Missão Artística Francesa: coleção Museu Nacional de Belas Artes

Museu Nacional de Belas Artes

Missão Artística Francesa
A vinda da “Missão Artística Francesa” ao Brasil é sem dúvida, um dos grandes acontecimentos da nossa história artística e cultural. A comitiva de artistas e artesãos, chefiada por Joachim Lebreton (1760-1819) quando chegou ao Rio de Janeiro, em 25 de março de 1816, vinha criar uma escola de arte e ofícios na capital do Reino Unido. A chegada da Missão Francesa não apenas arejou o panorama do cenário artístico e instituiu o estilo neoclássico, mas mudou radicalmente o conceito de produção e do ensino das artes.   A exposição apresenta um núcleo expressivo  de pinturas, desenhos, gravuras, esculturas e medalhas que compõem o alicerce da bicentenária Coleção do Museu Nacional de Belas Artes e oferece ao público o contato com a primeira geração de artistas brasileiros formados por professores estrangeiros que aqui chegaram com Lebreton.
Os pintores da Missão Francesa
Jean Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay

Jean Baptiste Debret
São bem diversas as facetas de Debret como ilustrador dos usos e costumes brasileiros e como pintor oficial, que registrou eventos e cerimônias envolvendo a Família Real Portuguesa, então exilada no Rio de Janeiro e os fatos históricos depois da Independência.
As pinturas de Debret apresentadas mantêm-se fiéis ao programa neoclássico e seu sucedâneo no período napoleônico, o estilo Império. Esta fidelidade a escola francesa chefiada por seu parente e mentor, Jacques Louis Davis (1742-1825), reflete-se em obras como: Retrato de D. João VI e o Estudo para desembarque de Dona Leopoldina no Brasil; ambos de 1817.

Debret foi um fiel cronista dos tempos de D. João VI e D. Pedro I.

Sua pintura é vibrante e nunca monótona.

Nicolas Antoine Taunay

Nasceu em Paris. Aos treze anos, entrou para o estúdio de Lepicié e, posteriormente, no de Brenet. Logo depois, estudou com Casanova, pintor de batalhas e paisagens, a quem considerava seu mestre. Em 1784. Obteve uma pensão para estudar na Academia Francesa em Roma. Veio para o Brasil, em 1816, fazendo parte da chamada Missão Francesa, que viria proporcionar o surto neoclássico no nosso pai e promover a fundação da Academia Imperial de Belas Artes. Aqui, foi um dos fixadores da paisagem urbana do Rio, durante os cinco anos que viveu nessa cidade.

Um arquiteto francês na corte dos trópicos
A arquitetura foi durante muito anos uma área de estudos no âmbito das belas artes, e foi dentro deste contexto que o ensino chegou ao Brasil 

Grandjean de Montigny
Primeiro professor oficial de arquitetura do Brasil, chegou ao Rio de Janeiro em 1816, membro da Missão Artística Francesa. Sua formação deu-se na Escola de Belas Artes de Paris, sob a orientação de Delannoy, Percier e Fontaine. Em 1799, conquistou o Grande Prêmio de Roma.

Detalhe com a inscrição: Medaille d'or remportée a l'exposition du Salon De MDCCCVIII

Aproveitando sua estada na Itália, realizou várias viagens pelo país. Retornou, em 1808, a Paris e participou de concursos abertos pelo Imperador Napoleão Bonaparte.
Em 1810, convidado por Jerônimo Bonaparte, rei da Westfália, executou trabalhos em Cassel. No Brasil, onde veio a falecer, realizou várias obras em estilo neoclássico, dando à arquitetura do Rio de Janeiro uma nova concepção artística.

O ensino oficial de escultura no Brasil 
A primeira tentativa de criação de uma ensino sistematizado, aos moldes dos europeus, foi realizada em 1816 com a vinda da Missão Artística Francesa, que veio com princípios estéticos do Neoclassicismo. O estilo buscava inspiração na arte greco-romana onde a forma clássica era parâmetro para representação de suas criações, com temática de exaltação ao Império, através de temas mitológicos, alegóricos e fatos históricos.  Auguste Marie Taunay foi oficialmente o primeiro professor de escultura da Academia Imperial de Belas Arte. No Brasil, AugusteTaunay não teve a oportunidade de trabalhar como professo, em função de sua morte seis anos após a sua chegada. Em 1817, chegam ao Brasil dois escultores, os irmãos Ferrez – Marc Ferrez e Zépherin Ferrez –, que passam a realizar pequenos serviços particulares e frequentar a Academia como pensionista, sendo Marc Ferrez adjunto nominal de Auguste Taunay. Com a morte de Taunay, em 1824, assume a cadeira de escultura João Joaquim Allão. 

Em 1866, quando assume a direção da Academia Imperial das Belas Artes Nicolas Taunay, os irmãos Ferrez foram nomeados professores das cadeiras de escultura e gravura de medalhas. A partir deste momento, eles passam a formar alunos, trabalhando uma produção neoclássica, com nítida influência da arte romana do período republicano.

Possuem um tratamento neoclássico, notadamente nos olhos, cabelos e na distribuição dos volumes.

Mas é possível perceber no tratamento da musculatura da face e em alguns detalhes da fisionomia uma liberdade que Marc Ferrez trazia de sua admiração pelo realismo romano.

