32ª Bienal de São Paulo - de R a Z

Bienal de São Paulo

Incerteza Viva, o tema desta edição, reuniu artistas ao redor do mundo. Conheça seus trabalhos!

Rachel Rose
1986, Nova York, EUA. Vive em Nova York

Em seus vídeos e instalações, Rachel Rose constrói narrativas por meio de processos de edição, utilizando a livre e abundante circulação e associação de vídeos e imagens. A sobreposição de camadas, procedimento comum à pintura, é aplicada aqui a arquivos digitais, criando uma imagem híbrida com forte potencial sinestésico.

A Minute Ago [Um minuto atrás] (2014) é uma reflexão sobre a experiência da catástrofe, que mescla um vídeo encontrado no YouTube de uma súbita tempestade de granizo em uma praia com relatos do arquiteto americano Philip Johnson em sua Casa de Vidro, que, por sua vez, são confrontados com a reprodução da pintura "O funeral de Phocion" (1648), do francês Nicolas Poussin, entre outros elementos.

Também na 32a Bienal, Everything and More [Tudo e mais um pouco] (2015) explora a sensação de total descolamento da Terra relatada por um astronauta. Rose expressa a ideia de infinito por meio de abstrações criadas com experimentos químicos de substâncias cotidianas, justapostas às imagens feitas em um centro de treinamento de astronautas. Os limites entre dentro/ fora, frente/verso, peso/leveza são testados pela artista até que não se reconheçam mais suas distinções – como a presença do Parque Ibirapuera, cuja vista funde-se à instalação.

Rayyane Tabet
1983, Ashqout, Líbano. Vive em Beirute, Líbano

Produzido para a 32a Bienal, o projeto Sósia (2016), de Rayyane Tabet, tem como ponto de partida uma ficção do artista sobre a diáspora libanesa no Brasil e a narrativa que a envolve, culminando na esperança de um eventual retorno e resgate. O trabalho consiste na encomenda da tradução do português para o árabe do romance "Um copo de cólera" (escrito em 1970 e publicado em 1978), do escritor brasileiro Raduan Nassar, filho de imigrantes libaneses, e na publicação do livro em Beirute. A tradução foi feita por Mamede Jarouche, tradutor da primeira edição completa em português do livro As mil e uma noites, e será publicada pela editora libranesa Al-Kamel Verlag.

O trabalho de Tabet pode ser visto como uma colaboração circular entre o artista, o autor, o tradutor e a editora; um encontro entre narrativas e pessoas. O próprio artista assume o papel de provocador, que leva adiante uma ideia com potencial de transformar a compreensão cultural de duas sociedades relacionadas, mas distintas. Na exposição, pode-se ouvir em diversos lugares uma gravação de Tabet lendo em árabe o famoso capítulo “O esporro”. A história de Nassar foi escrita no auge da ditadura militar no Brasil e fala de amor, desejo e raiva.

Rikke Luther
1970, Aalborg, Dinamarca. Vive em Copenhague, Dinamarca, e Berlim, Alemanha

Em Overspill: Universal Map [Transbordamento: Mapa universal] (2016), Rikke Luther explora a natureza orgânica e concreta do mundo e apresenta o resultado de uma pesquisa que mescla interesses diversos e faz referência ao colapso dos conceitos modernos de progresso. A instalação é composta por painéis de azulejos com desenhos em diagramas, relacionando paisagens naturais e catástrofes ambientais com os Bens Globais Comuns (oceano, atmosfera, espaço sideral e Antártida), cuja exploração não pode mais ser regulada pelos acordos estabelecidos pela ONU desde a Segunda Guerra Mundial.

Encontram-se ainda na instalação amostras de petróleo e de lama tóxica recolhida em Mariana, Minas Gerais. Ao lado desses elementos que investigam nossas relações com os lugares que habitamos (casa, Estado, planeta), encontra-se uma cultura de mixomicetos, seres cuja classificação biológica é incerta.

