Coleção Castro Maya

Museus Castro Maya

Acervo dos Museus Castro Maya, IBRAM-MinC (Museu do Açude e Museu da Chácara do Céu, Rio de Janeiro, RJ)

A coleção Castro Maya caracteriza-se por um perfil eclético apoiado em múltiplos interesses. Os cerca de 17.000 itens abrangem tanto as artes plásticas quanto as artes aplicadas, decorativas e a bibliofilia. As artes plásticas somam cerca de 3.500 peças dividindo-se pelas coleções de arte oriental, Brasiliana, arte brasileira moderna, arte popular brasileira e arte europeia dos séculos XIX e XX, além de alguns exemplares esparsos de peças clássicas e obras dos séculos XVII e XVIII.

A inspiração de um espírito colecionista associado ao século XIX imperava nos primeiros itens acumulados na coleção Castro Maya. Predominavam nesta época objetos de artes decorativas, principalmente orientais, adquiridos na França ou nas viagens empreendidas ao oriente.

A preocupação do Modernismo brasileiro em discutir um projeto de identidade nacional que englobava as questões da arte, história e patrimônio apoiado no binômio tradição e modernidade despertou o interesse da elite brasileira em colecionar as imagens e registros do passado da Nação. Abria-se a porta para o grande interesse na formação de Brasilianas. Para a coleção Castro Maya colecionar o Brasil, remontar seu passado e sua individualidade se apresentava como uma missão.

A peça pertencia originalmente a uma igreja mineira Barroca e foi adquirida por Castro Maya em Congonhas na primeira metade do século XX.

Confirmando seu interesse em formar uma coleção com grande ênfase em obras de arte relacionadas à história do país, Castro Maya adquiriu esta tela em 1950. Ela faz parte de um conjunto de obras produzidas pelo artista flamengo Franz Post, que integrou a comitiva de Maurício de Nassau chegada ao país em 1637. São as primeiras imagens das terras do Novo Mundo pintadas por europeus a partir de observação direta.

Neste quadro o pintor retrata um engenho do Nordeste em plena atividade de beneficiamento da cana e fabricação do açúcar, além da vegetação tropical que tanto encantava o olhar europeu.

A coleção de Brasiliana de Castro Maya foi tida nos anos 1950 como a mais importante coleção privada do Brasil, destacando-se aí as mais de 500 obras originais de Jean-Baptiste Debret.

No século XIX, foram os artistas estrangeiros que registraram as imagens do Brasil. A Europa romântica alimentava grande interesse por territórios distantes carregados de exotismo e buscava avidamente o conhecimento de naturezas e sociedades tão diferenciadas de suas próprias.

O retrato do Brasil composto por Debret entre 1816-31 permaneceu longe do país por cerca de um século, até que Castro Maya repatriasse essas obras da França para o Brasil, no início dos anos 1940.

Dois óleos de Nicolas Antoine Taunay, um dos principais pintores participantes da Missão Artística Francesa chegada ao Brasil em 1816, foram adquiridos pelo pai de Castro Maya em 1892, em leilões parisienses. Posteriormente, Castro Maya dobrou este número com a compra das telas pertencentes a Djalma da Fonseca Hermes. Em 1953 as obras participaram da II Bienal de São Paulo na sala especial A Paisagem Brasileira até 1900, para a qual a coleção Castro Maya contribuiu com 11 obras.

A obra foi adquirida por Castro Maya em 1923 em uma exposição de arte francesa no Rio de Janeiro e marca o início de sua atividade de colecionador de arte. Neste momento, em sua primeira aquisição, Castro Maya demonstra afinidade com os parâmetros de escolha que nortearam a formação da coleção paterna, inclinada pela pintura praticada por artistas contemporâneos, consagrada nos salões e com uma temática predominantemente realista, ainda que levemente idealizada, mas que assegurava um padrão de narratividade e legibilidade sem incorrer nas rupturas plásticas propostas pelo Impressionismo.

