1914 - 1918

WE KNOW THIS WAR BY HEART    

Europeana

PORTUGAL AND THE GREAT WAR    

“Não é a crueldade de todos aqueles mortos e feridos, o sacrifício de todos os que morrem batendo-se, ou são mortos sem que se batam, que pesa duramente na alma: e a estupidez que sacrifica vidas e haveres a qualquer coisa inevitavelmente inútil. Todos os ideais e todas as ambições são um desvairo de comadres homens. Não há império que valha que por ele se parta uma boneca de criança. Não há ideal que mereça o sacrifício de um comboio de lata. Que império é útil ou que ideal profícuo? Tudo é humanidade, e a humanidade é sempre a mesma – variável mas inaperfeiçoável, oscilante mas improgressiva.” Bernardo Soares, Livro do Desassossego, p. 540.

A I Guerra foi, em todos os sentidos, uma ruptura em dimensões múltiplas e determinou uma viragem a partir do qual o Mundo mudou, e Portugal também.

Inicialmente neutral, formalmente beligerante a partir de 1916, Portugal participou na Grande Guerra, tendo mobilizado mais de cem mil homens. Entre estes, cerca de oito mil perderam a vida nas trincheiras da Flandres ou nos campos de batalha de África.

A Guerra irrompeu num momento em que se operara a transição de regime político que colocara Portugal ao lado da França e da Suíça como únicas repúblicas no quadro europeu, e condicionou o seu percurso. O seu impacto foi penetrante e brutal, perene na história e na memória do País, intenso nas reacções sociais, culturais, artísticas que suscitou, inscrito na história dos que a viveram directa ou indirectamente.

O papel de Portugal durante a Grande Guerra, periférico no contexto europeu, adquiria expressão no espaço mundial, dada a sua extensão e posição geo-estratégica.

O território português, estendendo-se por vários continentes, incluía as colónias de Macau, Timor, Angola, Mozambique, Guiné e Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e o estado da Índia.

Para além da localização das colónias africanas, os Açores, onde se estabeleceu uma base naval americana, constituam pontos relevantes nas ligações mundiais e em particular no contexto da guerra no Atlântico

Capítulo 1. Entre a neutralidade e a beligerância

A 4 de Agosto de 1914, a notícia da declaração de Guerra da Inglaterra à Alemanha chegou a Portugal.

Logo a 7 de Agosto, Bernardino Machado, presidente do Ministério, submeteu ao Congresso da República, reunido extraordinariamente, uma declaração de princípios sobre a condução da política externa portuguesa. Portugal não faltaria ao cumprimento das suas obrigações internacionais, em particular as impostas pela sua aliança com a Inglaterra. Por pressão do Foreign Office, Portugal não podia declarar-se nem beligerante nem neutral face à Guerra na Europa.  

Dias depois, foi decretado o envio de dois destacamentos mistos (artilharia de montanha, cavalaria, infantaria e metralhadoras) com destino a Angola e Moçambique. As primeiras tropas portuguesas partiram para África um mês mais tarde.

“Se formos para a guerra, mostraremos ao mundo que estamos prontos a morrer pela Pátria, que somos alguém que vive porque quer viver”. Teixeira de Pascoais, escritor A Águia. Órgão da Renascença Portuguesa, Dez. 1914, p.161-168.

Instalar-se-ia entretanto a divergência, entre intervencionistas e não-intervencionistas na guerra, mesmo dentro do Governo. Desejada e procurada por uns, poucos, evitada ou rejeitada e criticada por outros, a intervenção de Portugal na Guerra e a participação específica de forças militares na frente europeia desencadeou um debate intenso, conturbado e generalizado, concentrando o confronto de ideias, argumentos e posições políticas extremadas, e concitando a contestação crescente de grande parte da sociedade portuguesa.

Embora a neutralidade acabasse por se manter até Março de 1916, os impactos de um conflito em escalada mundial, prolongando-se por um período muito para além do que se imaginara, faziam sentir-se de forma muito intensa, reflectindo-se na escassez e na carestia de bens essenciais à subsistência de uma população cujos níveis de contestação social e política se intensificavam.

Capítulo 2. A guerra nas colónias portuguesas em África

Em 1914, com excepção da Etiópia, da Libéria e da União Sul Africana, que eram independentes, da Líbia e de Marrocos que não tinham sido ainda “formalmente conquistados”, o resto do continente africano encontrava-se ocupado e dividido entre o Reino Unido, França, Portugal, Alemanha, Espanha, Itália e Bélgica. A Grã-Bretanha detinha o maior império em África, controlando cerca de 4/5 do comércio na região a Sul do Sahara. A Alemanha, por sua vez, dando continuidade à política iniciada por Bismark no final do século XIX, detinha um pequeno império, mas estrategicamente posicionado, estendendo-se de Madagáscar até à entrada do Mar Vermelho. Ambos os impérios faziam fronteira com territórios sob administração portuguesa, cujo domínio tinham começado a disputar no palco internacional.

