmio de Viagem ao País.

1948
Iberê e Maria viajam para a Europa, onde permanecem durante dois anos e meio. Em Roma, Iberê estuda pintura com Giorgio de Chirico, gravura com Carlo Alberto Petrucci e materiais com Leoni Augusto Rosa. Na Europa, procura ver tudo e copia obras de museus. Visita a Holanda, a Inglaterra, a Espanha e Portugal.

1949
Em Paris, freqüenta a Academia André Lhote, atraído tanto pela leitura do Tratado da Paisagem quanto pela fama de grande professor que esse possui. De manhã, vai à academia e, à tarde, ao Louvre, onde copia mestres como Ticiano, Vermeer, El Greco e Tintoretto.

1950
Novamente em Roma, estuda materiais de pintura com Leoni Augusto Rosa e afresco com Achille. O casal retorna ao Brasil no fim do ano. Iberê volta à paisagem e readquire a cor local. O Museu de Arte Moderna de Resende é inaugurado com exposição coletiva organizada pelo escritor Marques Rebelo, um de seus fundadores, da qual participam Iberê, Dacosta, Guignard, Pancetti e Goeldi. O casal Camargo compra apartamento em Santa Teresa.

1951
Em seu ateliê na Lapa, Iberê realiza suas gravuras em prensa própria e ensina desenho e pintura. É convidado a participar da I Bienal lnternacional de São Paulo e da Bienal Hispano-Americana de Arte, em Madri. No Rio de Janeiro, faz parte do júri do 56º Salão Nacional de Belas-Artes (divisão moderna). Iberê volta às paisagens urbanas e faz pinturas das ruas de Santa Teresa.

1952
A partir deste ano, passa a registrar sua produção de gravuras em metal em seus cadernos de notas. Em agosto, André Lhote vem ao Brasil e Iberê revê o mestre no ateliê do colega Frank Schaeffer. Participa do I Salão Nacional de Arte Moderna e integra a Comissão Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro. Permanece no cargo até 1955.

1953
Como professor concursado, funda o Curso de Gravura em Metal no Instituto Municipal de Belas-Artes do Rio de Janeiro. Tem como alunos Anna Letycia, Vera Mindlim, Eduardo Sued e Ítalo Campofiorito. Iberê defende a idéia de que a gravura deve ser "um meio de expressão comum a todo artista plástico". Inicia nesse ano intensa campanha pela liberação da importação das tintas estrangeiras, no que veio a constituir-se um dos mais importantes movimentos políticos em torno das artes plásticas no país.

1954
Iberê realiza sua primeira exposição individual após a volta da Europa, na Galeria do Instituto Brasil-Estados Unidos, no Rio de Janeiro. A Comissão Nacional de Belas-Artes comprova a má qualidade das tintas nacionais. Lidera, com Djanira e Milton Dacosta, as manifestações pela diminuição das taxas para importação de tintas (enquadradas na categoria de supérfluos), transformando, em protesto, o III Salão de Arte Moderna em Salão Preto e Branco, no qual os artistas apresentam obras em preto e branco, causando enorme repercussão, inclusive fora do país.

1955
Escreve um manual de gravura em forma de apostila. Em Porto Alegre, realiza exposição individual e ministra curso de gravura em metal no Clube da Gravura. Participa da III Bienal Hispano-Americana, em Barcelona. É um dos organizadores do Salão Miniatura, realizado na sede da Associação Brasileira de Imprensa, em protesto contra o alto preço de tintas estrangeiras e material de arte em geral.

1956
Tem uma gravura aprovada pelo júri do V Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, considerada imoral pela comissão organizadora. O episódio causa grande polêmica e a gravura termina sendo apresentada ao público. Integra a mostra Prix Guggeinheim, em Paris. Iberê e Maria mudam-se para Botafogo, onde permanecem até a volta para Porto Alegre, em 1982.

1957
Integra a exposição Arte Moderno en Brasil, realizada no Museu Nacional de Belas-Artes de Buenos Aires, e a coletiva de gravura brasileira em Montevidéu.

1958
Iberê é membro do júri do VII Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, do qual demite-se por divergências quanto aos critérios adotados pelos outros integrantes do júri, e recebe apoio de diversos artistas, entre eles Bruno Giorgi e Djanira. O Instituto de Belas-Artes é oficializado, e passa a ter sede na Praia Vermelha, onde Iberê tem como alunos Carlos Zilio e Carlos Vergara na década de 60. Realiza a exposição individual Iberê Camargo: pinturas e gravuras, 1955 a 1958 na Gea Galeria de Arte, Rio de janeiro, causando grande repercussão.

