Athos Bulcão: obras de ateliê

Fundação Athos Bulcão

Athos Bulcão é, sobretudo, um pintor, este é o território que deliberou para sua arte ao iniciar a carreira, nos anos 1940. Como pintor, exercitou-se no desenho e realizou várias séries de gravuras. Artista inquieto, lançou-se em experiências com fotomontagens e relevos policromados, suas Máscaras, e pequenas esculturas, seus bichos, obras que compõem seu trabalho de ateliê. Nesta exposição, reunimos uma pequena amostra desses 70 anos de pesquisas, estudos e produção de obras de arte. Todos os itens fazem parte do acervo da Fundação Athos Bulcão.

Vida
Nascido na cidade do Rio de Janeiro, Athos Bulcão (1918 - 2008) teve uma infância permeada pela música, pintura e teatro. Ainda jovem, estudou medicina, mas depois de algum tempo na universidade percebeu que sua paixão era mesmo a arte. Conviveu com grandes expoentes das artes brasileiras como Carlos Scliar, Burle Marx e Cândido Portinari e nesse círculo de artistas e intelectuais, conheceu Oscar Niemeyer, que se encantou com seus desenhos e o convidou para criar painéis em azulejos para seus edifícios. Esse foi apenas o começo de sua brilhante carreira com pinturas, desenhos, gravuras, fotomontagens, figurinos e cenários para teatro, capas de discos e livros, esculturas e sua monumental obra de integração entre arte e arquitetura. Foram 70 anos de pesquisas, estudos e produção de obras de arte. Athos era incansável em suas experimentações e utilizava seus conhecimentos profundos sobre o uso das cores e da geometria com maestria, como vemos nas que fazem parte do acervo da Fundação Athos Bulcão.
Pinturas
"Eu tenho alguns trabalhos que são muito musicais; eles parecem terem um ritmo. Eu gosto de pintar deixando uma cor atrás de outra, criando algo um tanto misterioso (...). Portinari me ensinou muito. Ele me ensinou a entender pinturas, a analisar como elas eram feitas. Arte europeia é muito bem pensada. Alguém pode argumentar, 'E Van Gogh?' Van Gogh era muito decisivo em fazer suas pinturas da forma que fazia, com apenas três, quatro ou cinco cores. E isso é algo técnico, que ajuda o pintor. Antes de fazer a pintura, eu escolho as cores que vou usar, raramente adicionando outra. A obra é toda pintada antes." (entrevista dada pelo artista para o Jornal de Brasília, publicado em 2 de julho de 1998)
Desenhos
A técnica de desenhista, traços e tramas, lacunas e cheios, tudo o que constitui o vocabulário básico da sua linguagem gráfica é utilizado para suscitar um espaço reinventado, visão surpreendente de um mundo interior fantástico e perturbador. Como se tudo surgisse por meio (consciente) das formas de um mar interno, cuja topologia insondável contivesse significados e conteúdos subconscientes, sistemas de vida incontáveis e latentes à espera de corpo. Se fosse possível dar um nome geral a estes desenhos, eu gostaria de chamá-los: aparições. (Ítalo Campofiorito, Apresentação da exposição individual Desenhos Galeria de Arte Encontro, Brasília, 1968)
Fotomontagens
“Eu fiz uma série grande de fotomontagens, de 1952 até 1955. Depois comecei a fazer fotomontagem aplicando em arquitetura. Fazia montagens grandes. (...) Eu tinha voltado da Europa, onde fui bolsista, e vi que não podia viver de pintura. Estava fazendo decoração de interiores e não gostava muito. Aí me deu vontade de fazer uma coisa que não fosse nem fotografia, nem teatro, nem cinema. Comecei a recortar figuras e colocar uma ao lado da outra. É um exercício de enquadramento. Aquilo é uma coisa que talvez esteja ligada a cinema na minha cabeça, ao movimento. Eu imaginava filmezinhos em torno daquilo.” (entrevista concedida pelo artista ao Jornal de Brasília, publicada no dia 2 de julho de 1998)
Gravuras
Ao se afastar (sempre com muitas possibilidades de reaparecimentos) de suas figuras esquemáticas, ele experimenta certa geometria flutuante em grandes espaços de cor. Estas conviverão com suas máscaras, já dos anos 1970 em diante, transferidas dos relevos policromados para a tela, e que o acompanharão até o fim da vida. Inicia a definição de campos quadrangulares soltos em um fundo sempre escuro, povoados por formas orgânicas, muitas vezes evocadoras de certa figuração. Em um primeiro momento, organizados ortogonalmente, eles passam também a flutuar, criam sobreposições, transparências. (Marilia Panitz, O imaginário segundo Athos Bulcão, 100 Anos de Athos Bulcão, 2018)
Estudos
Esse precioso material deixado pelo artista, assim como as plantas que desenham a possível implantação dos painéis (os de azulejo, mas também os escultóricos, os acústicos e as divisórias), possibilita ao fruidor a compreensão dos princípios de sua criação. Athos afirmava que “... a minha atitude diante da coisa ajuda nisso. O primeiro cuidado é não parecer que o prédio foi feito para ficar com aquela decoração. É preciso sentir que aquilo é necessário, no que se refere à conclusão do projeto, (...) o resto é um pouco de bom senso”. Seu trabalho integrado aos prédios foi desenvolvido basicamente a partir de duas grandes parcerias: com Oscar Niemeyer e com João Filgueiras Lima (Lelé). Há, nessas duplas que se formaram, a clareza da função estética como essencial à funcionalidade dos equipamentos urbanos, e isso faz de suas obras, criações exemplares. (Marilia Panitz, O imaginário segundo Athos Bulcão, 100 Anos de Athos Bulcão, 2018)
Máscaras
“A ideia surgiu no último momento do filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço, com o feto. E elas são fetos, elas estão trancadas dentro do útero, e eu imagino que é uma indagação sobre a origem biológica. (...) A intenção é fazer um objeto, brincar com a antropologia, com a origem física. Eu estava em Paris, em 1971, no Musée de l’Homme, (...) Pensei em fazer uma exposição com máscaras que parecessem feitas de matérias estranhas. A exposição chamava-se É tudo falso, uma brincadeira com a questão da obra de arte. A obra de arte é uma ilusão. Primeiro, porque não serve absolutamente para nada, é o lado fascinante. Depois, como dizer quando uma obra de arte é verdadeira ou quando é falsa?” (entrevista concedida pelo artista ao Jornal de Brasília, publicada no dia 2 de julho de 1998)
Créditos: todas as mídias
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