A posição geo-estratégica dos territórios portugueses em África, aliada à dimensão periférica, económica e financeiramente débil da metrópole, foi, por isso, logo após o assassínio de Sarajevo, acompanhada com particular atenção pela República portuguesa.

Soldado de África! Quantas medalhas te puseram no peito ? 

A 21 de Agosto de 1914, o Presidente do Ministério, Bernardino Machado, decretou a organização e o envio de dois destacamentos mistos (artilharia de montanha, cavalaria, infantaria e metralhadoras) com destino a Angola e Moçambique. 

Entre 1914 e 1918 Portugal mobilizou cerca de 30 000 homens para combater em Angola e em Moçambique. Grande parte dos militares que integraram estas expedições chegaram a África já doentes, incapazes de resistir às terríveis condições de higiene vividas durante a viagem.

“A nossa existência de Estado independente exige o mantenimento do nosso império colonial”. 

Augusto Casimiro, Naulila, Seara Nova, 1922, p.6.

Capítulo 3. Portugal em Guerra: na Europa e no Atlântico

Na sequência da declaração de guerra da Grã-Bretanha à Alemanha um número calculado de 734 navios alemães refugiou-se em águas neutrais; entre esses, cerca de 70 (aproximadamente 242 000 tons) estaria em portos portugueses. Desde 1915 que a Grã-Bretanha pressionada o governo português para que os aprisionasse, argumentando que deviam ser colocados ao serviço dos Aliados. Em 23 de Fevereiro de 1916, a Armada portuguesa aprisionou os navios alemães e austríacos surtos no estuário do Tejo e, com honras militares, hasteou a bandeira de Portugal.

A 9 de Março de 1916 a Alemanha declarou guerra a Portugal. Foram então criados o Corpo Expedicionário Português (CEP) e o Corpo de Artilharia Pesada Independente (C.A.P.I).

A 9 de Março de 1916 a Alemanha declarou guerra a Portugal. Foram então criados o Corpo Expedicionário Português (CEP) e o Corpo de Artilharia Pesada Independente (C.A.P.I).    

Ao longo dos anos de 1917 e 1918 o CEP participou em vários combates. A sua intervenção ficou indissociada da batalha de La Lys, travada a 9 de Abril de 1918, data prevista para a rendição do efectivo militar português. O CEP foi então destroçado pelo exército alemão e inúmeros dos seus efectivos feitos prisioneiros. 

Com a entrada de Portugal na guerra o mar passou a constituir um terceiro teatro de operações, estendendo-se ao longo das costas de Portugal Continental, Madeira, Açores e colónias, em particular na as africanas.

A localização geográfica de Portugal tornava-o local de passagem obrigatória para todas as rotas entre o Atlântico Norte e o Mediterrâneo. Os submarinos alemães sabiam-no, e não hesitam em aproximar-se da costa portuguesa onde se tornam presa fácil, além dos grandes cargueiros a vapor, os navios à vela de pesca e cabotagem.

Ao todo, foram afundados perto de 100 navios de bandeira portuguesa, não só em águas territoriais, mas em lugares tão diversos como os Açores, a Madeira, o Atlântico, o Mediterrâneo, o Golfo da Biscaia, o Canal da Mancha ou o Mar do Norte.

O Roberto Ivens e o Augusto de Castilho foram os dois únicos navios militares portugueses a perderem-se em consequência de uma acção de guerra.

Capítulo 4. Nas trincheiras

Já sabemos esta Guerra de cor

As trincheiras constituíram um elemento paradigmático e marcante na história da I Guerra Mundial. Linha da frente, território conquistado, espaço a defender, zona de confronto e lugar de refúgio. Foram local de vivência comum, residência imposta, surpreendente e monótona, sempre longa... foram reduto de convívio e partilha para milhares de soldados, dos dois lados de uma linha, às vezes difusa, separando um espaço disputado, impreciso, inseguro.

Síntese perfeita, a de André Brun (oficial do exército, humorista e dramaturgo): “Já sabemos esta guerra de cor. Quando estamos na linha, todas as noites enxotamos as patrulhas que nos vêm apalpar; todas as noites passeamos pela “terra de ninguém”. André Brun, A malta das trincheiras, ed. 1983, p.89.