1958
Devido a uma hérnia de disco, Iberê fica impedido de pintar paisagens nas ruas e é obrigado a permanecer integralmente no ateliê. Realiza os primeiros trabalhos da fase dos Carretéis, que o conduzem posteriormente à abstração. Escreve ainda uma série de contos em italiano, que publicará quase 30 anos depois.

1959
Realiza a exposição Iberê Camargo of Brazil na União Pan-Americana, em Washington, então dirigida pelo escritor Érico Veríssimo. Integra ainda a exposição itinerante de gravadores brasileiros organizada pela Comissão de Cultura e pelo Smithsonian Institute, de Washington. Projeta cenários e figurinos para o balé Rudá (1951), de autoria de Villa-Lobos. Participa ainda da V Bienal Internacional de São Paulo.

1960
Participa do IX Salão Nacional de Arte Moderna, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e da Bienal de Gravuras de Tóquio. Recebe o Prêmio de Gravura na II Bienal Interamericana de Pintura y Grabado, no México. Realiza exposições individuais no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, e no Centro de Artes e Letras de Montevidéu, onde oferece curso de gravura em metal. Expõe ainda na mostra inaugural do Museu de Arte Moderna de Buenos Aires. Ministra curso de pintura na Prefeitura de Porto Alegre, que dará origem ao Ateliê Livre da municipalidade. No Rio, compra ateliê na Rua das Palmeiras. Tem início sua fase dita abstrata, com as séries Núcleos e Desdobramentos.

1961
Iberê recebe o prêmio de melhor pintor nacional na VI Bienal de São Paulo, com as pinturas Fiada de Carretéis 1, 2, 3, 4 e 5. A mostra, cujo diretor geral é Mário Pedrosa, premia também Lygia Clark na categoria escultura. Participa do X Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, e da VI Bienal de Tóquio, no Japão.

1962
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro faz uma retrospectiva de sua obra. Participa da Bienal de Veneza com as pinturas Estrutura I e II, Estrutura Dinâmica I e II, Construção e Movimento, além das seis gravuras Estruturas em Movimento I, II, III, IV, V e VI. Também integram a mostra Alfredo Volpi, Ivan Serpa, Rubem Valentim e Lygia Clark. Participa da exposição coletiva New art of Brazil no Walker Art Center de Minneapolis, no San Francisco Museum of Art e outras instituições dos Estados Unidos.

1963
É homenageado com sala especial na VII Bienal Internacional de São Paulo. Expõe na Petite Galerie, no Rio de Janeiro, e integra duas coletivas: A Paisagem como Tema no Instituto Brasil-Estados Unidos e Resumo de Arte do Jornal do Brasil. Pinta a série Núcleos em expansão, expressão máxima de seus trabalhos abstratos.

1964
Realiza exposição individual na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, sendo referendado por críticos nacionais e estrangeiros. Publica nos Cadernos Brasileiros o artigo A Gravura, escrito originalmente em 1955. Retorna à cor em seus trabalhos.

1965
Participa da importante mostra Brazilian art today, no Royal College of Art Galleries de Londres, sendo apresentada posteriormente na Áustria, Alemanha e Bélgica. Participa do Salon Comparaisons, no Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris e de Ocho Grabadores Brasileños, na Galeria René Mentras, em Barcelona. É convidado para dar aulas de pintura no Museu de Arte do Rio Grande do Sul. Realiza pinturas sobre porcelana, assessorado pela ceramista Luiza Prado.

1966
Realiza um painel para a Organização Mundial de Saúde, em Genebra. Participa da importante coletiva The emergent decade. Latin american painters and painting in the 1960's, no Museu Guggenheim de Nova York, e de coletivas nos Museus de Arte Moderna da Cidade do México e de Buenos Aires. No Rio de Janeiro, inaugura uma exposição individual na Galeria Bonino.

1967
Participa da coletiva Brazilian printmakers, em Washington e da quinta edição da exposição Resumo de Arte do Jornal do Brasil, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Integra a segunda exposição do Ciclo de Estudos de Artes Plásticas no Brasil, na Galeria Macunaíma, Rio de Janeiro.

1968
O MoMA de Nova York adquire seis gravuras do artista. É membro do júri do Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Participa da Bienal Internacional de Tóquio.

