Breve história das primeiras décadas do Theatro Municipal por seus folhetos e programas

Quem é quem?
Ao entrar em um teatro, faz parte do ritual receber o folheto ou o programa completo sobre o espetáculo que está prestes a ocupar o palco. Ele funciona como um guia, em que o contexto da obra, a biografia dos artistas, a descrição dos personagens e da trama são explicitados ao público como um preparativo para a realidade em que, em instantes, se estará imerso. Seja para adentrar a boemia operária francesa ou viajar no espaço em uma história de paixão e ciúme, é por meio dos programas e de sua ficha técnica que os nomes dos artistas perdem suas personalidades de origem e incorporam novos meios de ser. Essa pequena lista, dentro dos programas, perpetua uma célebre apresentação e nos dá acesso àquilo que aconteceu a mais de uma centena de anos. O conteúdo programático e o design de cada edição narram a evolução histórica do contexto cultural e das diferentes administrações que passaram pelo Theatro Municipal de São Paulo. Nesta exposição, você entenderá como foi a inauguração do espaço em 1911, verá os grandes nomes que aqui se apresentaram, passará por marcos históricos da cidade como a Semana de Arte Moderna e presenciará a democratização da cultura articulada por Mario de Andrade.

Em 1903, se inicia a construção de uma das maiores salas de espetáculo da América Latina. Inspirado no estilo arquitetônico da Ópera de Paris, o Theatro Municipal de São Paulo abriu suas portas pela primeira vez em 1911. Para estreia, escolheu-se a Companhia Italiana Titta Ruffo.

A estreia, porém, não se concretizou na data marcada. Os cenários da Companhia Italiana Titta Ruffo, provenientes da Argentina, não chegaram a tempo e o espetáculo foi adiado para a noite seguinte, 12 de setembro. A peça escolhida para a inauguração foi a ópera "Hamlet", do francês Ambroise Thomas.

A escolha por “Hamlet” e Titta Ruffo para a inauguração gerou revolta na Câmara e nos principais jornais da cidade. Para contornar a situação, o empresário Celestino Silva decidiu abrir o espetáculo com trechos de “Il Guarany”, sob a regência de Eduardo Vitale.

O barítono Titta Ruffo. Imagem do programa de inauguração.

A história da construção e as referências arquitetônicas foram explicadas em uma monografia lançada durante a inauguaração. Ramos de Azevedo, M.P. Villaboim, Alfredo Pujol e Numa de Oliveira fizeram parte da comissão para estruturar como seria o evento.

Ponte com o mundo
A imponência do Theatro no meio de uma das cidades que mais cresciam no hemisfério sul fez com que os olhares do mundo se voltassem para São Paulo. Companhias como Comédie Française (França) e Teatro Nô (Japão) já colocavam a cidade paulista na rota de suas turnês mundiais. Os franceses foram os primeiros a se apresentarem no palco de São Paulo, principalmente por causa da influência de sua cultura em solos tropicais. Logo em seguida vieram os italianos, que sempre causavam alvoroço por causa da recém-chegada colonização italiana no fim do século XIX.

Lucien Guitry, à frente da Companhia Dramática Francesa, nos visitou em junho de 1912, encenando "Samson", de H. Bernstein. O autor era bastante popular e possuía uma invejável carpintaria teatral.

Ficha técnica do programa da apresentação da Companhia Dramatica Rio-Platense.

Faustino da Rosa e Walter Mocchi foram os empresários responsáveis pela maioria dos eventos no Theatro Municipal, em especial as temporadas líricas entre 1912 e 1920.

Programa da Grande Companhia Dramatica Franceza Mr. Lucien Guitry, que voltou ao Theatro depois de sua apresentação em 1912 de "Samson".

Programa da Grande Companhia Lyrica Italiana para um espetáculo de gala em benefício à Cruz Vermelha Italiana. Diversas apresentações no Theatro eram em benefício a causas beneficentes.

Ficha técnica da apresentação de "La Traviata", com a participação de Tito Schipa e Maria Barrientos.

Em 1917, Enrico Caruso, no auge de sua carreira e considerado o Rei dos Tenores, apresentou-se no Municipal cantando 7 óperas.

Companhias do país também eram convidadas a se apresentar, como a Grande Companhia Lyrica do Theatro Municipal do Rio.

A derrubada dos cânones
Em 1922, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro, o Theatro Municipal de São Paulo foi palco de um dos mais importantes movimentos artísticos do país, a Semana de Arte Moderna. No saguão do teatro, alugado por 847 mil réis (cerca de R$ 20 mil atuais), concertos, danças, conferências e uma exposição de artes plásticas deram forma e cara a um evento que causou furor em nossa história. A utilização do Municipal como um dos lugares para a Semana provocou protestos da sociedade ainda conservadora e não menos provinciana. A polêmica aumentou quando, no segundo dia do evento, a exímia pianista Guiomar Novaes, saudada na ocasião pelo influente jornalista e ensaísta Paulo Menotti Del Picchia, gerou protestos de toda ordem ao executar peças de Debussy, inovador compositor francês. A Semana, defendida por alguns como uma reação que modificou o futuro das artes, foi vista àquela época como um escândalo e puro divertimento de alguns rapazes financiados por mecenas da burguesia paulistana. A História, porém, provou o contrário.