Dotados de um tipo peculiar de inteligência, são capazes de formar redes e se alimentarem de metais pesados, podendo assim despoluir solos contaminados. Completa esse conjunto a escultura de um fóssil de prototaxites – possível ancestral dos fungos que habitou a Terra há cerca de 400 milhões de anos. Esses seres podem remeter a uma era na qual dominavam o mundo outras formas de inteligência.

Rita Ponce de León
1982, Lima, Peru. Vive na Cidade do México, México
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Rita Ponce de León cria instalações que envolvem o público, instigando os visitantes a experimentar diferentes atitudes corporais e modos de se relacionar com os sentidos e com o coletivo. Seus projetos reúnem desenhos, esculturas e propostas de diálogos que desencadeiam trocas entre os corpos, reinventando os espaços. En forma de nosotros [Na forma de nós mesmos] (2016) convida os visitantes a colocarem seus braços, pernas, pés, rosto e tronco em cavidades de uma estrutura coberta de barro.

As posições indicadas foram criadas com base em exercícios de movimentos guiados pela bailarina Emile Sugai e, em seguida, os moldes dos espaços a serem preenchidos foram desenvolvidos a partir dos corpos de diferentes colaboradores, que fazem parte do programa educativo da 32a Bienal. Assim, a artista cria uma paisagem comum para que nos coloquemos em posturas variadas que induzem a uma percepção do que carregamos, sustentamos e levamos adiante por meio de nosso corpo.

O espaço escultórico abriga áudios que descrevem o que seriam jornadas vividas por sementes, como suas ligações com a terra e suas germinações, e desenhos que evocam a ideia de movimento no interior da imagem. Em uma tentativa de desorganizar estados de consciência e hábito automatizados, Ponce de León propõe que nossos pensamentos e sensações ressoem, sejam compartilhados e se transformem.

Rosa Barba
1972, Agrigento, Itália. Vive em Berlim, Alemanha

O filme é o meio e a matéria-prima dos trabalhos de Rosa Barba. Com sua câmera, a artista persegue os vestígios deixados pela ação do homem na paisagem, e tenta entender como eles se relacionam com a realidade – como se inscrevem no inconsciente e como se manifestam coletivamente numa sociedade.

O filme Disseminate and Hold [Disseminar e reter] (2016) estabelece um diálogo com os conteúdos e os sentidos imaginários impregnados na construção conhecida como Minhocão, o elevado de concreto de 3,5 quilômetros construído na cidade de São Paulo em 1970, durante a ditadura militar. As instalações e obras site-specific da artista conjugam imagem, som e texto. Ela cria espaços que representam um estado mental de suspensão, situações liminares em que política e poesia não se separam. Os mecanismos de projeção, incluindo a própria película em celulose, tornam-se esculturas performativas, atores de seus trabalhos.

A instalação White Museum (São Paulo)[Museu branco (São Paulo)] (2010/2016) é uma projeção de luz branca sobre a rampa de entrada do Pavilhão da Bienal, cujo enquadramento, comum à fotografia e ao cinema, torna-se uma presença física, um quadro aberto que proporciona a experiência imagética do espaço e a interferência dos passantes.

Ruth Ewan
1980, Aberdeen, Reino Unido. Vive em Glasgow, Reino Unido

O modo como ideias ganham corpo e transformam a realidade em contextos específicos é um dos focos de interesse de Ruth Ewan, cujos projetos são baseados em pesquisas de arquivo, colaboração com especialistas, catalogação e ressignificação de objetos e documentos históricos. Tais estratégias são utilizadas por Ewan para refletir política e criticamente, no presente, sobre o passado da modernidade europeia.

Back to the Fields [Volta ao campo] (2015/2016) faz referência ao Calendário Republicano Francês, instituído entre 1793 e 1805, como uma forma de organizar o tempo a partir de princípios racionais, abandonando a influência religiosa do calendário gregoriano. O sistema de subdivisão do ano em dias, semanas e meses foi alterado para uma estrutura decimal e os nomes dos meses e dias modificados, remetendo a aspectos do clima e da agricultura de cada época do ano.