1969
Participa de duas exposições coletivas nos Estados Unidos: uma no Art Gallery Center for Inter-American Relations, em Nova York, e outra na Galeria Confianza, Barnegat Light, em New Jersey. No Rio Grande do Sul, realiza duas exposições individuais: na Galeria Yázigi, em Porto Alegre, e na Biblioteca Municipal de Santa Maria. Ministra aulas de pintura para detentos na Penitenciária de Porto Alegre e de gravura em metal na Universidade de Santa Maria, além de um curso de gravura em Montevidéu. Importa da Alemanha nova prensa automática para gravura. Inaugura seu ateliê na rua Lopo Gonçalves, em Porto Alegre.

1970
Realiza exposição individual na Galeria Barcinski, no Rio de Janeiro. Em Porto Alegre, ministra curso de gravura em metal no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Recebe o título de Cidadão de Porto Alegre da Câmara Municipal.

1971
É homenageado com sala especial na XI Bienal Internacional de São Paulo, e o texto do catálogo é de Joaquim Cardozo. Participa da mostra IX Resumo de Arte do Jornal do Brasil, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

1972
Após oito meses de reforma, reinaugura, com uma exposição de telas e desenhos, seu ateliê na rua das Palmeiras, Rio de Janeiro. A obra, realizada com a colaboração do arquiteto Jorge Moreira, recebe materiais isolantes, transformando o local em uma verdadeira "fortaleza à prova de qualquer ruído".

1973
Realiza exposição individual na renomada O’Hana Gallery, em Londres, e recebe boas críticas da imprensa local. Participa da Exposição Internacional de Gravuras na Iugoslávia, da mostra A Gravura Brasileira do Século XX, organizada pelo Museu Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro, dentre outras. Faz estágio de gravura no Ateliê Lacourière, em Paris.

1974
Participa da coletiva Arte gráfica brasileira de hoje em Madri, Barcelona, Viena, Paris e Lisboa. No Rio de Janeiro, expõe guaches na Galeria da Aliança Francesa e gravuras em uma coletiva no Instituto Goethe. O Diretório Acadêmico da Universidade Federal de Santa Maria presta homenagem ao artista inaugurando a Galeria Iberê Camargo.

1975
Realiza exposição individual na Galeria Luiz Buarque de Hollanda e Paulo Bittencourt, no Rio de Janeiro. Participa da II Exposição de Belas-Artes Brasil-Japão, em São Paulo, Rio de Janeiro e Japão. Publica o texto A gravura, originalmente produzido em 1955.

1976
Participa, ao lado de Anna Letycia, Sérgio Camargo, Jayme Maurício e do restaurador Edson Motta, na Câmara dos Deputados, em Brasília, de reunião sobre a necessidade de liberação para a importação de material de trabalho para os artistas. Realiza exposição individual na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro. Participa, com Flávio de Aquino e Walmir Ayala, do júri do Salão Nacional de Arte Moderna.

1977
Inaugura exposições individuais na Galeria Oficina de Arte, em Porto Alegre, e na Galeria Iberê Camargo, na Universidade Federal de Santa Maria. Participa da X Quadrienalle de Roma, da III Exposição de Belas-Artes Brasil-Japão e do V Salão Global de Inverno, que viaja por Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

1978
Participa de exposição realizada por ocasião do I Encontro Ibero-Americano de Críticos de Arte e Artistas Plásticos no Museu de Belas-Artes de Caracas, e realiza sua primeira individual em São Paulo, na Galeria Christina Faria de Paula.

1979
Participa da XV Bienal Internacional de São Paulo. Tem retrospectiva de desenhos realizados entre 1940 e 1977, organizada pelo Museu de Arte do Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, realiza exposição individual na Galeria de Arte Ipanema e, em Paris, na Galeria Debret.

1980
O Museu Guido Viaro, de Curitiba, faz retrospectiva de desenhos de Iberê Camargo. Na Galeria Jean Boghici, no Rio de Janeiro, participa de coletiva em homenagem a Mário Pedrosa. Em dezembro, após ser agredido na rua, atira fatalmente no engenheiro Sérgio Areal, o que marca profundamente a vida e a obra do artista.

1981
É absolvido sob a tese de legítima defesa. Realiza, na Galeria Acervo, no Rio de Janeiro, exposição com as pinturas e desenhos feitos durante o mês em que esteve preso no Regimento Marechal Caetano Farias. Na Galeria de Arte do Centro Comercial de Porto Alegre, faz exposição individual de desenhos e pinturas. Integra a exposição Arte latinoamericano contemporáneo y Japón no Museu Nacional de Arte de Osaka. Sua pintura retorna à figuração e ele começa a pintar telas de grandes formatos.

