O PORTO HISTÓRICO

Museu do Amanhã

Por quatro séculos, a Região Portuária foi termômetro de profundas transformações no Rio de Janeiro. Centro geográfico de uma metrópole de 12 milhões de habitantes, esse pedaço de terra às margens da Baía de Guanabara nunca esteve tão visível aos cariocas e visitantes.

HISTÓRIAS DO PORTO
Ataques de corsários franceses a um Rio de Janeiro recém-fundado por portugueses deixaram como lição a importância de se defender as áreas ocupadas na orla da Baía de Guanabara. Isto influenciou a expansão do povoamento para a área da Região Portuária. O tempo passou e, em meados do século XVIII, o local, até então inóspito e pouco valorizado, passaria a receber embarcações diversas que se deslocavam entre o continente e o mar, tornando ali um inferno logístico. Esta costa não era uma linha contínua de terra, resultado do aterramento feito no século passado, mas sim composta por ilhas e sacos (pequenas enseadas) nas localidades da Gamboa, Saúde, Santo Cristo e Caju, especialmente entre o Morro da Conceição e o da Saúde (foto: Biblioteca Nacional).

Ilustração do século XIX mostra embarcação na praia dos Mineiros, atual Praça Mauá (foto: Victor Adam/Biblioteca Nacional).

Ilustração mostra a Gamboa no século XIX. A partir de 1808, o estímulo vindo de Dom João VI para a movimentação de carga no porto do Rio intensificou atividades de importação e exportação na área (foto: Biblioteca Nacional).

Gravura do século XVII mostra as primeiras construções em trecho da orla do Rio de Janeiro (foto: Fundação Biblioteca Nacional).

B - Mosteiro de São Bento

Legenda:
F- Antiga Catedral, situada no extinto Morro do Castelo
D - Antigo Convento dos Jesuítas

Legenda:
C - Convento do Carmo (Praça Quinze)

A PEQUENA ÁFRICA
Se falassem as pedras do Cais do Valongo, desenterradas em 2011 após mais de um século escondidas sobre o concreto, diriam que, por ali, passaram até 1 milhão de africanos escravizados entre séculos XVI ao XIX. Somente de 1811 e 1831, foram 500 mil, de acordo com historiadores. O Valongo não era apenas uma praia de desembarque, mas um complexo comercial do mercado escravagista, com armazéns, entrepostos de vendas, lojas que vendiam diversos artefatos. E havia o Lazareto, um local onde os escravos ficavam em quarentena, cujas paredes foram descobertas nas recentes escavações. O local foi "escondido" em 1843 durante a construção do Cais da Imperatriz, que recebeu a princesa Tereza Cristina Maria, do Reino das Duas Sicílias (foto: Marcos Tristão/Museu do Amanhã).

Até meados do século XVIII o desembarque dos escravos africanos era feito na Praça Quinze. O Marquês de Lavradio, em 1769, transferiu o desembarque para “fora da cidade”, que naquele tempo terminava no Mosteiro de São Bento (foto: Biblioteca Nacional).

O Rio, sozinho, em quatro séculos de tráfico negreiro, recebeu 2,4 milhões de africanos, de acordo com historiadores.

O Valongo não era apenas uma praia de desembarque, mas um complexo comercial do mercado escravagista.

Ilustração de Pierre Roche Vigneron, do início do século XVIII, mostra escravos trazidos de Benguela, em Angola, onde funcionou um dos maiores portos exportadores de escravos para o Brasil (foto: Biblioteca Nacional).

O Cais da Imperatriz foi construído em cima das pedras que antes abrigavam o comércio de escravos. Uma forma de apagar às pressas as imagens tristes da escravidão vividas naquela região (foto: Biblioteca Nacional).

CEMITÉRIO DOS PRETOS NOVOS
Longe das visões das classes mais ricas, um descampado do tamanho de um campo de futebol profissional recebeu entre 1774 e 1830 o despejo de escravos que não resistiam à rotina de açoites. Muitos chegavam à Colônia bastante doentes, quase mortos. Durante muito tempo, a localização do Cemitério dos Pretos Novos era desconhecida. Até que, em 1996, durante obras na casa do número 36 da Rua Pedro Ernesto, foram encontradas ossadas que seriam de jovens provavelmente originários de Angola, Moçambique e Quênia. Estava desvendada, por acaso, a exata localização do cemitério, que recebeu 50 mil cadáveres em apenas 56 anos (foto: Marcos Tristão/Museu do Amanhã).