O Calendário Republicano Francês é composto por doze semanas de trinta dias. Cada mês é dividido em três semanas, cada semana possui dez dias. Os últimos cinco (ou seis) dias do calendário são dias festivos. A obra questiona a relação que mantemos com a temporalidade e a vida, quando a noção de tempo já não se refere a nenhuma experiência concreta com o mundo natural, tornando-se uma unidade de medida abstrata reguladora de nossas atividades.

Sandra Kranich
1971, Ludwigsburgo, Alemanha. Vive em Frankfurt, Alemanha

Interessada por geometrias complexas e suas transformações no tempo e no espaço, Sandra Kranich utiliza fogos de artifício em suas esculturas, quadros e instalações desde o final dos anos 1990. A pirotecnia é um espetáculo momentâneo e altamente sensorial que divide claramente nossa percepção em antes, durante e depois. São eventos que duram poucos minutos e ficam gravados na memória do espectador, mas que nas exposições geralmente permanecem visíveis apenas como rastros e resquícios. Dentro do contexto de um museu ou galeria, a prática de Kranich critica a lógica baseada na estabilidade, e, em vez disso, se refere incansavelmente ao momento da transformação e do acaso.

Seus trabalhos tornam difusas as fronteiras entre criação e destruição, construção e desconstrução. Para a 32a Bienal, Kranich desenvolveu uma série de trabalhos – R. Relief, 7, 8, 9, 10 [R. Relevo, 7, 8, 9, 10] (2016) e Times Wire [Fio dos tempos] (2010) –, um deles sendo uma série de quadros tricotados, feitos de fios elétricos, e o outro uma série de quadros de metal geométricos e coloridos. Ambos são equipados com explosivos cuidadosamente conectados entre si para que sejam incendiados pela artista de forma coreografada. A queima dos fogos de artifício ocorre na abertura da exposição, confrontando o espectador com uma apresentação claramente marcada pela força transformadora da explosão.

Sonia Andrade
1935, Rio de Janeiro, Brasil. Vive no Rio de Janeiro

Com uma produção pioneira em vídeo nos anos 1970, Sonia Andrade agrega em sua trajetória a arte-correio, o desenho, a fotografia e a instalação. Sua obra acontece independentemente das regras do mercado ou do sistema da arte brasileira vigentes naquele período. Seus vídeos experimentais colocam o corpo no centro da ação, construída na relação direta com a televisão como meio.

Sem espetacularização, seu corpo entra em confronto com a tela e com o aparelho, ora disposto no centro da imagem, ora introduzido em uma gaiola – uma metáfora para a imagem televisiva como aprisionamento. Andrade participa da 32a Bienal com o trabalho Hydragrammas (1978-1993), um conjunto de cerca de cem objetos e suas respectivas reproduções, construídos com materiais coletados e que organizam o vocabulário de formas da arte e da vida cotidiana.

Os objetos derivam de uma espécie de escrita na qual os caracteres são coisas encontradas no mundo, matéria de descarte para a qual a artista dá novo lugar e significado. Formado a partir do neologismo que une o nome de uma escrita e o de um monstro híbrido indomável (a Hidra de Lerna), Hydragrammas é o entrecruzamento de palavras e imagens, um alfabeto imagético.

Susan Jacobs
1977, Sidney, Austrália. Vive em Melbourne, Austrália, e Londres, Reino Unido

A obra de Susan Jacobs evoca imaginários relativos à alquimia e à magia, tornando fenômenos físico- químicos em agentes de transformação dos materiais com os quais trabalha em suas esculturas, instalações e vídeos. Through the Mouth of the Mantle [Através da boca do manto] (2016) é uma instalação que parte de experimentos caseiros em que corpos inanimados parecem ganhar vida de forma mágica.

Por meio do deslocamento desse mecanismo, a artista mostra que as relações entre espécies, sistemas e gestos são capazes de nos fazer reconhecer vida em formas consideradas mortas, desarticulando certezas fundamentais.