Catálogo da exposição da Semana de Arte Moderna.

A plateia estranhou o maestro Villa-Lobos trajado a rigor e calçando chinelos. O público trocou os aplausos por vaias, urros, relinchos e ladrar de cães. Na imagem, anúncio no jornal O Estado de S. Paulo, de 16 de fevereiro de 1922, para a apresentação de Villa-Lobos.

Recibo do aluguel do Theatro Municipal por 847 mil réis (cerca de R$ 20 mil atuais).

Benvenuto!
A Companhia de Ernete Zacconi foi uma das primeiras trupes do teatro italiano a se apresentar no novo palco de São Paulo, abrindo caminho para que muitas outras viessem ao Municipal. Logo depois, desembarcou a Companhia de Clara Della Guardia, especialista em repertório romântico, que incluía "Zazá" e "Adriana Lecouvreur". O amor de Clara Della Guardia pelos palcos era tanto que ao morrer, em 1937, ela foi enterrada vestida como Marguerite Gautier, a Dama das Camélias, como era a sua vontade. Entre outras companhias italianas, estavam Melato-Betrone, que veio para cá em 1925; Teatro de Arte de Milão, 1929; Muse Italiche, 1931; Opera Nacional Dopolavoro, 1936; Arte Dramática Bragaglia, 1937; Companhia Italiana de Comedia Paola-Borboni-Luigi Cimara, 1938; Compagnia Del Teatro Italiano, com Vittorio Gassmann, 1951 e Piccolo Teatro di Milano, 1981. A programação da maioria dessas companhias estava repleta de dramalhões e comédias ligeiras, de enorme aceitação popular, principalmente por causa da grande comunidade italiana que imigrou para São Paulo.

Ficha técnica de "Il Beffardo" apresentada por Betrone.

Ficha técnica de "Il Ferro" apresentada pela Festa Artística Maria Melato.

Apogeu lírico
A variedade de eventos líricos dos anos 1920 no Municipal raramente foi igualada. Um dos acontecimentos mais palpitantes da época foi a visita do compositor Pietro Mascagni, em 1922, durante as comemorações do Centenário da Independência. Mascagni regeu suas óperas "Íris", "Isabeau", "Il Piccolo Marat" e "Cavalleria Rusticana", "Rigoletto", de Verdi, e "Il Guarany", de Carlos Gomes. As grandes estreias continuavam. Em 1920, o tenore Beniamino Gigli, considerado o sucessor de Enrico Caruso e Giacomo Lauri-Volpi, de voz mais dramática que a de Gigli, causou sensação. No elenco feminino, destacaram-se a excepcional Claudia Muzio e a brasileira Bidú Sayão, que estreou na ópera "Rigoletto". Fechando a década, uma companhia russa encarregou-se da temporada de 1929. Foram encenadas óperas de Rimsky-Korsakov, Borodin, Moussorgsky e de compositores do famoso Grupo dos 5, formado por artistas da música de vanguarda soviética.

Bidú Sayão na capa do programa de 1926.

Ficha técnica de "Il Barbiere Di Siviglia", com Bidú Sayão.

Ficha técnica de "Manon Lescaut", com Claudia Muzio e Beniamino Gigli.

O golpe
A Revolução de 1930 foi a grande responsável pela interrupção das temporadas líricas no Theatro durante os primeiros anos daquela década. Os revolucionários acreditavam que a ópera representava uma tradição que não condizia com os novos momentos da arte, que saía do foco na elite (que se diluía por causa da crise financeira) para se centrar em uma camada social emergente e com um público, notoriamente, heterogêneo. As temporadas só conseguiram ser retomadas três anos depois, com uma temporada popular organizada pelo tenor brasileiro Reis e Silva, que contava com nomes como a soprano Carmem Gomes e os baixos José e Salvador Perrotta. Durante as comemorações de Carlos Gomes, em 1936, Gina Cigna, excepcional soprano-dramático ítalo-francesa, participou da reprise de "Lo Schiavo". Bidú Sayão apareceu em "Il Guarany", ao lado de Georges Thill, que era considerado um dos maiores tenores franceses de sua época. Em maio de 1938, a S. A. Teatro Brasileiro, fundada por Gabriela Besanzoni, ocupa pela primeira vez o Municipal, embora tenha tido uma vida curta, mas com grande importância para o enriquecimento da ópera no Brasil.

Em 1935, Plínio Salgado lançou seu manifesto político no palco do Municipal criando o Partido Integralista Brasileiro. Diversas pessoas se manifestaram contra em um grande confronto entre partidários de Plínio e os partidos de oposição. Correrias, brigas, policiais, prisões, tiros e assassinatos aconteceram na cidade por causa do evento.