Zépherin Ferrez
Foi gravador de medalhas e também realizou algumas esculturas. Teve uma marcante atuação como professor titular da cadeira de gravura de medalhas e deixando uma vasta produção de medalhas.

Nota-se no detalhe da indumentária,

na perfeição da construção do cabelo e da barba a mão cuidadosa e hábil de um gravador.

A primeira geração de alunos da Academia Imperial de Belas Artes
Um dos principais legados deixados por Debret, Marc Ferrez e Grandjean de Montigny foi a formação de pintores, escultores e arquitetos que deram continuidade, tanto na Academia Imperial de Belas Artes, como em suas carreiras profissionais, à atividade de seus orientadores, consolidando o ensino acadêmico de arte e proporcionando a profissionalização de inúmeras gerações de artistas que os sucederam até os anos finais do século XIX.

Correia de Lima
Foi um dos típicos transmissores do conhecimento absorvido dos mestres franceses. Como titular, a partir de 1840, da cadeira de Pintura Histórica da Academia.
O trabalho de Correia de Lima que mais se notabilizou foi o famoso retrato de Simão,

reproduzindo as feições do marinheiro herói do naufrágio acontecido em 1853, na costa de Santa Catarina. Em pleno período escravagista, um negro é representado dignamente, deixando de ser um personagem secundário.

Maestro Francisco Manuel ditando o Hino Nacional a suas enteadas

Uma rara imagem do autor do hino nacional brasileiro

Manuel de Araújo Porto Alegre
A atividade qualificada e múltipla de Porto-Alegre, que foi pintor, arquiteto, precursor da arte da caricatura, da nossa historiografia e crítica de arte, além de poeta de reconhecida importância dentro do movimento romântico brasileiro, trouxe-lhes grande notoriedade nos meios culturais no Brasil de sua época. Foi, ainda, Diretor da Academia Imperial de Belas Artes, entre 1854 e 1857, com destacada atuação. Como pintor, além de suas composições de caráter históricos, com forte acento neoclássico, pintou temas típicos de arte romântica,

como a representação de grutas

e belos ensaios paisagísticos como -Floresta Brasileira

August Muller, nascido em 1815, alemão radicado no Rio de Janeiro, é o autor do retrato de Luísa Francisca Panasco

esposa de Grandjean de Montigny.

Francisco Manuel Chaves Pinheiro
Iniciou seus estudos com Marc Ferrez na Academia Imperial de Belas Artes. Em 1850, entrou para o magistério, sendo nomeado Substituto da Cadeira de Escultura, onde, dois anos mais tarde, tornou-se titular. Seu estilo foi fortemente influenciado pelo neoclassicismo processados pelos membros da Missão Artística Francesa.

Permaneceu como professor de Escultura da Academia até 1884, ano de sua morte.
D. Pedro II muito auxiliou Chaves Pinheiro, não só proporcionando recursos para a realização de obras artísticas, como também enviando-o à Europa em 1867, para observar, como membro da Missão Brasileira, a Exposição Universal de Paris. Nessa ocasião, o escultor recebeu a incumbência de relatar a situação dos museus das principais cidades europeias.

José da Silva Santos, álem de seu trabalho como escultor, substituiu - em 1851 - o grande Zépherin Ferrez na cadeira de Gravuras de Medalhas da Academia.

Artistas contemporâneos a primeira geração
Félix Émile Taunay e Simplício Rodrigues de Sá, mais velhos que os artistas anteriormente apresentados, mas por serem seus quase contemporâneos, por terem formações semelhantes e afinidades estilísticas, além de terem convivido na Academia Imperial, foram incluídos nessa mostra. Nesse mesmo sentido, apresenta-se projeto de José Rodrigues Moreira que mesmo não fazendo parte da primeira geração de alunos de Grandjean de Montigny, foi fortemente influenciado pelo grande arquiteto francês.

Félix Émile Taunay
Embora não seja efetivamente companheiro dos artistas que fizeram parte da primeira geração de alunos, Félix Émile pode ser considerado quase um contemporâneo. Foi diretor da Academia Imperial e durante sua permanência no cargo foram criadas, em 1840, as Exposições Gerais de Belas Artes, além da outorga, a partir de 1845, dos prêmios de viagem ao estrangeiro.
Félix Taunay, nascido em 1795, era francês, filho de Nicolas Taunay,

deixou retratos

e uma obra paisagística de muito interesse, na qual demostra uma preocursora preocupação ecológica.

Simplício Rodrigues de Sá
Nascido em Portugal, em 1785, foi primordialmente um excelente retratista.

José Rodrigues Moreira
Aluno do curso de Arquitetura da Academia Imperial, tendo recebido Menção Honrosa (1850), Grande Medalha de Ouro (1852) e Prêmio de Viagem (1862) nas exposições Gerais de Belas Artes.

Créditos: história

Missão Artística Francesa: coleção do Museu Nacional de Belas Artes

Museu Oscar Niemeyer – Curtiba/PR
De 17 de abril a 29 de julho de 2007

Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP
De 19 de agosto a 23 de setembro de 2007

Curadoria

Pedro Martins Caldas Xexéo
Laura Maria Neves de Abreu
Mariza Guimarães Dias

Créditos: todas as mídias
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