Em um tipo de arena estruturada em blocos de areia comprimida, Jacobs reúne uma série de pequenos experimentos, vídeos, esculturas e objetos, dentre eles: uma pá em forma de cabeça de lula, sendo corroída por gálio; elemento químico que também está presente em uma xícara que, ao girar sobre uma plataforma de mármore, forma um espelho parabólico; vídeos que mostram tinta de lula movendo-se no convés de um barco; a cabeça desse molusco girando sobre um disco de mármore; e o experimento caseiro “black snake” [serpente de faraó]. Observá-los e entendê-los como parte de um todo é algo que desafia nossas noções acerca do que vemos, percebemos e sentimos.

Till Mycha | Helen Stuhr-Rommereim & Silvia Mollicchi
1986, Lawrence, Kansas, EUA. Vive em Filadélfia, Pensilvânia, EUA / 1983, Sansepolcro, Itália. Vive em St-Erme, França, e Londres, Reino Unido
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Till Mycha é uma dupla de escritoras e pesquisadoras interessadas nos recentes desenvolvimentos da psicodelia como método e modo de pensamento. Embora exista como agente independente, Till Mycha possui um contínuo envolvimento com a plataforma de publicação Fungiculture.

Para a 32a Bienal, o Till Mycha apresenta The First Decade of June [A primeira década de junho] (2016), um texto com estrutura em torno de algumas cenas do épico Odisseia, de Homero (século 8 a.C.), mas se valendo de um imaginário muito mais amplo, que desfamiliariza o mito original e usa a forma épica para iniciar uma reflexão sobre a aventura.

Embora narre um conjunto de encontros em espaços abstratos que apresentam ambientes, tarefas e entidades pensantes não familiares, o texto explora o que poderia constituir uma estética da aventura e como isso pode ser posto em funcionamento para produzir um novo imaginário coletivo. Operando sobre a Odisseia como narrativa fundadora da cultura helenística e europeia, o método psicodélico de Till Mycha permite aqui forjar outras perspectivas e visões através das quais novas relações com o mito e a cosmogonia possam vir a existir.

Tracey Rose
1974, Durban, África do Sul. Vive em Joanesburgo, África do Sul

Inspirada por A Dream Deferred [Um sonho adiado], um poema de Langston Hughes – poeta que escreveu no período do movimento norte- americano dos 1920 conhecido como Renascimento do Harlem –, a série de esculturas de Tracey Rose, intitulada A Dream Deferred (Mandela Balls) [Um sonho adiado (Bolas de Mandela)] (2013- em curso) é construída como um comentário à lenta desintegração de ideais defendidos na construção de uma nova África do Sul.

Em seu poema, Hughes pergunta se um sonho adiado definha como uma uva ao sol. A imagem da uva passa é interpretada por Rose, que constrói bolas usando materiais pouco convencionais: papel de açougue, fita adesiva, filme de PVC, papel jornal, toalhas de papel, cola etc.

As bolas carregam acúmulos de toda uma vida e geram incertezas arrastadas com esforço por um país ainda em construção. O trabalho faz referência aos testículos de Mandela: seu legado real e mitificado. Também alude ao ato da castração ou esmagamento dos testículos de homens africanos durante o período colonial. O trabalho ainda está em andamento e resultará em um total de 95 edições, idade de Mandela na ocasião de sua morte.

Ursula Biemann & Paulo Tavares
1955, Zurique, Suíça. Vive em Zurique / 1980, Campinas, São Paulo, Brasil. Vive em São Paulo, Brasil

Selva Jurídica se baseia em pesquisas realizadas nas fronteiras da floresta tropical equatoriana, na transição entre as várzeas do Amazonas e a cordilheira dos Andes.

Essa zona fronteiriça é uma das regiões de maior biodiversidade e mais ricas em recursos do planeta, e atualmente se encontra sob pressão da drástica expansão das atividades de extração mineral e petrolífera em grande escala.

Guiando a obra, há uma série de casos jurídicos históricos que trazem a floresta e seus líderes indígenas, advogados e cientistas ao tribunal, incluindo um de tais processos paradigmáticos, no qual recentemente teve ganho de causa o povo de Sarayaku, cujo caso argumentou pela centralidade da “Floresta Viva” na cosmologia, no modo de ser e na sobrevivência ecológica de sua comunidade. Nesses conflitos, a natureza aparece já não como cenário de disputas políticas, e sim como sujeito dotado de direito em seus próprios termos.