Atualmente, o local abriga o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (foto: Marcos Tristão/Museu do Amanhã).

Confira o vídeo sobre o Cemitério dos Pretos Novos.

RIO INDUSTRIAL E MODERNO
Em meados de 1850, o café, considerado “ouro negro”, se torna a principal engrenagem econômica do Brasil, sendo exportado para outros países pelo Rio. A fabricação e reparos navais, além das estradas de ferro, foram decisivas para o processo de industrialização na Região Portuária. Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, se torna um grande investidor daquela área, que recebe obras de modernização entre o fim do século XIX e início do século XX. A partir de 1903, o presidente da República Rodrigues Alves e o então prefeito do Rio, Francisco Pereira Passos, realizam uma profunda mudança urbanística entre a Praça Quinze e o bairro do Caju (foto: Marcos Tristão/Museu do Amanhã).

Região Portuária vista do Morro do Livramento no fim do século XIX (foto: Biblioteca Nacional).

Em 1910, uma parte do porto, como conhecemos atualmente, foi inaugurada e passou a receber grandes embarcações, além de visitantes ilustres (foto: Biblioteca Nacional).

Além de obras viárias, como as avenidas Rio Branco e Central, outro símbolo da chegada da modernidade ao Rio e à Região Portuária foi a construção do Edifício A Noite, 1º arranha-céu do país (foto: Biblioteca Nacional).

O Edifício A Noite foi inaugurado na Praça Mauá em 1929. Ele abrigou várias empresas, sendo a mais importante delas a Rádio Nacional (foto: Biblioteca Nacional).

Construção do Píer Mauá, onde está localizado o Museu do Amanhã, durante a década de 1940. Obra foi concluída na década de 1950 (foto: Arquivo Nacional).

Imagem de 1964 mostra os galpões da Região Portuária do Rio de Janeiro, ainda sem o Elevado da Perimetral (Arquivo Nacional).

Avenida Rio Branco, antiga Avenida Central, um dos marcos da revitalização do Centro do Rio de Janeiro no século XX (foto: Marcos Tristão/Museu do Amanhã).

SURGE A PERIMETRAL
Uma veia nervosa de concreto no meio da região central do Rio de Janeiro. Assim era conhecido o Elevado da Perimetral, via de ligação entre a Zona Sul e as principais portas de entrada da cidade. Começou a ser planejado na década de 1940, quando o Rio ainda era a capital do Brasil e já dava indícios de que, anos depois, sentiria os reflexos do aumento da frota automotiva. Criada com caráter de servir como auxiliar da Avenida Rio Branco, a via era uma antiga aspiração de engenheiros que buscavam soluções viárias. O projeto saiu do papel em 1957 e a primeira parte do viaduto, interligando as avenidas General Justo e Presidente Vargas, foi inaugurada em 1960. O restante da Perimetral, da Praça Mauá até a Ponte Rio-Niterói, foi erguido ao longo de 18 anos, e entregue em 1978 (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil).

Pilares da Perimetral instalados na Praça Quinze na década de 1950. Ao fundo, o Mercado Municipal, demolido para que o viaduto passasse por ali (foto: Arquivo Nacional).

O atraso na construção da Perimetral não impediu que a obra se tornasse, na época, símbolo da integração da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e via de extrema eficiência (foto: Arquivo Nacional).

Construção do Elevado da Perimetral na Praça Mauá (foto: Arquivo Nacional).

Desenho mostra o projeto do Elevado da Perimetral (foto: Arquivo Nacional).

Para modernizar a Região Portuária, o Elevado da Perimetral foi demolido a partir de 2013.

A orla portuária já sem o Elevado da Perimetral, em 2016, e revitalizada (foto: Marcos Tristão/Museu do Amanhã).

A Praça Quinze sem o Elevado da Perimetral (foto: Marcos Tristão/Museu do Amanhã).

Créditos: história

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Diretor Presidente: Ricardo Piquet
Curador Geral: Luiz Alberto Oliveira
Diretor de Conteúdo: Alfredo Tolmasquim
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Gerente de Exposições e Observatório do Amanhã: Leonardo Menezes
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Redator de Conteúdo: Eduardo Carvalho
Estagiária: Thaís Cerqueira
Fotos: Marcos Tristão; Biblioteca Nacional
Vídeos: Monclar Filmes

Créditos: todas as mídias
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