Nesse espaço lúgubre, contido e sufocante, coexistiam a morte, a doença e a sobrevivência. Organizavam-se postos de socorros, abrigos de artilharia, cozinhas de campanha, latrinas e locais de descanso. As condições de vida eram penosas; por vezes agravadas pela chuva e a neve que inundavam as trincheiras, enchendo-as de lama, dificultando, ainda mais, as movimentações dos soldados.

Sobrepesava a rotina da «trincha», só interrompida por disparos, bombardeamentos e raids nocturnos. Os soldados cavavam, limpavam e cuidavam das comunicações. As sentinelas vigiavam o inimigo.

Os dias eram sempre iguais, cumprindo tarefas repetitivas e extenuantes. As noites eram longas, vividas em espera, vigilância e sobressalto.

Capítulo 5. O corpo e a doença. A medicina portuguesa durante a Guerra

A medicina enfrentou grandes desafios durante a I Guerra Mundial. O armamento e as inovações tecnológicas resultaram em milhares de mortos, feridos e mutilados. A medicina desenvolveu novos métodos de diagnóstico e tratamento. A guerra fomentou a utilização do raio-x, viu nascer o shell shock e a cirurgia reconstrutiva e acompanhou o desenvolvimento da enfermagem feminina. 

“Pálidos, magros, exaustos, os pulmões roídos dos gases… uma legião miserável de abandonados”. 

Jaime Cortesão, Memórias da Grande Guerra

Em África, os combatentes eram acompanhados por oficiais-médicos e socorridos maioritariamente nas principais cidades coloniais. Doenças como a malária, o paludismo ou a disenteria produziram mais baixas que as actividades de guerra. Em França, o exército português desenvolveu um complexo Serviço de Saúde, encaminhando o paciente da trincheira à ambulância ou hospital, numa rede prestadora de cuidados muito dependente dos ingleses. Repatriados, os pacientes eram recebidos nos hospitais militares e unidades hospitalares provisórias. Os mutilados eram cuidados e reinseridos socialmente em instituições como o Instituto de Arroios e o Instituto de Santa Isabel, ambas em Lisboa.

Médicos e pessoal de enfermagem lidaram com as consequências físicas e emocionais produzidas pelos avanços tecnológicos, nomeadamente decorrentes dos efeitos do armamento utilizado e da introdução de gases venenosos durante os bombardeamentos. Novas armas, novos ferimentos. Foram aos milhares os mutilados e estropiados, os doentes, os psicologicamente abalados.

Debateu-se a reinserção social dos mutilados, a produção de próteses, os métodos de transfusão sanguínea e a vacinação dos combatentes.

O final da guerra ficaria ainda marcado pela deflagração e propagação da epidemia mais mortífera registada até então. A pneumónica, potenciando a já tétrica trilogia da miséria, da guerra e da morte, mataria mais de 50 milhões de pessoas no mundo inteiro.

Capítulo 6. A República em Guerra

A declaração de guerra da Alemanha a Portugal determinou o início da intervenção portuguesa na frente europeia, dando lugar ao entendimento entre os Partidos Democrático e Evolucionista na constituição do Governo de União Sagrada. A constituição de um Corpo Expedicionário Português, tornou-se prioridade absoluta, iniciando-se o chamado “milagre de Tancos”.

A mobilização do País para a guerra, convocando todos os recursos, humanos e materiais, ficou longe de suscitar o consenso, aumentando a contestação contra o governo da União Sagrada e o envio de tropas para França, crescendo as divisões internas em todos os planos, incluindo dentro das Forças Armadas.

A beligerância é uma questão de vida ou morte para a República. 

Machado Santos (1875-1921). A Capital, 3-12-1914, p. 2.

Confrontada com o aumento das dificuldades, as reações repressivas do poder político e policial, o mais das vezes inusitadamente violentas, a ineficácia ou insuficiência das diversas medidas tomadas a nível nacional ou municipal, a população fez sentir a sua insatisfação e o seu desespero com uma intensidade impar ao longo dos anos do conflito. Aos problemas decorrentes da natureza do tecido produtivo nacional e do elevado grau de dependência externa, acresciam os efeitos da pressão inflacionista, do esforço financeiro associado às despesas de guerra, dos montantes atingidos pelo endividamento interno e externo, arrastando o País para um contexto de crise económica e financeira, cujas consequências perduraram para além do fim do conflito.    

A Guerra, exacerbou vulnerabilidades económicas, acentuou divergências políticas e aprofundou clivagens sociais. A tendência evoluiu no sentido do agravamento da situação política e social do País, compondo o ambiente em que ocorreu o golpe de Sidónio Pais e, pondo em causa as instituições republicano-liberais, a experiência autoritária sidonista.

Ao impacto da Guerra ficou a somar-se o pesado saldo humano e material da participação portuguesa, e as expectativas frustradas dos que a tinham advogado, desde logo no plano internacional, conforme ficou explícito na Conferência de Paz.