Víctor Grippo
1936, Junín, Argentina – 2002, Buenos Aires, Argentina
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As instalações de Víctor Grippo são compostas de objetos do cotidiano, como alimentos, mesas, ferramentas de trabalho, que são deslocados de suas funções habituais e dispostos de modo a gerar sistemas que seguem uma lógica própria. Na criação desses sistemas, o artista se baseia na ideia alquímica de analogia, projetando sentidos ocultos nas propriedades físicas dos elementos e das matérias.

Em Analogía I (1970/1977), a mesa e a terra sugerem a ideia de um ciclo: a energia contida nas batatas sobre a mesa retorna à terra e se renova para se transformar, novamente, em energia e alimento. Em Naturalizar al hombre, humanizar a la naturaleza, o Energía vegetal [Naturalizar o homem, humanizar a natureza, ou Energia vegetal] (1977), observa-se sobre uma mesa batatas e um conjunto de frascos de laboratório contendo líquidos coloridos, que representam distintas propriedades e estágios de transformação física da matéria.

Nessas obras, a constatação da existência de energia nas batatas – e de que ela é liberada em seu processo de putrefação – permite imaginar a consciência humana como energia produzida e transformada coletivamente no tempo. Assim, mediante interpretações analógicas, ampliamos nossa consciência sobre o mundo e sobre o modo como podemos agir para modificá-lo.

Vídeo nas Aldeias
Criado em 1986. Baseado em Olinda, Pernambuco, Brasil

Há três décadas o Vídeo nas Aldeias tem mobilizado debates centrais aos povos indígenas e à produção e difusão audiovisual. O projeto tem como um de seus objetivos a formação de realizadores indígenas, desestabilizando narrativas forjadas com base no olhar externo. Questões éticas e escolhas estéticas são entrelaçadas em seus projetos, que tratam de assuntos como rituais, mitos, manifestações culturais e políticas e experiências de contato e conflito com os brancos.

Fundado pelo indigenista Vincent Carelli, Vídeo nas Aldeias capta recursos e circula seus trabalhos, realiza exibições em comunidades indígenas, festivais de cinema, televisão, internet e elabora materiais didáticos. Para a 32a Bienal, Ana Carvalho, Tita e Vincent Carelli criaram a instalação inédita O Brasil dos índios: um arquivo aberto (2016), que configura um espaço de imersão em imagens, gestos, cantos e línguas de vinte povos distintos, entre eles os Xavante, Guarani Kaiowá, Fulni-ô, Gavião, Krahô, Maxakali, Yanomami e Kayapó.

Reunidos por sua força discursiva e imagética, os trechos constituem mais um ponto de resistência coletiva às tentativas de invisibilidade e apagamento de grupos indígenas e provocam uma ampla reflexão sobre alteridade e convenções de perspectivas culturais.

Vivian Caccuri
1986, São Paulo, Brasil. Vive no Rio de Janeiro, Brasil
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Vivian Caccuri utiliza o som para entrecruzar experiências de percepção sensorial com questões de cunho histórico e social. Por meio de objetos, instalações e performances, seu trabalho cria situações em que o desordenamento da experiência cotidiana abre espaço para que se desnaturalizem também certos significados e narrativas aparentemente tão fixos quanto a estrutura perceptiva. Na 32ª Bienal, a artista apresenta TabomBass (2016), um sistema de som feito com alto-falantes empilhados, como ocorre em festas de rua.

Diante deles, velas acesas dançam com o ar deslocado pelo ritmo de sons graves – linhas de baixo compostas por artistas da cidade Acra, em Gana, que colaboraram com Caccuri, depois de um período de pesquisa nesse país. Acra recebeu grupos de afro-brasileiros após a Revolta dos Malês, levante de escravos ocorrido em 1835 em Salvador.

Hoje, seus descendentes são conhecidos como “tabom” – pois, por não conhecerem os idiomas locais, respondiam com a expressão “tá bom” ao que lhes era perguntado. Com esse pano de fundo histórico, Caccuri busca ampliar os vínculos e os sentidos para pensar o trajeto África-América, propondo encontros nos quais músicos e performers brasileiros improvisam a partir dos graves africanos e realizam, nesse atravessamento, uma produção híbrida.

