Erwin Wurm apresenta uma série de trabalhos que discutem o corpo humano não apenas a partir do físico, mas também de suas camadas psicológicas e espirituais.

O Artista que Engoliu o Mundo
O consumo - daquilo que comemos ao que almejamos possuir - é um tópico recorrente nas obras do artista austríaco.

Wurm faz com que a palavra "dieta" adote a dimensão de um exercício de fé contemporânea.

"A dieta", ele diz, "é como uma filosofia que faz parte do nosso cotidiano: por um lado, tem um aspecto físico e, por outro lado, uma dimensão espiritual".

Essa ambiguidade torna possível se referir à dieta do consumismo e à dieta dos alimentos: ambos revelam uma existência dentro da dimensão do excesso.

A Casa

Suas obras utilizam um deslocamento de elementos do cotidiano para o campo da arte, reconfigurando objetos familiares como casas, carros, roupas e alimentos para um contexto inesperado, engraçado e ao mesmo tempo crítico em relação à sociedade contemporânea.

Erwin Wurm

Esses elementos inanimados ganham vida orgânica – uma residência obesa, um vaso sanitário magro, uma salsicha cheia de personalidade, um carro acima do peso.

Wurm busca levar a definição de escultura ao seu limite. Ele é primordialmente um escultor que apresenta uma narrativa do cotidiano transformado pelo potencial de tridimensionalidade.

O artista inglês Antony Gormley uma vez disse que a verdadeira matéria-prima da escultura é a energia, o calor necessário para modificar um material até que ele chegue ao "estado de arte".

Esculturas de Um Minuto

Desde o fim dos anos 1980, ele começou a série One Minute Sculptures, que se tornou emblemática, prenunciando o comportamento irreverente e autorreferencial que a Internet iria popularizar.

Muito antes da ideia de interatividade, das redes sociais e da epidemia das selfies, Wurm criava algo que seria uma simulação de um comportamento que ainda nem se anunciava.

Assim como deveria ser no ideal da arte, que a obra resida no olhar, em Wurm a obra reside no encontro entre a intenção do artista e a disposição do público.

De nada vale roubar uma escultura de bronze, pois seu valor não está em sua matéria física, mas na emanação de energia (medida em calorias) do forno que a esculpiu.
Metaforicamente, pode-se entender que a mesma energia que esculpe um bronze ou um ferro é a energia que esculpe nossos corpos.
A caloria que nos faz ganhar ou perder peso é a mesma força que briga com as formas da escultura.
Você é o escultor do seu corpo e a caloria é a matéria-prima dessa escultura.

Wurm é um pescador do olhar, jamais perdendo de vista a inoculação da mente com o vírus da incerteza daquilo que nos faz duvidar do que nossos olhos veem.

Créditos: história

Erwin Wurm - O Corpo é a Casa
Curador: Marcello Dantas
Texto: Marcello Dantas
Exposição realizada em Brasília de Abril a Junho de 2017.
Centro Cultural Banco do Brasil

Créditos: todas as mídias
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