Capítulo 7. As artes durante a guerra: compromisso e rebeldia

O Mundo é de quem não sente, Bernardo Soares (Fernando Pessoa), Livro do Desassossego

A mobilização cultural dos escritores e artistas portugueses não foi unívoca, revelando as fracturas sociais em relação à guerra. Se a Renascença Portuguesa defendeu a intervenção activa do país no conflito, com poetas como Augusto Casimiro distinguindo-se como soldados e memorialistas da frente da Flandres, já o movimento modernista surgido publicamente em 1915 apresentava posições virulentas e contraditórias face ao conflito. A sua revista emblemática, Orpheu, revela nomes seminais como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, propondo uma poética que dialogava com as recentes vanguardas europeias. A provocação cultural foi radicalizada pouco depois no futurismo, proclamado nos manifestos polémicos de Almada Negreiros. Entretanto, regressado de Paris, Amadeo de Sousa Cardoso apresenta uma exposição de pintura em 1916 que o confirma na vanguarda da arte internacional.

Outros artistas, como Sousa Lopes e Cristiano Cruz, seguiram com o exército para a frente de batalha em França e produziram obras cruciais.

Nos anos vertiginosos da Grande Guerra deram-se ainda notáveis episódios de diálogo e actualização cultural: a estadia do casal de artistas Robert e Sonia Delaunay no Minho e a actuação dos Bailados Russos em Lisboa.    

Capítulo 8. Memórias

No pós-guerra surgiram rituais memorialistas em todos os países intervenientes. Portugal transladou para o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, os seus dois Soldados Desconhecidos, vindos de África e de França, a 9 de Abril de 1921. Na Sala do Capítulo ainda hoje se encontram, sob a lápide que diz:

PORTUGAL ETERNO NOS MARES, NOS CONTINENTES E NAS RAÇAS AO SOLDADO DESCONHECIDO MORTO PELA PATRIA NA GRANDE GUERRA 1914 – 1918.

A Grande Guerra, os seus ecos, perpetuados na arte, na literatura, nos relatos e nas histórias, podem ainda hoje ser escutados. Uns comungam de uma mesma saudade, medo ou vontade de retorno à Pátria. Outros recordam convulsões políticas, problemas sociais, dúvidas e incertezas nos dias vindouros. 

As narrativas de guerra são várias e diversificadas. Existem as dos grandes militares e estadistas, dos combatentes que experienciaram as trincheiras, dos prisioneiros, enviados para campos alemães, ou dos médicos, observadores dos males infligidos no corpo e na alma. Todos são essenciais à construção da Memória que se pretende reavivar.

Foi a guerra? (…) Foi evidentemente a guerra – foi a morte. Foi a morte que se aproximou de repente de nós todos, dos desgraçados e dos outros e nos pôs o problema da vida como uma faca apontada aos peitos. A morte passou para o primeiro plano. - Raul Brandão, Memórias

A exposição Já sabemos esta guerra de cor. Portugal e a Grande Guerra é uma iniciativa do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Assembleia da República e do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Integra um projecto mais amplo dedicado ao estudo e à divulgação da história e do impacto da Grande Guerra em Portugal que inclui a realização em Portugal da iniciativa de recolha de memórias e objectos cedidos por familiares de soldados e de outras pessoas que viveram e testemunharam a Grande Guerra promovida no âmbito do projecto Europeana 1914-1918.

Em Portugal, essa actividade tem sido promovida através da internet e da realização de acções de recolha sob a designação de Dias da Memória. A primeira acção de Dias da Memória teve lugar em Outubro de 2014 no Parlamento português.

Esta exposição propõe uma narrativa dos principais aspectos da história e do impacto da Grande Guerra em Portugal feita essencialmente a partir das imagens e dos testemunhos recolhidos nos Dias da Memória disponibilizados através de Europeana 1914-1918.

Créditos    

Organizado por Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (http://www.ihc.fcsh.unl.pt), Assembleia da República e Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Coordenação do projecto: Maria Fernanda Rollo

Créditos:

Assembleia da República

Câmara Municipal de Lisboa

Europeana 1914-1918

Créditos: história

Curational Team —
Maria Fernanda Rollo
Ana Paula Pires
Margarida Portela
Maria Ines Queiroz 
Research and Text —
Ana Carina Azevedo
Ana Paula Pires
Angela Salgueiro
Aniceto Afonso
Carlos Silveira
Joana Dias Pereira
Joao Moreira Tavares
Jose Luis Assis
Margarida Portela
Maria Fernanda Rollo
Maria Ines Queiroz

Créditos: todos os meios
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