Wilma Martins
1934, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Vive no Rio de Janeiro, Brasil

Wilma Martins relaciona-se com seu entorno por meio de desenhos, gravuras e pinturas. Na série Cotidiano (1975-1984), seu processo de trabalho consiste em vários estágios, nos quais desenhos e pinturas vêm de e voltam para seus cadernos, como revisitações – ora os desenhos são esboços de pinturas posteriores, ora são registros de uma composição que já nasceu na tela.

Os espaços domésticos, aparentemente ordinários, são habitados por animais silvestres e cobertos por matas e rios que “esparramam-se” ou surgem por frestas do dia a dia, como uma pia repleta de louça e as dobras de um cobertor. Jogando com escalas e cores, a artista torna visível a coexistência de universos supostamente incompatíveis. Em sua obra, o que poderia estar à espreita no inconsciente emerge para atravessar inesperadamente a rotina e ocupá-la com uma atmosfera insólita.

Morando no Rio de Janeiro desde a década de 1960, Martins contempla vistas a partir de sua casa, hábito que cultiva para criar as telas das paisagens. Em Santa Teresa com elefantes (1984) e Rio de Janeiro com cristais (1986), são retratadas novas possibilidades de revelação ou perturbação em meio à vegetação exuberante e às construções urbanas de lugares supostamente triviais.

Wlademir Dias-Pino
1927, Rio de Janeiro, Brasil. Vive no Rio de Janeiro

Wlademir Dias-Pino é artista, poeta, desenhador gráfico, vitrinista. Na década de 1940, fez suas primeiras incursões na poesia, e ao longo das décadas de 1950 e 60 participou da fundação dos movimentos Poema / Processo e Intensivismo. Ao propor uma leitura do mundo a partir das imagens, sua prática desafia a relação entre imagem e linguagem.

Na 32ª Bienal, o artista apresenta um recorte da Enciclopédia Visual Brasileira (1970-2016), uma espécie de inventário de imagens que contém 1001 volumes divididos em 28 séries. As imagens são compostas a partir de conteúdos apropriados de várias origens e épocas.

Dias-Pino trabalha essa iconografia por meio de colagem, recorte, xerox, sobreposição e manipulação digital. O resultado são figuras com tratamento industrial, constituídas de múltiplas camadas: um repositório de conteúdos visuais formados por um amálgama de imagens entre formas e cores empregadas pelo artista. Outdoors (2015- 2016), por sua vez, é constituído por uma série de placas com abstrações geométricas produzidas a partir de paisagens, entre elementos arquitetônicos e hábitos sociais. As placas estão dispostas em diversos pontos do Parque Ibirapuera.

Xabier Salaberria
1969, Donostia-San Sebastián, Espanha. Vive em Donostia-San Sebastián e Barcelona, Espanha

Xabier Salaberria trabalha com escultura, arquitetura e design industrial, recombinando suas sintaxes. Ele explora processos de formalização, assim como o potencial desses meios artísticos de se tornarem outra coisa, devido a seus contextos materiais, ideológicos e institucionais inconstantes. Oscilando entre ser signo e matéria, arte e outra coisa diferente de arte, seus trabalhos se abrem à contemplação como objetos ou situações deslocados ou mesmo intransigentes.

Uma espécie de ponto de fuga daquilo que normalmente são e das normas que adotam, seus trabalhos questionam seu tempo e seu lugar na história. No Pavilhão Ciccillo Matarazzo, que desde 1957 recebe a Bienal de São Paulo, o artista explora relações entre a arquitetura do edifício e a realidade do seu entorno, assim como mobiliza elementos locais da cidade de São Paulo e da história da própria Bienal.

A instalação Restos materiales, obstáculos y herramientas [Restos materiais, obstáculos e ferramentas] (2016) trata daquilo que Salaberria define como a “materialidade abstrata” dos objetos, alguns mais reconhecíveis que outros, que condicionam e alteram a circulação das pessoas no espaço, provocando conexões inesperadas entre os visitantes, os objetos e o lugar. Imagens e elementos de diferentes naturezas buscam ampliar o contexto expositivo, prolongando os limites da sala de exposição em direção à cidade e à rua.