1982
Iberê e Maria voltam a residir em Porto Alegre. O Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, organiza a exposição Homenagem a Iberê Camargo. Recebe o Diploma de Mérito Cultural da Prefeitura de Porto Alegre. No Rio de Janeiro, integra a mostra Entre a mancha e a figura, realizada no Museu de Arte Moderna, e inaugura exposição individual no Studio de Arte Cláudio Gil. As dificuldades para importação de tintas faz com que artistas se reúnam novamente numa comissão, da qual Iberê faz parte, para a discussão do problema.

1983
O curta-metragem Iberê Camargo: Pintura, Pintura, dirigido por Mário Carneiro, com texto e locução de Ferreira Gullar, é apresentado com a exposição individual de pinturas, desenhos e tapeçarias das séries Carretéis e Dados na Galeria Tina Presser, em Porto Alegre. No Rio de Janeiro, participa das coletivas 3 x 4 - grandes formatos, no Centro Empresarial Rio, e Autorretratos brasileiros: de Visconti aos contemporâneos, na Galeria de Arte Banerj. Integra projeto da Rede Brasil Sul, em comemorações de Ano Novo, produzindo uma pintura para outdoor.

1984
Em comemoração ao 70° aniversário de Iberê, são organizadas várias mostras em todo o país. O Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, apresenta retrospectiva de sua obra. No Rio de Janeiro, além da exposição Viva pintura, na Petite Galerie, são realizadas mostras individuais na Galeria Thomas Cohn e no Studio de Arte Cláudio Gil. Realiza exposição individual na Galeria Luisa Strina, em São Paulo. Participa da mostra coletiva Intervenções no Espaço Urbano, na Fundação Nacional de Arte (Funarte), com dois painéis inspirados no tema das Diretas Já, os quais doa ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

1985
O Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, organiza a mostra retrospectiva Iberê Camargo: trajetórias e encontros, com lançamento do livro Iberê Camargo, o primeiro sobre sua vida e obra, com projeto gráfico de Amílcar de Castro. No ano seguinte, a retrospectiva á apresentada no Museu de Arte de São Paulo, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e na Galeria do Teatro Nacional de Brasília. Recebe o prêmio Golfinho de Ouro, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por sua atuação como artista plástico durante 1984. Integra a sala especial Expressionismo no Brasil: heranças e afinidades, na XVIII Bienal Internacional de São Paulo.

1986
Inicia a construção de sua residência-ateliê, projetada pelo arquiteto gaúcho Emil Bered, na rua Alcebíades Antônio dos Santos, bairro Nonoai, Porto Alegre. Iberê viverá aí até o fim de sua vida. Inicia, com o pseudônimo de Maqui, a publicação de cartuns políticos no Pasquim. Na Galeria Usina, em Vitória, apresenta mostra de desenhos intitulada As Criadas de Genet; na Galeria Max Stolz, em Curitiba, expõe óleos e desenhos e lança a suíte de serigrafias Manequins. Recebe o título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Santa Maria.

1987
Apresenta exposição individual no Centro de Exposições do Palácio Municipal, em Montevidéu, na Galeria Paulo Klabin, no Rio de Janeiro, e nas Galerias Luisa Strina e Montesanti, em São Paulo. Em Porto Alegre, faz exposição individual na Galeria Tina Presser.

1988
Muda-se para o novo ateliê e transfere sua prensa, até então no Rio de Janeiro, para Porto Alegre. Lança o livro de contos No Andar do Tempo, com textos recentes e traduções de seus contos em italiano escritos no fim da década de 1950. Trabalha na série Ciclistas. Integra a mostra Modernidade: arte brasileira no século XX, no Museu de Arte Moderna de Paris e no Museu de Arte de São Paulo, e Os ritmos e as formas da arte brasileira contemporânea, no Sesc Pompeia, em São Paulo, exposição que viaja para o Kunsthal Scharlottenborg, em Copenhague.

1989
Iberê participa de mostras coletivas em São Paulo: Gesto e Estrutura, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, com curadoria de Ronaldo Brito, Panorama de Arte Atual Brasileira/Pintura, no Museu de Arte Moderna, XX Bienal Internacional de São Paulo e Jogo da Memória, nas Galerias Montesanti de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Em Porto Alegre, realiza individuais no Museu de Arte do Rio Grande do Sul e na Galeria Tina Zappoli, em homenagem a seu 75° aniversário.