Mario de Andrade, em 1936, instituiu o Departamento de Cultura da cidade. Com ele, vários projetos tiveram grandes significados para o Theatro, como a própria gerência de sua programação. Andrade também criou, entre 1936 e 1939, diversos eventos populares para democratizar o acesso à cultura. Na imagem, o programa do 32º Concerto grátis do Departamento de Cultura, tendo ao piano Guiomar Novaes e Souza Lima como regente.

Em 1937, o Theatro Municipal sediou o Congresso da Língua Nacional Cantada, o qual derivou seus anais com diversos projetos e estudos sobre a língua portuguesa. Na imagem, programa do Congresso com ilustração de Candido Portinari.

Ainda dentro da democratização ao acesso à cultura, o Theatro Municipal também foi sede de bailes de Carnaval. Na imagem, o programa ao evento de 1938.

Créditos: história

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Prefeito
Fernando Haddad

Secretário Municipal de Cultura
Nabil Bonduki

FUNDAÇÃO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO

Conselho Deliberativo
Nabil Bonduki - Presidente
Leonardo Martinelli
Pablo Zappelini de Leon

Direção Geral
Jose Luiz Herencia

Diretora de Gestão
Carolina Paes Simão

Diretor de Formação
Leonardo Martinelli

INSTITUTO BRASILEIRO DE GESTÃO CULTURAL

Presidente do Conselho
Claudio Jorge Willer

Diretor Executivo
William Nacked

Diretor Financeiro
Neil Amereno

Diretor Artístico
John Neschling

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO

Cristiane Santos
Bernardo Guerra

Direitos Autorais
Olivieri Advogados Associados

Diretoria Geral

Assessora
Maria Carolina G. de Freitas

Cerimonial
Egberto Cunha

Bilheteria
Nelson F. de Oliveira

Diretoria Artística

Assessoria de Direção Artística
Eduardo Strausser
Thomas Yaksic
Clarisse De Conti

Secretária
Eni Tenorio dos Santos

Coordenação de Programação Artística
João Malatian

Diretor Técnico
Juan Guillermo Nova

Assistente de Direção Técnica
Daniela Gogoni

Diretor de Palco Cênico
Ronaldo Zero

Assistente de Direção de Palco Cênico
Caroline Vieira

Assistente de Direção Cênica Residente
Julianna Santos

Segunda Assistente de Direção Cênica
Ana Vanessa

Coordenação de Figuração
Edison Vigil

Figurinista Residente
Imme Moller

Produção de Figurinos
Fernanda Camara

MUNICIPAL DIGITAL

Direção
Rodrigo Savazoni

Coordenação Executiva
Thiago Carrapatoso

Arquivo Artístico

Coordenadora
Maria Elisa P. Pasqualini

Assistente de Coordenação
Milton Tadashi Nakamoto

Copistas e Arquivistas
Ariel Oliveira
Cassio Mendes
Guilherme Prioli
Jonatas Ribeiro
Karen Feldman
Leandro Jose Silva
Paulo Cezar Codato
Raissa Encinas
Roberto Dorigatti

Ação Educativa
Alana dos Santos Schambacler

Diretoria de Produção

Produção Executiva
Anna Patricia
Nathalia Costa
Rosa Casalli

Produtores
Aelson Lima
Pedro Guida
Nivaldo Silvino

Assistente de Produção
Arthur Costa

APRENDIZ
Laysa Padilha de Souza Oliveira

Palco

Chefe da Cenotécnica
Anibal Marques (Pelé)

Chefe de Maquinária
Thiago dos S. Panfieti

Subchefe de Maquinária
Paulo M. de S. Filho

Acervo de Ferramentas
Marcelo Luiz Frozino

Chefe de Contrarregragem
João Paulo Gonçalves

Técnicos de Palco

Maquinistas
Alberto dos Santos
Aristides da Costa neto
Carlos Roberto チvila
Ivaildo Bezerra Lopes
Peter Silva M. de Oliveira
Uiler Ulisses Silva
Wilian Danieli Peroso

Mecânica cênica
Alex Sandro N. Pinheiro
Anderson S. de Assis

Contrarregras
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Paloma Neves da Costa
Sandra S. Yamamoto

Chefe de Som
Segio Luis Ferreira

Operadores de Som
Daniel Botelho
Kelly Cristina da Silva
Sergio Nogueira

Chefe de Iluminação
Valeria Lovato

Iluminadores
Fernando Azambuja
Igor Augusto F. Oliveira
Lelo Cardoso
Olavo Cadorini
Ubiratan Nunes

Camareiras
Alzira Campiolo
Isabel Rodrigues Martins
Katia Souza
Lindinalva M. Celestino
Maria Auxiliadora
Maria Gabriel Martins
Marlene Collé
Nina de Mello
Regiane Bierrenbach
Tonia Grecco

CENTRAL DE PRODUÇÃO “CHICO GIACCHIERI”

Coordenação de Costura
Emilia Reily

Acervo de Figurinos Assistente
Ivani Rodrigues Umberto

Acervo de Cenário
Ermelindo Terribele

Carregadores
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Marcos C. Rocha
Rui da Silva Costa

AUXILIAR ADMINISTRATIVO

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Maria Aparecida
Gonçalo da Silva

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