Créditos: história

Artistas:
De A a C
De D a G
De H a K
De L a Q
De R a Z

32ª BIENAL DE SÃO PAULO

FUNDAÇÃO BIENAL DE SÃO PAULO – EQUIPE PERMANENTE

Superintendência
Luciana Guimarães

Coordenadoria geral de projetos
Dora Silveira Corrêa · coordenadora

Coordenadoria administrativa
e financeira
Paulo Rodrigues · coordenador

Comunicação
Felipe Taboada · gerente
Adriano Campos
Ana Elisa de Carvalho Price
Diana Dobránszky
Eduardo Lirani
Gabriela Longman
Julia Bolliger Murari
Pedro Ivo Trasferetti von Ah
Victor Bergmann

Projetos Especiais
Eduardo Sena
Paula Signorelli

Relações institucionais e captação
Emilia Ramos · gerente
Flávia Abbud
Gláucia Ribeiro
Marina Dias Teixeira
Raquel Silva

Secretaria geral
Maria Rita Marinho
Carlos Roberto Rodrigues Rosa
Josefa Gomes

Arquivo Bienal
Ana Luiza de Oliveira Mattos · gerente
Ana Paula Andrade Marques
Fernanda Curi
Giselle Rocha
Melânie Vargas de Araujo

Editorial
Cristina Fino

Pesquisa e conteúdo
Thiago Gil

Produção
Felipe Isola · gerente de
planejamento e logística
Joaquim Millan · gerente de
produção de obras e expografia
Adelaide D’Esposito
Gabriela Lopes
Graziela Carbonari
Sylvia Monasterios
Veridiana Simons
Vivian Bernfeld
Viviane Teixeira
Waleria Dias

Programa educativo
Laura Barboza · gerente
Bianca Casemiro
Claudia Vendramini
Helenira Paulino
Mariana Serri
Regiane Ishii

Assessoria jurídica
Ana Carolina Marossi Batista

Finanças
Amarildo Firmino Gomes · gerente
Fábio Kato

Gestão predial e manutenção
Valdomiro Rodrigues da Silva · gerente
Angélica de Oliveira Divino
Larissa Di Ciero Ferradas
Vinícius Robson da Silva Araújo
Wagner Pereira de Andrade

Projetos incentivados
Eva Laurenti
Danilo Alexandre Machado de Souza
Rone Amabile

Recursos humanos
Albert Cabral dos Santos

Tecnologia da informação
Leandro Takegami · gerente
Jefferson Pedro

Serviços Terceirizados
Bombeiros
Empresa Atual
Serviços Especializados

Limpeza
Empresa Tejofran
Saneamento e Serviços

Portaria
Empresa Plansevig
Tercerização de Serviços Eireli

CURADORIA
Curador
Jochen Volz
Cocuradores
Gabi Ngcobo
Júlia Rebouças
Lars Bang Larsen
Sofía Olascoaga

Assistentes
Catarina Duncan
Isabella Rjeille
Sofia Ralston

ARQUITETURA
Alvaro Razuk
Equipe
Daniel Winnik
Isa Gebara
Juliana Prado Godoy
Paula Franchi
Ricardo Amado
Silvana Silva

COLABORADORES COMUNICAÇÃO
Assessoria de imprensa nacional
Pool de Comunicação

Assessoria de imprensa internacional
Rhiannon Pickles PR

Campo Sonoro (audioguia)
Matheus Leston

Design
Roman Iar Atamanczuk

Publicidade
CP+B

Registro e conteúdo audiovisual
Carolina Barres, Fernanda Bernardino, F For Felix