O perfil da coleção Castro Maya deriva, em grande medida, da aspiração de montagem de um panorama da evolução dos movimentos artísticos modernos, com horizonte internacional, de Constantin Guys à abstração, passando pelo impressionismo, o cubismo e outras escolas. Entretanto, filho de um colecionador, Raymundo herdou-lhe a vocação colecionista bem como recebeu também em herança um grupo de pinturas identificadas ao paisagismo francês de meados do XIX. As obras mais significativas, de membros destacados da escola de Barbizon como Theodore Rousseau e Félix Ziem, ou da escola Realista de Courbet, haviam sido arrematadas em leilões ou galerias de arte parisienses entre 1890-1920.

Na década de 1940, a tela pertencia à coleção Marques Rebello e como tal participou da exposição Pintura Européia Contemporânea, organizada por Castro Maya para inaugurar as atividades do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro do qual ele foi fundador e presidente até 1952. Em 1961, Castro Maya teve a oportunidade de incorporá-la à sua coleção através de compra realizada na galeria de arte Barcinsky do Rio de Janeiro. Participante das primeiras fases do cubismo, Metzinger escreveu em 1912, em colaboração com Albert Gleizes, o tratado Du Cubisme, que propôs uma base teórica para o movimento.

Dos artistas brasileiros relacionados à pintura acadêmica que têm presença no acervo Castro Maya, pode-se dizer que todos são autores que apresentaram inovações formais e temáticas em relação ao padrão canônico da época.

A tela de Castagneto, pelo tratamento plástico, remete diretamente a uma pintura de transição para a arte moderna, mais preocupada com as questões do cromatismo, luminosidade e expressão pessoal do artista.

Visconti era tradicionalmente “lido” na época como um impressionista nacional e, portanto, o antecedente direto do modernismo.

O quadro, que pertenceu anteriormente à coleção Correa de Araújo, exemplifica, de certa forma, alguns dos postulados do modernismo brasileiro, ambicioso em seu projeto de representação da vida nacional e afirmação dos traços específicos de nossa cultura.

Nele, uma linguagem formal mais moderna apresenta a temática de elementos que constroem um retrato da nacionalidade, com destaque para a cultura popular na figura do casal oriundo dos extratos mais baixos da sociedade e no cômodo decorado com cores fortes, bandeira brasileira e símbolos de religiosidade popular.

Castro Maya foi mecenas e amigo de artistas brasileiros de seu tempo, especialmente Candido Portinari, com quem desenvolveu muitos projetos desde a década de 1940 até a morte do artista. Deste relacionamento de vinte anos resultou a acumulação de 168 originais, entre pinturas, desenhos, gravuras e ilustrações de livros, o que torna este um dos maiores acervos públicos do pintor.

A partir de 1950 peças de ceramistas nordestinos e pinturas de artistas populares e naives passam a integrar a coleção Castro Maya, sendo a primeira aquisição um lote de figuras de Mestre Vitalino. Castro Maya marcava, assim, sua participação no processo de reconhecimento e aclamação que a arte dita popular ou regional viria a merecer por parte das elites intelectuais.

Nos anos 1950, a coleção Castro Maya começou a contar com obras não figurativas. Todas elas se alinham com as correntes informais da abstração, caracterizadas pela expressão da subjetividade do artista e marcadas, geralmente, pelo lirismo ou por um caráter emotivo, ao contrário das vertentes construtivas, em que as obras se distinguem pelas formas geométricas.

Créditos: história

COLEÇÃO CASTRO MAYA

Acervo dos Museus Castro Maya, IBRAM-MinC (Museu do Açude e Museu da Chácara do Céu, Rio de Janeiro, RJ)

Textos: Anna Paola Baptista
Apoio operacional: Virgilio Luiz Gonzaga Júnior
Fotografias: Jaime Acioli; Horst Merkel; Equipe do Google Arts & Culture

Créditos: todas as mídias
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