1990
O Museu Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro, o Espaço Cultural do Banco Francês e Brasileiro, em Porto Alegre, e o Museu de Arte Moderna de São Paulo apresentam a mostra A gravura de Iberê Camargo: uma retrospectiva. Realiza exposição individual de pinturas na inauguração da Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Integra a IX Exposição Brasil-Japão de Arte Contemporânea, em Osaka, e a mostra Rio Hoje, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Apresenta trabalhos da série Ciclistas na Galeria Montesanti-Roesler, em São Paulo, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, e na Galeria Arte Espaço, no Recife.

1991
Participa da coletiva Sobre o Branco, na Galeria São Paulo, e ministra workshop de cinco dias no Centro Cultural São Paulo. No Rio de Janeiro, integra a mostra Mário Pedrosa: Arte, Revolução, Reflexão, no Centro Cultural Banco do Brasil. Publica cartuns políticos sob o pseudônimo de Maqui no jornal Terceira Margem, em Porto Alegre.

1992
Produz uma série de guaches, desde novembro de 1991, a partir da peça O homem da flor na boca, de Luigi Pirandello, em cartaz em Porto Alegre naquele momento. As obras, expostas no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, são colocadas à venda em benefício da campanha de prevenção à Aids, Um ato de amor à vida, lançada pelo protagonista da peça, Manoel Aranha. Os atores da peça transformaram-se em modelos enquanto representavam no ateliê de Iberê. As cenas foram gravadas em filme e integram o curta-metragem Presságio, dirigido por Renato Falcão.

1992
No Rio de Janeiro, integra a mostra De Debret a Iberê, que marca a reabertura do Museu Histórico da Cidade. O Museu da Chácara do Céu da Fundação Raimundo Castro Maya reedita uma gravura sua, cuja chapa original é adquirida pela sociedade Amigos da Gravura. Lança o livro A Gravura, com exposição de gravuras em metal no Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre. Começa a escrever e organizar suas memórias. Produz a icônica série Tudo te é falso e inútil.

1993
Apresenta exposições individuais na Galeria Camargo Vilaça, em São Paulo, no Escritório de Arte da Bahia, em Salvador, e retrospectiva de gravuras no Museu de Arte de Ribeirão Preto. Realiza sua última exposição individual no Museu de Arte de Santa Catarina. Participa das mostras coletivas Poética, no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, e Emblemas do Corpo: o Nu na Arte Moderna Brasileira, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. A Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre inaugura a Galeria Iberê Camargo na Usina do Gasômetro, com uma exposição de guaches do artista.

1994
Iberê conclui a pintura Solidão em 31 de julho. É artista homenageado na XXII Bienal Internacional de São Paulo e participa da exposição Bienal Brasil Século XX. Apresenta retrospectiva no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro. Após longa luta contra o câncer, já no leito de morte, realiza os últimos trabalhos. Iberê morre de câncer no pulmão, aos 79 anos, em 08 de agosto, em Porto Alegre. Deixa um espólio de aproximadamente 7.500 obras. São publicados os livros Iberê Camargo, mestre moderno, com textos de Ronaldo Brito, Rodrigo Naves e Décio Freitas e Conversações com Iberê Camargo, de Lisette Lagnado.

Em outubro de 1995, é criada a Fundação Iberê Camargo, entidade cultural privada e sem fins lucrativos, que tem como objetivos a preservação, o estudo e a divulgação da obra do artista.

Em 2008, é inaugurada a nova sede, projetada pelo arquiteto português Álvaro Siza. O projeto ganha Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2002 e o Mies Crown Hall Americas Prize em 2014.

Atualmente, a Fundação abriga em seu acervo mais de 20 mil documentos e mais de 5 mil obras que testemunham a produção do artista.

Créditos: história

Organização
Gustavo Possamai

Estagiárias
Charlene Cabral
Suzana Witt


Dados baseados na cronologia elaborada por Margarida Maria Sant'Anna de Oliveira, publicada no catálogo Iberê Camargo: século XXI, em 2014, e na cronologia elaborada por Paulo Venâncio Filho e Luiza Mello, publicada no catálogo Iberê Camargo: diante da pintura, em 2003.


Todos os esforços foram feitos para reconhecer os direitos morais, autorais e de imagem. A Fundação Iberê Camargo agradece qualquer informação relativa à autoria, titularidade e/ou outros dados que estejam incompletos nesta edição, e se compromete a incluí-los nas futuras atualizações.
acervo@iberecamargo.org.br


© Fundação Iberê Camargo

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