Registro fotográfico
Leo Eloy, Ilana Bar, Tiago Baccarin

Desenvolvimento Webapp
JT Farma

Desenvolvimento Website
Estúdio Existo

COLABORADORES COORDENADORIA DE PROJETOS
Editorial
Rafael Falasco

Produção
Dorinha Santos
Tarsila Riso
Clarissa Ximenes
Felipe Melo Franco

Audiovisual
MAXI Áudio, Luz, Imagem

Cenotécnica
Metro Cenografia

Conservação
Ana Carolina Laraya Glueck
Bernadette Baptista Ferreira
Cristina Lara Corrêa
Tatiana Santori

Iluminação
Samuel Betts

Montagem
Gala
Elastica

Seguro
Axa-Art

PROGRAMA EDUCATIVO
Mediação
Maria Eugênia Salcedo
Supervisores
Anita Limulja
Juliana da Silva Sardinha Pinto
Paula Nogueira Ramos
Silvio Ariente
Valéria Peixoto de Alencar

Mediadores
Peixoto de Alencar Mediadores Affonso Prado Valladares Abrahão
Alexandre Queiroz
Alonzo Fernandez Zarzosa
Ana Carolina Porto da Silva
Ana Lívia Rodrigues de Castro
Ananda Andrade do Nascimento Santos
André Luiz de Jesus Leitão
Ariel Ferreira Costa
Barbara Martins Sampaio da Conceição
Bianca Leite Ferreira
Bruno Coltro Ferrari
Bruno Elias Gomes de Oliveira
Bruno Vital Alcantara dos Santos
Carina Nascimento Bessa
Carlos Eduardo Gonçalves da Silva
Carmen Cardoso Garcia
Carolina Rocha Pradella
Cláudia Ferreira
Daiana Ferreira de Lima
Danielle Sallatti
Danielle Sleiman
Danilo Pêra Pereira
Diane Ferreira
Diran Carlos de Castro Santos
Divina Prado
Eduardo Palhano de Barros
Eloisa Torrão Modestino
Erica da Costa Santos
Felipe Rocha Bittencourt
Flávia de Paiva Coelho
Flávio Aquistapace Martins
Ian da Rocha Cichetto
Janaina Maria Machado
Jorge Henrique Brazílio dos Santos
José Adilson Rodriguês dos Santos Jr
Julia Cavazzini Cunha
Juliana Biscalquin
Karina da Silva Costa
Karina Gonçalves de Adorno
Leonardo Masaro
Letícia Ribeiro de Escobar Ferraz
Lia Cazumi Yokoyama Emi
Ligia Marthos
Lívia Costa Monteiro
Luara Alves de Carvalho
Lucas Francisco Del�no Garcia da Silva
Lucas Itacarambi
Lucia Abreu Machado
Luciana Moreira Buitron
Lucimara Amorim Santos
Ludmila Costa Cayres
Luiz Augusto Citrangulo Assis
Manoela Meyer S de Freitas
Manuela Henrique Nogueira
Marcia Falsetti Viviani Silveira
Marco Antonio Alonso Ferreira Jr
María del Rocío Lobo Machín
Maria Fernanda B Rosalem
Maria Filippa C. Jorge
Marília Souza Dessordi
Marina Baf�ni
Marina Colhado Cabral
Mateus Souza Lobo Guzzo
Nei Franclin Pereira Pacheco
Nina Clarice Montoto
Paula Vaz Guimarães de Araújo
Pedro Félix Ermel
Pedro Wakamatsu Ogata
Renato Ferreira Lopes
Roberta Maringelli Campi
Rogério Luiz Pereira
Rômulo dos Santos Paulino
Thiago da Silva Pinheiro
Thiago Franco
Tiago Rodrigo Marin
Tiago Souza Martins
Vinícius Fernandes Silva
Agendamento
Diverte Logística Cultural

Difusão
Elaine Fontana
Articuladores
Ana Luísa Nossar
Célia Barros
Celina Gusmão
Gabriela Leirias
Maurício Perussi
Valquíria Prates

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Ambulância
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Administração
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Silvia Andrade Simões Branco

Bombeiros
Local Serviços Especializados

Compras
Daniel Pereira Nazareth
Leandro Cândido de Oliveira

Jurídico
Olivieri Sociedade de Advogados

Limpeza
MF Serviços de Limpeza e Conservação

Segurança
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Créditos: todas as mídias
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